Antes de Tudo
A concordância verbal e nominal é um dos pilares da gramática normativa da língua portuguesa. Dominar essas regras é essencial não apenas para a escrita formal, mas também para a clareza e a coesão textual. Em termos simples, a concordância verbal estabelece que o verbo deve se flexionar em número e pessoa de acordo com o sujeito da oração. Já a concordância nominal determina que artigos, adjetivos, pronomes e numerais devem se ajustar em gênero e número ao substantivo a que se referem. Embora pareça simples, o tema apresenta diversas nuances e casos especiais que frequentemente geram dúvidas, mesmo entre falantes experientes. Este guia completo foi elaborado para descomplicar essas regras, oferecer exemplos práticos e esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, com base em fontes confiáveis e na tradição gramatical. Afinal, a correção gramatical é um diferencial importante em provas, concursos e na comunicação profissional.
Visao Detalhada
1 Conceitos fundamentais da concordância verbal
A regra geral da concordância verbal é clara: o verbo concorda com o sujeito em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª). Vejamos:
- "Os alunos estudam todos os dias." (sujeito "alunos" – 3ª pessoa do plural → verbo no plural)
- "O professor explica a matéria." (sujeito "professor" – 3ª pessoa do singular → verbo no singular)
Sujeito composto: quando o sujeito é formado por mais de um núcleo, o verbo vai para o plural. Exceção: se os núcleos forem de pessoas gramaticais diferentes, a concordância deve priorizar a 1ª pessoa sobre a 2ª, e a 2ª sobre a 3ª. Exemplo: "Eu, tu e ele fomos ao cinema." (1ª pessoa do plural prevalece).
Sujeito com núcleo partitivo (maioria, parte, metade, etc.): o verbo pode ficar no singular ou no plural, dependendo da ênfase. Exemplo: "A maioria dos alunos aprovou." ou "A maioria dos alunos aprovaram." Ambas são aceitas, embora a singular seja mais formal.
Sujeito indeterminado: com a partícula "se" como índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular. Exemplo: "Precisa-se de funcionários."
Verbos impessoais: verbos que não possuem sujeito (haver no sentido de existir, fazer indicando tempo, etc.) ficam sempre na 3ª pessoa do singular. Exemplo: "Havia muitas pessoas na sala." / "Faz três anos que não o vejo."
Sujeito formado por expressões como "cerca de", "mais de", "perto de": o verbo concorda com o numeral que segue. Exemplo: "Mais de um aluno faltou." / "Cerca de mil pessoas compareceram."
Sujeito com coletivo: se o coletivo estiver no singular, o verbo fica no singular. Se houver especificação, pode concordar com o especificador. Exemplo: "A multidão gritou." / "Um bando de aves sobrevoou o campo."
Concordância com o pronome "que" e "quem": com "que", o verbo concorda com o antecedente. Com "quem", o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente. Exemplo: "Fui eu que fiz o trabalho." / "Fui eu quem fez (ou fiz) o trabalho."
Para um estudo mais aprofundado, o Manual de Comunicação do Senado Federal apresenta uma lista completa de casos especiais.
2 Conceitos fundamentais da concordância nominal
Na concordância nominal, os termos determinantes (artigo, adjetivo, numeral, pronome) devem se flexionar em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural) para concordar com o substantivo (ou pronome substantivo) a que se referem. Exemplos:
- "A casa bonita está à venda." (artigo "a" e adjetivo "bonita" concordam com "casa" – feminino singular)
- "Os carros novos chegaram." (artigo "os" e adjetivo "novos" concordam com "carros" – masculino plural)
Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos: se os substantivos forem do mesmo gênero, o adjetivo pode concordar com o último ou ir para o plural do gênero comum. Exemplo: "camisa e calça azuis" ou "camisa e calça azul" (a primeira opção é mais usual). Se os gêneros forem diferentes, o adjetivo deve ir para o masculino plural. Exemplo: "ele comprou casa e carro novos."
Adjetivo anteposto a dois substantivos: nesse caso, o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo. Exemplo: "Belo dia e noite."
