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Gramática Publicado em Por Stéfano Barcellos

Esses: significado, uso e exemplos práticos

Esses: significado, uso e exemplos práticos
Certificado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Por Onde Comecar

A língua portuguesa oferece um rico conjunto de mecanismos para estabelecer relações de coesão e clareza no discurso. Entre esses recursos, os pronomes e determinantes demonstrativos ocupam lugar de destaque. A palavra “esses” — forma masculina plural do pronome demonstrativo “esse” — é amplamente utilizada tanto na fala cotidiana quanto na escrita formal. No entanto, seu emprego correto exige o domínio de regras que envolvem a posição do falante e do ouvinte, a referência temporal e a função textual.

Compreender quando empregar “esses” em vez de “estes” ou “aqueles” é essencial para evitar ambiguidades e garantir que a mensagem seja transmitida com precisão. Além disso, o uso inadequado desses termos pode comprometer a credibilidade do texto, especialmente em contextos acadêmicos, jurídicos ou jornalísticos.

Este artigo tem como objetivo explorar o significado de “esses”, sua função gramatical, as situações em que deve ser aplicado e as diferenças em relação a outros demonstrativos. Serão apresentados exemplos práticos, uma lista de contextos de uso, uma tabela comparativa e respostas às dúvidas mais frequentes. Ao final, espera-se que o leitor seja capaz de utilizar “esses” com segurança e propriedade.

Entenda em Detalhes

1. O que é “esses” e qual sua função gramatical?

“Esses” é a forma plural do pronome demonstrativo “esse”. Pode atuar como pronome (substituindo um substantivo) ou como determinante (acompanhando um substantivo). Em ambos os casos, sua função principal é indicar a posição do que se menciona em relação ao interlocutor: algo que está próximo da pessoa com quem se fala, ou que já foi citado anteriormente no texto (referência anafórica), ou que será mencionado adiante (referência catafórica), mas sempre com a noção de que não está próximo de quem fala.

Exemplos:

  • Como determinante: (determina o substantivo “livros”).
  • Como pronome: (substitui um substantivo já mencionado ou subentendido).
Semanticamente, “esses” se opõe a “estes” (próximo de quem fala) e a “aqueles” (distante de ambos). Essa tríade é fundamental para a organização espacial, temporal e textual do discurso em português.

2. Uso de “esses” no espaço

No plano espacial, “esse” (e suas flexões) indica algo que está perto da pessoa com quem se fala (segunda pessoa) ou mais distante de quem fala. Por exemplo, em uma sala, você pode dizer:

  • (próximo de mim)
  • (próximo de você)
  • (distante de ambos)
Na prática cotidiana, muitos brasileiros usam “esse” de forma generalizada para qualquer referência não imediata, mas a norma culta recomenda a distinção. Em contextos formais, é importante respeitar a diferença.

3. Uso de “esses” no tempo

No tempo, “esse” remete a um passado ou futuro recente em relação ao momento da fala, mas não ao momento presente do falante. Por exemplo:

  • (dias recentes, mas não hoje)
  • (férias já passadas, próximas)
Já “este” seria usado para o presente: “Aquele” indicaria passado remoto:

4. Uso de “esses” no discurso (coesão textual)

No texto, “esses” funciona principalmente como anafórico, retomando algo que já foi mencionado. Exemplo:

>

Aqui, “essas” retoma “diversas propostas”, evitando repetição e garantindo fluidez.

Também pode ser usado como catafórico (referência para frente), embora seja menos comum. Nesse caso, geralmente ocorre em estruturas explicativas:

>

Mas, na cataforia, “estes” é mais frequente:

5. Concordância e variações

“Esses” concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Assim:

  • Masculino singular: esse
  • Feminino singular: essa
  • Masculino plural: esses
  • Feminino plural: essas
Quando combinado com preposições, forma contrações:
  • de + esses = desses
  • em + esses = nesses
  • por + esses = por esses (ou “nesses” como variante coloquial de “em esses”)
  • a + esses = a esses (não há contração com “a” + “esses” em português padrão, pois “a” + “esse” resulta em “a esse”; mas “a” + “esses” permanece “a esses”).

6. Diferenças entre “esses” e “estes”: uma questão que gera dúvidas

No português brasileiro contemporâneo, a distinção entre “este” e “esse” tem se atenuado na fala, mas a norma culta ainda a exige na escrita formal. Em resumo:

  • Este (e variações): refere-se ao que está perto de quem fala (1ª pessoa) ou ao que será mencionado no texto (catafórico).
  • Esse (e variações): refere-se ao que está perto de quem ouve (2ª pessoa) ou ao que já foi mencionado (anafórico).
Exemplo clássico:
  • (apontando para o carro do falante)
  • (apontando para o carro do ouvinte)
No texto, a distinção é especialmente importante em situações de enumeração ou remissão a elementos anteriores e posteriores:

>

Ou, mais comumente:

>

Evite usar “estes” quando o termo já foi mencionado; prefira “esses”. E evite usar “esses” para introduzir um novo elemento que será explicado logo em seguida; nesse caso, “estes” é mais adequado.

7. “Esses” em expressões fixas e contextos específicos

Algumas locuções cristalizadas empregam “esses”:

  • “Desses dias”: recentemente.
  • “Nesses casos”: quando se refere a situações já descritas.
  • “Por esses dias”: aproximadamente, nesse período.
Além disso, “esses” pode aparecer em construções com valor pejorativo ou de distanciamento crítico:

> (tom de desaprovação)

Nesse uso, o demonstrativo reforça a distância afetiva ou ideológica do falante em relação ao referente.

