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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

CID fratura transtrocanteriana: código e diagnóstico

CID fratura transtrocanteriana: código e diagnóstico
Conferido por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

O Que Esta em Jogo

As fraturas do fêmur proximal representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade na população idosa, configurando um desafio significativo para os sistemas de saúde em todo o mundo. Entre essas lesões, a fratura transtrocanteriana – também denominada fratura pertrocantérica ou intertrocanteriana – destaca-se por sua elevada incidência e pelas particularidades de seu manejo clínico e cirúrgico. Compreender o código da Classificação Internacional de Doenças (CID) atribuído a essa condição é essencial não apenas para o correto registro nos prontuários e sistemas de informação, mas também para a padronização dos dados epidemiológicos, a alocação de recursos e a realização de pesquisas clínicas.

Este artigo tem como objetivo fornecer uma abordagem completa sobre a CID para fratura transtrocanteriana, explorando seu código oficial, o significado clínico do termo, os aspectos diagnósticos e terapêuticos, bem como as implicações para a prática médica. Além disso, serão apresentados dados relevantes, perguntas frequentes e referências atualizadas para aprofundamento.

Aprofundando a Analise

1 O que é a fratura transtrocanteriana?

A fratura transtrocanteriana, também conhecida como pertrocantérica ou intertrocanteriana, é uma fratura do fêmur proximal que ocorre na região anatômica compreendida entre o trocânter maior e o trocânter menor. Essa área é delimitada pela linha intertrocantérica, uma crista óssea que conecta os dois trocânteres na face anterior do fêmur. A fratura pode se estender através dessa região, envolvendo a cortical óssea e, frequentemente, resultando em instabilidade do quadril.

Na prática clínica, os termos "transtrocanteriana", "pertrocantérica" e "intertrocanteriana" são usados como sinônimos, embora haja nuances anatômicas: a fratura intertrocanteriana ocorre exatamente entre os trocânteres, enquanto a fratura pertrocantérica ou transtrocanteriana refere-se àquela que atravessa ou envolve ambos os trocânteres. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o código oficial para essa condição é S72.1 – Fratura pertrocantérica, conforme a categorização do grupo S72 (Fratura do fêmur), inserido no bloco S70–S79 (Traumatismos do quadril e da coxa).

Segundo a Classificação CID-10 do DataSUS, o código S72.1 abrange as fraturas pertrocantéricas, sejam elas fechadas ou abertas, e exclui outras fraturas proximais do fêmur, como a fratura do colo femoral (S72.0) e a fratura subtrocantérica (S72.2).

2 Epidemiologia e fatores de risco

A fratura transtrocanteriana é extremamente comum em idosos, especialmente em mulheres pós-menopáusicas, devido à osteoporose e à maior propensão a quedas. Estima-se que cerca de 90% das fraturas do quadril ocorram em pessoas com mais de 65 anos, e as fraturas pertrocantéricas representam aproximadamente 45% a 50% de todas as fraturas do fêmur proximal. A incidência aumenta com a idade, e a mortalidade em um ano após a fratura varia de 20% a 30%, frequentemente decorrente de complicações como tromboembolismo pulmonar, infecções respiratórias e descondicionamento físico.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Osteoporose e baixa densidade mineral óssea
  • Idade avançada
  • Sexo feminino
  • Histórico de quedas
  • Déficit visual e de equilíbrio
  • Uso de medicamentos que afetam a coordenação (por exemplo, sedativos)
  • Comorbidades como diabetes, hipertensão e doenças neurológicas
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool

3 Mecanismo de trauma

Na maioria dos casos, o mecanismo é uma queda da própria altura, com impacto direto na região trocantérica. Em pacientes jovens e ativos, a fratura pode resultar de traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura, mas nesse grupo a incidência é muito menor.

4 Diagnóstico e classificação

O diagnóstico é inicialmente clínico, com base na história de trauma e no exame físico: dor intensa na região do quadril, incapacidade de apoiar o pé no chão, encurtamento e rotação externa do membro afetado. O exame de imagem padrão-ouro é a radiografia simples do quadril nas incidências anteroposterior (AP) e perfil. Em casos de fraturas não desviadas ou suspeita de lesões associadas, a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética podem ser empregadas.

