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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

CID TEP: O que é, sintomas e como tratar

CID TEP: O que é, sintomas e como tratar
Chancelado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Abrindo a Discussao

O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma emergência médica caracterizada pela obstrução súbita de uma ou mais artérias pulmonares por um coágulo sanguíneo (êmbolo), geralmente originado de trombose venosa profunda (TVP) nos membros inferiores. Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10), o TEP é codificado principalmente como I26 (embolia pulmonar), sendo o subcódigo I26.9 (embolia pulmonar sem menção de cor pulmonale agudo) o mais utilizado na prática clínica e previdenciária.

Embora a sigla “CID TEP” possa gerar dúvidas, ela se refere exatamente a esse código diagnóstico, que é fundamental para o registro médico, a definição de tratamento, o afastamento do trabalho e a concessão de benefícios sociais. O TEP é uma condição potencialmente fatal: estima-se que, sem tratamento, a mortalidade chegue a 30%, mas com diagnóstico e terapia adequados esse número reduz para menos de 5%. Este artigo aborda de forma completa os aspectos clínicos, diagnósticos, terapêuticos e legais relacionados ao CID TEP, com base em fontes atualizadas e diretrizes oficiais.

Analise Completa

O que é o TEP e como ele ocorre?

O tromboembolismo pulmonar é a consequência da migração de um trombo (coágulo) formado no sistema venoso profundo — na maioria das vezes nas veias das pernas ou da pelve — para a circulação pulmonar. Esse êmbolo obstrui o fluxo sanguíneo em um ramo da artéria pulmonar, comprometendo a oxigenação do sangue e, em casos extensos, levando a insuficiência cardíaca direita aguda, choque e morte súbita.

A tríade de Virchow (estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade) explica os mecanismos que favorecem a formação do trombo. Fatores de risco incluem:

  • Imobilização prolongada (cirurgias, viagens longas, internações)
  • Câncer ativo
  • Gravidez e puerpério
  • Uso de anticoncepcionais orais ou terapia hormonal
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Histórico prévio de tromboembolismo venoso (TEV)
  • Trombofilias hereditárias ou adquiridas

Sintomas e apresentação clínica

O quadro clínico do TEP é variável e pode ser assintomático em pequenos êmbolos periféricos. Nos casos sintomáticos, os sinais mais comuns são:

  • Dispneia súbita (falta de ar)
  • Dor torácica pleurítica (piora com a respiração profunda)
  • Tosse, eventualmente com hemoptise (expectoração sanguinolenta)
  • Taquipneia (respiração rápida) e taquicardia
  • Ansiedade ou sensação de morte iminente
  • Síncope (desmaio) em casos de obstrução maciça
  • Sinais de TVP associada (edema, dor e rubor em um membro inferior)
A gravidade é estratificada em alta, intermediária e baixa, com base em parâmetros hemodinâmicos, disfunção ventricular direita ao ecocardiograma e biomarcadores (troponina, BNP).

Diagnóstico

O diagnóstico rápido é essencial e segue protocolos estruturados:

  1. Avaliação clínica: Escore de Wells ou Genebra para probabilidade pré-teste.
  2. Exames laboratoriais: Dímero-D (elevado, mas baixa especificidade).
  3. Exames de imagem:
  • Angiotomografia computadorizada de tórax (angio-TC): padrão-ouro atual, permite visualizar o trombo diretamente.
  • Cintilografia ventilação-perfusão (V/Q): alternativa quando a angio-TC é contraindicada (alergia ao contraste, insuficiência renal).
  • Ecocardiograma: útil para avaliar disfunção ventricular direita e diagnóstico diferencial.
  • Arteriografia pulmonar: raramente usada, reservada para casos inconclusivos.
4. Eletrocardiograma e gasometria arterial: auxiliam na suspeita e avaliação de gravidade.

Tratamento

O manejo do TEP é dividido em três fases: estabilização inicial, anticoagulação e prevenção de recorrências.

