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Geografia Publicado em Por Stéfano Barcellos

Qual é o Alimento Mais Consumido no Brasil?

Qual é o Alimento Mais Consumido no Brasil?
Certificado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Antes de Tudo

O Brasil é um país de dimensões continentais e de uma diversidade cultural e geográfica ímpar. Essa pluralidade se reflete diretamente na alimentação dos brasileiros, que combina tradições indígenas, africanas e europeias, além de influências recentes da globalização. Diante de um cardápio tão variado, surge uma pergunta recorrente entre pesquisadores, profissionais da nutrição e o público em geral: qual é o alimento mais consumido no Brasil? A resposta, amparada por dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode surpreender muitos: o café. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017–2018, o café aparece em primeiro lugar, com 78,1% de frequência de consumo e uma média de 163,2 gramas por pessoa por dia. Este artigo analisa em profundidade os resultados dessa pesquisa, explora o ranking dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, discute as variações regionais e responde às principais dúvidas sobre o tema. A base central da discussão são os dados oficiais do IBGE disponíveis no portal IBGE — Pesquisa de Orçamentos Familiares.

Aprofundando a Analise

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo IBGE é o levantamento mais abrangente sobre o consumo alimentar no Brasil. A edição 2017–2018 ouviu mais de 45 mil moradores em todo o território nacional, coletando informações detalhadas sobre a ingestão de alimentos e bebidas por dois dias consecutivos. Os resultados foram publicados em 2020 e, desde então, servem como referência para políticas públicas, estudos nutricionais e análises de mercado.

O café conquistou o topo do ranking com 78,1% de frequência de consumo, ou seja, mais de três quartos da população brasileira declarou ter consumido café no período da pesquisa. Em segundo lugar aparece o arroz (76,1%), seguido pelo feijão (60,0%). Esse trio icônico – café, arroz e feijão – forma a base da alimentação cotidiana do brasileiro. O pão de sal (também chamado de pão francês) ocupa a quarta posição, enquanto óleos e gorduras, carne bovina, sucos e aves completam o grupo dos itens mais frequentes.

Um dado relevante apontado pela POF é que apenas 10 produtos concentram 45% do consumo alimentar no país. São eles: arroz, feijão, pão francês, carne bovina, frango, banana, leite, refrigerantes, cervejas e açúcar cristal. Essa concentração revela um padrão alimentar relativamente homogêneo em termos de itens básicos, embora haja variações significativas entre as regiões.

As diferenças regionais são marcantes. O Sul e o Sudeste lideram o consumo per capita de frutas e verduras, enquanto o Centro-Oeste registra as maiores médias de arroz, feijão, carne bovina e leite integral. Já o Norte e o Nordeste apresentam um consumo maior de peixes e mandioca, produtos típicos de suas culturas alimentares. Vale notar também que, entre as bebidas, a cerveja é consumida três vezes mais por homens do que por mulheres, segundo o mesmo levantamento.

A consistência dos dados ao longo do tempo é outro ponto que merece destaque. Estudos anteriores, como os publicados na revista SciELO — Alimentos mais consumidos no Brasil, já apontavam a dominância de arroz, café, feijão, pão de sal e carne bovina. Isso sugere que o padrão alimentar brasileiro apresenta notável estabilidade, apesar das transformações econômicas e sociais das últimas décadas.

O fato de o café liderar o ranking pode ser explicado por seu papel cultural e social. O “cafézinho” é um hábito enraizado, presente em momentos de pausa no trabalho, em reuniões familiares e como parte do café da manhã. Além disso, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, o que torna o produto amplamente acessível e barato em comparação com outros itens.

No entanto, a liderança do café não significa que ele seja o alimento em maior volume consumido. Quando se analisa a quantidade ingerida em gramas por dia, o café (163,2 g/dia) perde para o feijão (142,2 g/dia) e para o arroz (131,4 g/dia), mas ainda assim supera a maioria dos outros itens. Isso ocorre porque o café é uma bebida, e sua alta frequência de consumo compensa o volume relativamente menor por porção.

