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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

Decúbito Esternal: O Que É e Como Aliviar Sintomas

Decúbito Esternal: O Que É e Como Aliviar Sintomas
Avaliado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Contextualizando o Tema

O termo decúbito esternal refere-se à posição corporal em que o indivíduo (humano ou animal) permanece apoiado sobre o esterno, ou seja, com o tórax voltado para a superfície de suporte e o abdômen direcionado para baixo. Essa postura, também conhecida como posição ventral ou prona, é amplamente utilizada em contextos clínicos, tanto na medicina humana quanto na medicina veterinária, com finalidades que vão desde a contenção para procedimentos até a melhora da função respiratória.

Na prática veterinária, o decúbito esternal é uma posição clássica para a intubação orotraqueal de felinos, pois oferece acesso mais direto à via aérea e reduz o estresse do animal. Em grandes animais, como bovinos, o posicionamento em decúbito esternal facilita manobras de redução de prolapso uterino. Já na medicina humana, o interesse pelo decúbito ventral cresceu significativamente durante a pandemia de COVID-19, quando estudos demonstraram que a posição prona melhora a oxigenação em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).

Este artigo tem como objetivo esclarecer o que é o decúbito esternal, suas indicações, vantagens e riscos, além de fornecer orientações práticas para aliviar sintomas associados à permanência prolongada nessa posição. Ao final, o leitor encontrará uma lista de cuidados, uma tabela comparativa com outras posições, perguntas frequentes e referências.

Pontos Importantes

Definição e Bases Anatômicas

O termo "decúbito" deriva do latim , que significa "deitar-se". Decúbito esternal, portanto, descreve a posição deitada com o esterno (osso localizado na parte anterior do tórax) em contato com a superfície de apoio. Diferentemente do decúbito dorsal (barriga para cima) e do decúbito lateral (de lado), essa postura oferece características únicas de distribuição de pressão e ventilação pulmonar.

Anatomicamente, quando um paciente está em decúbito esternal, a coluna vertebral permanece em posição neutra, e o peso corporal é distribuído principalmente sobre as proeminências ósseas do tórax, como o próprio esterno e as costelas anteriores. Em indivíduos com boa mobilidade torácica, essa posição permite a expansão dos segmentos pulmonares posteriores, que são áreas frequentemente hipoventiladas em decúbito dorsal.

Aplicações na Medicina Veterinária

Intubação de Felinos

Na rotina veterinária, um dos usos mais comuns do decúbito esternal é durante a intubação orotraqueal de gatos. Segundo o material educacional da VETgirl, o paciente felino é induzido anestésico e posicionado sobre o esterno, com a cabeça estendida e a mandíbula aberta. Essa posição permite visualizar diretamente a laringe e introduzir o tubo endotraqueal com menor trauma e maior taxa de sucesso.

A preferência pelo decúbito esternal em felinos decorre da anatomia da cavidade oral e da laringe nessa espécie. Animais posicionados em decúbito lateral podem apresentar desvio da traqueia e dificuldade de visualização das cordas vocais, aumentando o risco de intubação esofágica acidental.

Grandes Animais

O MSD Veterinary Manual descreve o uso do decúbito esternal em bovinos para procedimentos obstétricos, como a redução de prolapso uterino. Uma vaca recumbente (deitada) pode ser posicionada em decúbito esternal com auxílio de cordas e contenção, facilitando o reposicionamento do útero e a manipulação do trato reprodutivo. Além disso, a posição esternal melhora a drenagem venosa e reduz a compressão diafragmática em animais de grande porte.

Aplicações na Medicina Humana

Prone Positioning e COVID-19

Durante a pandemia de COVID-19, o decúbito ventral (termo equivalente ao decúbito esternal em humanos) tornou-se amplamente difundido como intervenção para melhorar a oxigenação em pacientes hospitalizados com hipoxemia refratária. Um estudo publicado no PubMed Central (DOI: 10.1016/j.cegh.2020.06.004) relatou que a saturação média de oxigênio (SpO2) passou de 85,6% para 95,9% após a mudança para a posição prona em um grupo de pacientes com COVID-19.

Os mecanismos envolvidos incluem:

  • Recrutamento de alvéolos nas regiões pulmonares posteriores;
  • Melhora da relação ventilação/perfusão (V/Q);
  • Redução da compressão cardíaca sobre o pulmão esquerdo;
  • Facilitação da drenagem de secreções brônquicas.
Apesar dos benefícios, a posição prona não é isenta de riscos. Lesões por pressão em proeminências ósseas (face, tórax, joelhos) e complicações relacionadas a dispositivos invasivos (cateteres, tubos) exigem atenção da equipe multidisciplinar.

