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Antes de Tudo
A expressão terceira pessoa do singular é um dos conceitos fundamentais tanto para o estudo da gramática normativa quanto para o aprendizado de línguas estrangeiras. Em sua definição mais básica, refere-se à forma verbal e pronominal utilizada para se referir a uma pessoa ou entidade que não participa diretamente do ato da comunicação — ou seja, não é quem fala (primeira pessoa) nem com quem se fala (segunda pessoa). No português, os pronomes pessoais correspondentes são , , , , e, em contextos formais ou regionais, com flexão de terceira pessoa. No inglês, os pronomes são , , , e a conjugação verbal no presente simples exige a adição de um sufixo específico.
Embora pareça um tópico simples, a terceira pessoa do singular esconde complexidades que vão desde a variação sociolinguística no português brasileiro até as exceções e irregularidades do sistema verbal inglês. Pesquisas recentes, como o estudo de 2024 da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), demonstram que o uso de pronomes de segunda pessoa no Brasil — como , e — está intrinsecamente ligado a fatores de formalidade e regionalismo, e frequentemente a flexão verbal adotada é a de terceira pessoa, mesmo quando o pronome é etimologicamente de segunda pessoa. Já no campo do ensino de inglês como língua estrangeira, a regra do -s na terceira pessoa do singular permanece um dos primeiros desafios gramaticais para aprendizes lusófonos.
Este artigo tem como objetivo esclarecer o que é a terceira pessoa do singular, apresentar exemplos práticos nos dois idiomas, discutir as principais regras e exceções, e responder às dúvidas mais comuns sobre o tema. Ao final, espera-se que o leitor compreenda não apenas a mecânica gramatical, mas também a relevância pragmática desse conceito na comunicação cotidiana.
Analise Completa
1 A terceira pessoa do singular no português brasileiro
No português, a terceira pessoa do singular manifesta-se por meio de pronomes e desinências verbais. Os pronomes mais comuns são , , , e . Importante destacar que, embora seja etimologicamente uma forma de tratamento (derivada de "Vossa Mercê"), na prática linguística brasileira ele é tratado como pronome de segunda pessoa, mas a concordância verbal é feita na terceira pessoa. Por exemplo: (verbo na terceira pessoa do singular). O mesmo ocorre com e .
Um estudo recente publicado na (UFMG, 2024) analisou o sistema de pronomes de segunda pessoa do singular no português do Brasil e constatou que , e coexistem em um continuum de formalidade. Em muitas regiões, como no Sul e no Nordeste, o pronome é empregado coloquialmente, mas frequentemente acompanhado de flexão verbal de terceira pessoa (ex.: em vez de ). Esse fenômeno, conhecido como "tu com verbo na terceira pessoa", é um exemplo claro de como a terceira pessoa do singular pode transcender sua definição estrita e invadir o campo da segunda pessoa.
A tabela abaixo resume as principais formas pronominais e suas respectivas flexões verbais no presente do indicativo:
| Pronome | Flexão verbal (exemplo: falar) | Pessoa gramatical |
|---|---|---|
| Eu | falo | 1ª pessoa do singular |
| Tu (formal/regional) | falas (ou fala, variação) | 2ª pessoa (com flexão variável) |
| Ele/Ela | fala | 3ª pessoa do singular |
| Você | fala | 2ª pessoa (com flexão de 3ª) |
| O senhor/A senhora | fala | 2ª pessoa (com flexão de 3ª) |
| Nós | falamos | 1ª pessoa do plural |
| Vós (arcaico) | falais | 2ª pessoa do plural |
| Eles/Elas | falam | 3ª pessoa do plural |
2 A terceira pessoa do singular no inglês
No inglês, a terceira pessoa do singular no (presente simples) é marcada pela adição de -s ou -es ao verbo base. Os pronomes correspondentes são (ele, para pessoas do sexo masculino), (ela, para pessoas do sexo feminino) e (para objetos, animais ou conceitos abstratos). A regra geral é:
- Para a maioria dos verbos: adiciona-se -s: → ; → ; → .
