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Gramática Publicado em Por Stéfano Barcellos

Deste ou Desse? Entenda a Diferença e o Uso Correto

Deste ou Desse? Entenda a Diferença e o Uso Correto
Auditado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

O Que Esta em Jogo

A dúvida entre "deste" e "desse" é uma das mais frequentes entre falantes e escreventes da língua portuguesa. Embora ambos os termos sejam formas corretas e gramaticalmente aceitas, eles não são intercambiáveis. A escolha entre um e outro depende diretamente da relação de proximidade (física, temporal ou discursiva) estabelecida entre quem fala e o referente.

"Deste" é a contração da preposição de com o pronome demonstrativo este. "Desse", por sua vez, é a contração de de com esse. A diferença, portanto, está no pronome demonstrativo utilizado, e é exatamente esse detalhe que carrega a distinção de sentido.

Em termos práticos, "deste" aponta para algo que está mais próximo de quem fala, que pertence ao tempo presente ou que será apresentado em seguida. "Desse" indica algo que está mais próximo de quem ouve, que já foi mencionado no discurso ou que se situa em um tempo já contextualizado. Essa distinção não é um mero detalhe gramatical: usá-la de forma correta confere clareza, precisão e elegância ao texto ou à fala.

Neste artigo, vamos explorar em profundidade as regras de uso de "deste" e "desse", com exemplos práticos, uma tabela comparativa, uma lista de pontos-chave e uma seção de perguntas frequentes. O objetivo é que, ao final da leitura, você se sinta seguro para escolher entre as duas formas em qualquer situação.

Aprofundando a Analise

O que significam "deste" e "desse"?

Como mencionado, "deste" = de + este; "desse" = de + esse. A contração ocorre porque a preposição de exige a forma combinada com os pronomes demonstrativos este (e suas variações: esta, isto) e esse (essa, isso). A regra é a mesma para outras combinações, como "neste/nesse" (em + este/esse) ou "desta/dessa".

A chave para entender a diferença está no sistema de demonstração no discurso da língua portuguesa. Os pronomes demonstrativos se dividem em três graus de proximidade:

  • Primeira pessoa (este, esta, isto): refere-se a algo que está perto de quem fala (emissor), ao tempo presente ou ao que será dito.
  • Segunda pessoa (esse, essa, isso): refere-se a algo que está perto de quem ouve (interlocutor), a um tempo passado recente ou ao que já foi mencionado.
  • Terceira pessoa (aquele, aquela, aquilo): refere-se a algo distante de ambos, a um tempo passado remoto ou a um referente já estabelecido em oposição a outros.
"Deste" e "desse" são, portanto, as formas contraídas desses pronomes com a preposição. A escolha deve refletir a posição do referente em relação ao emissor.

Quando usar "deste"?

Use deste quando o referente estiver:

  • Próximo fisicamente de quem fala. Exemplo: "Gosto deste caderno azul que está na minha mesa."
  • No tempo presente (agora, hoje, este mês, este ano). Exemplo: "As metas deste trimestre são ambiciosas."
  • Para introduzir algo que será mencionado em seguida no texto ou na fala (função catafórica). Exemplo: "O ponto principal deste artigo é esclarecer a diferença entre os termos."
  • Em contextos em que o emissor se identifica diretamente com o objeto ou ideia. Exemplo: "Não concordo com a opinião deste colega (que está ao meu lado)."
No discurso formal, especialmente em textos acadêmicos ou jurídicos, "deste" é frequentemente usado para se referir ao próprio documento que está sendo escrito. Por exemplo: "Conforme estabelecido neste contrato…" ou "Os parágrafos deste relatório demonstram…".

Quando usar "desse"?