A classificação mais utilizada é a de Evans (modificada por Jensen e Michaelsen), que divide as fraturas pertrocantéricas em estáveis e instáveis, considerando o número de fragmentos e a integridade da cortical posteromedial. Essa classificação orienta a escolha do tratamento cirúrgico.

5 Tratamento

O tratamento é predominantemente cirúrgico, uma vez que o manejo conservador (tração e imobilização prolongada) está associado a altas taxas de complicações, como consolidação viciosa, trombose venosa profunda e úlceras por pressão. O objetivo da cirurgia é restaurar a anatomia e permitir a mobilização precoce, reduzindo o risco de complicações.

As principais opções cirúrgicas incluem:

  • Fixação com parafuso deslizante e placa (DHS – Dynamic Hip Screw): indicada para fraturas estáveis.
  • Haste intramedular (tipo Gamma ou PFNA): preferida para fraturas instáveis ou com fragmentação, por oferecer maior estabilidade biomecânica.
  • Artroplastia total de quadril: reservada para casos específicos, como fraturas cominutivas irreparáveis ou artrose pré-existente.
A abordagem multidisciplinar – envolvendo ortopedista, geriatra, fisioterapeuta e nutricionista – é fundamental para otimizar a recuperação e prevenir novas quedas.

6 Prognóstico e complicações

O prognóstico depende de fatores como idade, comorbidades e tipo de fratura. As complicações mais frequentes são a não consolidação (pseudartrose), a necrose avascular da cabeça femoral (menos comum que nas fraturas do colo), infecção do sítio cirúrgico, tromboembolismo e deslocamento do implante. A taxa de mortalidade em um ano gira em torno de 20% a 30%, sendo maior em pacientes com múltiplas comorbidades.

Lista: Fatores de risco para fratura transtrocanteriana

A seguir, apresentamos uma lista dos principais fatores que aumentam a probabilidade de ocorrência de fratura transtrocanteriana:

  1. Osteoporose (diagnosticada ou densitometria óssea abaixo do esperado)
  2. Idade igual ou superior a 65 anos
  3. Sexo feminino (risco 2 a 3 vezes maior que em homens)
  4. Histórico pessoal ou familiar de fraturas por fragilidade
  5. Quedas frequentes ou tonturas (desequilíbrio postural)
  6. Uso crônico de corticosteroides orais
  7. Baixo índice de massa corporal (magreza excessiva)
  8. Tabagismo ativo
  9. Consumo excessivo de álcool
  10. Comorbidades neurológicas (Parkinson, acidente vascular cerebral, demência)
  11. Déficit visual não corrigido
  12. Sedentarismo e fraqueza muscular

Tabela comparativa: Fratura transtrocanteriana versus outras fraturas do fêmur proximal

A tabela a seguir compara as principais características da fratura transtrocanteriana (S72.1) com a fratura do colo do fêmur (S72.0) e a fratura subtrocantérica (S72.2).

CaracterísticaFratura Transtrocanteriana (S72.1)Fratura do Colo do Fêmur (S72.0)Fratura Subtrocantérica (S72.2)
Localização anatômicaEntre os trocânteres maior e menorColo femoral, entre a cabeça e os trocânteresAbaixo do trocânter menor, proximal à diáfise
Mecanismo típicoQueda com impacto lateral no quadrilQueda com rotação ou impacto diretoTrauma de alta energia (jovens) ou osteoporose (idosos)
Risco de necrose avascularBaixo (irrigação sanguínea mais preservada)Alto (interrupção do suprimento da cabeça femoral)Baixo (irrigação da diáfise é abundante)
Conduta cirúrgica preferencialHaste intramedular ou DHSArtroplastia parcial ou total (em idosos)Haste intramedular longa ou placa
Tempo de consolidação8 a 12 semanas12 a 16 semanas (se não operada)10 a 14 semanas
Complicação mais comumNão consolidação, deformidade varoNecrose avascular, pseudoartroseNonunion, falha do implante
Prognóstico funcionalBom, se estabilização adequadaDependente do tipo de artroplastiaVariável, maior taxa de complicações mecânicas

Perguntas Frequentes (FAQ)

1 Qual é o código CID-10 para fratura transtrocanteriana?

O código CID-10 oficial para a fratura transtrocanteriana (ou pertrocantérica) é S72.1, descrito como "Fratura pertrocantérica". Esse código está inserido no grupo S72 (Fratura do fêmur) e abrange as fraturas fechadas e abertas nessa região.

