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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

CID cólica menstrual: o que é e qual o código correto

CID cólica menstrual: o que é e qual o código correto
Chancelado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Panorama Inicial

A cólica menstrual, clinicamente denominada dismenorreia, é uma das queixas ginecológicas mais frequentes entre mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se por dor do tipo cólica na região inferior do abdômen (hipogástrio), geralmente associada ao fluxo menstrual. Embora seja uma condição comum, o correto registro diagnóstico é fundamental para a organização dos sistemas de saúde, a realização de pesquisas epidemiológicas e a adequada comunicação entre profissionais.

A Classificação Internacional de Doenças (CID), atualmente em sua décima revisão (CID-10), fornece códigos específicos para classificar a dismenorreia. No entanto, muitas mulheres e até mesmo profissionais de saúde têm dúvidas sobre qual código utilizar: será que toda cólica menstrual é registrada sob o mesmo número? A resposta é não. Dependendo da causa subjacente e da apresentação clínica, a codificação pode variar entre os subcódigos do grupo N94 ou, em situações de diagnóstico não definido, ser registrada como dor abdominal (R10). Este artigo tem como objetivo esclarecer o significado de “CID cólica menstrual”, apresentar os códigos corretos, suas indicações e demais informações relevantes para um diagnóstico e registro precisos.

Pontos Importantes

O que é a CID (Classificação Internacional de Doenças)?

A CID é um sistema de classificação padronizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para codificar doenças, sinais, sintomas, achados anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas de lesões. No Brasil, sua versão oficial é a CID-10, utilizada em prontuários, laudos, atestados e sistemas de informação, como o DATASUS. Cada condição recebe um código alfanumérico que permite a agregação de dados estatísticos, o planejamento de políticas de saúde e o reembolso de procedimentos.

Para a área ginecológica, os códigos relacionados ao ciclo menstrual e às dores pélvicas estão concentrados nos capítulos N00-N99 (Doenças do Aparelho Geniturinário). Dentro desse capítulo, o grupo N80-N98 abrange transtornos não inflamatórios do trato genital feminino, e a categoria N94 é dedicada à “dor e outras afecções associadas com os órgãos genitais femininos e com o ciclo menstrual”.

A CID para cólica menstrual: grupo N94

O grupo N94 é o principal conjunto de códigos utilizado para registrar a cólica menstrual. Ele inclui:

  • N94.4 – Dismenorreia primária
  • N94.5 – Dismenorreia secundária
  • N94.6 – Dismenorreia não especificada
Outros códigos do mesmo grupo, como N94.0 (dor no meio do ciclo menstrual) e N94.1 (dispareunia – dor durante a relação sexual), não são específicos para cólica menstrual, mas podem estar relacionados.

A dismenorreia primária é a dor menstrual sem evidência de doença pélvica subjacente. Geralmente começa nas primeiras menstruações da adolescente e está associada à liberação excessiva de prostaglandinas, que causam contrações uterinas intensas. A dor costuma iniciar horas antes ou no início do fluxo e dura de 1 a 2 dias. Já a dismenorreia secundária é decorrente de uma condição orgânica, como endometriose, miomas, adenomiose, doença inflamatória pélvica ou uso de dispositivos intrauterinos (DIU). A dor tende a ser mais intensa, durar mais dias e pode piorar com o tempo.

O código N94.6 (dismenorreia não especificada) é utilizado quando o médico não diferencia ou não dispõe de informações suficientes para classificar entre primária e secundária. Esse código deve ser empregado com cautela, pois idealmente a investigação clínica deve permitir uma distinção.

Quando utilizar o CID R10 (dor abdominal) ao invés de N94?

Em algumas situações, especialmente no atendimento de emergência ou na atenção primária sem exames complementares imediatos, a queixa de “cólica menstrual” pode ser registrada como R10.2 – Dor pélvica e perineal ou R10.4 – Outras dores abdominais e as não especificadas. O CID R10 é mais genérico e cobre dores abdominais e pélvicas de causa indeterminada.