Use desse quando o referente estiver:

  • Próximo fisicamente de quem ouve. Exemplo: "Pegue aquele livro desse amigo seu que está aí."
  • Em um tempo passado já contextualizado no discurso (não necessariamente remoto, mas que não é o presente da fala). Exemplo: "Lembro-me bem desse incidente ocorrido no ano passado."
  • Para retomar algo que já foi mencionado antes (função anafórica). Exemplo: "O autor apresentou uma tese interessante. A principal consequência desse argumento é…"
  • Quando o objeto pertence ou está associado ao interlocutor. Exemplo: "Você pode me emprestar um pouco desse dinheiro que está com você?"
Em muitos manuais de comunicação, como o do Senado Federal, recomenda-se que "esse" (e, por extensão, "desse") seja usado para retomar termos ou ideias já expressos. Essa é uma dica valiosa para quem escreve redações, artigos ou relatórios.

Exemplos comparativos para fixar

ContextoUso de "deste"Uso de "desse"
Proximidade do falante"Prefiro deste sabor (que estou provando agora).""Prefiro desse sabor (que você está provando)."
Referência temporal"Os resultados deste mês são melhores.""Os resultados desse mês passado foram ruins."
Referência textual"Tratarei deste ponto a seguir." (catafórico)"Conforme desse ponto já falamos." (anafórico)
Posse/associação"É a caneta deste aluno (que está aqui).""É a caneta desse aluno (que está aí perto de você)."

Casos especiais e dúvidas comuns

  • "Neste" vs. "nesse": a lógica é idêntica, apenas com a preposição "em". "Neste" = em + este; "nesse" = em + esse. Exemplo: "Fique neste lugar (aqui perto de mim)" vs. "Fique nesse lugar (aí perto de você)".
  • "Desta" vs. "dessa" e "disto" vs. "disso": mesma regra. "Desta" = de + esta; "dessa" = de + essa. Exemplo: "Não gosto desta situação (que estou vivendo agora)" vs. "Não gosto dessa situação (que você está descrevendo)".
  • Em textos formais: opte por "deste" para introduzir tópicos novos e "desse" para retomar o que já foi dito. Isso evita ambiguidades e ajuda o leitor a seguir o raciocínio.
Segundo o site Brasil Escola, um erro comum é usar "desse" quando o correto seria "deste" em referências ao próprio enunciado. Por exemplo, em uma frase como "Voltaremos a falar desse assunto adiante" – o correto seria "deste assunto", pois o assunto ainda não foi abordado e será apresentado em seguida.

Uma lista: diferenças-chave entre "deste" e "desse"

  1. Proximidade física: "deste" indica algo perto de quem fala; "desse" indica algo perto de quem ouve.
  2. Tempo verbal: "deste" refere-se ao presente (hoje, agora); "desse" refere-se a um passado contextualizado (já mencionado).
  3. Função no texto: "deste" tem função catafórica (anuncia o que virá); "desse" tem função anafórica (retoma o que já foi dito).
  4. Ponto de vista do emissor: "deste" expressa envolvimento direto do falante; "desse" expressa distanciamento ou associação ao interlocutor.
  5. Uso em documentos: "deste" é usado para se referir ao próprio documento (ex.: "as cláusulas deste contrato"); "desse" refere-se a outro documento já citado.
  6. Regra prática: se puder substituir por "isto", use "deste"; se puder substituir por "isso", use "desse".

Uma tabela comparativa de uso

AspectoDeste (de + este)Desse (de + esse)
Proximidade do falanteSim, objeto está com quem falaNão, objeto está com quem ouve
Proximidade do interlocutorNãoSim
Tempo predominantePresente, futuro imediatoPassado recente, já contextualizado
Função textualCatafórica (introduz)Anafórica (retoma)
Exemplo com lugar"Sai deste quarto (onde estou).""Sai desse quarto (onde você está)."
Exemplo com tempo"As notícias deste ano são boas.""As notícias desse ano (que passou) foram ruins."
Uso em discurso"Falarei deste tema agora.""Já falamos desse tema."
Exemplo com objeto"Gosto deste celular (que seguro).""Gosto desse celular (que você tem)."

