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Vocabulário Publicado em Por Stéfano Barcellos

Unguento Significado Bíblico: Entenda o Termo na Bíblia

Unguento Significado Bíblico: Entenda o Termo na Bíblia
Validado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Primeiros Passos

O termo "unguento" aparece em diversos contextos nas Escrituras Sagradas, despertando a curiosidade de estudiosos e leigos que buscam compreender seu significado bíblico. No âmbito da teologia cristã, o ungüento não se limita a uma simples substância aromática ou cosmética; ele carrega uma densa carga simbólica, litúrgica e medicinal que perpassa tanto o Antigo quanto o Novo Testamento. A palavra “unguento” deriva do latim , relacionada ao ato de ungir, ou seja, de untar com óleo ou perfume. Na Bíblia, essa prática assume contornos de consagração, cura, honra e até mesmo de profecia.

Entender o significado bíblico do ungüento é, portanto, mergulhar em um dos rituais mais emblemáticos da fé judaico-cristã: a unção. Desde a unção dos sacerdotes e do tabernáculo no deserto até o gesto de Maria de Betânia que derrama um precioso perfume sobre os pés de Jesus, o ungüento revela camadas teológicas que apontam para a santidade de Deus, a autoridade messiânica e a devoção dos fiéis. Este artigo se propõe a explorar a fundo o significado do ungüento na Bíblia, suas aplicações, seus tipos e os ensinamentos que dele podemos extrair, sempre à luz das fontes bíblicas e da tradição interpretativa.

Pontos Importantes

1 O Unguento no Antigo Testamento: O Óleo da Unção Santa

A primeira e mais importante menção ao ungüento no contexto bíblico está em Êxodo 30, onde Deus instrui Moisés a preparar um “óleo da unção santa”. A receita é detalhada: mirra, cinamomo, cálamo aromático, cássia e azeite de oliveira, tudo combinado segundo a arte do perfumista. Esse ungüento não poderia ser usado para qualquer finalidade profana; era exclusivo para consagrar o tabernáculo, a arca da aliança, os utensílios do santuário, o altar de incenso, a pia de bronze e, sobretudo, os sacerdotes — Arão e seus filhos. A unção com esse óleo santo separava pessoas e objetos para o serviço divino, conferindo-lhes santidade.

O caráter exclusivo do ungüento revela uma verdade teológica: Deus é santo, e aquilo que se aproxima dEle precisa ser purificado e consagrado. A unção não era mero ritual estético; era um ato de transferência de propriedade de Deus. Ungir com o óleo santo significava que a pessoa ou o objeto agora pertencia ao Senhor de forma especial. Essa ideia ecoa em todo o Antigo Testamento, desde a unção dos reis (Saul, Davi, Salomão) até a dos profetas. O ungüento, portanto, torna-se um símbolo da presença e da capacitação divina.

2 Unguento na Vida Cotidiana: Perfume e Medicina

Além do uso sagrado, o ungüento também aparece como item de luxo e cuidado pessoal. O bálsamo de Gileade, famoso na antiguidade, era um ungüento aromático usado para cura e embelezamento. Em Jeremias 8:22, o profeta pergunta: “Não há bálsamo em Gileade? Não há médico?” — associando o ungüento à esperança de restauração física e espiritual. Essa dupla função (sagrada e terapêutica) atravessa as Escrituras.

No âmbito medicinal, o ungüento também é mencionado em passagens como Isaías 1:6, onde o profeta descreve feridas não curadas nem amolecidas com óleo. O óleo era um remédio comum para tratar contusões e enfermidades na cultura do Oriente Médio. Jesus mesmo, na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:34), descreve o samaritano derramando óleo e vinho sobre as feridas do viajante — um claro uso terapêutico do ungüento. Essa dimensão curadora aponta para o cuidado divino com o corpo e a alma.

