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Geografia Publicado em Por Stéfano Barcellos

Monte Everest: em qual cadeia de montanhas fica?

Monte Everest: em qual cadeia de montanhas fica?
Analisado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Primeiros Passos

O Monte Everest, conhecido no Nepal como Sagarmatha (deusa do céu) e no Tibete como Chomolungma (mãe do universo), é o ponto mais alto da superfície terrestre, com altitude oficial de 8.848,86 metros medidos em 2020. Sua imponência atrai alpinistas, cientistas e viajantes de todo o mundo, gerando perguntas fundamentais sobre sua origem e localização geográfica. A questão central que norteia este artigo é direta: de qual cadeia de montanhas o Monte Everest faz parte? A resposta, embora concisa, envolve conceitos geológicos, nomes de subcordilheiras e uma compreensão mais ampla da maior cadeia montanhosa do planeta. O Everest está inserido na cordilheira do Himalaia, mais especificamente na subcordilheira Mahalangur Himal, situada na fronteira entre Nepal e China (Região Autônoma do Tibete). Para além dessa informação imediata, é fundamental explorar o contexto geográfico, a formação tectônica e as características que tornam o Everest um símbolo máximo da altimetria mundial.

Pontos Importantes

A Cordilheira do Himalaia

O Himalaia é a mais jovem e a mais alta cadeia de montanhas do mundo, estendendo-se por aproximadamente 2.400 quilômetros ao longo do sul da Ásia, abrangendo cinco países: Índia, Paquistão, Nepal, Butão e China. Sua formação teve início há cerca de 50 milhões de anos, quando a placa tectônica Indiana começou a colidir com a placa Euro-asiática. Esse movimento convergente continua até os dias atuais, elevando o Himalaia a uma taxa média de 5 milímetros por ano. O resultado desse choque é um sistema montanhoso que abriga todos os 14 picos com mais de 8.000 metros de altitude, incluindo o Everest, o K2 e o Kanchenjunga. Essa cordilheira não é apenas um marco geográfico, mas também um regulador climático e um reservatório de geleiras que alimentam rios vitais como o Ganges, o Indo e o Brahmaputra.

O Himalaia subdivide-se em várias subcordilheiras, cada uma com características geológicas e topográficas próprias. O Monte Everest localiza-se na subcordilheira Mahalangur Himal, que se estende por cerca de 80 quilômetros na região do Khumbu, no nordeste do Nepal, e adentra o Tibete. Essa subcordilheira é um verdadeiro aglomerado de gigantes, incluindo, além do Everest, o Lhotse (8.516 m), o Nuptse (7.861 m) e o Changtse (7.543 m). A designação Mahalangur Himal é utilizada principalmente na literatura nepalesa e internacional, enquanto alguns mapas chineses referem-se à região como parte do "Himalaia Central". Independentemente da nomenclatura, o Everest não é uma montanha isolada, mas sim o ponto culminante de um maciço complexo.

A formação do Himalaia está diretamente ligada à teoria da tectônica de placas, consolidada em meados do século XX. A placa Indiana, que se movia para o norte a uma velocidade de cerca de 15 centímetros por ano, chocou-se com a placa Euro-asiática, fechando o Oceano Tétis e comprimindo sedimentos oceânicos que se metamorfosearam e se elevaram. Esse processo criou dobramentos e falhas que deram origem às montanhas mais altas do mundo. O Everest, por estar na linha de frente dessa colisão, continua a se elevar, embora a erosão e os terremotos occasionalmente causem pequenas variações em sua altitude.

A Mediçao Oficial de 2020

Por décadas, a altura do Everest foi motivo de controvérsia e de refinamento constante. Medições realizadas por diferentes países e expedições indicavam valores que variavam entre 8.848 m e 8.850 m. Em 2020, Nepal e China realizaram um levantamento conjunto, utilizando tecnologia de GPS, estações de referência e medições por gravidade. O resultado, anunciado em 8 de dezembro de 2020, foi de 8.848,86 metros, considerado a altitude oficial a partir de então. Esse valor é 0,86 metro maior que a medição anterior de 8.848 m, adotada pelo Survey of India em 1955. A nova medição leva em conta a camada de neve e gelo no topo, e não apenas a rocha subjacente. Esse evento não apenas resolveu uma disputa histórica, mas também trouxe à tona a importância de se entender a localização geológica do Everest, já que a montanha está situada em uma zona tectonicamente ativa.

