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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

CID Miomatose Uterina: Código, Sintomas e Tratamento

CID Miomatose Uterina: Código, Sintomas e Tratamento
Verificado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Antes de Tudo

A miomatose uterina é uma condição ginecológica extremamente frequente que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, caracterizando-se pela presença de tumores benignos no útero, conhecidos como miomas ou leiomiomas. Apesar de sua natureza não cancerosa, esses nódulos podem causar sintomas significativos, comprometendo a qualidade de vida, a fertilidade e a saúde geral da mulher. Para a correta classificação, registro em prontuários, comunicação entre profissionais de saúde e fins administrativos e estatísticos, utiliza-se a Classificação Internacional de Doenças (CID), atualmente em sua décima edição (CID-10). O código específico para a miomatose uterina é o D25, que abrange o "leiomioma do útero" e suas variantes.

Compreender o significado do CID D25, seus subtipos, as manifestações clínicas associadas e as opções terapêuticas disponíveis é fundamental tanto para pacientes quanto para profissionais da área da saúde. Este artigo tem como objetivo fornecer uma visão abrangente sobre a miomatose uterina, abordando desde a codificação oficial até as estratégias de tratamento mais atuais, sempre embasado em fontes confiáveis e dados recentes da literatura médica.

Aprofundando a Analise

1 O que é a miomatose uterina e qual o seu CID?

A miomatose uterina, também denominada leiomiomatose uterina, refere-se à condição na qual se desenvolvem um ou múltiplos miomas no útero. Os miomas são tumores benignos que se originam das células musculares lisas do miométrio (a camada muscular do útero). São dependentes de hormônios, especialmente estrogênio e progesterona, o que explica sua maior incidência durante a idade reprodutiva e sua tendência a regredir após a menopausa.

O CID-10, em seu Capítulo II (Neoplasias), agrupa os tumores benignos. O código D25 é dedicado exclusivamente ao leiomioma do útero. Na prática clínica e administrativa, o termo "miomatose uterina" é usado como sinônimo, embora o termo técnico no CID seja leiomioma. A classificação completa inclui quatro subcategorias:

  • D25.0 – Leiomioma submucoso do útero: Localiza-se abaixo do endométrio, projetando-se para a cavidade uterina. É o tipo que mais frequentemente causa sangramento anormal e problemas de fertilidade.
  • D25.1 – Leiomioma intramural do útero: Localiza-se dentro da parede muscular do útero (miométrio). É o tipo mais comum e pode ser assintomático ou causar dor e aumento do volume uterino.
  • D25.2 – Leiomioma subseroso do útero: Localiza-se na parte externa do útero, abaixo da serosa. Pode crescer para fora e comprimir órgãos adjacentes, como bexiga e intestino.
  • D25.9 – Leiomioma do útero, não especificado: Utilizado quando o tipo de mioma não é especificado ou não é possível determinar sua localização exata.
É importante destacar que o CID D25 é utilizado tanto para miomas únicos quanto para múltiplos. A presença de vários miomas é comumente chamada de "miomatose uterina", embora o código permaneça o mesmo.

2 Epidemiologia e fatores de risco

Estudos epidemiológicos indicam que os miomas uterinos são extremamente prevalentes. De acordo com fontes médicas, 20% a 50% das mulheres em idade reprodutiva são afetadas, com um pico de incidência entre os 40 e 50 anos [4] [5]. Entretanto, estimativas mais abrangentes sugerem que até 70% das mulheres brancas e impressionantes 80% das mulheres negras podem desenvolver miomas até os 50 anos, embora muitas permaneçam assintomáticas [5]. Essas diferenças refletem não apenas fatores biológicos e genéticos, mas também disparidades no acesso ao diagnóstico e na metodologia dos estudos.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Idade: Mais comum entre 30 e 50 anos.
  • Raça/etnia: Maior incidência e sintomas mais graves em mulheres negras.
  • História familiar: Predisposição genética.
  • Obesidade: O tecido adiposo produz estrogênio, estimulando o crescimento.
  • Nuliparidade: Mulheres que nunca engravidaram têm maior risco.
  • Dieta: Dietas ricas em carne vermelha e pobres em vegetais podem estar associadas a maior risco.
  • Hipertensão arterial: Alguns estudos sugerem associação.

3 Sintomas e diagnóstico

Muitas mulheres com miomas não apresentam sintomas. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

  • Sangramento menstrual intenso e prolongado (menorragia), podendo levar a anemia.
  • Dor pélvica ou sensação de peso no baixo ventre.
  • Aumento do volume abdominal (distensão).
  • Sintomas compressivos: necessidade frequente de urinar (compressão da bexiga), constipação intestinal (compressão do reto) e dor lombar.
  • Infertilidade ou abortamentos de repetição, especialmente nos miomas submucosos.
  • Dores durante a relação sexual (dispareunia).
O diagnóstico é geralmente confirmado por exames de imagem. A ultrassonografia pélvica (transvaginal ou abdominal) é o método de escolha inicial, por ser acessível, não invasiva e eficaz na identificação e localização dos miomas. Em casos mais complexos, como para planejamento cirúrgico ou avaliação detalhada da cavidade uterina, a ressonância magnética (RM) é amplamente utilizada, pois oferece maior precisão na caracterização dos nódulos e na distinção entre miomas e outras massas pélvicas [1] [4]. Outros exames, como a histerossonografia e a histeroscopia, podem ser indicados conforme a necessidade.