  • Estabilização emergencial: Oxigênio suplementar, suporte hemodinâmico com fluidos e vasopressores, e, se necessário, trombolíticos (em casos de TEP de alto risco com instabilidade).
  • Anticoagulação: Inicia-se com heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) ou fondaparinux, seguida por anticoagulantes orais (varfarina ou DOACs – apixabana, rivaroxabana, edoxabana). A duração padrão é de 3 a 6 meses para TEP provocado por fator temporário; para TEP não provocado ou recorrente, a anticoagulação pode ser estendida por tempo indefinido.
  • Trombólise: Indicada apenas para TEP maciço com choque ou hipotensão persistente.
  • Intervenções: Embolia maciça com contraindicação à trombólise pode ser tratada com trombectomia cirúrgica ou por cateter.

Complicações crônicas: HPTEC

Uma complicação tardia relevante é a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC) , que ocorre quando o trombo não se dissolve completamente, levando à remodelação vascular e aumento da resistência vascular pulmonar. A HPTEC é uma condição rara, com incidência estimada entre 1/20.000 e 1/33.000 nos Estados Unidos e Europa. Segundo a Orphanet, a incidência combinada após um episódio de EP varia de 0,56% a 3,2% . Dos pacientes com HPTEC, 50–75% têm histórico de embolia pulmonar prévia. A sobrevida em pacientes operados é de 89% em 3 anos e 72% em 10 anos.

O tratamento da HPTEC inclui anticoagulação crônica, medicamentos específicos para hipertensão arterial pulmonar e, em casos selecionados, tromboendarterectomia pulmonar cirúrgica.

Aspectos previdenciários e legais no Brasil

No contexto brasileiro, o CID I26.9 (TEP) pode gerar direito a benefícios do INSS, desde que comprovada incapacidade laborativa temporária ou permanente. Os principais benefícios são:

  • Auxílio-doença (agora chamado de Benefício por Incapacidade Temporária): Para segurados que ficam impossibilitados de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos. A duração depende da evolução clínica e da resposta ao tratamento.
  • Aposentadoria por invalidez (Benefício por Incapacidade Permanente): Em casos de sequelas graves (como HPTEC com insuficiência cardíaca direita) que impeçam qualquer atividade laboral.
  • BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada): Para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, independentemente de contribuição ao INSS.
A concessão depende de perícia médica e análise da documentação. Páginas especializadas como Âmbito Jurídico e Burocracia Zero trazem orientações sobre o tema.

Fatores de risco para TEP

A seguir, uma lista dos principais fatores de risco modificáveis e não modificáveis:

  • Cirurgia de grande porte (ortopédica, abdominal, oncológica)
  • Trauma ou fratura de ossos longos
  • Imobilização prolongada (acima de 3 dias)
  • Viagens aéreas de longa duração (> 4 horas)
  • Câncer (especialmente metástático)
  • Obesidade (IMC > 30 kg/m²)
  • Tabagismo
  • Uso de anticoncepcionais orais combinados
  • Terapia de reposição hormonal
  • Gravidez e pós-parto
  • Trombofilias (fator V Leiden, mutação da protrombina, deficiência de proteínas C e S)
  • Idade avançada (risco aumenta exponencialmente após 60 anos)
  • Histórico pessoal ou familiar de tromboembolismo venoso

Tabela comparativa: TEP agudo vs. Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC)

CaracterísticaTEP AgudoHPTEC
InícioSúbito (horas a dias)Insidioso (meses a anos após EP)
CausaObstrução por êmbolo frescoRemodelação vascular por trombo não resolvido
Sintomas principaisDispneia súbita, dor torácica, hemoptiseDispneia progressiva, fadiga, edema periférico
Diagnóstico por imagemAngio-TC mostra trombo intraluminalAngio-TC mostra estenoses/oclusões crônicas
Pressão arterial pulmonarNormal ou elevada (depende do grau de obstrução)Elevada de forma persistente (> 25 mmHg em repouso)
TratamentoAnticoagulação por 3–6 mesesAnticoagulação crônica + cirurgia (tromboendarterectomia)
PrognósticoBom se tratado precocementeRequer manejo especializado; sobrevida de 89% em 3 anos com cirurgia
Incidência100–200 casos/100.000 habitantes/ano1–3 casos/100.000 habitantes/ano

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que significa a sigla CID TEP?

