Abrindo a Discussao
No ambiente corporativo e na administração pública, a comunicação eficiente e documentada é um pilar da gestão. Entre os diversos gêneros textuais utilizados para esse fim, o memorando destaca-se como uma ferramenta essencial para a troca de informações internas. Mas, afinal, o que é memorando? Trata-se de um documento de comunicação interna, formal e conciso, utilizado para transmitir instruções, solicitações, avisos ou registrar decisões entre setores, departamentos ou unidades de uma mesma organização.
Diferente de um e-mail informal ou de um ofício voltado para comunicação externa, o memorando possui estrutura padronizada e caráter oficial. Ele garante rastreabilidade, impessoalidade e agilidade na tramitação de assuntos administrativos. Segundo o portal TOTVS, o memorando é um dos tipos mais comuns de documentos corporativos, usado tanto em empresas privadas quanto em órgãos públicos.
Com a digitalização dos processos, o memorando eletrônico ganhou força, mantendo as mesmas características de objetividade e formalidade, mas com assinatura digital e integração a sistemas de gestão documental. Neste guia completo, você vai entender a fundo o que é memorando, para que serve, como elaborá-lo, quais as diferenças para outros documentos e tirar dúvidas frequentes. O conteúdo é baseado em fontes confiáveis e atualizadas, ideal para profissionais de secretariado, administração, recursos humanos e qualquer pessoa que precise lidar com comunicação interna.
Por Dentro do Assunto
1 Origem e finalidade do memorando
A palavra “memorando” deriva do latim , que significa “aquilo que deve ser lembrado”. Historicamente, o documento surgiu como uma forma de registrar recados e informações importantes entre diferentes setores de uma mesma instituição, evitando que instruções verbais se perdessem ou fossem mal interpretadas. Atualmente, o memorando mantém essa função primordial: registrar comunicações administrativas de maneira formal e breve.
Sua finalidade principal é assegurar que informações oficiais circulem de forma padronizada dentro da organização, permitindo que haja histórico e responsabilização. Entre os usos mais comuns estão:
- Solicitar providências (como a compra de materiais ou a realização de um serviço).
- Encaminhar documentos ou processos para análise.
- Registrar orientações ou decisões tomadas em reuniões.
- Comunicar alterações em procedimentos internos.
- Formalizar pedidos de autorização.
2 Características essenciais
Para ser eficaz, o memorando precisa seguir algumas características que o diferenciam de outros gêneros textuais:
- Interno: circula exclusivamente dentro da organização; não é enviado para clientes, fornecedores ou outras entidades externas.
- Formal: embora seja conciso, utiliza linguagem impessoal, respeitosa e de acordo com as normas da instituição.
- Objetivo: o assunto é tratado de forma direta, sem rodeios ou informações desnecessárias.
- Rastreável: cada memorando recebe um número de protocolo ou código de identificação, permitindo localizá-lo posteriormente.
- Breve: geralmente não ultrapassa uma página, a menos que contenha anexos.
- Estruturado: possui elementos fixos como cabeçalho, destinatário, remetente, data, assunto e corpo do texto.
3 Estrutura padrão de um memorando
Embora cada instituição possa adaptar o formato, a estrutura mais aceita e difundida inclui os seguintes elementos:
- Cabeçalho: nome da organização, logotipo e, se houver, a indicação do setor emissor. No serviço público, é comum constar a sigla do órgão e o número do documento (ex.: Memorando nº 123/2025).
- Destinatário: indica o setor ou pessoa para quem o documento é dirigido. Normalmente usa-se “Para: [Setor/Cargo]”.
- Remetente: identifica quem está enviando o memorando. Usa-se “De: [Setor/Cargo/Nome]”.
- Data: local e data de emissão, geralmente por extenso ou no formato dd/mm/aaaa.
- Assunto: frase curta que resume o teor do memorando. Exemplo: “Assunto: Solicitação de aquisição de materiais de escritório”.
- Corpo do texto: desenvolvimento do assunto com linguagem formal, podendo conter parágrafos curtos. Inicia-se com um vocativo como “Senhor(a) Chefe do Departamento de Compras,” ou simplesmente “Prezado(a),”.
- Fecho: expressão de cortesia, como “Atenciosamente” ou “Respeitosamente”.
- Assinatura: nome completo do remetente, cargo e assinatura (física ou digital). No caso de memorando eletrônico, a assinatura digital garante a autenticidade.
4 Tipos de memorando
Embora a estrutura básica seja a mesma, os memorandos podem ser classificados conforme a finalidade:
- Memorando de solicitação: usado para pedir algo, como autorização, material, informação ou serviço.