4 Tratamento

O tratamento da miomatose uterina deve ser individualizado, levando em consideração a intensidade dos sintomas, o desejo de preservar a fertilidade, a localização e o número de miomas, a idade da paciente e a resposta a terapias anteriores. As opções variam desde a conduta expectante (observação) até procedimentos cirúrgicos mais radicais.

  • Conduta expectante: Indicada para mulheres assintomáticas ou com sintomas leves, especialmente se próximas da menopausa, quando há tendência à regressão.
  • Tratamento medicamentoso: Inclui analgésicos e anti-inflamatórios para dor; suplementação de ferro para anemia; e hormônios como anticoncepcionais orais, progestágenos, DIU com levonorgestrel (Mirena) e análogos do GnRH, que reduzem temporariamente o tamanho dos miomas e o sangramento. O uso de análogos do GnRH é limitado a curtos períodos devido aos efeitos colaterais.
  • Procedimentos minimamente invasivos:
  • Miomectomia histeroscópica: Remoção de miomas submucosos através do histeroscópio, ideal para preservar o útero.
  • Miomectomia laparoscópica ou laparotômica: Remoção cirúrgica dos miomas, preservando o útero. Indicada para mulheres que desejam engravidar.
  • Embolização das artérias uterinas (EAU): Procedimento radiológico que bloqueia o fluxo sanguíneo para os miomas, levando à sua necrose e redução. Preserva o útero, mas não é recomendada para quem deseja engravidar em curto prazo.
  • Ablação por radiofrequência (ex.: Acessa): Técnica guiada por ultrassom que destrói os miomas com calor.
  • Cirurgia definitiva:
  • Histerectomia total: Remoção completa do útero, sendo a única opção curativa definitiva. Indicada para mulheres que não desejam mais engravidar, com sintomas graves ou miomas muito grandes. Pode ser realizada por via abdominal, laparoscópica ou vaginal.
A escolha do tratamento ideal deve ser feita em conjunto com o ginecologista, após avaliação completa. A transformação maligna de um mioma (leiomiossarcoma) é considerada rara, ocorrendo em menos de 0,5% dos casos, mas crescimento rápido ou sintomas atípicos exigem investigação adicional [4] [5].

Uma lista: Principais sinais de alerta para miomatose uterina

Reconhecer os sinais que podem indicar a presença de miomas é essencial para buscar avaliação médica oportuna. Abaixo, uma lista dos principais sintomas que merecem atenção:

  1. Sangramento menstrual excessivo: Menstruação com duração superior a 7 dias, ou com fluxo muito intenso (uso de muitos absorventes por hora, coágulos grandes).
  2. Anemia ferropriva: Cansaço, fraqueza, palidez e falta de ar, secundários à perda crônica de sangue.
  3. Dor ou pressão pélvica: Sensação de peso ou desconforto no baixo ventre, que pode se intensificar durante a menstruação.
  4. Aumento do volume abdominal: Barriga inchada ou crescendo sem causa aparente, podendo ser confundida com ganho de peso.
  5. Sintomas urinários ou intestinais: Necessidade frequente de urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga, constipação ou sensação de pressão no reto.
  6. Dificuldade para engravidar ou abortos de repetição: Miomas, especialmente os submucosos, podem interferir na implantação do embrião.
  7. Dores durante a relação sexual: Desconforto ou dor na penetração profunda, relacionada a miomas que distorcem a anatomia.
A presença de qualquer um desses sinais, especialmente se combinados, justifica uma consulta com um ginecologista para realização de exames de imagem.

Tabela de Destaques

A tabela a seguir resume os principais subtipos de miomas uterinos conforme a classificação CID-10, suas características de localização e os sintomas mais típicos de cada um.

CID-10SubtipoLocalizaçãoSintomas TípicosImpacto na Fertilidade
D25.0Leiomioma submucosoAbaixo do endométrio, projetando-se para a cavidade uterinaSangramento intenso, cólicas, anemia, infertilidade, abortamentoAlto
D25.1Leiomioma intramuralDentro da parede muscular do útero (miométrio)Pode ser assintomático; dor pélvica, sangramento moderado, aumento do volume uterinoModerado (depende do tamanho e localização)
D25.2Leiomioma subserosoNa superfície externa do útero, sob a serosaGeralmente assintomático; sintomas compressivos (bexiga, intestino), dor se houver torçãoBaixo (geralmente não interfere diretamente)
D25.9Leiomioma do útero, não especificadoNão definida ou mistaVariável, conforme o tipo predominanteVariável

Perguntas Frequentes (FAQ)

Aqui estão respondidas as dúvidas mais comuns sobre a miomatose uterina e seu CID.

O que significa o CID D25?

