O Que Esta em Jogo
O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro realiza cerca de 4,5 bilhões de procedimentos ambulatoriais, hospitalares e de vigilância anualmente. Para gerenciar essa complexidade, é fundamental que gestores públicos, profissionais de saúde, prestadores de serviços e sistemas de informação compartilhem um mesmo padrão de nomenclatura, valores e regras. É aí que entra o SIGTAP – Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) do SUS.
O SIGTAP é a base oficial que consolida todos os procedimentos financiados pelo Ministério da Saúde, seus respectivos códigos, valores, compatibilidades, complexidades, faixas etárias e instrumentos de registro (como AIH, APAC e BPA). Sem ele, o faturamento dos serviços prestados ao SUS seria inviável, e a auditoria dos gastos públicos ficaria comprometida.
Neste guia completo e atualizado, você encontrará uma explicação detalhada sobre o que é o SIGTAP, como ele funciona, como consultá-lo, como mantê-lo atualizado, além de uma lista de dicas práticas, uma tabela comparativa entre as versões disponíveis e as respostas para as perguntas mais frequentes. O conteúdo foi elaborado com base em fontes oficiais e materiais técnicos recentes, garantindo informações fidedignas e aplicáveis ao dia a dia de quem trabalha com gestão em saúde no Brasil.
Aprofundando a Analise
1 O que é o SIGTAP?
O SIGTAP (Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS) é um sistema informatizado mantido pelo DATASUS (Departamento de Informática do SUS) que reúne, organiza e disponibiliza a Tabela Unificada do SUS. Essa tabela substituiu as antigas tabelas de procedimentos ambulatoriais (SIA) e hospitalares (SIH) que, até 2007, eram mantidas separadamente. A unificação trouxe mais transparência, padronização e facilidade de consulta para gestores, prestadores, sistemas de informação e cidadãos.
A tabela contém mais de 4.900 procedimentos cadastrados, abrangendo consultas, exames, cirurgias, medicamentos especiais, órteses, próteses, ações de vigilância e muito mais. Cada procedimento é identificado por um código numérico único de 10 dígitos e possui atributos como:
- Nome do procedimento
- Valor do procedimento (federal, podendo ter complementos estaduais ou municipais)
- Complexidade (básica, média ou alta)
- Idade mínima e máxima permitidas
- Sexo (masculino, feminino ou ambos)
- Modalidade de atendimento (ambulatorial, hospitalar, domiciliar, etc.)
- Instrumento de registro (AIH, APAC, BPA, RAAS, etc.)
- Compatibilidades – regras de relacionamento com outros procedimentos (por exemplo, procedimentos que não podem ser cobrados juntos ou que exigem autorização prévia)
- CID (Classificação Internacional de Doenças) associados quando aplicável
2 Histórico e evolução
Até 2007, o SUS utilizava tabelas separadas para procedimentos ambulatoriais (Tabela SIA) e hospitalares (Tabela SIH), além de listas específicas para medicamentos e OPM. Essa fragmentação gerava inconsistências, duplicidades e dificuldades de integração entre sistemas. A partir de 2008, o Ministério da Saúde implementou o SIGTAP como ferramenta única de gerenciamento, unificando todas as tabelas em uma base de dados relacional.
Desde então, a tabela é atualizada por competências (geralmente a cada mês), refletindo alterações de valores, inclusão de novos procedimentos, exclusão de outros, ajustes de regras e correções de erros. As atualizações são publicadas no portal oficial do SIGTAP e podem ser baixadas para importação em sistemas locais de gestão hospitalar e ambulatorial.
3 Como consultar a tabela SIGTAP
Existem duas formas principais de acesso:
- Versão Web: Disponível no endereço http://sigtap.datasus.gov.br. Permite pesquisa por código, nome, grupo, subgrupo e forma de organização. É a versão mais rápida para consultas pontuais, sem necessidade de instalação. O sistema mostra os dados mais recentes publicados pelo Ministério da Saúde.
- Versão Desktop: Aplicativo para Windows que pode ser baixado na área de download do SIGTAP (http://tabela-unificada.datasus.gov.br/tabela-unificada/app/download.jsp). Oferece funcionalidades avançadas como consulta offline, relatórios de compatibilidade, exportação de dados e histórico de competências. É indicado para uso diário em setores de faturamento, auditoria e TI.