CID TEP se refere ao código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para tromboembolismo pulmonar. O código principal é I26, e o mais utilizado é I26.9 (embolia pulmonar sem menção de cor pulmonale agudo). Esse código é usado por médicos, hospitais e seguradoras para registrar o diagnóstico.

Quais são os primeiros sintomas de uma embolia pulmonar?

Os sintomas iniciais mais comuns são falta de ar súbita (dispneia), dor no peito que piora com a respiração, tosse seca ou com sangue, respiração rápida, taquicardia e sensação de desmaio. Em casos graves, pode ocorrer perda de consciência.

Como é feito o diagnóstico de tromboembolismo pulmonar?

O diagnóstico envolve avaliação clínica (escore de Wells), exame de sangue Dímero-D e, principalmente, angiotomografia computadorizada de tórax (angio-TC). Em pacientes com contraindicação ao contraste, a cintilografia ventilação-perfusão (V/Q) é uma alternativa. O ecocardiograma ajuda a avaliar a função do ventrículo direito.

Quanto tempo dura o tratamento do TEP?

O tratamento padrão com anticoagulantes dura de 3 a 6 meses para TEP causado por fator temporário (cirurgia, imobilização). Se a causa não for identificada (TEP não provocado) ou se houver recorrência, o tratamento pode ser estendido por tempo indefinido. A duração exata é individualizada pelo médico.

O TEP pode deixar sequelas permanentes?

Sim. Em alguns casos, o coágulo não se dissolve completamente e pode evoluir para hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC), que causa falta de ar progressiva e pode levar à insuficiência cardíaca direita. A HPTEC é rara, mas requer acompanhamento especializado e, às vezes, cirurgia.

Quem teve TEP pode se aposentar pelo INSS?

Depende da gravidade e das sequelas. Se o paciente ficar incapacitado temporariamente para o trabalho, pode solicitar o auxílio-doença (Benefício por Incapacidade Temporária). Se as sequelas forem permanentes e impedirem qualquer atividade laboral, pode ser possível a aposentadoria por invalidez. Em ambos os casos, é necessária perícia médica do INSS e apresentação de laudos e exames.

É possível prevenir o tromboembolismo pulmonar?

Sim. A prevenção baseia-se no combate aos fatores de risco: evitar imobilização prolongada, usar meias de compressão e anticoagulantes profiláticos em cirurgias de risco, manter peso saudável, não fumar e controlar doenças crônicas. Em viagens longas, recomenda-se levantar e caminhar periodicamente e hidratar-se bem.

Qual a diferença entre TEP e trombose venosa profunda (TVP)?

A trombose venosa profunda (TVP) é a formação de coágulo em veias profundas, geralmente nas pernas. O tromboembolismo pulmonar (TEP) ocorre quando esse coágulo se desprende e vai para os pulmões. A TVP e o TEP são manifestações da mesma doença, chamada tromboembolismo venoso (TEV).

O Que Fica

O tromboembolismo pulmonar (CID I26/I26.9) é uma condição grave e potencialmente fatal, mas que, quando diagnosticada e tratada precocemente, apresenta prognóstico favorável. O conhecimento dos fatores de risco, dos sintomas e dos métodos diagnósticos é essencial para profissionais de saúde e para a população em geral. O tratamento adequado com anticoagulantes, aliado ao seguimento clínico, reduz significativamente a mortalidade e o risco de complicações crônicas, como a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica.

Além do aspecto clínico, o CID TEP tem relevância jurídica e previdenciária, pois pode fundamentar o afastamento do trabalho e a concessão de benefícios do INSS. Pacientes que apresentam sequelas incapacitantes devem buscar orientação médica e jurídica especializada para garantir seus direitos.

A prevenção continua sendo a melhor estratégia: identificar precocemente o TEV e adotar medidas profiláticas em situações de risco podem salvar vidas. Se você ou um familiar apresentar sintomas como falta de ar súbita e dor torácica, procure imediatamente um serviço de emergência.

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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