Prevenção de Lesões por Pressão

Um estudo realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) comparou as pressões exercidas sobre proeminências ósseas em três posições: decúbito dorsal, lateral e ventral (esternal). Os resultados mostraram que a menor pressão média foi encontrada na posição ventral (455,3 ± 32,7 mmHg), em comparação com o decúbito dorsal (652,3 ± 30,2 mmHg) e o lateral (1842,0 ± 73,8 mmHg). Isso sugere que, para pacientes que podem ser posicionados com segurança, o decúbito esternal pode ser protetor contra lesões por pressão quando comparado ao decúbito lateral.

Entretanto, é importante notar que a posição ventral exige redistribuição frequente de peso e uso de superfícies especiais (colchões, travesseiros) para evitar pontos de pressão excessiva, especialmente em região facial, tórax e cristas ilíacas.

Indicações e Contraindicações

Indicações

  • Procedimentos veterinários: intubação orotraqueal em felinos, acesso venoso jugular em grandes animais, exames de imagem torácica.
  • Suporte respiratório: pacientes com SDRA, pneumonia por COVID-19, insuficiência respiratória hipoxêmica.
  • Redução de prolapso uterino em bovinos.
  • Prevenção de broncoaspiração em pacientes comatosos (quando combinado com drenagem postural).
  • Cirurgias de coluna posterior (posição prona cirúrgica).

Contraindicações

  • Instabilidade hemodinâmica grave;
  • Hipertensão intracraniana não controlada;
  • Trauma facial ou torácico com fraturas instáveis;
  • Obesidade mórbida (dificuldade de posicionamento e ventilação);
  • Pressão arterial média (PAM) baixa que não responde a medidas iniciais.

Uma Lista: Cuidados Essenciais ao Posicionar em Decúbito Esternal

  1. Proteção de proeminências ósseas: utilizar travesseiros de gel ou almofadas de espuma viscoelástica sob o tórax, joelhos, face e pés.
  2. Alinhamento cervical: manter a cabeça em posição neutra, evitando hiperextensão ou rotação excessiva.
  3. Monitoramento contínuo: verificar SpO2, frequência cardíaca, pressão arterial e sinais de desconforto respiratório.
  4. Rodízio de posição: alternar entre decúbito esternal, lateral e dorsal a cada 2 horas (em pacientes acamados) para prevenir lesões por pressão.
  5. Avaliação da pele: inspecionar áreas de contato a cada troca de posição; atentar para hiperemia, bolhas ou escoriações.
  6. Suporte emocional: em pacientes conscientes, explicar a finalidade da posição e oferecer estímulo para mudanças de postura quando possível.
  7. Uso de dispositivos auxiliares: em humanos, elevadores de tórax e suportes para face (como máscaras de pronação) reduzem a pressão facial.

Uma Tabela Comparativa: Decúbito Esternal vs. Dorsal vs. Lateral

CaracterísticaDecúbito Esternal (Ventral)Decúbito Dorsal (Supino)Decúbito Lateral
Principal aplicaçãoSuporte respiratório, intubação felina, cirurgia de colunaProcedimentos abdominais, exames de rotinaAcesso lateral, cirurgias renais, conforto
Pressão média em proeminências ósseas (UFMG)455,3 ± 32,7 mmHg652,3 ± 30,2 mmHg1842,0 ± 73,8 mmHg
Efeito sobre a oxigenaçãoMelhora (recruta alvéolos posteriores)Sem alteração significativaPode reduzir ventilação do pulmão dependente
Risco de lesão por pressãoModerado (face, tórax, joelhos)Alto (sacro, calcâneos, cotovelos)Muito alto (trocânter, maléolo, ombro)
Acesso às vias aéreasDifícil (requer rotação de cabeça)FácilIntermediário
Conforto do paciente conscienteBaixo a moderadoAltoModerado
Fonte: adaptado de UFMG (repositório UFMG) e literatura clínica.

Respostas Rapidas

Decúbito esternal é a mesma coisa que decúbito ventral?

Sim, na medicina humana os termos são usados como sinônimos. Decúbito ventral refere-se à posição deitada com o ventre (abdômen) voltado para baixo, o que equivale ao decúbito esternal, já que o esterno é o ponto de apoio principal. Na veterinária, o termo "decúbito esternal" é mais comum, especialmente em procedimentos como intubação de felinos.