- Para verbos terminados em -o, -s, -sh, -ch, -x, -z: adiciona-se -es: → ; → ; → ; → ; → .
- Para verbos terminados em consoante + -y: troca-se o -y por -i e adiciona-se -es: → ; → .
- Para verbos terminados em vogal + -y: apenas adiciona-se -s: → ; → (pronúncia irregular).
- O verbo to be (ser/estar) tem formas irregulares: .
- O verbo to have (ter) torna-se para a terceira pessoa.
- O verbo to do (fazer) torna-se (pronunciado /dʌz/).
- Os verbos modais () não recebem acréscimo: , , .
3 Diferenças e semelhanças entre português e inglês
Embora ambos os idiomas utilizem a terceira pessoa do singular para se referir a "ele", "ela" ou "isso", as estratégias de marcação verbal são distintas. Em português, a desinência verbal já indica a pessoa e o número (ex.: _fala_ = terceira pessoa do singular), independentemente do pronome explícito. Em inglês, a ausência de desinências ricas faz com que o -s seja o principal marcador no presente simples, mas a omissão desse sufixo é um erro comum entre aprendizes brasileiros.
Além disso, no português, a terceira pessoa também é usada para tratar o interlocutor de forma respeitosa (, ), fenômeno que não existe no inglês contemporâneo, onde cobre tanto a segunda pessoa do singular quanto do plural, sem distinção de formalidade.
Uma lista: regras práticas para o uso da terceira pessoa do singular
A seguir, uma lista com as regras mais importantes para não errar na terceira pessoa do singular, tanto em português quanto em inglês.
- Em português, identifique o sujeito: se o sujeito for , , , , ou um nome singular, use a flexão de terceira pessoa (ex.: ; ).
- No inglês, lembre-se do -s: no , todo verbo na terceira pessoa do singular recebe -s ou -es (exceções: , , e modais).
- Cuidado com verbos terminados em consoante + y: troque o y por i e adicione -es ( → ; → ).
- Verbos terminados em -o, -s, -sh, -ch, -x, -z: adicione -es ( → ; → ).
- Em português, não confunda concordância: mesmo com pronome , muitas regiões usam flexão de terceira pessoa (ex.: ), mas a norma culta prefere .
- No inglês, pronuncie corretamente: o -s final pode ser pronunciado como /s/ (após consoante surda), /z/ (após consoante sonora ou vogal) ou /ɪz/ (após s, sh, ch, x, z, ge).
- Para verbos modais, não adicione nada: , , (nunca , , ).
- Em português, verbos irregulares na terceira pessoa: → ; → ; → ; → ; → .
Uma tabela comparativa: terceira pessoa do singular em português vs. inglês
| Aspecto | Português Brasileiro | Inglês |
|---|---|---|
| Pronomes típicos | ele, ela, você, o senhor, a senhora | he, she, it |
| Marcador verbal | Desinência (ex.: -a, -e, -i) no presente | Sufixo -s / -es no simple present |
| Verbos irregulares comuns | ser (é), ir (vai), estar (está), ter (tem), dizer (diz) | be (is), have (has), do (does), go (goes) |
| Uso com interlocutor | Sim (você, o senhor/a senhora tratam como 3ª pessoa) | Não (you é sempre 2ª pessoa) |
| Flexão para gênero | Não há flexão verbal de gênero; o pronome indica | Não há flexão verbal de gênero; pronome indica |
| Exceções principais | Verbos com radicais irregulares (ex.: pôr → põe) | Verbos modais (can, must, etc.) e auxiliares |
| Importância da concordância | Essencial para a norma culta; varia na fala coloquial | Essencial; erro comum entre aprendizes |
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é terceira pessoa do singular?
A terceira pessoa do singular é a forma gramatical usada para se referir a uma pessoa, animal, objeto ou entidade que não participa diretamente do diálogo. Corresponde aos pronomes , , (inglês) e às flexões verbais associadas a eles. Em português, também abrange os pronomes de tratamento e .
Em inglês, todo verbo na terceira pessoa do singular recebe -s?