4 Estrutura da tabela e principais campos
A Tabela SIGTAP é organizada em grupos, subgrupos e formas de organização, de acordo com a natureza e finalidade dos procedimentos. Os principais grupos são:
- Ações de promoção e prevenção
- Procedimentos com finalidade diagnóstica
- Procedimentos clínicos
- Procedimentos cirúrgicos
- Transplantes
- Medicamentos
- Órteses, próteses e materiais especiais
- Ações complementares
Para cada procedimento, os campos mais relevantes para o faturamento e auditoria são:
- Código: 10 dígitos, ex.: 03.01.01.001-0
- Nome: descrição completa
- Valor: valor federal do procedimento (R$)
- Complexidade: B (básica), M (média) ou A (alta)
- Instrumento de registro: AIH, APAC, BPA, RAAS, etc.
- Sexo: M, F ou ambos
- Idade mínima e máxima: em anos ou meses
- CID associados: quando o procedimento é específico para certas doenças
5 Por que a atualização mensal é essencial?
A competência mensal da tabela SIGTAP reflete as portarias ministeriais que alteram valores, incluem novos procedimentos (ex.: novos medicamentos para doenças raras), corrigem erros de codificação ou estabelecem novas regras de compatibilidade. Se um prestador de serviços de saúde não atualizar a tabela em seu sistema, poderá:
- Cobrar valores incorretos (desatualizados)
- Registrar procedimentos que foram excluídos ou alterados
- Perder elegibilidade para determinados procedimentos por faixa etária desatualizada
- Gerar inconsistências no envio de AIH/APAC, resultando em glosas no faturamento
6 O SIGTAP e o faturamento SUS
Todo faturamento de serviços prestados ao SUS – seja em hospitais públicos, privados ou filantrópicos – passa obrigatoriamente pela tabela SIGTAP. Os sistemas de informação como BPA (Boletim de Produção Ambulatorial), AIH (Autorização de Internação Hospitalar) e APAC (Autorização de Procedimento de Alta Complexidade) utilizam os códigos e valores da tabela para gerar as faturas enviadas ao gestor local.
As regras de compatibilidade (por exemplo, “não pode cobrar procedimento A junto com procedimento B no mesmo ato”) são validadas automaticamente pelos sistemas, evitando fraudes e erros. Além disso, a auditoria do SUS utiliza a tabela para conferir se os registros estão de acordo com a legislação vigente.
Lista: Passos para atualizar a tabela SIGTAP no seu sistema
A seguir, uma lista prática com os passos básicos para realizar a atualização da tabela em um sistema de gestão hospitalar (baseada no manual disponível no site da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo):
- Acesse o portal oficial de download do SIGTAP (http://tabela-unificada.datasus.gov.br/tabela-unificada/app/download.jsp).
- Identifique a competência desejada (mês/ano) na lista disponível. Normalmente a competência mais recente é a primeira.
- Baixe o arquivo ZIP correspondente (ex.: `sigtap_202503.zip` para março de 2025).
- Extraia o conteúdo do ZIP para uma pasta local. Você encontrará arquivos no formato `.txt`, `.csv` ou `.dbf`, conforme a estrutura.
- Execute o processo de importação conforme as instruções do seu sistema de gestão (MV/Soul, Tasy, etc.). Geralmente há um menu “Importar tabela SUS” ou “Atualizar SIGTAP”.
- Verifique os logs para confirmar que todos os registros foram importados sem erros. Se houver inconsistências, consulte o manual do fabricante do sistema ou o suporte técnico.
- Teste a consulta de um procedimento conhecido para garantir que o valor e as regras foram atualizados corretamente.
Tabela comparativa: Versão web vs. versão desktop do SIGTAP
| Característica | SIGTAP Web | SIGTAP Desktop |
|---|---|---|
| Necessidade de instalação | Nenhuma – acessa via navegador | Requer download e instalação no Windows |
| Acesso offline | Não – depende de internet | Sim – funciona sem conexão |
| Atualização automática | Sim – sempre exibe a última competência disponível | Não – é necessário baixar e instalar novas versões ou arquivos de competência |
| Funcionalidades avançadas | Básicas – busca por código, nome, grupo | Avançadas – relatórios de compatibilidade, exportação para Excel, histórico de competências, filtros combinados |
| Público-alvo | Profissionais que precisam de consulta rápida e eventual | Setores de faturamento, auditoria e TI que usam a tabela diariamente |
| Armazenamento local | Não | Sim – dados ficam no computador |
| Disponibilidade | Gratuita, sem restrições | Gratuita, sem restrições |
| Atualização dos valores | Imediata após publicação pelo Ministério | Depende de download manual da nova competência |
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que significa SIGTAP?
