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Economia Publicado em Por Stéfano Barcellos

CFOP 6923: O que é e quando usar na NF-e

CFOP 6923: O que é e quando usar na NF-e
Avaliado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Antes de Tudo

A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) é o documento fiscal mais utilizado no Brasil para registrar operações de circulação de mercadorias. Cada operação exige a correta classificação por meio do Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), que identifica a natureza da circulação ou prestação de serviço. Entre os mais de cem CFOPs existentes, o CFOP 6923 se destaca por sua aplicação em operações triangulares, especialmente na venda à ordem. Empresas que atuam como intermediárias em transações interestaduais precisam dominar esse código para evitar erros de tributação e glosas fiscais.

Neste artigo, explicaremos em detalhes o que é o CFOP 6923, quando ele deve ser utilizado, como emitir a NF-e corretamente, quais cuidados tomar e responderemos às principais dúvidas sobre o tema. O conteúdo é voltado para contadores, gestores fiscais e empresários que desejam compreender a fundo essa classificação e suas implicações legais.

Aspectos Essenciais

O que significa CFOP 6923?

O CFOP 6923 é descrito oficialmente como "Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem". Em termos práticos, ele é utilizado quando uma empresa (intermediária) adquire mercadoria de um fornecedor (vendedor originário) e solicita que essa mercadoria seja entregue diretamente a um terceiro (destinatário final), sem que ela passe fisicamente pelo estabelecimento da intermediária. Essa operação é conhecida como "venda à ordem" ou "operação triangular".

A numeração 6923 indica que se trata de uma saída (6.xxx) em operação interestadual (9.xxx). Para operações internas (dentro do mesmo estado), o CFOP equivalente é o 5923.

Aplicação prática: operação triangular

Imagine a seguinte situação:

  • Empresa A (localizada em São Paulo) vende mercadorias para Empresa B (localizada no Rio de Janeiro).
  • Empresa B, por sua vez, já revendeu essas mercadorias para Empresa C (localizada em Minas Gerais).
  • Para otimizar a logística, a Empresa A envia o produto diretamente para a Empresa C, pulando a passagem pelo depósito da Empresa B.
Nesse cenário, a Empresa B emite duas NF-e:
  1. NF-e de venda (CFOP 6.101 ou similar) com destino à Empresa A, referente à compra e venda.
  2. NF-e de remessa (CFOP 6923) com destino à Empresa C, autorizando a entrega física ao terceiro.
A Empresa A, por sua vez, emite uma NF-e de remessa (CFOP 6.923 também, ou CFOP 6.923 dependendo da configuração) e a Empresa C recebe a mercadoria com CFOP de entrada 1.923 (se interestadual) ou 2.923 (se interna).

Tributação e destaques na NF-e

Na NF-e com CFOP 6923, a tributação do ICMS costuma ser sem destaque (ST ou isenta, conforme o regime). Isso ocorre porque o ICMS devido pela operação de venda principal já é recolhido na NF-e emitida pela empresa que fatura a mercadoria (normalmente a empresa que vende ao adquirente originário). A remessa física, portanto, não gera nova incidência de ICMS, apenas documenta o trânsito.

Para regimes do Simples Nacional, a orientação técnica é evitar o uso do CSOSN 101 (ICMS tributado integralmente) na remessa 6923. Os códigos mais indicados são CSOSN 400 (Não tributado) ou CSOSN 900 (Outros), a depender da situação. Isso evita conflitos com o Fisco, já que a remessa não é uma operação de venda.

Quando utilizar o CFOP 6923?

O CFOP 6923 é obrigatório nas seguintes situações:

  • Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros em venda à ordem (operação triangular).
  • Remessa para armazém geral ou depósito fechado, quando a mercadoria será posteriormente entregue a cliente final mediante ordem do adquirente.
  • Qualquer entrega direta ao destinatário final, em operação interestadual, em que o emitente da NF-e não é o vendedor da mercadoria, mas sim o intermediário que autorizou a entrega.
Vale destacar que, se a entrega ocorrer dentro do mesmo estado, utiliza-se o CFOP 5923.

Cuidados essenciais

  1. Não confundir com CFOP 6101: O CFOP 6101 (venda de produção do estabelecimento) é para operações normais de venda com entrega direta. Já o 6923 é exclusivo para remessa por conta de terceiro.
  2. Registro correto no XML: A NF-e com CFOP 6923 deve conter os dados do adquirente (quem comprou) e do destinatário (quem recebe). O campo "refNF" ou "refCTe" pode ser usado para referenciar a NF-e de venda.
  3. Validade da operação: A empresa que emite a NF-e 6923 precisa ter um contrato de venda à ordem ou documento comprobatório da relação triangular.
  4. Impacto no ICMS: O estado de destino pode exigir que a NF-e de remessa contenha o CFOP correto e a informação de que o ICMS já foi destacado na NF-e de venda (quando for o caso).

Lista: Passos para emitir NF-e com CFOP 6923

  1. Verifique a natureza da operação: Confirme que se trata de remessa por conta de terceiro e que a mercadoria não passará pelo estabelecimento do emitente.
  2. Identifique os participantes: Adquirente (quem comprou) e destinatário (quem receberá). O emitente da NF-e é o intermediário que autorizou a entrega.
  3. Defina a tributação: Utilize CST/CSOSN adequado (ex.: CSOSN 400 para Simples Nacional ou CST 40 para regime normal). Não destaque ICMS.
  4. Preencha os campos obrigatórios: Inclua dados do destinatário, endereço de entrega, CFOP 6923, natureza da operação "Remessa por conta de terceiro em venda à ordem".
  5. Informe a NF-e de venda (se houver): No campo "informações adicionais" ou via refNF, referencie a nota fiscal de venda emitida pelo vendedor originário.
  6. Valide e transmita a NF-e: Após o preenchimento, utilize o sistema autorizador da Sefaz e guarde o XML.