- Memorando de instrução: transmite diretrizes, procedimentos ou ordens a serem cumpridas.
- Memorando de encaminhamento: acompanha documentos ou processos que estão sendo enviados a outro setor.
- Memorando de ciência: comunica uma informação importante, apenas para conhecimento do destinatário, sem exigir ação.
- Memorando de resposta: responde a um memorando anterior, confirmando recebimento ou dando retorno sobre a solicitação.
5 Como fazer um memorando passo a passo
Elaborar um memorando eficiente não é difícil, desde que se respeite a estrutura e a clareza. Siga estas etapas:
- Identifique o número do documento: consulte o sistema de protocolo da sua organização para obter o próximo número sequencial, se aplicável.
- Defina o destinatário: seja específico. Em vez de “Para: Todos os setores”, escreva “Para: Departamento de Recursos Humanos”.
- Escreva o assunto: seja conciso, mas informativo. Exemplo: “Solicitação de férias do funcionário João Silva”.
- Redija o corpo: comece contextualizando brevemente, depois apresente a solicitação ou informação. Use parágrafos curtos. Evite adjetivos desnecessários.
- Inclua data e local: normalmente no topo ou após o cabeçalho.
- Feche com cortesia: “Atenciosamente” é o mais comum.
- Assine: se físico, coloque nome e cargo; se digital, utilize certificado ou sistema de assinatura eletrônica.
- Revisão: antes de enviar, leia o texto para corrigir erros e garantir que a mensagem está clara.
MEMORANDO Nº 45/2025 – DAF
DATA: 15 de março de 2025 PARA: Departamento de Compras DE: Departamento Administrativo e Financeiro (DAF) ASSUNTO: Solicitação de aquisição de suprimentos de informática
Senhor(a) Chefe do Departamento de Compras,
Solicitamos a aquisição de 10 (dez) teclados sem fio e 10 (dez) mouses ópticos para reposição do parque de informática deste setor. As especificações técnicas constam no anexo. Pedimos que seja dada prioridade ao processo, pois os equipamentos atuais encontram-se com defeito.
Atenciosamente,
[Assinatura] Carlos Mendes Chefe do DAF
6 Digitalização e memorando eletrônico
Com a transformação digital, muitas organizações passaram a adotar sistemas eletrônicos de protocolo e gestão documental. Nesse contexto, o memorando deixa de ser um papel físico e passa a ser um arquivo digital (PDF ou formulário eletrônico) com assinatura digital, garantindo validade jurídica e rastreabilidade. Segundo a UFGDNet, o memorando eletrônico agiliza o fluxo, reduz custos com impressão e armazenamento, e permite que o documento seja localizado rapidamente por meio de metadados.
Ainda assim, as características de formalidade, objetividade e impessoalidade permanecem inalteradas. O que muda é apenas o suporte. Em muitos órgãos públicos, o uso do memorando eletrônico já é obrigatório, seguindo as diretrizes do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) ou plataformas similares.
Uma lista: 7 características fundamentais de um memorando eficaz
Para que o memorando cumpra seu papel sem ruídos de comunicação, é importante observar estas características:
- Clareza: o texto deve ser compreendido de imediato, sem ambiguidades. Evite jargões desnecessários.
- Concisão: vá direto ao ponto. Memorandos longos perdem a agilidade que justifica o formato.
- Impessoalidade: utilize linguagem formal e evite opiniões pessoais. O documento representa a instituição, não o indivíduo.
- Rastreabilidade: todo memorando deve ter número identificador, data e registro no sistema de protocolo.
- Organização estrutural: siga a sequência destinatário, remetente, assunto, corpo e assinatura.
- Uso de anexos: se houver informações complementares (planilhas, relatórios), coloque-as em anexos e faça referência no corpo.
- Revisão ortográfica: erros de gramática ou digitação comprometem a credibilidade do documento.