3 Unguento no Novo Testamento: Devoção e Messianismo

O Novo Testamento apresenta dois episódios marcantes envolvendo ungüento. O primeiro é a unção de Jesus por Maria de Betânia (Mateus 26, Marcos 14, João 12). Maria derrama um vaso de alabastro contendo nardo puro, ungüento extremamente caro, sobre a cabeça e os pés de Jesus. Os discípulos criticam o “desperdício”, mas Jesus interpreta o gesto como uma preparação para o seu sepultamento. O ungüento aqui simboliza honra extrema, amor sacrificial e reconhecimento da realeza messiânica de Cristo.

O segundo episódio é a unção de Jesus por uma pecadora anônima em Lucas 7:36-50. Enquanto Jesus está à mesa na casa de um fariseu, uma mulher conhecida por sua vida pecaminosa lava os pés do Mestre com lágrimas, os enxuga com os cabelos e os unge com ungüento. Jesus usa o gesto para ensinar sobre perdão e gratidão: a mulher amou muito porque muito lhe foi perdoado. O ungüento, nesse contexto, torna-se veículo de arrependimento e adoração.

4 Unguento e a Unção dos Enfermos (Tiago 5:14)

A prática de ungir enfermos com óleo, mencionada em Tiago 5:14, mantém viva a tradição medicinal e espiritual do ungüento. A passagem instrui: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.” A unção aqui não substitui a medicina, mas a acompanha como ato de fé e intercessão. O óleo simboliza o Espírito Santo e o poder restaurador de Deus. Essa prática continua sendo observada em diversas denominações cristãs até os dias atuais.

Lista: Tipos de Unguento Mencionados na Bíblia

  • Óleo da Unção Santa (Êxodo 30:22-33): Mistura composta de mirra, cinamomo, cálamo, cássia e azeite. Exclusivo para consagração sacerdotal e dos objetos do tabernáculo.
  • Bálsamo de Gileade (Jeremias 8:22; Gênesis 37:25): Unguento aromático e medicinal, famoso na antiguidade por suas propriedades curativas.
  • Nardo puro (Marcos 14:3; João 12:3): Perfume extraído de uma planta do Himalaia, de valor elevadíssimo, usado por Maria de Betânia para ungir Jesus.
  • Óleo de unção para reis (1 Samuel 10:1; 16:13): Azeite comum usado para ungir reis, como Saul e Davi, simbolizando a escolha divina.
  • Perfume ou ungüento de alabastro (Lucas 7:37-38): Vaso de pedra contendo ungüento caro, usado pela pecadora arrependida para ungir os pés de Jesus.
  • Misturas aromáticas para embalsamamento (João 19:39-40): Nicodemos traz mirra e aloés, cerca de cem libras, para o sepultamento de Jesus, em uma prática de unção funerária.

Tabela Comparativa: Unguento no Antigo e Novo Testamento

AspectoAntigo TestamentoNovo Testamento
Propósito principalConsagração de sacerdotes, reis e objetos sagrados.Honra, adoração, preparação para a morte e cura.
Ingredientes típicosAzeite, mirra, cinamomo, cálamo, cássia (receita divina).Nardo, alabastro, bálsamo, óleo comum.
Quem ungiaProfetas, sacerdotes (Samuel, Moisés, Arão).Fiéis, mulheres devotas, presbíteros da igreja.
Significado teológicoSantidade, separação para Deus, autoridade real e sacerdotal.Messianismo, perdão, devoção extrema, cura espiritual.
Uso medicinalAssociado ao bálsamo, mas não central no culto.Diretamente ligado à oração e à cura (Tiago 5).
Frequência nas EscriturasDiversas passagens (Êxodo, Levítico, 1 Reis, etc.).Episódios específicos (Mateus, Marcos, Lucas, João).

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que significa ungüento na Bíblia?

Na Bíblia, ungüento é uma substância oleosa ou perfumada usada para ungir pessoas ou objetos. Seu significado vai além do material: simboliza consagração a Deus, autoridade espiritual, honra, cura e devoção. O ato de ungir com ungüento representa a ação do Espírito Santo separando algo para um propósito divino.

Qual a diferença entre unção e ungüento?

