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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

CID cólica menstrual: código, causas e tratamento

CID cólica menstrual: código, causas e tratamento
Endossado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Entendendo o Cenario

A cólica menstrual, conhecida clinicamente como dismenorreia, é uma das queixas ginecológicas mais frequentes em todo o mundo. Estima-se que cerca de 50% a 90% das mulheres em idade reprodutiva já experimentaram algum grau de dor pélvica associada ao ciclo menstrual, sendo que em aproximadamente 10% dos casos a intensidade é suficiente para comprometer significativamente a qualidade de vida e a rotina diária. Apesar de ser um sintoma comum, muitas mulheres desconhecem que existe uma classificação padronizada internacionalmente para essa condição: o Código Internacional de Doenças, a CID.

O CID N94.4 é o código específico para a dismenorreia primária, ou seja, a cólica menstrual que não está associada a doenças ginecológicas subjacentes. Esse código pertence ao grupo N94, que abrange dores e outras afecções relacionadas aos órgãos genitais femininos e ao ciclo menstrual. Compreender a CID correta é fundamental tanto para o registro clínico adequado quanto para o acesso a tratamentos, encaminhamentos especializados e cobertura por planos de saúde.

Neste artigo, abordaremos de forma completa o que significa a CID para cólica menstrual, suas causas, opções de tratamento, e responderemos às principais dúvidas sobre o tema. O conteúdo é direcionado tanto para profissionais de saúde que necessitam de atualização sobre a codificação quanto para pacientes que buscam entender melhor o próprio diagnóstico e as possibilidades terapêuticas.

Detalhando o Assunto

O que é a CID N94.4 – Dismenorreia Primária?

A CID-10 é a 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças, elaborada pela Organização Mundial da Saúde. O código N94.4 designa a dismenorreia primária, que corresponde às dores uterinas que ocorrem durante a menstruação, sem que haja qualquer alteração anatômica ou patológica identificável nos órgãos pélvicos. A dor geralmente tem início algumas horas antes ou logo após o início do fluxo menstrual e pode durar de 12 a 72 horas.

A fisiopatologia da dismenorreia primária está diretamente relacionada ao aumento da produção de prostaglandinas – substâncias químicas que estimulam as contrações do útero para expelir o endométrio. Quando há uma produção excessiva de prostaglandinas, as contrações se tornam mais intensas e prolongadas, reduzindo o fluxo sanguíneo para o miométrio (músculo uterino) e gerando dor isquêmica. Esse processo inflamatório local também pode desencadear sintomas associados, como náuseas, vômitos, diarreia, fadiga e cefaleia.

CID N94: Grupo mais amplo de afecções menstruais

Além do CID N94.4, o grupo N94 reúne outras condições que envolvem dor e distúrbios do ciclo menstrual, conforme a classificação oficial:

  • N94.0 – Dor durante a relação sexual (dispareunia)
  • N94.1 – Dispareunia, não especificada
  • N94.2 – Vaginismo
  • N94.3 – Síndrome de tensão pré-menstrual (TPM)
  • N94.4 – Dismenorreia primária
  • N94.5 – Dismenorreia secundária
  • N94.6 – Dor ovulatória (Mittelschmerz)
  • N94.8 – Outras afecções especificadas associadas aos órgãos genitais femininos e ao ciclo menstrual
  • N94.9 – Afecção não especificada associada aos órgãos genitais femininos e ao ciclo menstrual
É importante destacar que, na prática clínica, muitos profissionais utilizam o código N94 de forma genérica quando o diagnóstico ainda não foi completamente elucidado, mas há suspeita de que a dor esteja vinculada ao ciclo. Já o N94.4 é específico para os casos em que se confirma a dismenorreia primária, após exclusão de causas secundárias.

Dismenorreia Secundária (CID N94.5)

A dismenorreia secundária é diferente da primária porque existe uma causa orgânica subjacente. As principais condições que podem provocar cólica menstrual secundária incluem:

  • Endometriose – presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina
  • Adenomiose – infiltração do endométrio no miométrio
  • Miomas uterinos – tumores benignos do músculo uterino
  • Doença inflamatória pélvica (DIP) – infecções dos órgãos reprodutivos
  • Cistos ovarianos – especialmente os funcionais
  • Estenose cervical – estreitamento do colo do útero
  • Dispositivo intrauterino (DIU) – especialmente os não hormonais
Nesses casos, o CID utilizado é N94.5, e o tratamento deve ser direcionado à causa base, podendo envolver desde medicamentos hormonais até procedimentos cirúrgicos.

