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História Publicado em Por Stéfano Barcellos

Quem Escreveu o Salmo 116? Descubra a Resposta

Quem Escreveu o Salmo 116? Descubra a Resposta
Validado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Contextualizando o Tema

O Salmo 116 é um dos textos mais amados e recitados da tradição judaico-cristã. Suas palavras de gratidão, livramento e confiança em Deus ecoam em corações aflitos há milênios. No entanto, uma pergunta persiste entre estudiosos e devotos: quem escreveu o Salmo 116? Diferentemente de muitos salmos que trazem inscrições claras atribuindo a autoria a Davi, Asafe ou aos filhos de Corá, este salmo não apresenta nenhum título no texto hebraico original. Essa ausência de informação abre espaço para diferentes interpretações, tradições e hipóteses.

Neste artigo, exploraremos as três principais posições sobre a autoria do Salmo 116: a tradição que o atribui ao rei Davi, a hipótese histórica que aponta para o rei Ezequias e a posição acadêmica que o considera anônimo. Além disso, analisaremos o contexto dos Salmos do Hallel, o significado do salmo e as evidências que sustentam cada visão. Ao final, o leitor terá uma compreensão ampla e fundamentada para responder à pergunta, respeitando tanto a erudição bíblica quanto a tradição devocional.

Aprofundando a Analise

1 O Salmo 116 no contexto dos Salmos do Hallel

O Salmo 116 integra o conjunto conhecido como Salmos do Hallel (Salmos 113 a 118), recitado tradicionalmente durante as festas judaicas, especialmente na Páscoa. Esses salmos são cânticos de louvor e ação de graças, celebrando a libertação de Israel do Egito e a fidelidade divina ao longo da história. O Salmo 116, em particular, é um salmo de ação de graças individual, no qual o salmista testemunha um livramento pessoal de uma situação de extremo perigo ou doença.

A estrutura do salmo revela uma narrativa de aflição (vv. 1-4), clamor por socorro (v. 4), resposta divina (vv. 5-11) e votos de gratidão (vv. 12-19). Essa progressão literária é característica de salmos de gratidão, nos quais o autor relata uma experiência concreta de intervenção divina. A ausência de referências históricas explícitas, como nomes de reis ou eventos nacionais, dificulta a identificação do autor, mas também torna o salmo universalmente aplicável.

2 A tradição davídica

A atribuição do Salmo 116 a Davi é a mais difundida em materiais devocionais e pregadores populares, especialmente no Brasil. Essa tradição baseia-se em três argumentos principais:

  1. Associação genérica com o Saltério: A maior parte dos Salmos (cerca de 73) é tradicionalmente atribuída a Davi. Muitos comentaristas antigos, como os Pais da Igreja, simplesmente assumiam que todos os salmos não explicitamente atribuídos a outros autores eram de autoria davídica.
  1. Temática de perseguição e livramento: O Salmo 116 descreve angústia, perigo de morte e livramento — experiências frequentemente associadas a Davi, que enfrentou Saul, exércitos inimigos e conspirações.
  1. Uso litúrgico e tradição judaica: Embora o texto hebraico não traga o nome de Davi, algumas versões antigas (como a Septuaginta e algumas edições da Vulgata) incluíram inscrições atribuindo o salmo a ele. No entanto, essas inscrições são consideradas acréscimos posteriores e não fazem parte do texto original.
É importante destacar que não há evidência textual ou histórica que comprove a autoria davídica para este salmo. A tradição, embora respeitável, é uma suposição piedosa, não um fato documentado. Como afirma o site Biblioteca do Pregador, "a autoria não é declarada no texto, mas a tradição popular atribui a Davi".

3 A hipótese de Ezequias

Uma segunda corrente, com forte presença em comentários modernos devocionais, aponta para o rei Ezequias como autor do Salmo 116. Essa hipótese baseia-se em paralelos impressionantes entre a narrativa do salmo e a história de Ezequias registrada em Isaías 38 e 2 Reis 20.

