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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

CID SUA: O que é, sintomas e tratamento

CID SUA: O que é, sintomas e tratamento
Checado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Contextualizando o Tema

A sigla “CID SUA” pode gerar confusão, pois combina dois termos distintos: CID (Classificação Internacional de Doenças) e SUA (Sangramento Uterino Anormal). Na prática clínica e em buscas médicas, a expressão geralmente se refere ao código CID N93, utilizado para classificar “outros sangramentos anormais do útero e da vagina”, que engloba o quadro de sangramento uterino anormal. Este artigo tem como objetivo esclarecer o significado de CID SUA, apresentar os sintomas, as causas mais comuns, as opções de tratamento e as principais atualizações trazidas pela CID-11, que entrou em vigor em janeiro de 2022.

A Classificação Internacional de Doenças é um sistema padronizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para registrar, acompanhar e analisar doenças e causas de morte em escala global. No Brasil, tanto a CID-10 quanto a CID-11 são utilizadas, sendo a primeira ainda muito presente em sistemas de saúde e consultórios. Compreender o código correto para o sangramento uterino anormal é fundamental para o diagnóstico adequado, o tratamento eficaz e a comunicação entre profissionais de saúde.

Entenda em Detalhes

O que é Sangramento Uterino Anormal (SUA)?

O sangramento uterino anormal (SUA) é definido como qualquer alteração no padrão menstrual normal da mulher, incluindo sangramento excessivo (menorragia), sangramento fora do período menstrual (metrorragia), ciclos muito curtos (polimenorreia) ou muito longos (oligomenorreia), e sangramento na pós-menopausa. O SUA é um dos motivos mais frequentes de consulta ginecológica, afetando cerca de 30% das mulheres em idade reprodutiva e até 70% das mulheres na perimenopausa.

Código CID para SUA

Na CID-10, o sangramento uterino anormal (SUA) é classificado principalmente no capítulo XIV (Doenças do aparelho geniturinário), sob o código N93 – “Outros sangramentos anormais do útero e da vagina”. Esse código possui subcategorias importantes:

  • N93.0 – Sangramento pós-coito (após relação sexual)
  • N93.8 – Outros sangramentos anormais do útero e da vagina especificados (inclui sangramento uterino disfuncional, menorragia sem causa orgânica aparente)
  • N93.9 – Sangramento anormal do útero e da vagina não especificado
Além disso, outros códigos podem ser usados dependendo da causa identificada, como:
  • N92.0 – Menorragia em ciclo regular (sangramento menstrual excessivo)
  • N92.1 – Menorragia em ciclo irregular
  • N92.2 – Menorragia não especificada
  • N92.4 – Hemorragia da pré-menopausa
Na CID-11, que entrou em vigor em janeiro de 2022, o sangramento uterino anormal ganhou uma classificação mais refinada. O código GA20 – “Sangramento uterino anormal” abrange as mesmas situações, mas com subdivisões que facilitam a identificação de causas estruturais (como miomas, pólipos) e não estruturais (como distúrbios de coagulação, disfunção endometrial).

Causas do SUA – Classificação PALM-COEIN

Para entender as causas do sangramento uterino anormal, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) propôs o sistema PALM-COEIN, que divide os fatores em duas grandes categorias: estruturais (anatômicas) e não estruturais (funcionais). Os principais componentes são:

  • P (Polyp) – Pólipos endometriais ou cervicais
  • A (Adenomyosis) – Adenomiose (presença de tecido endometrial dentro do miométrio)
  • L (Leiomyoma) – Miomas (leiomiomas) uterinos, subdivididos em submucosos, intramurais e subserosos
  • M (Malignancy and hyperplasia) – Malignidade e hiperplasia endometrial (câncer ou pré-câncer)
  • C (Coagulopathy) – Coagulopatias (distúrbios de coagulação como doença de von Willebrand)
  • O (Ovulatory disorders) – Distúrbios ovulatórios (ovário policístico, anovulação crônica)
  • E (Endometrial) – Disfunção endometrial local (alterações na hemostasia endometrial)
  • I (Iatrogenic) – Causas iatrogênicas (dispositivo intrauterino, medicamentos anticoagulantes, terapia hormonal)
  • N (Not yet classified) – Causas não classificadas
Conhecer essa classificação é essencial para que o médico possa investigar a origem do sangramento e direcionar o tratamento de forma personalizada.

