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Economia Publicado em Por Stéfano Barcellos

CFOP 5403: O que é e quando usar corretamente

CFOP 5403: O que é e quando usar corretamente
Revisado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Visao Geral

No universo da contabilidade fiscal e da emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) desempenham um papel central na correta classificação das operações comerciais. Cada CFOP representa um tipo específico de transação, influenciando diretamente a apuração de tributos como o ICMS e a escrituração fiscal das empresas. Entre os centenas de códigos existentes, o CFOP 5403 se destaca por sua aplicação em operações internas de venda de mercadorias sujeitas ao regime de Substituição Tributária (ICMS-ST), quando o emitente da nota fiscal atua como contribuinte substituto. Compreender as nuances desse código é essencial para evitar erros de tributação, inconsistências na apuração do imposto e riscos de autuações fiscais.

Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo e atualizado sobre o CFOP 5403, abordando sua definição, contexto de uso, diferenças em relação a códigos vizinhos (como o 5405 e o 5401), exemplos práticos, e as principais dúvidas que surgem no dia a dia dos profissionais de contabilidade e gestão fiscal. O conteúdo foi elaborado com base em fontes confiáveis da legislação tributária brasileira, incluindo a tabela oficial de CFOPs do CONFAZ, a Lei Complementar nº 87/96 e materiais técnicos de referência.

Na Pratica

O que é o CFOP 5403?

O CFOP 5403 é definido como: . Em termos práticos, ele deve ser utilizado quando uma empresa adquire mercadorias de terceiros (isto é, não as produz) e as revende no mercado interno, sendo responsável pelo recolhimento antecipado do ICMS-ST, ou seja, atua como substituto tributário na cadeia.

Entendendo a Substituição Tributária (ICMS-ST)

Para compreender plenamente o CFOP 5403, é necessário revisitar o conceito de Substituição Tributária do ICMS. No regime normal, cada elo da cadeia produtiva (indústria, distribuidor, varejista) recolhe o ICMS devido nas suas operações. Já na ST, o imposto de toda a cadeia (ou de parte dela) é concentrado em um único contribuinte, geralmente o fabricante ou o importador, que recolhe o ICMS de forma antecipada. Esse recolhimento é calculado com base em uma margem de valor agregado (MVA) ou preço final sugerido.

No entanto, existem situações em que o substituto tributário não é o fabricante, mas um revendedor intermediário. Por exemplo, uma empresa distribuidora que compra produtos já sujeitos à ST de um fornecedor que já recolheu o imposto. Nesse caso, a distribuidora não é substituta, mas substituída. Já quando a empresa é a primeira na cadeia a efetuar a venda após o ingresso da mercadoria no estado (ou após a sua aquisição de um não contribuinte), ela pode se tornar a responsável pelo recolhimento da ST. É exatamente aí que entra o CFOP 5403: ele sinaliza que o emitente da NF-e é o contribuinte substituto daquela operação, ou seja, é quem vai recolher o ICMS-ST para aquela venda.

Quando utilizar o CFOP 5403?

O uso correto do CFOP 5403 está condicionado ao cumprimento de três requisitos principais:

  1. Operação interna: a venda deve ocorrer dentro do mesmo estado da federação (não pode ser interestadual). Para operações interestaduais com substituição tributária, existem CFOPs específicos da faixa 6.000.
  2. Mercadoria adquirida de terceiros: a empresa não pode ser a fabricante ou produtora do bem. Ela comprou o produto de outro fornecedor para revender.
  3. Sujeição ao regime de ICMS-ST: a mercadoria vendida deve estar incluída no rol de produtos sujeitos à substituição tributária definido pelo estado (ex.: bebidas, cigarros, materiais de construção, autopeças, entre outros). Além disso, a empresa deve ser a responsável pelo recolhimento – ou seja, o ICMS-ST não foi pago anteriormente na cadeia.
Exemplo típico: uma distribuidora de materiais de construção localizada em São Paulo adquire cimento de um fabricante que já recolheu o ICMS-ST para o estado. Nesse caso, a distribuidora não deveria usar o 5403, pois não é substituta. Contudo, se a mesma distribuidora compra cimento de um fornecedor situado em outro estado que não recolheu a ST paulista (por não ser contribuinte do estado de destino), a distribuidora, ao vender internamente, pode ser obrigada a recolher a ST como substituta – e então usará o CFOP 5403.

Outro exemplo: um supermercado adquire refrigerantes de uma indústria que já aplicou a ST. Ao vender para o consumidor final, o supermercado não é substituto, logo o CFOP correto seria o 5405 (venda de mercadoria adquirida de terceiros, sujeita a ST, na condição de contribuinte substituído). O erro entre 5403 e 5405 é uma das causas mais comuns de inconsistência fiscal.