O CID D25 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) para "leiomioma do útero", popularmente conhecido como mioma uterino ou miomatose uterina. Ele é usado em prontuários, laudos, atestados e sistemas de saúde para registrar essa condição benigna. O código inclui subcategorias que especificam a localização do mioma: D25.0 (submucoso), D25.1 (intramural), D25.2 (subseroso) e D25.9 (não especificado) [1] [8].

Mioma é câncer? Existe risco de se tornar câncer?

Não, miomas são tumores benignos, ou seja, não são cancerosos. A transformação maligna de um mioma em um leiomiossarcoma é extremamente rara, estimada em menos de 0,5% dos casos (Sanarmed – Leiomioma do útero). No entanto, crescimento rápido do mioma, sangramento atípico ou sintomas suspeitos devem ser investigados por um médico para descartar malignidade.

Quais os sintomas mais comuns da miomatose uterina?

Muitas mulheres não apresentam sintomas. Quando presentes, os principais incluem: sangramento menstrual intenso e prolongado (menorragia), que pode causar anemia; dor pélvica ou sensação de peso; aumento do volume abdominal; sintomas compressivos como vontade frequente de urinar ou constipação; e, em alguns casos, infertilidade ou abortos de repetição. Miomas submucosos são os que mais frequentemente causam sangramento e problemas de fertilidade. A avaliação com ultrassonografia é essencial para o diagnóstico preciso.

Como é feito o diagnóstico da miomatose uterina?

O diagnóstico é baseado na história clínica e confirmado por exames de imagem. A ultrassonografia pélvica (transvaginal ou abdominal) é o exame de primeira linha, pois permite identificar a presença, o número, o tamanho e a localização dos miomas. Em situações mais complexas, como para planejamento cirúrgico ou quando há dúvidas diagnósticas, a ressonância magnética (RM) é frequentemente utilizada por oferecer melhor detalhamento anatômico (Portal Afya – CID-10 D25).

Quais são as opções de tratamento para quem tem miomas?

O tratamento depende dos sintomas, da idade, do desejo de engravidar e das características dos miomas. As opções incluem: conduta expectante (apenas observação) para casos assintomáticos; medicamentos para controle de sintomas (anti-inflamatórios, hormônios, DIU Mirena); procedimentos minimamente invasivos como miomectomia (cirúrgica ou histeroscópica) e embolização das artérias uterinas; e histerectomia (remoção do útero), que é a opção definitiva para quem não deseja mais ter filhos. A escolha deve ser individualizada com o ginecologista.

Mioma uterino pode causar infertilidade?

Sim, especialmente os miomas submucosos (D25.0), que distorcem a cavidade uterina e podem dificultar a implantação do embrião ou causar abortamentos. Miomas intramurais grandes também podem interferir na fertilidade, enquanto os subserosos geralmente não afetam a capacidade de engravidar. A remoção dos miomas (miomectomia) pode melhorar as taxas de sucesso reprodutivo em muitos casos.

Qual a diferença entre mioma e pólipo uterino?

Embora ambos possam causar sangramento, são lesões diferentes. O mioma é um tumor benigno do músculo liso do útero, podendo ser submucoso, intramural ou subseroso. O pólipo uterino é um crescimento benigno do endométrio (revestimento interno do útero), geralmente pediculado e mais superficial. O CID para pólipo do corpo do útero é N84.0, diferente do D25 dos miomas. O diagnóstico diferencial é feito por ultrassonografia ou histeroscopia.

O CID D25 é usado apenas para um mioma ou para vários?

O CID D25 abrange tanto um único mioma quanto múltiplos miomas (miomatose). A subcategoria D25.9 (não especificado) é frequentemente usada quando há múltiplos miomas de localizações diversas. Na prática clínica, o termo "miomatose uterina" é usado para descrever a presença de vários nódulos, e o código D25 permanece o mesmo.

Resumo Final

A miomatose uterina, codificada como CID D25 (leiomioma do útero), representa uma condição benigna de alta prevalência entre mulheres em idade reprodutiva, com impacto significativo na saúde e na qualidade de vida. Os avanços no diagnóstico por imagem, especialmente a ultrassonografia e a ressonância magnética, permitem a identificação precisa dos subtipos (submucoso, intramural e subseroso), orientando a melhor conduta terapêutica.

Embora a maioria dos miomas seja assintomática, os sintomas como sangramento intenso, dor pélvica e infertilidade requerem atenção e manejo individualizado. Felizmente, o leque de opções terapêuticas é amplo, desde a vigilância ativa e medicamentos até técnicas minimamente invasivas e cirurgias definitivas, permitindo que a paciente, em parceria com seu médico, escolha o caminho mais adequado ao seu perfil e objetivos reprodutivos.

É fundamental que mulheres com suspeita ou diagnóstico de miomatose uterina busquem informações em fontes confiáveis e mantenham acompanhamento ginecológico regular. O conhecimento sobre o CID e as particularidades da doença empodera a paciente e facilita a comunicação com os profissionais de saúde. A tendência atual na literatura médica reforça a importância da preservação da fertilidade e da escolha de tratamentos menos invasivos sempre que possível, consolidando uma abordagem centrada na mulher.

Materiais de Apoio

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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