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Gramática Publicado em Por Stéfano Barcellos

Pretérita: significado, uso e exemplos na língua portuguesa

Pretérita: significado, uso e exemplos na língua portuguesa
Endossado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Por Onde Comecar

A língua portuguesa é rica em termos que carregam consigo não apenas um significado lexical, mas também uma carga temporal e contextos de aplicação que transcendem o simples dicionário. Um desses termos é “pretérita”. Derivado do latim (“que passou”, “que ficou para trás”), o vocábulo é a forma feminina de e, à primeira vista, parece remeter exclusivamente ao tempo verbal da gramática. No entanto, um olhar mais atento revela que “pretérita” habita esferas tão diversas quanto documentos públicos, decisões judiciais, pesquisas cartográficas e até mesmo produtos culturais como revistas e canais literários.

Compreender o que significa “pretérita”, como e onde é empregada, e por que esse adjetivo tem se destacado em textos técnicos e institucionais é essencial para profissionais das áreas de direito, administração pública, geotecnologia e comunicação. Este artigo tem como objetivo explorar de forma completa e fundamentada os múltiplos usos do termo, oferecendo exemplos práticos, uma tabela comparativa, uma lista de contextos de aplicação e respostas às dúvidas mais frequentes. Ao final, espera-se que o leitor não apenas domine o significado de “pretérita”, mas também saiba empregá-lo corretamente em seus próprios textos.

Aprofundando a Analise

1 Origem e significado gramatical

Na gramática normativa da língua portuguesa, “pretérito” refere-se aos tempos verbais que indicam ações ocorridas no passado. Temos o pretérito perfeito (ex.: “Eu fiz”), o pretérito imperfeito (ex.: “Eu fazia”), o pretérito mais-que-perfeito (ex.: “Eu fizera” ou “Eu tinha feito”) e, em algumas classificações, o futuro do pretérito (ex.: “Eu faria”). A forma feminina “pretérita” surge quando o adjetivo concorda com um substantivo feminino: “ação pretérita”, “informação pretérita”, “gestão pretérita”. Portanto, o sentido básico é o de algo que aconteceu antes do momento da fala ou da referência temporal considerada.

Esse uso puramente gramatical, contudo, é apenas a ponta do iceberg. Nos últimos anos, “pretérita” tem aparecido com frequência em contextos que vão muito além das aulas de português, especialmente em documentos oficiais e em áreas técnicas.

2 Uso em documentos oficiais e obras públicas

Um dos campos mais profícuos para o termo é a administração pública. Em cartilhas e orientações governamentais, como a Cartilha de Orientações sobre Retomada de Obras publicada pelo Ministério da Saúde, encontramos a expressão “relatório de execução financeira pretérita”. Esse relatório compila todos os pagamentos e transações realizados anteriormente em uma obra, servindo como base para a análise da viabilidade de retomada ou continuidade do empreendimento.

O uso de “pretérita” nesse contexto não é meramente estilístico; ele carrega uma precisão temporal indispensável para a auditoria e o controle de gastos públicos. Ao qualificar a execução financeira como “pretérita”, o documento evita ambiguidades e deixa claro que se refere a despesas já realizadas, em oposição a futuras ou em andamento. Essa clareza é fundamental em processos de prestação de contas e em tomadas de decisão baseadas em histórico financeiro.

3 Aplicação na cartografia e nas geotecnologias

Outro domínio onde “pretérita” ganha relevo é a geografia e a cartografia histórica. O artigo acadêmico “Da cartografia pretérita às geotecnologias modernas”, disponível em revista de geografia, ilustra como o termo é empregado para designar mapas antigos, registros territoriais de épocas passadas e técnicas de mapeamento anteriores ao advento dos sistemas de informação geográfica (SIG).

A expressão “cartografia pretérita” permite aos pesquisadores contrastar o conhecimento geográfico histórico com as ferramentas contemporâneas – satélites, drones, modelos digitais de elevação –, evidenciando a evolução dos métodos de análise territorial. Aqui, “pretérita” funciona como um marcador temporal que delimita um recorte específico do passado, sem necessariamente precisar de datas exatas, mas estabelecendo uma oposição clara com o presente tecnológico.