As implicações desses dados para a saúde pública são significativas. O alto consumo de arroz e feijão, por exemplo, é benéfico por fornecer carboidratos complexos, proteínas vegetais e fibras. Por outro lado, o consumo elevado de açúcares, refrigerantes e carnes processadas é motivo de preocupação. A POF também revela que apenas 37,3% dos brasileiros consomem frutas com regularidade, um percentual abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

A repercussão jornalística em 2024 reforçou esses dados, com veículos como a Globo Rural — Qual é o alimento mais consumido no Brasil? destacando a permanência do café no topo. Tal continuidade indica que as mudanças nos hábitos alimentares, embora existam, são lentas e não alteram o cerne da dieta brasileira.

Lista: Os 10 Produtos que Concentram 45% do Consumo Alimentar no Brasil

De acordo com a POF 2017–2018, estes são os itens que, somados, representam quase metade de tudo o que os brasileiros consomem:

  1. Arroz – presente em 76,1% dos domicílios, consumo médio de 131,4 g/dia.
  2. Feijão – consumido por 60,0% da população, média de 142,2 g/dia.
  3. Pão francês – item básico do café da manhã, com alta frequência.
  4. Carne bovina – uma das principais fontes de proteína animal.
  5. Frango – segunda carne mais consumida, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste.
  6. Banana – a fruta mais popular do país, presente em todas as regiões.
  7. Leite – consumido por crianças e adultos, principalmente na forma integral.
  8. Refrigerantes – bebida açucarada de alto consumo, especialmente entre jovens.
  9. Cerveja – bebida alcoólica mais ingerida, com forte desigualdade de gênero no consumo.
  10. Açúcar cristal – utilizado para adoçar bebidas e preparações culinárias.
Essa lista evidencia a predominância de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar e gordura, o que acende um alerta para o perfil nutricional da população.

Tabela Comparativa: Consumo dos Principais Alimentos no Brasil

A tabela abaixo apresenta a frequência de consumo (percentual da população que declarou ingerir o alimento) e o consumo médio per capita em gramas por dia, conforme a POF 2017–2018.

AlimentoFrequência de Consumo (%)Consumo Médio (g/dia)
Café78,1%163,2 g
Arroz76,1%131,4 g
Feijão60,0%142,2 g
Pão de sal57,8%50,9 g
Carne bovina48,7%63,1 g
Frango38,4%38,9 g
Leite36,2%74,5 g (equivalente líquido)
Refrigerante28,9%90,6 ml
Banana27,1%30,2 g
Cerveja14,1%101,3 ml

Observa-se que o café lidera em frequência, mas o feijão apresenta maior consumo em peso. O arroz aparece em seguida. Entre as carnes, a bovina ainda supera o frango, mas a diferença vem diminuindo nos últimos anos. O refrigerante, embora menos frequente que o leite, tem um volume diário alto, o que preocupa especialistas em saúde.

Esclarecimentos

Por que o café é o alimento mais consumido no Brasil?

O café é um item culturalmente enraizado no Brasil, consumido ao longo do dia em diferentes momentos, como no café da manhã, após as refeições e em pausas no trabalho. Além disso, o país é o maior produtor mundial de café, o que torna o produto acessível e de baixo custo. A pesquisa do IBGE mostra que mais de 78% da população consome café regularmente, superando até mesmo o arroz, que é presença garantida no almoço e jantar.

Existe diferença entre consumo masculino e feminino de alimentos?

Sim. A POF 2017–2018 revela diferenças notáveis, especialmente no consumo de bebidas alcoólicas: os homens consomem três vezes mais cerveja do que as mulheres. Também há diferenças no consumo de carnes: homens tendem a ingerir mais carne bovina, enquanto mulheres consomem mais frango e saladas. No entanto, o café e o arroz são consumidos de forma equilibrada entre os gêneros.

Quais são os alimentos mais consumidos em cada região do Brasil?