Os argumentos a favor de Ezequias incluem:

  • Doença grave e livramento: Ezequias esteve à beira da morte devido a uma enfermidade, clamou ao Senhor e teve sua vida prolongada por quinze anos (2 Reis 20.1-6). O Salmo 116 fala de "laços de morte" e "angústia do inferno" que foram desfeitos (v. 3).
  • Ameaça militar: Durante o reinado de Ezequias, o rei Senaqueribe da Assíria cercou Jerusalém. Ezequias orou e o Senhor enviou um anjo que destruiu o exército assírio (2 Reis 19). O salmo menciona "aflição e tristeza" (v. 3) e o livramento como resposta à oração (v. 1-2).
  • Voto de gratidão no templo: O salmista promete "oferecer sacrifícios de ação de graças" e "pagar os votos ao Senhor na presença de todo o seu povo" (vv. 14, 18). Ezequias, após sua cura, foi ao templo e ofereceu ações de graças (Isaías 38.20).
  • Linguagem e estilo: Alguns estudiosos notam que o Salmo 116 compartilha expressões e temas com outros escritos do período de Ezequias, como o cântico de ação de graças de Isaías 38.10-20.
O site IPB – Igreja Presbiteriana do Brasil defende que "o salmo 116 foi composto por Ezequias após sua cura milagrosa e a vitória sobre a Assíria". Essa visão tem ganhado popularidade em igrejas evangélicas e estudos bíblicos.

4 A posição do anonimato acadêmico

A maioria dos comentaristas acadêmicos e versões críticas da Bíblia classifica o Salmo 116 como anônimo. Essa posição baseia-se em três razões:

  1. Ausência de inscrição: No Texto Massorético (hebraico), não há qualquer indicação de autor. Os salmos que compõem o Hallel (113-118) são, em sua maioria, anônimos.
  1. Natureza coletiva da experiência: O salmo pode ter sido escrito por um líder religioso ou cantor do templo, compondo uma oração-modelo para ser usada por qualquer pessoa que tivesse experimentado um livramento divino.
  1. Datação incerta: O vocabulário e as referências teológicas são compatíveis com o período pós-exílico, sugerindo que o salmo pode ter sido escrito no Segundo Templo, séculos depois de Davi e Ezequias.
O site BíbliaOn afirma: "O Salmo 116 não tem autoria definida. É um salmo de ação de graças de alguém que foi libertado de uma grande aflição." Essa posição é a mais segura do ponto de vista histórico-crítico.

5 Qual resposta é a correta?

A resposta à pergunta "quem escreveu o Salmo 116" depende do tipo de autoridade que se busca:

  • Se a pergunta for "quem escreveu de fato?", a resposta mais honesta é: não sabemos com certeza. O texto bíblico não nos dá essa informação.
  • Se a pergunta for "qual é a atribuição tradicional mais comum?", a resposta é: Davi, especialmente em hinários e pregações populares.
  • Se a pergunta for "qual hipótese tem forte respaldo em comentários devocionais modernos?", a resposta é: Ezequias, devido aos paralelos históricos.
  • Se a pergunta for "qual é a posição acadêmica predominante?", a resposta é: anônimo.
Cada uma dessas respostas tem seu valor. A tradição devocional alimenta a fé; a hipótese histórica enriquece a compreensão contextual; o ceticismo acadêmico protege contra especulações infundadas.

Uma lista: Pontos-chave sobre o Salmo 116

  1. Classificação literária: Salmo de ação de graças individual, pertencente ao grupo dos Salmos do Hallel (113-118).
  1. Autoria: Não declarada no texto hebraico; tradicionalmente atribuída a Davi; hipoteticamente ligada a Ezequias; academicamente considerada anônima.
  1. Tema central: Gratidão pelo livramento divino em meio a perigo de morte, doença ou perseguição.
  1. Estrutura: Clamor → livramento → testemunho → voto de gratidão → louvor público.
  1. Versículo mais conhecido: "Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?" (v. 12).
  1. Uso litúrgico: Recitado na liturgia pascal judaica e frequentemente usado em cultos cristãos de ação de graças.
  1. Mensagem teológica: A oração do aflito é ouvida por Deus; a gratidão deve ser expressa publicamente; a morte dos santos é preciosa aos olhos do Senhor (v. 15).
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Uma tabela comparativa: Davi, Ezequias e anonimato