Concordância com a expressão "é proibido / é necessário / é bom": essas expressões ficam invariáveis quando o substantivo não é determinado por artigo. Exemplo: "É proibido entrada." / "É necessário paciência." / "É bom calma." Se houver artigo, a concordância é feita: "É proibida a entrada." / "É necessária a paciência."
Concordância com "menos", "alerta", "quite": a palavra "menos" é invariável. Exemplo: "Havia menos pessoas hoje." Já "alerta" e "quite" podem variar em número? "Alerta" é invariável; "quite" varia: "os devedores quites."
Concordância do particípio com o verbo auxiliar: com os auxiliares "ter" e "haver", o particípio fica invariável. Com "ser" e "estar", o particípio concorda com o sujeito. Exemplo: "Ela tinha escrito a carta." / "A carta foi escrita por ela."
A tabela a seguir resume os principais casos de concordância nominal.
3 Importância da concordância na comunicação formal
Usar a concordância correta transmite credibilidade e domínio da língua. Em ambientes acadêmicos, profissionais e em concursos públicos, erros de concordância podem comprometer a avaliação. Além disso, a concordância inadequada pode gerar ambiguidade. Por exemplo, a frase "Os alunos que estudam são aprovados" deixa claro que todos os alunos que estudam são aprovados. Se houvesse erro de concordância em "Os alunos que estuda são aprovados", a frase se tornaria incoerente. Por isso, o estudo constante e a leitura de materiais confiáveis são fundamentais.
Uma lista: Casos especiais de concordância verbal mais cobrados em provas
- Sujeito composto antes do verbo → verbo no plural. Ex.: "O pai e a mãe chegaram."
- Sujeito composto depois do verbo → verbo pode concordar com o núcleo mais próximo ou ir para o plural. Ex.: "Chegou o pai e a mãe." ou "Chegaram o pai e a mãe."
- Sujeito com "um dos que" → verbo no plural (mais comum) ou singular. Ex.: "Ele foi um dos que chegaram atrasados."
- Sujeito com "nenhum dos" → verbo no singular. Ex.: "Nenhum dos alunos faltou."
- Sujeito com "mais de um" → verbo no singular. Ex.: "Mais de um candidato desistiu." Mas se houver reciprocidade: "Mais de um amigo se abraçaram."
- Sujeito com "qual de vós" / "quais de vós" → verbo na 3ª pessoa ou 2ª pessoa do plural. Ex.: "Qual de vós deseja?" ou "Qual de vós desejais?" (a primeira é mais comum)
- Verbo "dar", "soar", "bater" indicando horas → concorda com o número de horas. Ex.: "Soaram três horas."
- Expressões como "a maior parte", "grande número" → verbo pode concordar com o núcleo partitivo ou com o especificador. Ex.: "A maior parte dos alunos gosta de estudar." ou "A maior parte dos alunos gostam de estudar."
- Verbo "ser" indicando pessoa (sou, és, etc.) → concorda com o sujeito, não com o predicativo. Ex.: "Eu sou as regras." (erro comum: "Eu sou as regras" está correto; quem sou eu? eu sou as regras – mas a concordância é com "eu", por isso "sou").
- Sujeito formado por oração subordinada substantiva → verbo na 3ª pessoa do singular. Ex.: "É importante que você estude."
Uma tabela comparativa: Casos de concordância nominal mais comuns
| Situação | Regra de concordância | Exemplos |
|---|---|---|
| Adjetivo posposto a dois substantivos | Pode concordar com o último ou ir para o plural do gênero comum. Se gêneros diferentes, masculino plural. | "casa e carro novos"; "casa e garagem novas" ou "novas" (concordando com o último). Gêneros diferentes: "casa e carro novos." |
| Adjetivo anteposto a dois substantivos | Concorda com o substantivo mais próximo. | "Linda casa e jardim." / "Lindos jardim e casa." |
| Expressão "é proibido / necessário / bom" | Sem artigo → invariável. Com artigo → concorda com o substantivo. | "É proibido entrada." / "É proibida a entrada." |
| Palavra "menos" | Invariável. | "Havia menos pessoas." |
| Palavra "quite" / "alerta" | "Alerta" invariável; "quite" varia em número. | "Estou alerta." / "Eles estão quites." |
| Particípio com "ter/haver" vs. "ser/estar" | Com "ter/haver" → invariável. Com "ser/estar" → concorda com o sujeito. | "Ela tinha feito." / "A prova foi feita por ela." |
| Concordância com "anexo", "incluso", "obrigado" | Variam conforme o gênero e número do referente. | "Segue anexa a nota." / "Muito obrigado (homem) / obrigada (mulher)." |
| Concordância com "só" (sozinho) | "Só" como adjetivo varia: "ele está só", "elas estão sós". | "Elas ficaram sós." |
| Concordância com "mesmo", "próprio" | Concordam com o substantivo a que se referem. | "Elas mesmas disseram." / "Ele próprio veio." |
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a diferença entre concordância verbal e nominal?
