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Saude Publicado em Por Stéfano Barcellos

Agitação Psicomotora CID: Códigos e Sintomas

Agitação Psicomotora CID: Códigos e Sintomas
Analisado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Antes de Tudo

A agitação psicomotora representa uma das apresentações mais desafiadoras em serviços de urgência e emergência psiquiátrica. Caracterizada por um aumento inadequado e repetitivo da atividade verbal e motora, frequentemente acompanhada de tensão, irritabilidade e, em casos mais graves, agressividade, essa condição exige intervenção imediata e qualificada. No contexto da Classificação Internacional de Doenças (CID), a agitação psicomotora não possui um código único e exclusivo, mas aparece como sintoma central de diferentes diagnósticos. Compreender a relação entre a manifestação clínica e os códigos CID é fundamental para o registro adequado, o planejamento terapêutico e a comunicação entre profissionais de saúde.

Este artigo aborda de forma completa os principais códigos CID associados à agitação psicomotora, os quadros clínicos mais frequentes, as estratégias de manejo e as dúvidas comuns sobre o tema. O conteúdo é direcionado a profissionais da saúde, estudantes e demais interessados na área de psiquiatria e emergências clínicas, com base em fontes oficiais e protocolos atualizados.

Aspectos Essenciais

1 Definição e classificação no CID

A agitação psicomotora é definida como um estado de hiperatividade motora e verbal, sem propósito claro, associado a desconforto subjetivo e disfunção comportamental. Na CID-10, o código mais diretamente relacionado é o R45.1 – Agitação e inquietação, que pertence ao capítulo XVIII (Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e laboratoriais). Esse código é utilizado quando o sintoma é o motivo principal do atendimento e não é explicado por um transtorno específico já classificado em outro capítulo.

Entretanto, a agitação psicomotora frequentemente aparece como parte integrante de transtornos psiquiátricos bem definidos. O CID F23 – Transtornos psicóticos agudos e transitórios é um dos mais relevantes nesse contexto. Nesses quadros, a agitação surge de forma súbita (em dias a poucas semanas), acompanhada de delírios, alucinações, comportamento desorganizado e intensa ansiedade. O diagnóstico de F23 exige a exclusão de causas orgânicas (como delirium) ou induzidas por substâncias.

Outros códigos CID que podem incluir agitação psicomotora como sintoma são:

  • F10-F19 – Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substâncias psicoativas (intoxicação ou abstinência).
  • F30-F39 – Transtornos do humor (mania ou depressão agitada).
  • F06 – Transtorno mental orgânico (ex.: delirium).
  • G40 – Epilepsia (crises parciais complexas com agitação).

2 Causas e diagnósticos diferenciais

A agitação psicomotora não é uma doença em si, mas um sintoma que pode ter múltiplas origens. As causas mais comuns incluem:

  • Intoxicação ou abstinência de álcool e drogas (cocaína, anfetaminas, canabinoides sintéticos). A abstinência alcoólica, em particular, pode cursar com delirium tremens, quadro grave de agitação com alucinações e confusão.
  • Delirium (estado confusional agudo) de causas clínicas como infecções, distúrbios metabólicos, hipóxia ou dor intensa.
  • Transtornos psiquiátricos primários como transtorno bipolar (fase maníaca), depressão agitada, transtornos psicóticos (esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo) e transtornos de personalidade (especialmente o borderline).
  • Condições médicas agudas como dispneia, hipoglicemia, febre alta, traumatismo cranioencefálico.
  • Efeitos adversos de medicamentos (ex.: corticoides, broncodilatadores, antidepressivos).
O diagnóstico diferencial é crucial, pois o manejo muda radicalmente conforme a etiologia. Por exemplo, um paciente com delirium por infecção necessita de tratamento da causa base, enquanto um paciente em surto psicótico pode exigir antipsicóticos.