Lista: 5 situações práticas em que o CFOP 5403 é obrigatório

  1. Revenda de produtos sujeitos a ST quando o fornecedor anterior não recolheu o imposto por não ser contribuinte do estado: por exemplo, compra de fabricante de outro estado que não possui inscrição estadual no estado de destino e não efetuou o recolhimento antecipado.
  2. Aquisição de mercadorias de não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas): se um comerciante compra produtos usados ou artesanato de pessoas físicas e os revende no estado, pode precisar recolher a ST na venda, utilizando o 5403.
  3. Operações internas com produtos cujo regime de ST exija que o primeiro revendedor no estado seja o substituto: alguns estados determinam que o primeiro contribuinte a realizar a venda interna após o ingresso da mercadoria é o responsável pelo recolhimento.
  4. Venda de mercadorias adquiridas de estabelecimento optante pelo Simples Nacional que não tenha recolhido a ST: dependendo da legislação estadual, o comprador pode ser obrigado a complementar o imposto e agir como substituto na revenda.
  5. Cenário de industrialização por encomenda: quando a empresa contrata terceiros para industrializar um produto e depois o revende, desde que a operação esteja sujeita a ST e a empresa seja a substituta, pode utilizar o CFOP 5403 (embora haja CFOP específico para industrialização, é importante verificar a natureza da operação).

Tabela comparativa: CFOP 5403 x 5405 x 5401

Abaixo, apresentamos uma tabela que contrasta os três principais CFOPs da faixa 5400, facilitando a identificação de cada um:

CFOPDescrição oficial (resumida)Papel do contribuinteExemplo de uso
5401Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, não sujeita ao regime de STNão há STRevenda de um produto comum (ex.: roupas, calçados sem ST) dentro do estado
5403Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, sujeita a ST, na condição de contribuinte substitutoSubstitutoRevenda de autopeças sujeitas a ST em que o revendedor recolhe o imposto
5405Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, sujeita a ST, na condição de contribuinte substituídoSubstituídoRevenda de bebidas onde a indústria já recolheu a ST; o varejista apenas revende
A principal diferença entre 5403 e 5405 está no sujeito passivo por substituição: no 5403, o emitente da nota é quem deve recolher o ICMS-ST (geralmente destacando o valor na NF-e); no 5405, o imposto já foi recolhido anteriormente, e o emitente apenas repassa o valor embutido no preço. Usar o código errado pode levar a duplicidade de recolhimento ou a falta de destaque do imposto, gerando obrigações acessórias incorretas.

Base legal e regulamentação

O CFOP 5403 está previsto na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) e na legislação do ICMS, especialmente na Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir) e nos regulamentos estaduais. Cada estado pode disciplinar de forma específica quais produtos se sujeitam à ST e quem é o responsável pelo recolhimento. Portanto, é fundamental consultar a legislação do estado onde ocorre a operação. O Convênio ICMS 142/2018 e seus ajustes posteriores também tratam de regras gerais de ST.

Para aprofundamento, recomenda-se a leitura da tabela oficial de CFOPs disponível no site do CONFAZ e a análise de materiais técnicos como os publicados pela Fazcomex (confira o artigo O que é o CFOP 5403?). Além disso, o Blog NFeMais oferece um guia prático sobre o tema: CFOP 5403 - Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros....

Riscos operacionais do uso incorreto

Equivocar-se na escolha do CFOP 5403 pode gerar sérias consequências fiscais:

  • Recolhimento indevido do ICMS-ST: usar o 5403 quando não se é o substituto pode levar ao pagamento de imposto que já foi recolhido, gerando crédito tributário que exigirá processo de restituição.
  • Falta de destaque do imposto: se o CFOP 5403 deveria ter sido usado e não foi, a empresa deixa de recolher o ICMS-ST, ficando exposta a multas e juros.
  • Inconsistências na escrituração: o Fisco cruza informações de entradas e saídas. Se o CFOP de venda não corresponder ao regime tributário da mercadoria, a nota pode ser rejeitada ou a empresa pode ser notificada.
  • Problemas no cálculo do crédito do ICMS: em operações com ST, o direito a crédito é limitado; o uso do CFOP errado pode distorcer a apuração.

Respostas Rapidas

Qual é a diferença entre CFOP 5403 e 5405?

A diferença fundamental está no papel do emitente da nota fiscal em relação ao ICMS-ST. No CFOP 5403, a empresa é o contribuinte substituto, ou seja, ela recolhe o imposto antecipadamente. No CFOP 5405, a empresa é o contribuinte substituído – o imposto já foi recolhido pelo fornecedor (substituto) e a empresa apenas revende a mercadoria sem recolher novamente o ICMS-ST.