Importância da codificação correta para o sistema de saúde

O uso adequado da CID na cólica menstrual tem implicações práticas relevantes. Em primeiro lugar, permite que os prontuários médicos sejam padronizados, facilitando a comunicação entre profissionais e serviços de saúde. Em segundo lugar, a codificação correta é essencial para a autorização de exames complementares (como ultrassonografia pélvica, ressonância magnética) e para o encaminhamento ao especialista (ginecologista) quando necessário. No contexto da saúde suplementar, os planos de saúde costumam exigir o CID para liberar cobertura de tratamentos, inclusive medicamentos de alto custo e procedimentos cirúrgicos.

Além disso, o registro fidedigno contribui para a epidemiologia da dismenorreia, permitindo que gestores de saúde pública dimensionem a magnitude do problema e planejem políticas de atenção integral à saúde da mulher. Embora não existam estatísticas nacionais recentes e consolidadas sobre a prevalência da dismenorreia no Brasil, a literatura internacional aponta que a dismenorreia primária é a principal causa de absenteísmo escolar e laboral entre adolescentes e mulheres jovens.

Tratamentos disponíveis

O manejo da cólica menstrual depende do tipo de dismenorreia e da intensidade dos sintomas. Para a dismenorreia primária, as abordagens terapêuticas incluem:

  1. Medidas não farmacológicas: aplicação de calor local (bolsa térmica, banho morno), repouso, atividade física regular (especialmente exercícios aeróbicos), técnicas de relaxamento e acupuntura.
  1. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): medicamentos como ibuprofeno, naproxeno e ácido mefenâmico inibem a síntese de prostaglandinas, reduzindo a dor e a inflamação. Devem ser iniciados logo no início dos sintomas e mantidos por 1 a 3 dias.
  1. Contraceptivos hormonais: pílulas combinadas (estrogênio e progesterona), adesivos, anéis vaginais ou implantes hormonais suprimem a ovulação e reduzem a espessura endometrial, diminuindo a produção de prostaglandinas e as contrações uterinas.
  1. Suplementação: alguns estudos sugerem benefício do magnésio, vitamina B1, ômega-3 e vitamina E, embora as evidências ainda sejam limitadas.
Para a dismenorreia secundária, o tratamento é direcionado à causa. Exemplos: uso de análogos do GnRH ou cirurgia para endometriose, miomectomia para miomas, antibioticoterapia para DIP e troca do DIU por um modelo hormonal.

Lista de fatores de risco para cólica menstrual intensa

  • Idade menor que 20 anos
  • Menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos)
  • Fluxo menstrual intenso (menorragia)
  • Ciclos menstruais longos ou irregulares
  • Histórico familiar de dismenorreia
  • Tabagismo
  • Estresse psicológico elevado
  • Baixo índice de massa corporal
  • Nuliparidade (nunca ter tido filhos)

Tabela comparativa: Dismenorreia primária versus secundária

CaracterísticaDismenorreia Primária (CID N94.4)Dismenorreia Secundária (CID N94.5)
Idade de inícioGeralmente na adolescência, meses a anos após a menarcaSurge em mulheres adultas, frequentemente após os 25 anos
Padrão da dorCólica que começa horas antes ou no início do fluxo, dura 24-72hDor que pode começar antes da menstruação e continuar após o fim do fluxo
LocalizaçãoBaixo ventre, pode irradiar para as costas e coxasPode ser mais difusa, associada a dor pélvica crônica
Sintomas associadosNáuseas, vômitos, diarreia, fadiga, cefaleiaDispareunia, dor ao evacuar, infertilidade, sangramento irregular
CausaExcesso de prostaglandinas, sem doença pélvica identificávelEndometriose, adenomiose, miomas, DIP, estenose cervical, DIU
Exames complementaresHistória clínica e exame físico; ultrassom normalmente normalUltrassonografia pélvica, ressonância magnética, videolaparoscopia
Tratamento de primeira linhaAINEs + contraceptivos hormonaisTratamento da causa base (cirurgia, hormônios, antibióticos)
Resposta ao tratamentoGeralmente boa com AINEs e/ou hormonaisVariável, depende da causa e da extensão da doença

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o CID exato para cólica menstrual?