Lista de contextos em que se usa “esses”

  1. Referência anafórica (retomada): para retomar um termo já mencionado no texto.
Exemplo:
  1. Indicação de proximidade com o ouvinte: para apontar algo que está do lado do interlocutor.
Exemplo:
  1. Tempo passado recente: para situações ou períodos próximos, mas não atuais.
Exemplo:
  1. Tempo futuro próximo (planejado): para algo que está por vir, ainda não presente.
Exemplo:
  1. Contraste com “estes” e “aqueles” em enumerações: especialmente em listas ou comparações.
Exemplo:
  1. Expressão de afastamento afetivo ou crítico: quando o falante deseja marcar distância emocional.
Exemplo:
  1. Combinação com preposições em locuções: , , .
Exemplo:

Tabela comparativa: “estes”, “esses” e “aqueles”

PronomeReferência espacialReferência temporalReferência textual (principal)Exemplo prático
Este / EstesPerto de quem fala (1ª pessoa)Presente ou futuro imediatoCatafórico (o que será dito)
Esse / EssesPerto de quem ouve (2ª pessoa)Passado ou futuro recente (não presente)Anafórico (o que já foi dito)
Aquele / AquelesDistante de ambos (3ª pessoa)Passado remoto ou futuro distanteAnafórico (mencionado há muito tempo)
Observação: No plano textual, “este” é frequentemente usado para o elemento mais próximo no texto que ainda não foi mencionado (catafórico), enquanto “esse” retoma algo já dito (anafórico). “Aquele” retoma um elemento mais afastado no texto.

Tire Suas Duvidas

Qual a diferença entre “esses” e “estes”?

“Estes” refere-se ao que está próximo de quem fala (primeira pessoa) ou ao que será mencionado adiante no texto. “Esses” refere-se ao que está próximo de quem ouve (segunda pessoa) ou ao que já foi mencionado no texto. Na prática, “estes” é catafórico e “esses” é anafórico.

Posso usar “esses” para me referir a algo que eu mesmo falei há pouco?

Sim. Se você acabou de mencionar um termo e deseja retomá-lo, o uso de “esses” é correto. Por exemplo: “Apresentei três ideias. Essas ideias foram bem recebidas.” Apenas tome cuidado para não confundir com “estes”, que seria usado se você fosse introduzir as ideias na sequência.

“Esses” pode ser usado como sujeito da oração?

Sim, “esses” pode funcionar como sujeito, desde que seja pronome substantivo. Exemplo: “Esses são os alunos da turma A.” Nesse caso, “esses” substitui um substantivo e exerce a função de sujeito.

“Esses” tem acento gráfico?

Não. “Esses” não recebe acento. O acento agudo só ocorre em “ésses” (plural de “ésse”, nome da letra S), que é raríssimo. O pronome demonstrativo “esses” é uma palavra paroxítona terminada em “s” e, portanto, não é acentuada.

Quando usar “nesses” e “desses”?

“Nesses” é a contração de “em + esses”. Usa-se para indicar lugar, tempo ou assunto: “Nesses casos, agimos com cautela.” “Desses” é contração de “de + esses”: “Falaremos desses temas amanhã.” Ambas são formas padrão e devem ser empregadas conforme a regência da preposição.

“Esses” é adequado em contextos formais como artigos acadêmicos?

Sim, desde que empregado de acordo com a norma culta. Em textos acadêmicos, a distinção entre “este”, “esse” e “aquele” é obrigatória para garantir precisão referencial. Evite usar “esse” como substituto genérico de “este”; respeite os critérios de proximidade e função textual.

Como evitar ambiguidade ao usar “esses” em um parágrafo com muitos referentes?

Se houver mais de um substantivo masculino plural no contexto, “esses” pode gerar dúvida. Nesses casos, recomenda-se repetir o termo ou usar uma expressão mais clara, como “esses documentos” em vez de apenas “esses”. Também é possível reestruturar a frase para que o referente seja óbvio.

Conclusoes Importantes

O domínio do uso de “esses” — e dos pronomes demonstrativos em geral — é um indicador de competência linguística. Embora a oralidade brasileira costume simplificar a distinção entre “este” e “esse”, a escrita formal exige precisão. Saber quando empregar “esses” em lugar de “estes” ou “aqueles” contribui para a clareza, a coesão e a elegância do texto.

Neste artigo, vimos que “esses” pode atuar como determinante ou pronome, indica proximidade com o interlocutor ou retoma elementos já ditos, e se aplica a contextos espaciais, temporais e textuais. A lista de situações de uso e a tabela comparativa oferecem um guia rápido para consulta, enquanto as perguntas frequentes esclarecem as dúvidas mais comuns.

Recomenda-se que o estudante e o profissional da escrita pratiquem a observação de textos bem-redigidos e recorram a fontes gramaticais confiáveis para aperfeiçoar o uso dos demonstrativos. A leitura atenta de jornais, revistas científicas e documentos oficiais é uma excelente forma de internalizar essas regras.

Por fim, lembre-se: a língua viva se transforma, mas o respeito à norma culta em contextos formais continua sendo uma ferramenta indispensável para a comunicação eficiente e para a credibilidade de quem escreve. Que “esses” conhecimentos agora façam parte do seu repertório com segurança e naturalidade.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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