4 Uso no âmbito jurídico

No direito, a precisão terminológica é crucial. Em plataformas como o JusBrasil, há milhares de resultados de jurisprudência que empregam o sintagma “informações pretéritas”. Esse termo é utilizado para se referir a fatos, dados ou documentos anteriores que são relevantes para a decisão de um caso judicial. Por exemplo, em ações indenizatórias, podem ser solicitadas informações pretéritas sobre o comportamento do réu ou sobre transações financeiras realizadas anos antes.

A utilização de “pretéritas” nesse contexto evita a necessidade de repetir “passadas” ou “anteriores” a cada menção, conferindo ao texto jurídico um tom técnico e conciso. Além disso, ajuda a delimitar o período de interesse da prova ou da alegação, o que é essencial para o princípio da segurança jurídica.

5 “Pretérita” como nome de publicação cultural

Curiosamente, o termo também foi apropriado por iniciativas culturais. A Revista Pretérita (que pode ser acompanhada no Instagram e no Facebook) é uma publicação literária que divulga contos, artigos e ensaios. O nome sugere um olhar voltado para narrativas do passado ou que dialogam com a memória, a história e o tempo. Embora não se trate de um “evento” chamado Pretérita, a revista aproveita a carga semântica do adjetivo para construir sua identidade editorial.

Esse uso evidencia a versatilidade da palavra: ela não se restringe a contextos técnicos ou jurídicos, mas pode também evocar uma atmosfera nostálgica, erudita ou reflexiva, dependendo do projeto cultural no qual é inserida.

6 O “futuro do pretérito” e a dimensão crítica

Vale mencionar ainda a expressão “futuro do pretérito”, que nomeia um tempo verbal, mas também é usada metaforicamente para criticar discursos que prometem algo que jamais se concretiza. Um artigo do jornal Estadão utiliza essa figura de linguagem para analisar o cenário político brasileiro, mostrando como o termo “pretérito” pode servir de base para construções metafóricas poderosas. Embora o foco deste artigo seja o adjetivo “pretérita”, a conexão com “futuro do pretérito” demonstra a amplitude da raiz no idioma.

Uma lista: 5 contextos comuns de uso do termo “pretérita”

Para facilitar a memorização e a aplicação prática, segue uma lista dos principais contextos em que “pretérita” é empregada na língua portuguesa contemporânea:

  1. Documentos administrativos e financeiros – “execução financeira pretérita”, “gestão pretérita”, “dados pretéritos”.
  2. Pesquisa acadêmica e técnica – “cartografia pretérita”, “metodologias pretéritas”, “registros pretéritos”.
  3. Jurisprudência e direito – “informações pretéritas”, “fatos pretéritos”, “conduta pretérita”.
  4. Comunicação cultural e editorial – “Revista Pretérita”, “edições pretéritas” de publicações.
  5. Gramática e linguística – “forma pretérita” (referindo-se a verbos no passado).
Essa lista não é exaustiva, mas abrange os usos mais frequentes encontrados em fontes oficiais, acadêmicas e jornalísticas.

Tabela comparativa: usos de “pretérita” em diferentes áreas

A tabela a seguir sintetiza as principais características de cada contexto de aplicação, incluindo definição e um exemplo concreto:

ContextoDefinição do termo no contextoExemplo prático
Administração públicaQualifica execuções financeiras ou administrativas ocorridas em período anterior ao relatório atual.“O relatório de execução financeira pretérita apontou saldo devedor de R$ 2,3 milhões.”
Cartografia e geotecnologiaDesigna mapas, técnicas e registros históricos de mapeamento territorial.“O estudo compara a cartografia pretérita do século XVIII com as imagens de satélite atuais.”
DireitoRefere-se a informações, fatos ou documentos ocorridos antes do processo judicial.“O juiz solicitou informações pretéritas sobre a folha de pagamento da empresa ré.”
Cultura e comunicaçãoNome de publicação periódica ou qualifica edições anteriores de revistas, jornais, etc.“A Revista Pretérita lançou nova edição com contos e artigo sobre memória urbana.”
GramáticaConcordância feminina do adjetivo “pretérito”, indicando tempo passado.“A forma pretérita do verbo ‘fazer’ na primeira pessoa é ‘fiz’.”
A tabela evidencia que, embora o núcleo semântico (“passado”) se mantenha, as nuances de uso variam consideravelmente conforme o campo do conhecimento.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é a diferença entre “pretérito” e “pretérita”?