O código mais específico para a cólica menstrual é o CID N94.4, que corresponde à dismenorreia primária. Quando a cólica está relacionada a uma doença ginecológica subjacente, utiliza-se o N94.5 (dismenorreia secundária). Em situações em que o diagnóstico ainda não foi completamente definido, o código genérico N94 pode ser empregado.

O CID N94.4 cobre apenas a dor ou também outros sintomas associados?

O CID N94.4 designa especificamente a dismenorreia primária, mas na prática clínica os sintomas associados (náuseas, vômitos, diarreia) são registrados separadamente, com seus próprios códigos CID, se forem relevantes para o quadro. O médico pode acrescentar códigos adicionais para descrever a complexidade do caso.

Qual a diferença entre dismenorreia primária e secundária em termos de CID?

A diferença está no código: N94.4 para primária (sem causa orgânica identificável) e N94.5 para secundária (quando há uma doença de base). A escolha do código é baseada na investigação clínica e nos exames complementares. Mulheres com dismenorreia que não respondem ao tratamento inicial devem ser investigadas para causas secundárias.

Posso usar o CID N94.4 para justificar atestado médico?

Sim, o CID N94.4 é plenamente aceito para emissão de atestados médicos, declarações de comparecimento e afastamento do trabalho ou escola. A cólica menstrual intensa é reconhecida como condição de saúde que pode incapacitar temporariamente a paciente para suas atividades habituais. É importante que o profissional de saúde descreva a gravidade dos sintomas no documento.

Quais especialistas tratam a cólica menstrual?

O médico ginecologista é o especialista de referência para o diagnóstico e tratamento da dismenorreia. Em casos de suspeita de endometriose ou adenomiose, pode ser necessário o acompanhamento por um especialista em endometriose ou cirurgia ginecológica. Médicos da atenção primária (clínicos gerais, médicos de família) também podem manejar casos leves a moderados de dismenorreia primária.

A cólica menstrual pode ser um sinal de infertilidade?

A cólica menstrual em si, especialmente quando primária, não está diretamente associada à infertilidade. No entanto, a dismenorreia secundária, causada por condições como endometriose e doença inflamatória pélvica, pode comprometer a fertilidade. Por isso, mulheres com cólica intensa, progressiva ou associada a dificuldades para engravidar devem ser avaliadas quanto a causas secundárias.

O uso de anticoncepcional oral elimina a cólica menstrual?

Os contraceptivos hormonais combinados (estrogênio e progesterona) reduzem significativamente a intensidade da cólica menstrual na maioria das mulheres, ao suprimir a ovulação e afinarem o endométrio. Muitas pacientes relatam remissão completa dos sintomas. Contudo, algumas mulheres podem continuar apresentando cólica leve, e outras podem não responder adequadamente, necessitando de opções terapêuticas alternativas.

Existe relação entre cólica menstrual e doenças inflamatórias intestinais?

A dor pélvica cíclica pode ser confundida com sintomas de doenças inflamatórias intestinais, como síndrome do intestino irritável, doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Além disso, essas condições podem piorar durante o período menstrual devido à ação das prostaglandinas. É importante que o diagnóstico diferencial seja feito por um gastroenterologista, especialmente se houver diarreia, sangramento retal ou dor abdominal fora do período menstrual.

Em Sintese

A cólica menstrual, codificada sob o CID N94.4 quando primária e N94.5 quando secundária, é uma condição que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, com impacto significativo na qualidade de vida, no desempenho acadêmico e profissional, e na saúde mental. A compreensão do código correto é essencial não apenas para o registro clínico padronizado, mas também para garantir o acesso a tratamentos adequados e a continuidade do cuidado.

Felizmente, a dismenorreia primária responde bem a intervenções simples, como o uso de anti-inflamatórios não esteroidais e contraceptivos hormonais, além de medidas comportamentais e fisioterapêuticas. Já a dismenorreia secundária exige uma abordagem diagnóstica mais aprofundada, frequentemente com exames de imagem e, em alguns casos, videolaparoscopia.

É fundamental que as mulheres não normalizem a dor menstrual intensa a ponto de deixar de buscar ajuda médica. A medicina contemporânea dispõe de ferramentas eficazes para alívio dos sintomas e, quando necessário, tratamento das causas subjacentes. A atuação do ginecologista, aliada a uma comunicação clara sobre a classificação da doença (CID), é a chave para um manejo bem-sucedido.

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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