No entanto, as diretrizes clínicas recomendam que, sempre que possível, o diagnóstico específico de dismenorreia seja utilizado, especialmente quando a paciente já tem histórico conhecido de cólicas menstruais. O uso de N94 permite maior especificidade e melhor rastreamento da condição. Apenas quando o diagnóstico ainda está em investigação, o código R10 pode ser uma opção temporária.

Para mais informações sobre a classificação do grupo N94, consulte a página oficial do iClinic – CID 10 N94, que detalha todos os subcódigos.

Outros códigos relacionados: TDPM e GA34

É importante diferenciar a cólica menstrual (dismenorreia) de outras condições que afetam o ciclo feminino, como a tensão pré-menstrual (TPM) e o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). Enquanto a dismenorreia é uma dor física relacionada ao fluxo menstrual, a TPM e o TDPM envolvem sintomas emocionais e físicos que ocorrem na fase lútea do ciclo, antes da menstruação.

O TDPM é classificado na CID-10 sob o código GA34 (em algumas fontes, mas a classificação oficial da OMS para a CID-10 é F38.8 – outros transtornos do humor, quando não especificados; no entanto, a nova CID-11 possui capítulo específico para TDPM). É fundamental não confundir esses códigos com N94, que são específicos para dor associada ao ciclo menstrual.

Lista: Fatores de risco e causas comuns da dismenorreia

A seguir, apresentamos uma lista com os principais fatores de risco e causas associados à dismenorreia primária e secundária:

  • Dismenorreia primária:
  • Idade precoce da menarca (antes dos 12 anos)
  • Ciclos menstruais longos ou fluxo intenso
  • Tabagismo
  • História familiar de dismenorreia
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Dismenorreia secundária:
  • Endometriose
  • Adenomiose
  • Miomas uterinos (leiomiomas)
  • Doença inflamatória pélvica (DIP)
  • Estenose cervical
  • Pólipos endometriais
  • Uso de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre
  • Malformações uterinas congênitas
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP) associada a alterações endometriais
Sinais de alerta que indicam necessidade de investigação mais aprofundada: dor que se inicia após os 25 anos, dor que piora progressivamente, dor que persiste além do período menstrual, sangramento irregular, dispareunia, infertilidade ou presença de massa pélvica.

Tabela comparativa: Códigos CID para dismenorreia

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre os códigos N94.4, N94.5 e N94.6:

Código CIDDescriçãoCaracterísticas clínicasIndicação de uso
N94.4Dismenorreia primáriaDor em cólica no hipogástrio associada ao fluxo menstrual, sem doença pélvica identificável. Início logo após a menarca, duração de 1-2 dias.Pacientes jovens com exame ginecológico normal e sem fatores de risco para causas secundárias.
N94.5Dismenorreia secundáriaDor causada por alterações orgânicas (endometriose, miomas, DIP, etc.). Pode ser mais intensa, durar mais dias e piorar com o tempo.Mulheres com diagnóstico estabelecido de condição pélvica subjacente, ou quando exames de imagem ou laparoscopia revelam anormalidade.
N94.6Dismenorreia não especificadaDor menstrual cuja causa não foi diferenciada ou não se dispõe de informações para classificar.Uso temporário ou quando há dúvida diagnóstica, devendo ser substituído após investigação.
R10.2Dor pélvica e perinealDor na região pélvica, sem especificação de causa menstrual.Quando a dor é aguda e o diagnóstico ainda não foi confirmado, ou em atendimentos de urgência.
Para consultar a descrição oficial completa do código N94.4, acesse Versatilis – CID N94.4.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual o CID correto para cólica menstrual?

O código mais adequado depende da causa. Se a cólica for primária (sem doença pélvica), utiliza-se N94.4. Se houver uma condição subjacente (endometriose, miomas etc.), o código é N94.5. Quando não há certeza, emprega-se N94.6 (dismenorreia não especificada).

Qual a diferença entre dismenorreia primária e secundária?