2 A fratura transtrocanteriana é a mesma coisa que a fratura intertrocanteriana?

Sim, na prática clínica os termos são frequentemente usados como sinônimos. Embora "intertrocanteriana" se refira mais estritamente à fratura entre os trocânteres, e "transtrocanteriana" ou "pertrocantérica" indique a fratura que atravessa essa região, todos descrevem a mesma entidade patológica, codificada como S72.1 na CID-10.

3 Qual a diferença entre a CID S72.0 e S72.1?

A CID S72.0 corresponde à fratura do colo do fêmur, que ocorre na região entre a cabeça femoral e os trocânteres. Já a S72.1 é a fratura pertrocantérica (transtrocanteriana), localizada entre os trocânteres. Embora ambas sejam fraturas proximais do fêmur, diferem quanto à irrigação sanguínea, ao risco de necrose avascular e ao tratamento cirúrgico (artroplastia vs. fixação interna).

4 A CID S72.1 inclui fraturas abertas?

Sim, o código S72.1 abrange tanto as fraturas fechadas quanto as abertas (com exposição óssea). No entanto, para fins de registro mais detalhado, pode-se utilizar os códigos de extensão apropriados (por exemplo, S72.10 para fechada, S72.11 para aberta), dependendo da classificação adotada no sistema de notificação.

5 O que significa "fratura pertrocantérica" no contexto da CID-10?

De acordo com a CID-10, "fratura pertrocantérica" é a denominação oficial para a lesão que envolve a região entre os trocânteres maior e menor do fêmur. O termo deriva do latim "per" (através) e "trochanter" (trocânter), indicando que a fratura atravessa a área dessas proeminências ósseas.

6 Como é feito o diagnóstico diferencial entre fratura transtrocanteriana e fratura do colo femoral?

O diagnóstico diferencial é baseado na radiografia simples do quadril (AP e perfil). Na fratura do colo, a linha de fratura é visualizada na região do colo femoral, proximal aos trocânteres. Na fratura transtrocanteriana, a fratura é visualizada entre os trocânteres, geralmente com traçado oblíquo ou que se estende para a região subtrocantérica. Em casos duvidosos, a tomografia computadorizada pode auxiliar.

7 Qual é a taxa de mortalidade após uma fratura transtrocanteriana?

A taxa de mortalidade em um ano após a fratura varia de 20% a 30% na população idosa. Os principais fatores associados ao óbito são idade avançada, presença de múltiplas comorbidades, complicações pós-operatórias (infecção, tromboembolismo) e atraso na cirurgia. A mobilização precoce e o manejo multiprofissional reduzem significativamente esse risco.

Para Encerrar

A fratura transtrocanteriana é uma condição ortopédica frequente, especialmente entre idosos com osteoporose, e seu registro correto por meio do código CID-10 S72.1 é indispensável para a sistematização dos dados de saúde, o planejamento de políticas públicas e a realização de estudos epidemiológicos. Embora os termos "transtrocanteriana", "pertrocantérica" e "intertrocanteriana" sejam usados de forma intercambiável na prática clínica, a classificação oficial adota "fratura pertrocantérica" como descrição padronizada.

O tratamento cirúrgico, com fixação interna ou artroplastia, é a regra para a maioria dos pacientes, e o prognóstico depende de fatores como idade, comorbidades e qualidade do cuidado pós-operatório. A abordagem multidisciplinar, incluindo a prevenção de quedas e o tratamento da osteoporose, é essencial para reduzir a incidência e melhorar os desfechos.

Espera-se que este artigo tenha esclarecido as principais dúvidas sobre o CID para fratura transtrocanteriana e fornecido informações úteis para profissionais de saúde, estudantes e interessados no tema. A consulta a fontes oficiais, como o DataSUS e o portal Afya, é sempre recomendada para atualização sobre a classificação internacional.

Leia Tambem

  1. DataSUS – S70-S79 Traumatismos do quadril e da coxa
  2. Artmed – CID S72 Fratura do fêmur
  3. iClinic – CID 10 S72 Fratura do fêmur
  4. Portal Afya – CID-10 S72
  5. CID Saúde Via Net – S721 Fratura pertrocantérica
Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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