Posso usar o CFOP 5403 em operações interestaduais?

Não. O CFOP 5403 é exclusivo para operações internas (dentro do mesmo estado). Para operações interestaduais com mercadorias sujeitas à substituição tributária, existem CFOPs específicos da faixa 6.000, como 6403 (venda de mercadoria adquirida de terceiros em operação interestadual sujeita a ST, na condição de substituto).

Quem define se uma mercadoria está sujeita ao ICMS-ST?

A definição cabe a cada estado, por meio de seus regulamentos do ICMS e de Convênios do CONFAZ. Geralmente, produtos como combustíveis, bebidas alcoólicas, cigarros, medicamentos, materiais de construção, autopeças e eletrônicos estão sujeitos à ST, mas a lista varia por estado. É essencial consultar a legislação vigente no seu estado.

O que acontece se eu emitir uma NF-e com CFOP 5403 de forma incorreta?

O erro pode acarretar multas, juros e necessidade de retificação da nota fiscal. Além disso, a escrituração fiscal ficará inconsistente, podendo gerar cobrança indevida ou falta de recolhimento do ICMS. Recomenda-se que, ao perceber o erro, seja emitida uma nota fiscal de correção (carta de correção eletrônica) ou, se o erro for substancial, o cancelamento da nota com reemissão.

Empresas do Simples Nacional podem usar o CFOP 5403?

Sim, desde que se enquadrem nas condições de contribuinte substituto. O Simples Nacional não impede a empresa de recolher o ICMS-ST, pois esse imposto está fora do regime simplificado – deve ser recolhido separadamente, conforme a legislação estadual. A empresa optante pelo Simples deve utilizar o CFOP 5403 quando for a substituta tributária na operação.

Qual a diferença entre CFOP 5403 e 5401?

O CFOP 5401 é usado para vendas internas de mercadorias adquiridas de terceiros não sujeitas ao regime de substituição tributária. Já o 5403 é específico para mercadorias sujeitas à ST e quando o emitente é o substituto. A presença ou ausência da ST é o divisor de águas.

Como sei se sou o contribuinte substituto ou substituído?

Depende de quem recolheu o ICMS-ST na operação anterior. Se o seu fornecedor destacou o ICMS-ST na nota fiscal de compra e você não recolheu o imposto, você é substituído (use 5405). Se você, ao vender, é o primeiro a recolher o imposto (não houve ST na compra ou o recolhimento foi feito por você), você é o substituto (use 5403). A análise das notas de entrada é fundamental.

Existe algum software que ajude a classificar o CFOP automaticamente?

Sim, sistemas de gestão empresarial (ERPs) e emissores de NF-e modernos costumam ter regras de tributação que sugerem o CFOP com base no CST (Código de Situação Tributária) do ICMS e no tipo de operação. No entanto, a parametrização correta depende do conhecimento do fiscalista.

Em Sintese

O CFOP 5403 é um código essencial para operações internas de venda de mercadorias sujeitas à substituição tributária nas quais o emitente atua como contribuinte substituto. Sua correta aplicação evita recolhimentos indevidos, inconsistências na apuração do ICMS e riscos de penalidades fiscais. Ao longo deste artigo, detalhamos seu significado, as condições de uso, as diferenças em relação aos CFOPs 5401 e 5405, e respondemos às dúvidas mais comuns.

Para uma gestão fiscal segura, recomenda-se que os profissionais envolvidos na emissão de notas fiscais:

  • Consultem a legislação estadual periodicamente.
  • Analisem as notas de entrada para determinar se o ICMS-ST já foi recolhido.
  • Utilizem sistemas confiáveis com parametrização atualizada.
  • Em caso de dúvida, recorram a um contador ou especialista em direito tributário.
A correta classificação fiscal não apenas cumpre obrigações legais, mas também contribui para a transparência e a eficiência tributária da empresa. O CFOP 5403, quando bem compreendido, é mais uma ferramenta para evitar passivos fiscais e garantir a regularidade do negócio.

Fontes Consultadas

  1. Blog NFeMais - CFOP 5403: Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária na condição de contribuinte substituto
  2. ClickNotas - CFOP 5403: venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros
  3. Fazcomex - O que é o CFOP 5403
  4. Blog Soften Sistemas - Diferença entre CFOP 5403 e 5405: Guia Completo 2026
  5. Guarix - CFOP 5403: Venda com ICMS-ST na condição de contribuinte substituto
  6. NetCPA - ICMS - CFOPs 5403 e 5405 - Definições e esclarecimentos
Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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