A dismenorreia primária é a dor menstrual sem alterações estruturais ou orgânicas identificáveis; geralmente começa na adolescência e responde bem a anti-inflamatórios. Já a dismenorreia secundária é decorrente de doenças como endometriose, miomas ou adenomiose; a dor tende a ser mais intensa, durar mais e pode piorar com o tempo, necessitando de tratamento específico da causa base.

O CID R10 pode ser usado para cólica menstrual?

Sim, o CID R10.2 (dor pélvica e perineal) ou R10.4 (outras dores abdominais) podem ser usados quando o diagnóstico de dismenorreia ainda não está estabelecido, por exemplo, em uma consulta de emergência. No entanto, recomenda-se migrar para o código N94 assim que a relação com o ciclo menstrual for confirmada.

O que significa “dismenorreia não especificada” (N94.6)?

Esse código é utilizado quando o profissional não dispõe de informações clínicas ou exames suficientes para diferenciar se a cólica é primária ou secundária. É um código de transição que deve ser substituído após investigação adequada.

A CID-11 já classifica a cólica menstrual de forma diferente?

A CID-11, que está em processo de implementação no Brasil, mantém a categoria de dismenorreia, mas com códigos atualizados. Na CID-11, a dismenorreia é classificada em GA34.0 (dismenorreia primária) e GA34.1 (dismenorreia secundária), entre outros. No entanto, o sistema de saúde brasileiro ainda utiliza predominantemente a CID-10.

Existe cura para a cólica menstrual?

Para a dismenorreia primária, o tratamento com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e anticoncepcionais hormonais costuma controlar totalmente os sintomas. A dismenorreia secundária pode ser curada ou controlada com o tratamento da condição subjacente (cirurgia, medicação hormonal etc.). Em ambos os casos, o acompanhamento médico é essencial.

O código para tensão pré-menstrual (TPM) é o mesmo da cólica menstrual?

Não. A TPM é classificada em outros códigos (como N94.3 – síndrome da tensão pré-menstrual). Já a cólica menstrual (dismenorreia) está nos códigos N94.4 a N94.6. O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é registrado como F38.8 na CID-10 ou GA34.2 na CID-11.

Como saber se minha cólica menstrual é primária ou secundária?

Somente um médico ginecologista pode fazer essa distinção, por meio de anamnese detalhada, exame pélvico e, se necessário, exames de imagem como ultrassonografia transvaginal. A história de início dos sintomas (se desde a menarca ou após os 20-25 anos), a intensidade da dor e a presença de outros sintomas ajudam no diagnóstico.

Ultimas Palavras

Saber o código CID correto para a cólica menstrual é mais do que uma formalidade burocrática: é uma ferramenta que auxilia no planejamento terapêutico, na comunicação entre profissionais de saúde, na pesquisa científica e na alocação de recursos nos sistemas de saúde. A classificação adequada entre dismenorreia primária (N94.4), secundária (N94.5) ou não especificada (N94.6) reflete a compreensão clínica da paciente e direciona a abordagem terapêutica.

Recomenda-se que toda mulher com queixa de cólica menstrual procure um ginecologista para avaliação completa. O registro correto do CID no prontuário ou atestado médico garante que o tratamento seja monitorado e que a condição seja reconhecida, inclusive para fins de afastamento do trabalho ou escola quando necessário. Além disso, o uso de códigos genéricos como R10 deve ser evitado sempre que possível, pois subestima a prevalência da dismenorreia e dificulta o desenvolvimento de políticas públicas específicas.

A implementação futura da CID-11 no Brasil trará novas codificações, mas os princípios de classificação permanecem. Manter-se atualizado sobre os códigos vigentes é responsabilidade de todos os profissionais de saúde que lidam com a saúde feminina.

Referencias Utilizadas

  1. Einstein – Cólica menstrual: sintomas, causas e tratamentos
  2. iClinic – CID 10 N94
  3. Telemedicina Morsch – CID N94
  4. Artmed – Código CID N94
  5. Afya – CID-10 N94
  6. SanarMed – CID N94
  7. QuarkClinic – CID R10
  8. Versatilis – CID N94.4
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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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