3 Manejo da emergência

A agitação psicomotora aguda é considerada uma emergência psiquiátrica. O manejo segue uma abordagem escalonada:

  1. Desescalada verbal – Técnica de comunicação não confrontacional, com ambiente calmo e equipe treinada. O objetivo é reduzir a excitação do paciente sem uso de intervenções físicas.
  2. Medicação – Quando a desescalada não é suficiente, utiliza-se medicação por via oral (preferencial) ou intramuscular. Antipsicóticos típicos (haloperidol) ou atípicos (olanzapina, risperidona), benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam) ou combinações são as opções mais comuns.
  3. Contenção física – Apenas em casos de risco iminente de agressão ou autoagressão, e por tempo mínimo, em ambiente monitorado. Deve ser documentada e seguida de avaliação médica.
No Brasil, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal publicou um protocolo específico para o manejo da agitação psicomotora aguda, que pode ser consultado em Protocolo de manejo da agitação psicomotora aguda. Esse documento reforça a necessidade de abordagem multidisciplinar e a importância do registro correto dos códigos CID para fins de notificação e gestão.

4 A importância do código CID correto

No sistema de saúde brasileiro, o registro do CID é obrigatório para faturamento, autorizações de internação e produção de indicadores epidemiológicos. Para a agitação psicomotora, o código R45.1 deve ser utilizado quando o sintoma é o principal motivo do atendimento, sem um diagnóstico psiquiátrico ou orgânico estabelecido no momento. Já quando o quadro se insere em um transtorno específico (como um surto psicótico agudo), o código principal deve ser o do transtorno (ex.: F23), podendo o R45.1 ser usado como código secundário.

Uma tabela comparativa ajuda a esclarecer essa diferença.

Lista: Principais causas de agitação psicomotora por categoria

  • Causas psiquiátricas primárias:
  • Transtorno bipolar – fase maníaca
  • Depressão maior com agitação psicomotora
  • Esquizofrenia e transtornos psicóticos agudos (CID F23)
  • Transtorno de personalidade borderline (crises de desregulação emocional)
  • Causas relacionadas ao uso de substâncias:
  • Intoxicação por cocaína, crack, anfetaminas
  • Abstinência alcoólica (delirium tremens)
  • Intoxicação por canabinoides sintéticos
  • Abstinência de opioides
  • Causas orgânicas/ clínicas:
  • Delirium por infecção (ex.: sepse, pneumonia)
  • Distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hiponatremia)
  • Hipóxia (DPOC, insuficiência cardíaca)
  • Dor intensa ou trauma
  • Febre alta
  • Causas iatrogênicas:
  • Efeito paradoxal de benzodiazepínicos
  • Reação a corticoides (esteroide psicose)
  • Broncodilatadores (salbutamol)
  • Causas neurológicas:
  • Epilépsia (crises parciais complexas)
  • Acidente vascular cerebral (AVC) agudo
  • Traumatismo cranioencefálico

Tabela comparativa: Códigos CID-10 mais relevantes na agitação psicomotora

Código CIDDiagnóstico / SintomaQuando utilizarObservações clínicas
R45.1Agitação e inquietaçãoSintoma isolado, sem transtorno específico no momentoUsar como principal se a causa não é determinada; código secundário se associado a outro CID
F23Transtornos psicóticos agudos e transitóriosQuadro psicótico súbito (delírios, alucinações, desorganização)Duração limitada (dias a semanas); excluir causas orgânicas e uso de substâncias
F10.3 / F11.3Intoxicação por álcool ou substânciasAgitação com uso recente de substância psicoativaPesquisar outras manifestações (ataxia, nistagmo, alteração de consciência)
F10.4Abstinência de álcool (inclusive delirium tremens)Agitação após parada ou redução drástica do consumoNecessidade de tiamina e benzodiazepínicos; risco de convulsão
F06Transtorno mental orgânico (inclui delirium)Agitação associada a doença médica ou neurológicaTratar a causa base; evitar neurolépticos em alguns casos
G40EpilepsiaAgitação em contexto de crise convulsiva ou pós-ictalEEG e avaliação neurológica

Respostas Rapidas

Qual é o CID da agitação psicomotora?

O código mais diretamente relacionado é o R45.1 (Agitação e inquietação) da CID-10. No entanto, quando a agitação é sintoma de um transtorno específico, o código principal deve ser o do transtorno (por exemplo, F23 para transtorno psicótico agudo), podendo o R45.1 ser usado como código adicional. Não existe um único “CID da agitação”, pois o código depende da causa documentada.