SIGTAP é a sigla para Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS. Trata-se de um sistema informatizado que reúne e organiza todos os procedimentos, medicamentos e órteses/próteses/materiais especiais financiados pelo SUS, incluindo seus códigos, valores, regras de compatibilidade e instrumentos de registro.
Como consultar um procedimento na tabela SIGTAP?
Você pode consultar pelo site oficial http://sigtap.datasus.gov.br. Basta digitar o código do procedimento (10 dígitos) ou parte do nome. Também é possível navegar pelos grupos, subgrupos e formas de organização. Para consultas mais avançadas, recomenda-se baixar a versão desktop disponível na área de download.
O que é uma “competência” no SIGTAP?
Competência é o mês/ano de vigência de uma determinada versão da tabela. A cada mês, o Ministério da Saúde publica uma nova competência que pode conter alterações de valores, inclusões, exclusões e ajustes de regras. A atualização mensal é essencial para garantir a correta cobrança dos serviços prestados ao SUS.
Como atualizar a tabela SIGTAP no meu sistema de gestão hospitalar?
O procedimento padrão envolve: (1) baixar o arquivo ZIP da competência desejada no portal de download do SIGTAP; (2) extrair os arquivos; (3) importar os dados utilizando a funcionalidade específica do seu sistema (MV/Soul, Tasy, etc.). Consulte o manual do sistema ou o suporte técnico para detalhes. O estado do Espírito Santo, por exemplo, disponibiliza um roteiro em https://app.wiki.saude.es.gov.br/sistemas-mv/soul/importacao-atualizacao-tabela.
Qual a diferença entre SIGTAP web e SIGTAP desktop?
O SIGTAP web é acessado pelo navegador e não requer instalação, sendo ideal para consultas rápidas. Já o SIGTAP desktop é um programa para Windows que permite consultas offline, relatórios e exportação de dados, sendo mais adequado para uso frequente em setores de faturamento e auditoria. Ambos são gratuitos.
O SIGTAP é obrigatório para faturar procedimentos do SUS?
Sim. Todos os procedimentos, medicamentos e OPM registrados no SUS devem estar cadastrados na Tabela SIGTAP. O código e o valor do procedimento definidos na tabela são a base para o faturamento via AIH, APAC, BPA e outros instrumentos. Usar códigos desatualizados ou incorretos pode gerar glosas e atrasos no recebimento.
Os valores dos procedimentos no SIGTAP são os mesmos em todo o Brasil?
O valor federal (tabela nacional) é o mesmo para todo o país. No entanto, estados e municípios podem complementar esse valor com recursos próprios, criando uma tabela local. O SIGTAP exibe apenas o valor federal. Para consultar a tabela local, é necessário acessar o sistema do respectivo ente federativo.
Onde encontro manuais e treinamentos sobre o SIGTAP?
O Ministério da Saúde mantém uma página na Wiki da Saúde com manuais, vídeos e instruções: https://wiki.saude.gov.br/sigtap/index.php/Download. Além disso, diversos blogs e canais do YouTube produzem conteúdo didático, como o blog da Carefy.
Consideracoes Finais
A Tabela SIGTAP é, sem dúvida, o alicerce da gestão financeira e assistencial do SUS. Ela garante que todos os atores envolvidos – desde o médico que prescreve um exame até o auditor que confere a fatura hospitalar – falem a mesma língua, baseada em códigos, valores e regras padronizados nacionalmente.
Manter a tabela atualizada mensalmente não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade operacional para evitar perdas financeiras e inconsistências nos registros. As versões web e desktop, ambas gratuitas e mantidas pelo DATASUS, oferecem flexibilidade para diferentes perfis de usuário, seja uma consulta esporádica de código ou uma rotina diária de faturamento e auditoria.
Com mais de 4.900 procedimentos cadastrados e atualizações regulares, o SIGTAP reflete a dinâmica constante do SUS, incorporando novos medicamentos, tecnologias e revisões de valores. Para gestores públicos, prestadores privados, profissionais de TI e estudantes da área da saúde, dominar o uso dessa ferramenta é um diferencial competitivo e um requisito de conformidade.
Recomenda-se que toda instituição que realiza atendimento ao SUS mantenha um responsável técnico designado para acompanhar as publicações de novas competências e executar a atualização nos sistemas. Além disso, o acesso frequente ao portal oficial e às fontes de pesquisa listadas neste artigo ajudará a esclarecer dúvidas e a se manter informado sobre as mudanças que impactam o faturamento e a qualidade da assistência.