Quais os benefícios do decúbito esternal para pacientes com COVID-19?

Estudos mostraram que a posição prona melhora a oxigenação ao recrutar alvéolos nas regiões pulmonares posteriores, reduzir o shunt intrapulmonar e melhorar a relação ventilação-perfusão. Em uma série de casos, a saturação média de oxigênio subiu de 85,6% para 95,9% após o posicionamento. A técnica é recomendada por diretrizes internacionais para pacientes com SDRA moderada a grave.

Como aliviar o desconforto causado pelo decúbito esternal prolongado?

O alívio pode ser obtido com: uso de colchões e travesseiros de redistribuição de pressão; alternância de posição a cada 2 horas; massagem suave nas áreas de apoio; hidratação cutânea para evitar ressecamento; e, quando possível, elevação do tórax com cunhas de espuma para reduzir a compressão torácica.

Existe risco de lesão por pressão no decúbito esternal?

Sim. Embora a pressão média sobre proeminências ósseas seja menor do que no decúbito lateral (conforme estudo da UFMG), áreas como face, esterno, cristas ilíacas e joelhos podem desenvolver úlceras por pressão se o paciente permanecer imóvel por muitas horas. O uso de dispositivos de alívio e a inspeção regular da pele são medidas preventivas importantes.

O decúbito esternal é indicado para todas as espécies animais?

Não. Em cães de grande porte e em equinos, por exemplo, o decúbito esternal pode ser difícil de manter devido ao peso e à anatomia, podendo causar desconforto ou comprometimento respiratório. A indicação depende da espécie, do estado clínico e do procedimento a ser realizado. Na veterinária, é mais comum em felinos e bovinos, conforme descrito no MSD Veterinary Manual.

Como posicionar um gato corretamente para intubação em decúbito esternal?

Após a indução anestésica, o gato deve ser colocado sobre o esterno, com os membros torácicos posicionados cranialmente. A cabeça é elevada e estendida, e a mandíbula é aberta com cuidado para visualizar a laringe. O uso de um laringoscópio específico para felinos e a aplicação de anestésico tópico na laringe facilitam o procedimento. O VETgirl disponibiliza vídeos educativos que demonstram a técnica passo a passo.

Qual a diferença entre decúbito esternal e posição prona cirúrgica?

A posição prona cirúrgica é uma variação do decúbito esternal, mas com ajustes específicos para permitir acesso ao campo operatório, manter vias aéreas e prevenir lesões. Ela utiliza suportes para tórax e pelve, além de proteção facial com espuma. Já o decúbito esternal simples (como em intubação felina) não exige esses acessórios.

Fechando a Analise

O decúbito esternal é uma posição versátil e de grande valor tanto na medicina veterinária quanto na humana. Seja para facilitar a intubação de um felino em uma clínica, para reposicionar o útero prolapsado de uma vaca ou para melhorar a oxigenação de um paciente com COVID-19, essa postura oferece benefícios que muitas vezes superam os de outras posições, especialmente quando se considera a distribuição de pressão sobre proeminências ósseas.

Entretanto, a aplicação segura do decúbito esternal exige conhecimento técnico, monitoramento constante e medidas preventivas contra lesões por pressão e desconforto. A tabela comparativa apresentada demonstra que, embora apresente menor pressão média que o decúbito lateral, a posição ventral não está isenta de riscos, e a individualização do cuidado é fundamental.

Profissionais de saúde e veterinários devem estar atualizados sobre as melhores práticas de posicionamento, especialmente em contextos emergenciais como a pandemia de COVID-19, onde a posição prona salvou inúmeras vidas. Ao mesmo tempo, o uso rotineiro na veterinária continua sendo um pilar da anestesia felina e do manejo de grandes animais.

Espera-se que este artigo tenha esclarecido as principais dúvidas sobre o decúbito esternal, fornecendo informações baseadas em evidências e orientações práticas para alívio de sintomas e prevenção de complicações.

Referencias Utilizadas

  1. UFPel — Comparação entre posição esternal e lateral em bloqueio epidural
  2. MSD Veterinary Manual — Posicionamento em decúbito esternal em vaca
  3. PubMed Central — Prone positioning in management of COVID-19 hospitalized patients
  4. VETgirl — Como intubar um gato em decúbito esternal
  5. Repositório UFMG — Estudo sobre pressão em proeminências ósseas (decúbito dorsal, lateral e ventral)
  6. BVS Veterinária — Pesquisa relacionada a decúbito lateral/esternal
Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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