Como diferenciar agitação psicomotora de ansiedade?

A agitação psicomotora envolve atividade motora e verbal repetitiva e inadequada, com perda de controle, tensão extrema e possível agressividade. Já a ansiedade é caracterizada por preocupação excessiva, medo e sintomas autonômicos, mas sem o grau de desorganização motora e contato prejudicado com a realidade que frequentemente acompanha a agitação. A ansiedade grave pode evoluir para agitação, mas são estados distintos.

A agitação psicomotora é sempre um sinal de psicose?

Não. Embora seja comum em quadros psicóticos (como no CID F23), a agitação pode ocorrer em delirium, intoxicação, abstinência, transtorno bipolar (mania), depressão agitada, transtornos de personalidade e até mesmo em condições clínicas sem componente psiquiátrico (ex.: dor intensa, febre). O diagnóstico diferencial é essencial para o tratamento correto.

Quais medicamentos são usados no manejo da agitação psicomotora?

As opções incluem antipsicóticos típicos (haloperidol) e atípicos (olanzapina, risperidona, aripiprazol), benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam, midazolam) e combinações. A via de administração pode ser oral (preferível) ou intramuscular. A escolha depende da etiologia, do perfil de segurança e da disponibilidade. Em serviços de emergência, são comuns protocolos baseados em evidências, como os descritos no Protocolo de manejo da agitação psicomotora aguda da SES-DF.

Quando a contenção física é indicada?

A contenção física é uma medida de último recurso, indicada apenas quando há risco iminente de agressão (heteroagressão ou autoagressão) e as medidas verbais e farmacológicas não são suficientes ou não podem ser aplicadas com segurança. Deve ser realizada por equipe treinada, com duração mínima possível, e o paciente deve ser monitorado continuamente. A contenção nunca é terapêutica, mas uma medida de segurança.

Qual a duração típica de um episódio de agitação psicomotora?

Depende da causa. Em quadros psicóticos agudos (CID F23), o episódio pode durar de alguns dias a algumas semanas, com remissão espontânea ou após tratamento. Em delirium, dura enquanto a causa clínica não for resolvida. Em intoxicação, cessa com a eliminação da substância (horas a dias). O manejo adequado encurta a duração e reduz complicações.

A agitação psicomotora pode ser confundida com mania?

Sim, especialmente quando a agitação é intensa. A mania (transtorno bipolar, fase maníaca) inclui elevação do humor, grandiosidade, redução da necessidade de sono, loquacidade e aumento da atividade dirigida a objetivos, além de agitação. Já a agitação psicomotora pode ser indistinguível da mania em alguns momentos, mas a presença de delírios, alucinações ou confusão aponta mais para psicose ou delirium. A história clínica e a evolução dos sintomas ajudam no diagnóstico diferencial.

Consideracoes Finais

A agitação psicomotora é uma manifestação clínica complexa que exige do profissional de saúde uma abordagem sistemática, segura e baseada em evidências. Sua correta codificação no CID é essencial não apenas para o registro e faturamento, mas também para a comunicação eficaz entre equipes e para a produção de dados epidemiológicos que possam orientar políticas públicas de saúde mental.

O código R45.1 (Agitação e inquietação) é o mais específico para o sintoma isolado, mas o diagnóstico final deve sempre buscar a causa subjacente, utilizando os códigos apropriados de transtornos psiquiátricos (como F23) ou clínicos (como F06, F10-F19). O manejo adequado, que prioriza a desescalada verbal e a medicação segura, pode evitar a progressão para situações de violência e internação prolongada.

Em um cenário de crescente demanda por emergências psiquiátricas, dominar o conhecimento sobre agitação psicomotora e seus códigos CID é uma competência indispensável para médicos, enfermeiros, psicólogos e demais profissionais que atuam na linha de frente do cuidado.

Embasamento e Leituras

  1. DATASUS – CID-10 / R45 (Agitação e inquietação)
  2. Secretaria de Saúde do DF – Protocolo de manejo da agitação psicomotora aguda
  3. Sanarmed – Resumo Agitação Psicomotora
  4. Telemedicina Morsch – CID F23 (Transtornos psicóticos agudos e transitórios)
  5. iClinic – CID R45.1
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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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