Tabela comparativa: Memorando x Ofício x Circular
A confusão entre memorando, ofício e circular é comum, especialmente entre profissionais iniciantes. A tabela abaixo esclarece as principais diferenças com base em fontes como Mundo Educação e Aprova:
| Característica | Memorando | Ofício | Circular |
|---|---|---|---|
| Finalidade | Comunicação interna entre setores/departamentos da mesma organização | Comunicação externa entre órgãos ou entre organização e terceiros | Comunicação simultânea para vários destinatários, geralmente internos ou externos |
| Destinatário | Um setor ou pessoa específica (interno) | Pessoa ou órgão externo | Múltiplos destinatários (ex.: todos os gerentes de filiais) |
| Formato | Breve, geralmente uma página; cabeçalho, destinatário, remetente, assunto | Mais formal; contém timbre, vocativo, assunto, corpo, despedida, assinatura; pode ser longo | Sempre com lista de destinatários ou “a todos”; estrutura semelhante ao ofício |
| Número do documento | Geralmente sequencial interno (ex.: Memorando nº 123/2025) | Numerado de acordo com o protocolo do órgão (ex.: Ofício nº 456/2025) | Pode ter numeração própria ou ser numerado como ofício |
| Linguagem | Objetiva e impessoal, mas menos rebuscada que o ofício | Formal, muitas vezes utilizando pronomes de tratamento (Vossa Senhoria) | Formal, adaptada ao número de destinatários |
| Exemplo de uso | Solicitar computadores do setor de TI para o RH | Solicitar informações a uma prefeitura | Comunicar nova política de férias a todos os funcionários |
Perguntas Frequentes (FAQ)
O memorando pode ser usado para comunicação com clientes ou fornecedores?
Não. O memorando é estritamente interno. Para comunicação com clientes, fornecedores, órgãos externos ou o público em geral, utiliza-se o ofício (se for entre instituições) ou outros documentos como cartas comerciais. O uso inadequado do memorando para comunicação externa pode gerar confusão e falta de formalidade.
Qual a diferença entre memorando e e-mail interno?
O e-mail interno é informal e não possui estrutura documental padronizada. Já o memorando é um documento oficial, numerado e arquivado, com valor jurídico e probatório. Enquanto um e-mail pode ser apagado ou ignorado, o memorando integra o sistema de gestão documental, garantindo rastreabilidade e registros históricos.
É obrigatório colocar “Memorando nº” no documento?
Na maioria das organizações, sim, especialmente no serviço público. A numeração facilita o protocolo, a localização e a referência cruzada. Cada instituição define sua sequência (geralmente anual ou por setor). Em empresas privadas de pequeno porte, pode não haver numeração formal, mas é recomendável adotar um sistema para organização.
O memorando precisa ser assinado?
Sim, a assinatura (física ou digital) é essencial para autenticar o documento e atribuir responsabilidade ao remetente. Sem assinatura, o memorando perde sua validade oficial e não pode ser considerado um registro confiável. No caso de sistemas eletrônicos, a assinatura digital substitui a manuscrita legalmente.
Posso anexar documentos a um memorando?
Sim, anexos são comuns, especialmente em memorandos de encaminhamento ou solicitação. O corpo do texto deve mencionar os anexos (ex.: “Segue em anexo o relatório de despesas do mês”). Os anexos devem ser listados ao final do documento, com identificação clara.
Como devo tratar o destinatário no memorando?
O tratamento deve ser formal e de acordo com o cargo. Use “Senhor(a) Chefe do Departamento”, “Prezado(a) Gerente”, ou “Ao Diretor de Recursos Humanos”. Em alguns órgãos públicos, utiliza-se o pronome “Vossa Senhoria” ou “Vossa Excelência” para altas autoridades, mas isso é mais comum em ofícios. No memorando, o tratamento é mais direto, mas sempre respeitoso.
Fechando a Analise
O memorando é um dos documentos mais práticos e indispensáveis na comunicação interna de qualquer organização, seja privada ou pública. Sua estrutura simples, objetiva e formal permite que informações fluam rapidamente entre setores, com registro oficial e rastreabilidade. Compreender o que é memorando, como elaborá-lo corretamente e em que situações utilizá-lo é fundamental para profissionais de todas as áreas, especialmente aqueles que lidam com administração, secretariado, gestão de pessoas e processos.
A digitalização trouxe novos recursos, como assinatura eletrônica e sistemas de protocolo on-line, mas a essência do memorando permanece a mesma: comunicar de forma clara e documentada. Ao seguir as boas práticas descritas neste artigo — usar linguagem impessoal, manter a concisão, numerar o documento e revisar antes de enviar — você garante que sua comunicação interna seja eficiente e profissional.
Lembre-se de que o memorando não substitui o diálogo presencial ou reuniões, mas é um complemento indispensável para formalizar decisões e evitar mal-entendidos. Utilize-o com responsabilidade e mantenha sempre a documentação organizada. Com este guia, você está preparado para redigir memorandos impecáveis e entender seu papel na gestão documental.
Materiais de Apoio
- TOTVS — “Memorando: o que é, tipos, como fazer e modelos”
- Brasil Escola — “Memorando: o que é, para que serve, como se faz”
- Aprova — “Memorando: O que é, para que serve e como fazer (com exemplos)”
- Mundo Educação — “Memorando: o que é, tipos, como fazer, exemplos”
- UFGDNet — “O que é um memorando, quando devo utilizá-lo?”