A diferença é exclusivamente de gênero. “Pretérito” é a forma masculina (ex.: “tempo pretérito”, “relatório pretérito”), enquanto “pretérita” é a forma feminina (ex.: “ação pretérita”, “informação pretérita”). Ambos significam “passado” ou “anterior” e devem concordar com o substantivo a que se referem.

“Pretérita” pode ser usada como substantivo?

Em geral, “pretérita” é adjetivo. Entretanto, em contextos muito específicos (como o nome de uma revista), pode exercer função substantivada, como em “li a Pretérita” (referindo-se à revista). Fora desses casos, recomenda-se o uso adjetivo.

O que significa “informações pretéritas” no direito?

No âmbito jurídico, “informações pretéritas” são dados, documentos ou relatos referentes a fatos ocorridos antes do início de um processo ou de um período de averiguação. Servem para embasar decisões, provas ou alegações com base em acontecimentos anteriores.

Existe um evento ou conferência chamado “Pretérita”?

Não há, nos resultados de pesquisa disponíveis, evidência de um evento específico denominado “Pretérita”. O termo aparece principalmente como adjetivo ou como parte do nome de publicações culturais (a Revista Pretérita). Portanto, “pretérita” não designa um congresso ou encontro.

“Cartografia pretérita” é um termo técnico reconhecido?

Sim. É uma expressão utilizada em artigos acadêmicos e livros de geografia para designar o conjunto de mapas e técnicas de mapeamento históricos, anteriores às geotecnologias modernas. O termo é reconhecido na literatura especializada, conforme demonstra o artigo citado neste texto.

“Futuro do pretérito” tem relação com “pretérita”?

Indiretamente. “Futuro do pretérito” é um tempo verbal (ex.: “Eu faria”, “Ela diria”). A palavra “pretérito” aparece no nome desse tempo, mas não há relação direta com o adjetivo feminino “pretérita”. Contudo, ambos compartilham a mesma raiz etimológica e remetem ao passado.

Posso usar “pretérita” em textos informais, como redes sociais?

Sim, desde que adequado ao contexto. Em posts de redes sociais, o termo pode soar rebuscado, mas é perfeitamente aceitável em textos que exijam formalidade ou precisão. A Revista Pretérita, por exemplo, utiliza a palavra em suas comunicações, inclusive no Instagram.

O uso de “pretérita” em documentos públicos é obrigatório?

Não é obrigatório, mas é recomendado para evitar ambiguidades. Em normativas e cartilhas oficiais, a escolha por “pretérita” em vez de “passada” ou “anterior” confere maior tecnicidade e uniformidade terminológica, o que é valorizado em redação oficial.

Ultimas Palavras

A palavra “pretérita” revela-se muito mais do que um simples adjetivo feminino de “pretérito”. Ela atravessa áreas do conhecimento tão distintas quanto a administração pública, a cartografia histórica, o direito e a produção cultural, sempre mantendo o cerne semântico de algo que já ocorreu, que é anterior ao momento presente. Sua presença em documentos oficiais – como relatórios de execução financeira – demonstra a necessidade de precisão temporal em processos de governança e controle. Já em contextos acadêmicos, como na expressão “cartografia pretérita”, o termo permite estabelecer um diálogo fecundo entre passado e presente, destacando a evolução das técnicas de representação do espaço.

No campo jurídico, “informações pretéritas” asseguram a clareza e a delimitação temporal necessárias à produção de provas e à fundamentação de decisões. Mesmo no universo cultural, o termo ganhou vida própria ao batizar uma revista literária, provando que o léxico técnico pode ser ressignificado com criatividade.

Compreender esses usos e saber empregá-los corretamente é uma habilidade valiosa para qualquer profissional que lida com redação técnica, jurídica ou institucional. Ao longo deste artigo, buscamos não apenas definir o termo, mas também ilustrar sua aplicação prática por meio de exemplos, uma lista, uma tabela e perguntas frequentes. Esperamos que o leitor saia desta leitura com uma visão ampla e operacional de “pretérita”, capaz de aplicá-la com segurança em seus próprios textos.

Links Uteis

Para aprofundamento e verificação das informações apresentadas, consulte as seguintes fontes:

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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