Visao Geral
No contexto da Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão (CID-10), cada código representa uma condição específica que permite padronizar diagnósticos, notificações e estatísticas de saúde em todo o mundo. O código CID A90 é designado para a dengue clássica, também chamada de dengue [dengue clássico]. Trata-se da forma mais comum da doença causada pelo vírus da dengue, transmitido por mosquitos do gênero , principalmente o .
A dengue constitui um grave problema de saúde pública em regiões tropicais e subtropicais, com milhões de casos registrados anualmente. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) utiliza o CID A90 para registrar todos os casos de dengue que não evoluem para a forma hemorrágica (esta classificada como A91). Compreender o significado desse código, os sintomas associados e as condutas terapêuticas é essencial tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral, pois permite o reconhecimento precoce da doença e a adoção de medidas adequadas de manejo e prevenção.
Este artigo aborda de forma completa o CID A90, desde sua definição e importância na classificação nosológica até os sintomas, diagnóstico, tratamento e as principais dúvidas sobre a dengue clássica. Serão apresentados dados comparativos entre as formas clássica e hemorrágica, além de uma lista de sinais de alarme que merecem atenção imediata.
Na Pratica
O que é o CID A90?
O código CID A90 está inserido no capítulo I da CID-10, que abrange “Algumas doenças infecciosas e parasitárias”, mais especificamente no grupo A90-A99 (“Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais”). Conforme o DATASUS, a categoria A90 compreende exclusivamente a dengue clássica, excluindo a dengue hemorrágica (A91). Essa distinção é fundamental para a notificação epidemiológica, pois as condutas clínicas e os desfechos são diferentes entre as duas formas.
A classificação por meio do CID permite que sistemas de saúde, seguradoras, hospitais e pesquisadores agreguem dados de morbidade e mortalidade de maneira uniforme. No Brasil, a utilização do CID A90 é obrigatória em todas as declarações de óbito e internações hospitalares, além de ser referência para a vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde.
Dengue Clássica: características clínicas
A dengue clássica é uma doença febril aguda, autolimitada na maioria dos casos, com duração típica de 5 a 7 dias. O período de incubação varia de 3 a 14 dias após a picada do mosquito infectado. Os sintomas costumam surgir de forma abrupta e incluem:
- Febre alta (geralmente acima de 38,5°C), de início súbito.
- Cefaleia intensa, frequentemente com dor retro-orbitária (atrás dos olhos), que piora com a movimentação ocular.
- Mialgia e artralgia intensas, popularmente conhecidas como “dor nos ossos”.
- Prostração e sensação de fraqueza, que podem persistir mesmo após a febre ceder.
- Exantema (manchas vermelhas na pele) que pode aparecer entre o 3º e o 5º dia, semelhante ao sarampo ou rubéola.
- Náuseas, vômitos e dor abdominal leve a moderada.
Diagnosticar corretamente a dengue clássica é crucial para evitar confusão com outras arboviroses, como chikungunya e zika, e para iniciar manejo clínico adequado. Exames laboratoriais ajudam na confirmação: pesquisa do antígeno NS1 (positivo nos primeiros dias), PCR (detecção do RNA viral) e sorologia IgM (a partir do 5º dia). O acesso a esses testes é parte do protocolo de vigilância, conforme orientações do Ministério da Saúde.
Tratamento da dengue clássica (CID A90)
Não existe antiviral específico para dengue. O tratamento é exclusivamente de suporte, baseado em três pilares:
- Hidratação oral ou venosa – essencial para prevenir complicações hemodinâmicas. A recomendação é ingerir líquidos (água, sucos, soros caseiros) em quantidade suficiente para manter o volume circulatório. Em casos de desidratação importante, a hidratação venosa é indicada.
- Controle da febre e da dor – utiliza-se preferencialmente paracetamol ou dipirona, evitando-se ácido acetilsalicílico (aspirina) e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), pois aumentam o risco de sangramento.
- Monitoramento clínico rigoroso – o paciente deve ser orientado a retornar ao serviço de saúde caso apresente sinais de alarme: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, diminuição da pressão arterial, aumento do hematócrito, entre outros.
Aspectos epidemiológicos no Brasil
O Brasil é um dos países com maior incidência de dengue no mundo. A transmissão ocorre durante todo o ano, com picos sazonais entre os meses de janeiro e maio, quando as condições climáticas favorecem a proliferação do mosquito. Embora a forma clássica seja a mais frequente, surtos de dengue grave também são registrados, principalmente associados à circulação simultânea de mais de um sorotipo viral.
A notificação de casos de CID A90 é obrigatória e integra o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os dados são utilizados para planejamento de ações de controle vetorial, campanhas de educação em saúde e alocação de recursos.
Sinais de Alarme na Dengue (Lista)
Reconhecer os sinais de alarme é fundamental para evitar a progressão para formas graves. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde listam os seguintes indicadores que exigem reavaliação médica imediata:
- Dor abdominal intensa e contínua (não aliviada por analgésicos comuns).
- Vômitos persistentes (mais de três episódios em uma hora ou seis em seis horas).
- Sangramento de mucosas (gengiva, nariz, urina, fezes).
- Letargia ou irritabilidade (em crianças, sonolência excessiva).
- Hipotensão postural (tontura ao levantar-se) e lipotimia.
- Aumento progressivo do hematócrito concomitante à queda de plaquetas.
- Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural) detectado clinicamente ou por imagem.
- Hepatomegalia dolorosa.