Sintomas do SUA

Os sintomas variam conforme a causa e a intensidade do sangramento. Entre os mais comuns estão:

  • Sangramento menstrual excessivo (mais de 80 ml por ciclo) ou por mais de 7 dias
  • Sangramento entre os períodos menstruais (metrorragia)
  • Ciclos menstruais irregulares (intervalos menores que 24 dias ou maiores que 38 dias)
  • Sangramento após a relação sexual
  • Sangramento na pós-menopausa (após 12 meses sem menstruar)
  • Cólicas intensas e dor pélvica (associadas a miomas ou adenomiose)
  • Anemia ferropriva (cansaço, palidez, falta de ar) decorrente da perda crônica de sangue

Diagnóstico

O diagnóstico do SUA é clínico e complementado por exames. O médico ginecologista geralmente solicita:

  • Anamnese detalhada (padrão menstrual, uso de medicamentos, histórico de coagulopatias)
  • Exame físico (incluindo toque vaginal e especular)
  • Ultrassonografia pélvica transvaginal (para identificar pólipos, miomas, adenomiose)
  • Histerossonografia ou histeroscopia (para visualizar a cavidade endometrial)
  • Exames laboratoriais (hemograma completo, ferritina, coagulograma, hormônios tireoidianos e gonadotrofinas)
  • Biópsia endometrial (quando há suspeita de hiperplasia ou câncer, especialmente em mulheres acima de 45 anos ou com fatores de risco)

Tratamento

O tratamento depende da causa, da gravidade dos sintomas, do desejo de fertilidade e da resposta a terapias prévias. As opções incluem:

  • Tratamento medicamentoso: anti-inflamatórios não hormonais (AINEs), anticoncepcionais orais combinados, progestágenos, sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG), agonistas do GnRH.
  • Tratamento cirúrgico: ablação endometrial, miomectomia, polipectomia histeroscópica, embolização de miomas, histerectomia (em casos refratários ou quando não há desejo de engravidar).
  • Tratamento da causa base: reposição hormonal para distúrbios ovulatórios, correção de coagulopatias, retirada de dispositivo intrauterino, tratamento de câncer endometrial.
A escolha deve ser sempre compartilhada entre médico e paciente, considerando riscos, benefícios e preferências individuais.

Atualizações com a CID-11

A transição da CID-10 para a CID-11, oficializada pela OMS em janeiro de 2022, trouxe melhorias significativas para a classificação do sangramento uterino anormal. A nova versão permite maior granularidade, com códigos específicos para causas estruturais (ex.: GA20.1 – SUA devido a mioma submucoso) e não estruturais (GA20.3 – SUA devido a distúrbio ovulatório). Além disso, a CID-11 é totalmente digital, o que facilita sua integração com prontuários eletrônicos e sistemas de saúde pública.

No Brasil, o Ministério da Saúde e o DATASUS ainda utilizam amplamente a CID-10, mas já disponibilizam a versão traduzida da CID-11 para consulta. Profissionais de saúde devem estar atentos para usar o código mais adequado conforme a prática clínica e as exigências dos sistemas de informação.

Lista: Fatores de risco para sangramento uterino anormal

  1. Idade – adolescentes (distúrbios ovulatórios) e mulheres perimenopáusicas (desequilíbrios hormonais) apresentam maior incidência.
  2. Obesidade – associada a distúrbios ovulatórios e hiperplasia endometrial.
  3. Uso de medicamentos – anticoagulantes, corticoides, tamoxifeno, dispositivos intrauterinos de cobre.
  4. História familiar – coagulopatias hereditárias (doença de von Willebrand, hemofilia).
  5. Condições ginecológicas prévias – miomas, pólipos, adenomiose, endometriose.
  6. Distúrbios endócrinos – diabetes, tireoidopatias, síndrome dos ovários policísticos.
  7. Tabagismo – interfere no metabolismo estrogênico e aumenta risco de sangramento.
  8. Estresse e alterações de peso – podem desregular o eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
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Tabela comparativa: CID-10 x CID-11 para sangramento uterino anormal

AspectoCID-10CID-11
Código principalN93 (Outros sangramentos anormais do útero e da vagina)GA20 (Sangramento uterino anormal)
SubdivisõesN93.0, N93.8, N93.9 – baseadas em especificação do sangramentoGA20.0 a GA20.Z – baseadas em causas estruturais e não estruturais (ex.: GA20.1 mioma, GA20.3 distúrbio ovulatório)
EstruturaCapítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinárioCapítulo 16 – Doenças do sistema reprodutor feminino
FormatoCódigo alfanumérico de 3 a 4 caracteresCódigo alfanumérico de 5 a 6 caracteres, com sufixo opcional para detalhamento
Vigência oficialDesde 1994; ainda amplamente usada (Brasil)Janeiro de 2022; adesão gradual
Aplicabilidade clínicaMenos precisa para causas específicasMais precisa, facilita investigação etiológica e tratamento direcionado
Integração digitalLimitada; necessidade de sistemas adaptadosTotalmente digital, com API e atualizações contínuas
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Principais Duvidas

O que significa “CID SUA”?