Não. Verbos modais () não recebem acréscimo algum. Além disso, os verbos , e têm formas irregulares: , e , respectivamente. Para os demais verbos, a regra do -s ou -es se aplica no presente simples.
Por que no português brasileiro é comum usar “tu fala” em vez de “tu falas”?
Esse fenômeno é uma variação sociolinguística. Em muitas regiões (Sul, Nordeste, parte do Sudeste), o pronome é empregado com a flexão verbal de terceira pessoa ( em vez de ). Isso ocorre por influência histórica e pelo uso de como forma dominante, que já carrega a flexão de terceira pessoa. A norma culta, porém, ainda prescreve a conjugação de segunda pessoa ().
Quais são as diferenças entre “he”, “she” e “it” no inglês?
é usado para pessoas do sexo masculino, para pessoas do sexo feminino, e para objetos, animais (quando não se quer especificar gênero), conceitos abstratos e bebês de sexo desconhecido. Todos eles exigem a mesma flexão verbal de terceira pessoa no presente simples (com -s ou -es).
Como saber se devo usar -s ou -es em inglês?
A regra é: verbos terminados em -o, -s, -sh, -ch, -x, -z recebem -es (ex.: ). Verbos terminados em consoante + -y trocam o -y por -i e recebem -es (). Demais verbos recebem apenas -s ().
A terceira pessoa do singular existe em todos os tempos verbais?
Sim, mas a marcação explícita pode variar. Em português, todos os tempos verbais apresentam desinências específicas para a terceira pessoa do singular (ex.: pretérito perfeito: ; futuro: ). Em inglês, a marcação com -s ocorre apenas no presente simples. Nos demais tempos (passado, futuro, presente contínuo etc.), a forma verbal é a mesma para todas as pessoas, com exceção do verbo (ex.: vs. ).
O uso de “você” sempre exige verbo na terceira pessoa do singular?
Sim, na norma padrão do português brasileiro, o pronome exige a concordância verbal de terceira pessoa do singular. Exemplo: (e não ). O mesmo vale para , e .
Quais são os erros mais comuns cometidos por brasileiros ao aprender a terceira pessoa do singular em inglês?
Os erros mais frequentes são: (a) omitir o -s ( em vez de ); (b) adicionar -s em verbos modais (); (c) confundir a grafia de verbos como (esquecendo de trocar o y); (d) pronunciar o -s final de forma incorreta, sem considerar as regras de sonoridade; (e) usar em frases afirmativas de forma duplicada ( em vez de ).
Ultimas Palavras
A terceira pessoa do singular é um pilar da estrutura gramatical tanto no português quanto no inglês, mas sua aplicação prática revela nuances que vão além da simples memorização de regras. No português brasileiro, a interação entre pronomes de tratamento e flexão verbal cria um sistema complexo de variação sociolinguística, onde a formalidade e a região geográfica determinam escolhas como ou , ou . Já no inglês, a regra do -s no presente simples é um dos primeiros obstáculos para aprendizes, mas sua compreensão é indispensável para a comunicação clara e correta.
Como vimos, as exceções — verbos modais, , , — exigem atenção redobrada, assim como a pronúncia do sufixo, que pode alterar o sentido da fala. As pesquisas acadêmicas mais recentes, como o estudo da UFMG sobre pronomes de segunda pessoa, demonstram que a terceira pessoa do singular não é apenas um conceito estático, mas um campo ativo de mudança linguística.
Para dominar esse tópico, recomenda-se a prática constante com exemplos reais, a leitura de materiais confiáveis e a exposição ao idioma em contextos autênticos. Seja no português ou no inglês, entender a terceira pessoa do singular é dar um passo importante rumo à fluência e à precisão gramatical.
Embasamento e Leituras
- Gymglish — "O s na terceira pessoa do singular em inglês"
- The Fools — "He, She, It. A terceira pessoa do singular em Inglês"
- Revista de Estudos da Linguagem (UFMG) — "Formalidade e pronomes de segunda pessoa do singular no português do Brasil"
- English in Brazil — "Resumão sobre a terceira pessoa do singular"
- Unicamp — "Expressão da terceira pessoa na língua parkatêjê"