Além da altitude, a medição de 2020 confirmou que o Everest continua a crescer, ainda que lentamente. Estudos sugerem que a taxa de elevação pode chegar a 4 mm por ano, mas terremotos de grande magnitude, como o de 2015 no Nepal, podem reduzir temporariamente a altura. A posição do Everest no Himalaia, exatamente sobre a zona de colisão entre as placas, explica por que ele é o ponto mais alto: a compressão tectônica é mais intensa nessa região.

Rotas de Escalada e Riscos

A localização do Everest na fronteira entre Nepal e Tibete proporciona duas vias principais de escalada: a rota sudeste, pelo lado nepalês, e a rota norte, pelo lado tibetano. A via sudeste, que segue a Geleira Khumbu e o Colo Sul, é a mais utilizada, respondendo por cerca de 90% das tentativas de cume. A rota norte, que começa no Campo Base do Tibete, é considerada tecnicamente mais simples, mas expõe os alpinistas a ventos mais fortes e temperaturas mais baixas. A escolha da rota é influenciada por permissões governamentais, condições climáticas e preferências das agências de expedição.

O Everest é uma montanha extremamente perigosa. Até 2024, mais de 340 mortes foram registradas, a maioria na chamada "Zona da Morte", acima de 8.000 metros, onde a pressão atmosférica é tão baixa que o corpo humano não consegue absorver oxigênio suficiente para se manter vivo por longos períodos. As principais causas de óbito incluem hipoxia, exaustão, avalanches, quedas e edema cerebral ou pulmonar de alta altitude. A taxa de mortalidade entre os que tentam o cume é de cerca de 1%, mas esse número aumenta significativamente em anos com condições climáticas adversas ou congestionamento de alpinistas.

O Maciço do Everest e Seus Picos Vizinhos

Compreender que o Everest faz parte de um maciço é essencial para contextualizar sua altitude. O Maciço do Everest inclui vários picos que, embora não tão altos, são impressionantes: Lhotse (8.516 m), o quarto mais alto do mundo; Nuptse (7.861 m); e Changtse (7.543 m). Essas montanhas estão interligadas por cristas e geleiras, formando um complexo geológico que desafia a ideia de que o Everest seria uma pirâmide isolada. Na verdade, a vista do cume do Everest revela um horizonte repleto de picos do Himalaia, todos parte da mesma cadeia.

A região do Khumbu, onde se situa o Everest, é uma das mais visitadas do Nepal, tanto por alpinistas quanto por trekkers. O Campo Base do Everest, a aproximadamente 5.364 m, é o ponto de partida para a maioria das expedições e também um destino turístico por si só. A pressão sobre o meio ambiente local é crescente, com acúmulo de lixo, dejetos humanos e equipamentos abandonados. Iniciativas de limpeza e regulamentações mais rígidas tentam mitigar o impacto, mas a popularidade da montanha continua a aumentar.

Uma Lista: 5 Fatos Essenciais Sobre o Monte Everest

  1. Altitude oficial: 8.848,86 metros, medida conjunta Nepal-China em 2020.
  2. Localização exata: Fronteira entre Nepal e China (Tibete), na subcordilheira Mahalangur Himal do Himalaia.
  3. Primeira ascensão: Realizada em 29 de maio de 1953 por Sir Edmund Hillary (Nova Zelândia) e Tenzing Norgay (Nepal).
  4. Número de mortes: Aproximadamente 340 até 2024, com taxa de mortalidade de cerca de 1% entre os que tentam o cume.
  5. Formação geológica: Resultado da colisão entre a placa Indiana e a placa Euro-asiática, processo que continua elevando a montanha.

Tabela Comparativa: Os Cinco Picos Mais Altos do Mundo

MontanhaAltitude (m)CordilheiraLocalizaçãoPrimeira AscensãoTaxa de Mortalidade Aprox.
Monte Everest8.848,86HimalaiaNepal/Tibete1953 (Hillary, Norgay)~1%
K28.611KarakoramPaquistão/China1954 (Compagnoni, Lacedelli)~25%
Kanchenjunga8.586HimalaiaNepal/Índia1955 (Band, Brown)~20%
Lhotse8.516HimalaiaNepal/Tibete1956 (Reiss, Luchsinger)~2%
Makalu8.485HimalaiaNepal/Tibete1955 (Couzy, Terray)~9%
A tabela evidencia que o Everest não é apenas o mais alto, mas também um dos menos letais entre os principais picos de 8.000 metros, em parte devido à infraestrutura estabelecida e ao uso generalizado de oxigênio suplementar. O K2, por exemplo, tem uma taxa de mortalidade muito superior, refletindo sua maior dificuldade técnica e climática.

