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Vocabulário Publicado em Por Stéfano Barcellos

Abonadas: o que são, regras e como calcular

Abonadas: o que são, regras e como calcular
Avaliado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

O Que Esta em Jogo

No universo do serviço público brasileiro, o termo “abonadas” refere-se, em sua acepção mais comum, às chamadas faltas abonadas – um benefício concedido a servidores públicos que permite ausentar-se do trabalho por um número limitado de dias ao longo do ano sem sofrer desconto na remuneração. Embora pareça um tema simples, a regulamentação dessas ausências envolve controvérsias legais, variações entre diferentes entes federativos e impactos diretos na rotina administrativa. Nos últimos anos, diversas prefeituras, universidades e governos estaduais revisaram ou reinstituíram o direito, gerando debates sobre limites, finalidades e efeitos sobre vantagens pecuniárias.

Este artigo tem como objetivo esclarecer o conceito de faltas abonadas, apresentar as regras mais comuns adotadas no país e oferecer um guia prático para cálculo e solicitação. Com base em dados oficiais de órgãos públicos e sindicatos, serão discutidos os principais pontos de atenção para servidores e gestores. Ao final, o leitor encontrará uma tabela comparativa entre diferentes entes, uma lista de orientações práticas e respostas para as dúvidas mais frequentes.

Explorando o Tema

1 O que são faltas abonadas?

Faltas abonadas são ausências ao serviço que, embora não estejam cobertas por licenças médicas ou outros afastamentos legais, são toleradas pela administração pública sem que o servidor perca a remuneração do dia. Diferem das faltas injustificadas, que geram desconto salarial, e das licenças por motivo de saúde, que exigem atestado médico e podem ter prazos mais longos. Em geral, a falta abonada é uma concessão discricionária do empregador público, prevista em lei ou regulamento interno, com o objetivo de atender a situações de força maior, compromissos pessoais urgentes ou pequenos problemas de saúde que não demandam afastamento médico formal.

As regras variam conforme o ente federativo, mas há um padrão observado em grande parte das administrações: até seis faltas abonadas por ano, com o limite de uma por mês. Esse teto aparece, por exemplo, no manual de frequência da Universidade de São Paulo (USP), na Lei Complementar nº 995/2024 de Praia Grande (SP) e no projeto de lei complementar apresentado pelo deputado estadual Carlos Giannazi para o funcionalismo paulista.

2 Finalidades e justificativas aceitas

As faltas abonadas podem ser concedidas por diferentes motivos, desde que considerados relevantes pela administração. As justificativas mais comuns incluem:

  • Moléstia leve: situações em que o servidor não se sente bem o suficiente para trabalhar, mas não necessita de atestado médico (ex.: dor de cabeça, mal-estar passageiro).
  • Compromissos pessoais urgentes: como comparecimento a órgãos públicos, resolução de problemas bancários ou familiares que não podem ser adiados.
  • Força maior: eventos imprevisíveis, como alagamentos, falta de transporte público ou problemas domésticos graves.
Em alguns casos, a administração exige comunicação prévia – por exemplo, com dois dias úteis de antecedência, como em Praia Grande. Na USP, a solicitação deve ser feita previamente ou, no máximo, no primeiro dia útil seguinte à falta. Quando a justificativa é aceita, a falta é registrada como abonada e não gera desconto nos vencimentos básicos.

3 Efeitos sobre salário e vantagens

Um ponto crucial é que, embora a falta abonada não reduza o salário base, ela pode impactar vantagens acessórias. De acordo com o manual da USP, o dia de falta abonada não é considerado para fins de pagamento de vale-refeição e auxílio-transporte. Isso ocorre porque esses benefícios são proporcionais à frequência efetiva. Em algumas legislações municipais, outras gratificações – como adicional de produtividade ou bonificação por assiduidade – também podem ser afetadas. Portanto, o servidor deve verificar a norma local antes de usufruir do benefício.

4 Cenário nacional: regulamentações recentes

O tema ganhou destaque após a suspensão ou rediscussão do direito em diversos entes. Em São Paulo, o projeto de lei complementar de Carlos Giannazi propõe o retorno das faltas abonadas para servidores estaduais, com efeito retroativo a 1º de novembro de 2021, demonstrando que o benefício havia sido suprimido em momento anterior. A proposta mantém o padrão de seis faltas por ano e uma por mês, mas exige justificativa por motivo de saúde ou outro motivo relevante.