No Sul e Sudeste, há maior consumo de frutas, verduras e carnes magras. O Centro-Oeste destaca-se pelo alto consumo de arroz, feijão, carne bovina e leite integral. O Norte e Nordeste apresentam maior ingestão de peixes, mandioca, açaí e frutas regionais. O café, porém, é líder em todas as regiões, embora com variações na forma de preparo (coado, expresso, com leite, etc.).

O café é realmente considerado um alimento?

Sim, o IBGE classifica o café como alimento, pois é um produto consumido por via oral e fornece nutrientes como cafeína, antioxidantes e pequenas quantidades de minerais. Embora não tenha valor calórico significativo (quando puro), seu consumo frequente e seu papel na rotina alimentar justificam sua inclusão nos levantamentos de consumo alimentar.

O que mudou no consumo alimentar do brasileiro nos últimos anos?

Comparando com a POF 2008–2009, o consumo de arroz e feijão caiu ligeiramente, enquanto o de alimentos processados, como refrigerantes, biscoitos e embutidos, aumentou. O café manteve sua liderança, mas houve crescimento do consumo de café solúvel e cápsulas. O aumento do trabalho remoto e da renda também impactou a alimentação, com maior acesso a frutas e verduras nas classes mais altas.

Qual é a importância dos dados da POF para a saúde pública?

Os dados da POF são fundamentais para identificar padrões de consumo e riscos nutricionais. Eles embasam políticas de segurança alimentar, programas de suplementação, campanhas educativas e diretrizes como o Guia Alimentar para a População Brasileira. Ao apontar o baixo consumo de frutas e verduras e o alto consumo de açúcares, a pesquisa orienta ações do Ministério da Saúde e de organizações não governamentais.

O que significa "frequência de consumo" e "consumo médio per capita"?

Frequência de consumo é a porcentagem de pessoas que declararam ter consumido o alimento pelo menos uma vez nos dois dias de registro. Já o consumo médio per capita é a quantidade média ingerida por pessoa por dia, calculada a partir da soma total dividida pelo número de indivíduos. Por exemplo, o café tem alta frequência (78,1%), mas seu consumo em gramas (163,2 g/dia) é menor que o volume de feijão (142,2 g/dia) quando se considera que a porção de café é líquida e diluída em água.

Quais são as tendências futuras para o consumo de alimentos no Brasil?

Especialistas apontam um crescimento gradual do consumo de proteínas vegetais, alimentos orgânicos e produtos regionais. A substituição de refrigerantes por sucos naturais e água também avança, especialmente entre os jovens. Entretanto, o trio café-arroz-feijão deve permanecer como base da dieta brasileira por muitos anos, dada sua forte tradição cultural e acessibilidade econômica.

Fechando a Analise

Com base nos dados oficiais do IBGE, é possível afirmar que o alimento mais consumido no Brasil é o café, seguido de perto pelo arroz e pelo feijão. Esses três itens formam a espinha dorsal da alimentação nacional, refletindo séculos de história e adaptação cultural. O café, em particular, ultrapassou o próprio arroz em frequência de consumo, consolidando-se como a bebida preferida dos brasileiros em todos os estados e classes sociais.

A análise da Pesquisa de Orçamentos Familiares revela, no entanto, que a dieta brasileira ainda apresenta desafios importantes. A concentração do consumo em apenas dez produtos, muitos deles ultraprocessados, levanta questionamentos sobre a qualidade nutricional da alimentação média. As diferenças regionais indicam que não existe um único padrão alimentar, mas sim múltiplas realidades que variam conforme a disponibilidade de alimentos, a renda e as tradições locais.

Para o futuro, espera-se que as políticas públicas de alimentação e nutrição continuem se baseando em evidências como as da POF, promovendo o consumo de alimentos in natura e reduzindo o de produtos industrializados. Ao mesmo tempo, o respeito às preferências culturais, como o café, é essencial para que as orientações nutricionais sejam adotadas pela população.

Compreender o que o brasileiro come – e por que come – é o primeiro passo para construir um sistema alimentar mais saudável, sustentável e justo. O café, nesse contexto, não é apenas um líder estatístico, mas um símbolo da identidade nacional.

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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