A unção é o ato de aplicar o ungüento sobre alguém ou algo. Ungüento é a substância (óleo, perfume) usada nesse ato. A tradição bíblica, no entanto, usa "ungir" como verbo e "unção" como substantivo para designar tanto o gesto quanto o poder espiritual que ele representa. O ungüento é o meio físico pelo qual a unção é administrada.

Por que o ungüento de Maria de Betânia foi tão importante?

O nardo puro que Maria derramou sobre Jesus representava um imenso sacrifício financeiro (equivalente a quase um ano de salário). Mais que um gesto de afeto, foi um ato profético: Jesus interpretou a unção como preparação para seu sepultamento. Assim, o ungüento tornou-se símbolo de reconhecimento da missão redentora de Cristo, bem como de amor e adoração sem reservas.

O ungüento do Antigo Testamento podia ser usado por qualquer pessoa?

Não. O óleo da unção santa de Êxodo 30 era exclusivo para uso litúrgico. Deus ordenou que não fosse derramado sobre o corpo de qualquer pessoa comum nem usado para fins profanos. Quem imitasse sua composição para uso próprio seria excluído do meio do povo. Isso enfatiza a santidade e a exclusividade do que é consagrado a Deus.

O que significa ungir com óleo os enfermos em Tiago 5?

Em Tiago 5:14, a prática de ungir enfermos com óleo é associada à oração dos presbíteros. O óleo simboliza a presença do Espírito Santo e a fé na restauração divina. Não se trata de um ritual mágico, mas de um ato de confiança em Deus, que pode curar tanto pela intervenção sobrenatural quanto pelo uso de meios naturais. Muitas igrejas mantêm essa prática como sacramento ou ministério.

O ungüento mencionado na Bíblia tem relação com os perfumes modernos?

Indiretamente. Os ungüentos bíblicos eram feitos de ingredientes naturais como mirra, aloés, bálsamo e óleos vegetais. Embora não tenham a mesma composição química dos perfumes industriais atuais, a essência aromática e o valor simbólico de consagração e honra permanecem. A palavra "unguento" em português moderno é raramente usada, mas seu conceito religioso ainda está presente em tradições litúrgicas.

Jesus foi ungido com ungüento mais de uma vez?

Sim. Os Evangelhos registram pelo menos duas unções distintas: a de Maria de Betânia (em Betânia, antes da Paixão) e a da pecadora arrependida (na Galileia, durante o ministério de Jesus). Alguns estudiosos acreditam que possam ser o mesmo evento com variações narrativas, mas a maioria os distingue pelo contexto, localização e reação diferente dos presentes. Ambas as unções destacam a identidade messiânica de Jesus.

O que significa ungir reis com ungüento na Bíblia?

Ungir um rei com ungüento (como em 1 Samuel 10 e 16) era o ato de designação divina. O profeta derramava óleo sobre a cabeça do escolhido como sinal de que Deus o havia separado para governar. A unção concedia autoridade e capacitação espiritual, e o rei tornava-se “ungido do Senhor”. Essa tradição judaica é a base do título “Cristo” (Messias), que significa “ungido”.

Resumo Final

O ungüento na Bíblia é muito mais do que uma substância aromática ou um cosmético antigo. Ele representa a intersecção entre o sagrado e o terreno, o espiritual e o físico. Seja no óleo da unção santa que consagrava sacerdotes e templos, no bálsamo que trazia esperança de cura, no nardo derramado sobre Jesus em demonstração de amor extremo, ou no óleo de Tiago que acompanha a oração pelos enfermos, o ungüento aponta para a ação de Deus na história.

Compreender seu significado bíblico nos ajuda a valorizar a riqueza simbólica das Escrituras e a perceber como elementos materiais podem ser usados para expressar realidades espirituais profundas. A prática da unção, embora tenha evoluído ao longo dos séculos, permanece viva em muitas tradições cristãs, lembrando-nos de que a fé não se limita ao intelecto, mas se manifesta em gestos concretos de devoção, cuidado e consagração. Que possamos, como os personagens bíblicos, oferecer a Deus o melhor de nosso ungüento — seja ele material ou simbólico —, confiando que Ele recebe nossas ofertas de amor e as usa para seus propósitos eternos.

Fontes Consultadas

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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