A concordância verbal regula a relação entre o verbo e o sujeito, ajustando o verbo em pessoa e número. Exemplo: "O menino estuda" (singular). A concordância nominal ajusta os determinantes (artigos, adjetivos, pronomes, numerais) ao substantivo em gênero e número. Exemplo: "A menina bonita" (feminino singular). Ambas são essenciais para a correção gramatical.
Como fazer a concordância quando o sujeito é "a maioria dos alunos"?
O verbo pode ficar no singular ("A maioria dos alunos aprovou") ou no plural ("A maioria dos alunos aprovaram"). A forma singular é mais formal e enfatiza o coletivo; a plural enfatiza a quantidade de indivíduos. Ambas são aceitas pela gramática normativa, mas o singular é preferido em textos formais.
O que significa "concordância atrativa" na concordância verbal?
É a possibilidade de o verbo concordar com o núcleo do sujeito mais próximo, especialmente quando o sujeito composto vem após o verbo ou quando há elementos entre o verbo e o sujeito. Exemplo: "Fez boa prova o diretor e os professores." (verbo no singular concordando com "diretor") ou "Fizeram boa prova o diretor e os professores." (plural). A atrativa é mais comum na linguagem informal.
É correto dizer "haviam muitas pessoas"?
Não. O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ser usado sempre no singular. O correto é "Havia muitas pessoas". Já o verbo "existir" é pessoal e concorda: "Existiam muitas pessoas."
Em "é proibido entrada", a palavra "proibido" concorda com "entrada"?
Não. A expressão "é proibido" permanece no masculino singular quando o substantivo não é acompanhado de artigo. O correto é "É proibido entrada". Se houver artigo, a concordância se faz: "É proibida a entrada." O mesmo vale para "é necessário", "é bom".
Como se usa "obrigado" quando quem fala é uma mulher?
A palavra "obrigado" deve concordar com o gênero de quem agradece. Uma mulher deve dizer "obrigada". Um homem diz "obrigado". Em grupos mistos, pode-se usar o masculino plural ou concordar com o gênero predominante, mas o mais comum é usar "obrigados" para um grupo de homens e "obrigadas" para grupo de mulheres.
Na frase "fui eu que fez o bolo", está correta?
Não. Com o pronome "que", o verbo concorda com o antecedente. O antecedente é "eu", então o verbo deve ficar na 1ª pessoa: "fui eu que fiz o bolo". O mesmo vale para "foste tu que fizeste" (2ª pessoa). Com o pronome "quem", pode-se usar a 3ª pessoa do singular: "fui eu quem fez" (mais comum) ou "fui eu quem fiz" (menos usual, mas aceito).
Reflexoes Finais
A concordância verbal e nominal são ferramentas indispensáveis para a comunicação escrita e oral de qualidade. Compreender suas regras gerais e os casos especiais evita ambiguidades, melhora a clareza do texto e demonstra domínio da língua portuguesa. Este guia abordou os principais pontos, desde os conceitos fundamentais até as exceções mais cobradas em provas e no dia a dia. Para aprofundar, recomenda-se a leitura regular de manuais de redação e a prática constante com exercícios. Lembre-se de que a língua viva está em constante evolução, mas as regras de concordância continuam sendo um padrão de referência. Invista tempo no estudo e revise seus textos com atenção – a correção gramatical é um cartão de visitas importante em qualquer contexto profissional.