AspectoAtribuição a DaviAtribuição a EzequiasAnonimato acadêmico
Base principalTradição religiosa e associação genérica com o SaltérioParalelos históricos com Isaías 38 e 2 Reis 20Método histórico-crítico e ausência de evidências
Evidência textualInscrições tardias em algumas versões (Septuaginta, Vulgata)Nenhuma inscrição; inferência contextualNenhuma inscrição; texto original sem autoria
Contexto históricoPerseguições de Davi (século X a.C.)Doença e livramento de Ezequias (século VIII a.C.)Período pós-exílico ou Segundo Templo (séculos V-III a.C.)
Defensores típicosPregadores populares, hinários, tradição oralComentários devocionais modernos (ex.: IPB, estudos bíblicos online)Comentaristas acadêmicos, Bíblias de estudo críticas
FragilidadeFalta de suporte no texto hebraico; atribuição genéricaDepende de interpretação; não há confirmação externaPouco apelo devocional; deixa sem "autor"
AceitaçãoMuito alta no público geral cristãoCrescente em meios evangélicosPredominante em seminários e universidades
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Esclarecimentos

O Salmo 116 tem autor definido no texto bíblico?

Não. No Texto Massorético (hebraico), o Salmo 116 não possui inscrição de autoria. As Bíblias que trazem “Salmo de Davi” para este salmo estão seguindo uma tradição posterior, não o texto original.

Por que muitas pessoas acreditam que foi escrito por Davi?

Porque Davi é tradicionalmente considerado o autor da maioria dos salmos. Além disso, a temática de perseguição e livramento se encaixa bem na vida de Davi. Entretanto, isso é uma suposição piedosa, não um fato comprovado.

Qual a relação do Salmo 116 com o rei Ezequias?

O Salmo 116 descreve uma situação de doença grave e livramento que se assemelha à experiência de Ezequias em Isaías 38. Ele adoeceu mortalmente, orou, e Deus o curou, dando-lhe mais quinze anos de vida. Muitos estudiosos veem nesse paralelo a chave para a autoria.

O Salmo 116 faz parte do Hallel? O que é isso?

Sim. O Hallel é um conjunto de salmos (113 a 118) recitados nas festas judaicas, especialmente na Páscoa. São cânticos de louvor pela libertação do Egito e pela fidelidade de Deus.

Qual é o versículo mais importante do Salmo 116?

O versículo 12 (“Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?”) é um dos mais citados, pois expressa a resposta de gratidão do salmista. Também o versículo 15 (“Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos”) é teologicamente significativo.

A Igreja Católica tem uma posição oficial sobre a autoria?

A Igreja Católica não define dogmaticamente a autoria de cada salmo. A tradição litúrgica frequentemente atribui os salmos a Davi, mas os documentos modernos (como o Catecismo) reconhecem que muitos salmos são anônimos ou de autoria coletiva.

É possível que o Salmo 116 tenha sido escrito por mais de uma pessoa?

Alguns estudiosos sugerem que o salmo pode ter sido composto a partir de trechos de outros salmos ou ter recebido acréscimos ao longo do tempo. No entanto, a estrutura coesa indica uma unidade literária, provavelmente de um único autor.

O Salmo 116 é messiânico? Aponta para Jesus?

Embora não seja classificado como messiânico no sentido profético, alguns cristãos veem ecos da paixão de Cristo no sofrimento e livramento descritos. O versículo 15 (“Preciosa é a morte dos seus santos”) é usado em contextos fúnebres.

Resumo Final

A pergunta sobre quem escreveu o Salmo 116 não tem uma resposta única e definitiva. O texto bíblico silencia sobre seu autor, e as diferentes tradições — davídica, ezequiana e anônima — oferecem perspectivas válidas, cada uma com seus méritos e limitações. A tradição popular prefere Davi; a análise histórica aponta para Ezequias; o rigor acadêmico opta pelo anonimato.

O mais importante, no entanto, é que o Salmo 116 transcende a questão da autoria. Sua mensagem de gratidão, confiança no livramento divino e compromisso de louvor público continua a inspirar fiéis ao redor do mundo. Seja qual for o autor humano, o salmo testemunha o autor divino: o Deus que ouve o clamor dos aflitos e age em favor daqueles que o invocam.

Ao ler e meditar no Salmo 116, somos convidados a fazer a mesma pergunta do salmista: "Que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?" A resposta, independentemente da identidade do escritor, é uma vida de gratidão, serviço e testemunho.

Fontes Consultadas

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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