CID SUA é uma combinação de termos que, na maioria das buscas, refere-se ao código CID para Sangramento Uterino Anormal. O código mais utilizado na CID-10 é N93 (Outros sangramentos anormais do útero e da vagina). Na CID-11, o código é GA20. Profissionais de saúde usam essa classificação para registrar diagnósticos de irregularidades menstruais.

Qual o CID para sangramento uterino anormal na CID-10?

O principal código é N93. As subcategorias incluem N93.0 (sangramento pós-coito), N93.8 (outros sangramentos anormais especificados) e N93.9 (sangramento anormal não especificado). Outros códigos como N92.0 (menorragia) também podem ser usados dependendo do padrão clínico.

É obrigatório colocar o CID no atestado médico?

Não. Segundo o Conselho Federal de Medicina e a legislação brasileira, a inclusão do CID em atestados médicos depende de autorização expressa do paciente. O médico deve respeitar o sigilo e a privacidade, informando apenas a necessidade de afastamento, sem revelar o diagnóstico, a menos que haja concordância do paciente.

O que mudou na CID-11 em relação ao sangramento uterino anormal?

A CID-11 introduziu o código GA20, com subdivisões baseadas em causas específicas (miomas, pólipos, distúrbios ovulatórios, coagulopatias, etc.). Isso permite um registro mais preciso da etiologia, facilitando a pesquisa clínica e a padronização dos tratamentos. A CID-11 também é totalmente digital, integrando-se melhor aos sistemas de saúde.

Quais são os principais sintomas do sangramento uterino anormal?

Os sintomas incluem menstruação excessiva (mais de 7 dias ou volume > 80 ml), sangramento entre os ciclos, ciclos irregulares (com intervalos menores que 24 ou maiores que 38 dias), sangramento após relação sexual, sangramento na pós-menopausa, cólicas intensas e anemia. Qualquer alteração significativa no padrão menstrual deve ser investigada.

Como é feito o tratamento do SUA?

O tratamento depende da causa. Opções medicamentosas incluem anti-inflamatórios, anticoncepcionais hormonais, progestágenos, SIU-LNG (Mirena) e agonistas do GnRH. Cirurgias como histeroscopia (para remoção de pólipos ou miomas), ablação endometrial e histerectomia são indicadas em casos refratários. Sempre é importante tratar a causa base, como distúrbios hormonais ou coagulopatias.

O SUA pode estar relacionado ao câncer?

Sim, especialmente em mulheres acima de 45 anos ou com fatores de risco (obesidade, uso de tamoxifeno, síndrome metabólica). A hiperplasia endometrial atípica e o câncer de endométrio podem se manifestar como sangramento uterino anormal. Por isso, a biópsia endometrial é frequentemente recomendada nesse grupo etário.

Onde posso consultar o código CID correto?

Você pode consultar a versão online oficial da CID-10 pelo site do DATASUS (DATASUS) ou a plataforma da CID-11 da OMS (CID-11 OMS). Também existem ferramentas de consulta rápida como o iClinic (iClinic – CID N93).

Em Sintese

O sangramento uterino anormal é uma condição de alta prevalência que impacta significativamente a qualidade de vida das mulheres. Compreender a classificação CID para SUA (principalmente N93 na CID-10 e GA20 na CID-11) é fundamental para o registro adequado, a comunicação entre profissionais e o planejamento terapêutico. A transição para a CID-11 representa um avanço, pois possibilita maior precisão diagnóstica e melhor acompanhamento epidemiológico.

Ao investigar o SUA, o médico deve considerar a classificação PALM-COEIN, que organiza as causas em estruturais e não estruturais, e utilizar exames complementares para confirmar o diagnóstico. O tratamento deve ser individualizado, levando em conta a gravidade dos sintomas, a causa subjacente e os desejos reprodutivos da paciente.

A informação correta sobre os códigos CID e as atualizações da OMS é essencial para todos os profissionais da área da saúde, especialmente ginecologistas, clínicos gerais e gestores de saúde pública. Mantenha-se atualizado e consulte fontes oficiais como o Ministério da Saúde e a OMS para garantir a precisão dos registros clínicos.

Para Saber Mais

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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