Tabela comparativa: CFOP 6923 vs. CFOP 5923 vs. CFOP 6101

CaracterísticaCFOP 6923CFOP 5923CFOP 6101
Tipo de operaçãoRemessa por conta de terceiro (venda à ordem)Remessa por conta de terceiro (venda à ordem interna)Venda de produção do estabelecimento
AbrangênciaInterestadualEstadual (dentro do mesmo estado)Qualquer venda direta
Tributação típicaSem destaque de ICMSSem destaque de ICMSCom destaque de ICMS (salvo exceções)
EmitenteIntermediário que solicita a entregaIntermediário que solicita a entregaVendedor proprietário da mercadoria
DestinatárioCliente final (terceiro)Cliente final (terceiro)Cliente que compra
CFOP de entrada correspondente1.923 (inter) ou 2.923 (interna)1.923 (se interestadual) ou 2.923 (se interna) – mas não é usual1.101 ou 2.101

Tire Suas Duvidas

Qual a diferença entre CFOP 6923 e CFOP 6101?

O CFOP 6101 é usado para vendas diretas em que a mercadoria sai do estoque do vendedor para o comprador. Já o CFOP 6923 é para remessa por conta de terceiro, ou seja, a empresa que emite a nota não é a proprietária da mercadoria – ela apenas autoriza o fornecedor a entregar ao cliente final. Enquanto no 6101 há transferência de titularidade, no 6923 a titularidade já foi transferida anteriormente (venda entre as partes).

Devo destacar ICMS na NF-e com CFOP 6923?

Normalmente não. O ICMS é devido na operação de venda principal (entre o vendedor originário e o adquirente), e não na remessa física. Por isso, na NF-e 6923 o ICMS é registrado como não tributado (CST 40, 41 ou CSOSN 400). Exceções podem ocorrer se houver incidência de ICMS-ST, mas nesse caso o CFOP deve ser outro (ex.: 6.923 com CST 10 – ICMS ST). Em geral, consulte a legislação do seu estado.

Posso usar CFOP 6923 em operações internas?

Não. Para operações dentro do mesmo estado, o CFOP correto é o 5923. O CFOP 6923 é exclusivo para operações interestaduais. A diferença está no segundo dígito: 9 para interestadual, 5 para interna.

O que acontece se eu usar o CFOP errado?

O uso incorreto pode gerar glosa de crédito de ICMS, multas por erro de classificação e até notificações fiscais. A Sefaz cruza informações das NF-e emitidas e recebidas, e um CFOP divergente pode indicar fraude ou irregularidade. Por isso, é essencial conferir a natureza da operação antes de emitir a nota.

O CFOP 6923 pode ser usado para remessa a armazém geral?

Sim, desde que a mercadoria esteja sendo remetida por conta e ordem de terceiros (o armazém age como depositário) e haja uma venda à ordem. Exemplo: uma empresa compra mercadoria e solicita que o fornecedor entregue a um armazém geral, que depois fará a entrega ao cliente final. Nesse caso, a NF-e de saída do fornecedor para o armazém pode usar CFOP 6923, e o armazém emite NF-e de remessa posterior.

Como fica o ICMS no destino na operação com CFOP 6923?

O ICMS devido na operação interestadual é recolhido pelo vendedor originário na NF-e de venda (CFOP de venda). O destinatário final recebe a mercadoria com CFOP de entrada 1.923, e o ICMS já foi destacado na nota de venda. Se o destinatário for contribuinte, ele pode aproveitar o crédito normalmente. Já na remessa 6923, não há destaque de ICMS, apenas registro de trânsito.

Empresa do Simples Nacional pode usar CFOP 6923?

Sim. Porém, é importante usar o CSOSN correto. O recomendado é CSOSN 400 (Não tributado) ou CSOSN 900 (Outros), com a informação de que a operação é de remessa por conta de terceiro. Evite CSOSN 101, pois indicaria que a empresa está tributando o ICMS, o que não condiz com a natureza da operação. Consulte seu contador para validação.

Quais campos da NF-e devem ser preenchidos com atenção no CFOP 6923?

Além do CFOP e da natureza da operação, é crucial preencher corretamente os dados do destinatário (endereço de entrega) e do adquirente (quem comprou). No campo "informações adicionais" ou no grupo "refNF", informe o número da NF-e de venda emitida pelo vendedor originário. Também verifique se o CST/CSOSN está alinhado com a tributação da empresa.

Reflexoes Finais

O CFOP 6923 é um código fundamental para empresas que realizam operações triangulares, permitindo que a mercadoria seja entregue diretamente ao cliente final sem passar pelo estoque do intermediário. Seu uso correto evita inconsistências fiscais, multas e retrabalho. Contudo, exige atenção quanto à tributação (que em geral não incide na remessa), à classificação correta (interestadual vs. interna) e ao preenchimento dos campos obrigatórios da NF-e.

Para o contador e o empreendedor, dominar o CFOP 6923 é mais do que uma obrigação técnica: é uma vantagem competitiva que possibilita operações logísticas mais enxutas e otimizadas. Recomenda-se sempre manter-se atualizado com as orientações das Sefaz estaduais e contar com um sistema de emissão de NF-e que valide automaticamente as regras fiscais.

Se você ainda tem dúvidas sobre o CFOP 6923, consulte as fontes oficiais listadas nas referências ou busque auxílio de um especialista tributário. A conformidade fiscal é a base para o crescimento sustentável dos negócios.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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