Tabela Comparativa: Dengue Clássica (A90) vs. Dengue Hemorrágica (A91)
| Característica | Dengue Clássica (A90) | Dengue Hemorrágica / Grave (A91) |
|---|---|---|
| Febre | Alta, contínua, duração de 5 a 7 dias | Alta, com desaparecimento abrupto seguido de piora |
| Sangramento | Raro; ocasionalmente petéquias ou sangramento nasal leve | Presente: sangramento espontâneo de mucosas, equimoses, hematêmese |
| Extravasamento plasmático | Ausente | Presente, levando a hemoconcentração e derrames cavitários |
| Plaquetas | Geralmente normais ou levemente reduzidas | Queda acentuada (< 100.000/mm³) e rápida |
| Letalidade | Baixa (< 1% se manejada adequadamente) | Moderada a alta (até 20% sem manejo adequado) |
| Necessidade de internação | Raramente; manejo ambulatorial na maioria dos casos | Exige internação, frequentemente em UTI |
| Tratamento principal | Hidratação oral e sintomáticos | Hidratação venosa intensiva, monitorização hemodinâmica, reposição de plaquetas se necessário |
Perguntas Frequentes sobre CID A90
O que significa o código CID A90?
O CID A90 é a classificação atribuída pela CID-10 à dengue clássica, também denominada dengue [dengue clássico]. Ele é utilizado em todo o mundo para padronizar o registro de casos de dengue que não apresentam manifestações hemorrágicas graves. No Brasil, é empregado pelo SUS e por todos os serviços de saúde para notificação e faturamento de procedimentos.
Qual a diferença entre A90 e A91?
O código A91 corresponde à dengue hemorrágica ou dengue grave, forma caracterizada por extravasamento plasmático, sangramentos significativos e comprometimento circulatório. Enquanto a dengue clássica (A90) é geralmente autolimitada e de baixa letalidade, a dengue hemorrágica exige manejo hospitalar intensivo e apresenta risco mais elevado de óbito.
Como é feito o diagnóstico laboratorial da dengue (A90)?
O diagnóstico pode ser realizado por métodos diretos ou indiretos. O teste NS1 (antígeno viral) é positivo nos primeiros 3 a 5 dias de sintomas. A PCR detecta o RNA viral e também é útil nessa fase. A sorologia IgM torna-se positiva a partir do 5º dia e pode ser confirmada por pareamento de amostras. A escolha do exame depende do dia da doença e da janela clínica.
Dengue clássica pode evoluir para dengue hemorrágica?
Sim, embora a maioria dos casos permaneça na forma clássica, uma minoria pode evoluir para a forma grave. Os fatores de risco incluem reinfecção por um sorotipo diferente do vírus, idade (crianças e idosos), presença de doenças crônicas e genética do hospedeiro. O surgimento de sinais de alarme sinaliza a transição para a gravidade.
Existe tratamento específico para CID A90?
Não. O tratamento é de suporte, com hidratação adequada, controle da febre com paracetamol ou dipirona e repouso. Medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico ou anti-inflamatórios não esteroides devem ser evitados pelo risco de sangramento. O acompanhamento médico é essencial para monitorar a evolução.
Quanto tempo dura a dengue clássica?
A fase febril costuma durar de 5 a 7 dias. Após a queda da febre, muitos pacientes experimentam uma fase de convalescença com fraqueza e fadiga que pode persistir por mais uma ou duas semanas. O período de transmissão do vírus para mosquitos vai desde o primeiro dia de sintomas até o final da febre.
Qual a importância de notificar casos com CID A90?
A notificação permite o monitoramento da circulação viral, a detecção precoce de surtos e a implementação de medidas de controle vetorial. Além disso, subsidia políticas públicas de prevenção e alocação de recursos na saúde. O CID A90 é a chave para que esses dados sejam comparáveis nacional e internacionalmente.
Como prevenir a dengue clássica?
A principal forma de prevenção é evitar a picada do mosquito Aedes: usar repelentes, roupas compridas, telas em janelas e eliminar criadouros (água parada). A vacina contra a dengue está disponível no SUS para públicos específicos (crianças e adolescentes expostos), mas não substitui as medidas de proteção individual e coletiva.
Ultimas Palavras
O CID A90 é muito mais do que um código administrativo: ele representa a porta de entrada para o diagnóstico e manejo da dengue clássica, uma das doenças infecciosas mais prevalentes no Brasil e no mundo. Conhecer suas características clínicas, os sinais de alarme e as condutas terapêuticas adequadas é fundamental para reduzir complicações e evitar a evolução para formas graves.
A distinção entre A90 e A91 (dengue hemorrágica) reforça a necessidade de vigilância clínica constante. Embora a dengue clássica tenha baixa letalidade quando manejada corretamente, o acompanhamento médico não deve ser negligenciado. A hidratação e o monitoramento de sintomas continuam sendo as ferramentas mais eficazes disponíveis, na ausência de tratamento antiviral específico.
Por fim, a prevenção baseada no controle vetorial e na proteção individual permanece como a estratégia mais sustentável para diminuir a incidência de casos. A notificação adequada dos diagnósticos sob CID A90 contribui para que o sistema de saúde possa planejar respostas rápidas e eficientes diante de surtos.
Links Uteis
- DATASUS – A90-A99 Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais
- Portal Telemedicina – CID A90: Dengue Clássica, Sintomas e Tratamento
- [SanarMed – Dengue [dengue clássico] (CID A90)](https://sanarmed.com/cid10/capitulo-i/a90-a99/a90/)
- [Artmed – Código CID A90 Dengue [dengue clássico]](https://artmed.com.br/cid10/capitulo/a00-b99/grupo/a90-a99/categoria/a90)