O Que Todo Mundo Quer Saber

"Deste" e "desse" podem ser usados indistintamente na fala cotidiana?

Na linguagem oral informal, muitas pessoas usam "desse" para ambos os casos, especialmente em regiões onde a distinção não é rigorosa. No entanto, em contextos formais (redação escolar, documentos, apresentações), a diferença deve ser respeitada para garantir clareza e correção gramatical.

Qual a diferença entre "deste" e "desse" em referência a tempo?

"Deste" refere-se ao tempo presente ou imediato: "As metas deste mês". "Desse" refere-se a um tempo já mencionado ou passado: "As metas desse mês passado". Se o tempo não foi explicitado anteriormente, use "deste" para o atual e "daquele" para o passado remoto.

Em uma redação, devo usar "deste" ou "desse" para me referir ao próprio texto?

Para se referir ao texto que está sendo escrito no momento (ou ao parágrafo atual), use "deste". Exemplo: "No deste parágrafo, explicaremos a regra." Para retomar algo dito em parágrafos anteriores, use "desse": "Conforme discutido nesse parágrafo anterior".

É errado dizer "desse livro" quando o livro está na minha mão?

Sim, é inadequado. Se o livro está na sua mão (perto de você, falante), o correto é "deste livro". Usar "desse" daria a entender que o livro está perto de quem ouve.

A regra vale também para "neste/nesse", "desta/dessa" e "disto/disso"?

Sim, a lógica é a mesma. "Neste" = em + este (perto de quem fala); "nesse" = em + esse (perto de quem ouve). "Desta" = de + esta; "dessa" = de + essa. "Disto" = de + isto; "disso" = de + isso. Todas as variações seguem o mesmo princípio de proximidade.

Como saber se devo usar "deste" ou "desse" quando o referente é abstrato?

Para ideias abstratas, a lógica é a mesma: se a ideia está sendo apresentada agora ou está associada ao emissor, use "deste". Exemplo: "Acredito neste princípio." Se a ideia já foi apresentada e está sendo retomada, ou está associada ao interlocutor, use "desse": "Não concordo com esse princípio que você defende."

Existe diferença entre "deste" e "desse" no português de Portugal?

A regra é a mesma no português europeu. Contudo, é comum encontrar variações regionais no uso coloquial. O manual de comunicação do Senado Federal brasileiro e o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (de Portugal) confirmam a mesma norma.

Qual é o erro mais comum no uso de "deste" e "desse"?

O erro mais frequente é usar "desse" para se referir a algo que será dito em seguida (confundindo a função anafórica com catafórica). Por exemplo: "Voltaremos a tratar desse assunto adiante" — o correto é "deste assunto", pois o assunto ainda não foi mencionado. Esse erro é apontado pelo site Correio Braziliense como muito comum.

Reflexoes Finais

A distinção entre "deste" e "desse" não é um capricho da gramática normativa, mas um recurso que a língua nos oferece para tornar a comunicação mais precisa. Ao usar "deste", o falante ou escritor indica que o referente está em seu próprio campo – seja físico, temporal ou discursivo. Ao usar "desse", o referente é deslocado para o campo do interlocutor ou para um ponto já estabelecido no texto.

Dominar essa diferença melhora significativamente a qualidade da escrita e da fala, especialmente em ambientes formais como a escola, o trabalho e a produção acadêmica. Além disso, evita ambiguidades que podem prejudicar a compreensão do leitor ou ouvinte.

Portanto, da próxima vez que você precisar escolher entre "deste" e "desse", lembre-se de avaliar: quem está mais próximo do referente? Ele está sendo introduzido ou retomado? Com essa reflexão, a escolha correta se tornará natural.

Para aprofundar seus conhecimentos, consulte os materiais das fontes abaixo. Eles oferecem exemplos adicionais e esclarecem dúvidas correlatas, como o uso de "este/esse" e "isto/isso" em contextos específicos.

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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