Principais Duvidas

O Monte Everest fica em qual país?

O Monte Everest está localizado na fronteira entre o Nepal e a China (Região Autônoma do Tibete). O lado sul pertence ao Nepal, enquanto o lado norte integra o território chinês. Ambos os países administram as rotas de acesso e as permissões de escalada.

Qual é a altura exata do Monte Everest?

A altura oficial do Monte Everest é de 8.848,86 metros, conforme medição conjunta realizada pelo Nepal e pela China em 2020. Esse valor substituiu a medição anterior de 8.848 metros, adotada desde 1955, e considera a camada de neve e gelo no topo.

Quantas pessoas já morreram no Monte Everest?

Até 2024, estima-se que aproximadamente 340 pessoas tenham morrido no Monte Everest. A maioria das mortes ocorre na "Zona da Morte", acima de 8.000 metros, devido a hipoxia, exaustão, avalanches e quedas. A taxa de mortalidade entre os alpinistas que tentam o cume é de cerca de 1%.

Qual é a melhor época para escalar o Monte Everest?

A temporada ideal de escalada acontece durante a primavera (abril a maio) e, em menor escala, no outono (setembro a outubro). Nesses períodos, as condições climáticas são mais estáveis, com ventos amenos e temperaturas menos extremas. A primavera concentra a maioria das expedições, especialmente na rota sudeste pelo Nepal.

O Monte Everest está crescendo?

Sim, o Monte Everest continua a crescer lentamente devido ao movimento contínuo das placas tectônicas. A placa Indiana ainda se choca contra a placa Euro-asiática, elevando o Himalaia a uma taxa de aproximadamente 4 a 5 milímetros por ano. No entanto, terremotos de grande magnitude podem causar pequenas reduções temporárias na altura.

Quem foi o primeiro a escalar o Monte Everest?

A primeira ascensão confirmada ao cume do Monte Everest ocorreu em 29 de maio de 1953, realizada pelo neozelandês Sir Edmund Hillary e o sherpa nepalês Tenzing Norgay. Eles fizeram parte de uma expedição britânica liderada por John Hunt.

O que é a "Zona da Morte" no Everest?

A "Zona da Morte" refere-se a altitudes acima de 8.000 metros, onde a pressão atmosférica é tão baixa que o corpo humano não consegue absorver oxigênio suficiente para se manter vivo por longos períodos. Nessa região, o risco de mal de altitude, edema cerebral e pulmonar, hipotermia e morte é extremamente alto. A maioria dos escaladores utiliza oxigênio suplementar para tentar minimizar os efeitos.

O Monte Everest faz parte de qual subcordilheira?

O Monte Everest faz parte da subcordilheira Mahalangur Himal, que integra a cordilheira do Himalaia. Essa subcordilheira abrange vários picos de altitude elevada na região do Khumbu, no nordeste do Nepal, e se estende pelo Tibete. Outros picos notáveis dessa subcordilheira incluem Lhotse, Nuptse e Changtse.

Resumo Final

O Monte Everest, o ponto mais alto do planeta, faz parte da cordilheira do Himalaia, especificamente da subcordilheira Mahalangur Himal, na fronteira entre Nepal e China. Essa localização não é apenas uma curiosidade geográfica, mas a chave para entender a formação, a história e os desafios associados à montanha. O Himalaia, como sistema montanhoso mais elevado do mundo, continua a se elevar pela colisão tectônica entre as placas Indiana e Euro-asiática, processo que também esculpiu o Everest. As medições recentes, os registros de escalada e as estatísticas de mortalidade reforçam a complexidade e a imponência desse gigante. Compreender a cadeia de montanhas da qual o Everest faz parte é essencial para apreciar sua magnitude geológica, os riscos que alpinistas enfrentam e a importância de preservar esse patrimônio natural. O Everest não é uma montanha isolada; ele é o ápice de uma cadeia que molda o clima, a hidrologia e a cultura de toda a região sul-asiática.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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