Em Jundiaí (SP), o sindicato dos servidores (SINDSERJUN) celebrou a conquista da revisão das regras, que passaram a exigir a apresentação de atestado médico para abonar a falta – uma mudança que, na prática, restringe o uso do benefício. Já em Três Lagoas (MS), um decreto municipal de 2025 que vedava a concessão de falta abonada em certas hipóteses foi alvo de liminar judicial, indicando que o tema ainda é objeto de disputa administrativa e judicial.

Esses exemplos mostram que, embora o padrão de seis faltas anuais seja amplamente adotado, a sua aplicação concreta depende de negociações sindicais, atos normativos locais e, por vezes, de decisões judiciais. Para o servidor, a recomendação é sempre consultar o estatuto do seu órgão ou o departamento de recursos humanos.

5 Aspectos jurídicos e tributários

Uma questão menos comentada, mas relevante, é o tratamento tributário das faltas abonadas. O artigo do Jota, intitulado “Tributação de faltas abonadas e não uniformidade da jurisprudência”, aponta que há divergência sobre a incidência de Imposto de Renda sobre os dias abonados. Em tese, como não há desconto salarial, o valor recebido é o mesmo, mas algumas correntes entendem que o dia de ausência configura um “rendimento” tributável, enquanto outras defendem a isenção. A jurisprudência ainda não é uniforme, e o tema pode gerar autuações fiscais. Por isso, órgãos públicos costumam orientar seus servidores a manterem registros claros das faltas abonadas e das justificativas.

Lista: Passos para solicitar faltas abonadas (orientação geral)

Embora cada ente tenha seu procedimento específico, os passos a seguir representam a prática comum:

  1. Verifique a legislação local: consulte o estatuto do servidor, o plano de carreira ou o manual de frequência do seu órgão.
  2. Comunique a falta com antecedência: quando possível, avise o superior imediato antes da data prevista. Se for impossível, faça a comunicação no primeiro dia útil seguinte.
  3. Justifique o motivo: informe a razão da ausência (moléstia, compromisso urgente, força maior). Alguns órgãos exigem formulário específico ou e-mail.
  4. Aguarde a análise: a chefia avaliará se o motivo é aceito como abonado. Em caso de dúvida, pode ser solicitado comprovante (ex.: declaração de comparecimento a consulta).
  5. Acompanhe o registro: verifique se a falta foi lançada como “abonada” no sistema de frequência e se não houve desconto indevido em vale-refeição ou auxílio-transporte.
  6. Controle o saldo anual: anote quantas faltas você já utilizou no ano para não ultrapassar o limite (geralmente seis) e respeite o limite mensal (uma por mês).
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Tabela comparativa: Regras de faltas abonadas em diferentes entes

A tabela abaixo consolida informações de alguns dos entes mencionados nas fontes de pesquisa.

Ente / ÓrgãoMáximo por anoLimite mensalExigência de atestado?Efeitos sobre salário e vantagens
USP (Manual de Frequência)6 faltas1 por mêsNão é obrigatório, mas justificativa deve ser aceitaSem desconto nos vencimentos; vale-refeição e auxílio-transporte não são pagos nesse dia
Prefeitura de Praia Grande (SP) – LC 995/20246 faltas1 por mêsNão mencionado; comunicação prévia de 2 dias úteisSem desconto salarial; vantagens acessórias seguem norma local
Projeto de Lei – Servidores Estaduais de SP (Carlos Giannazi)6 faltas1 por mêsExige motivo de saúde ou outro relevanteSem desconto; retroativo a nov/2021
Jundiaí (SP) – regra após revisão sindical6 faltas (informação sindical)1 por mêsSim, atestado médico é exigidoSem desconto no salário base; demais vantagens conforme norma
Três Lagoas (MS) – decreto 2025 (sob liminar)Antes permitia; decreto tentou vedarEm disputa judicial; orientação: aguardar decisão final
Observação: As informações referentes a Jundiaí e Três Lagoas são baseadas em comunicados sindicais e notícias; recomenda-se consultar a legislação atualizada de cada município.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que são faltas abonadas?

São ausências ao trabalho permitidas ao servidor público, sem desconto na remuneração, limitadas a um número máximo de dias por ano (geralmente seis) e com restrição mensal (uma por mês). São concedidas mediante justificativa aceita pela administração, como moléstia leve ou compromisso pessoal urgente.

Quantas faltas abonadas um servidor pode ter por ano?

O teto mais comum encontrado nas legislações e manuais é de seis faltas abonadas por ano. Entretanto, cada ente (estado, município, autarquia) pode estabelecer um número diferente, sendo essencial verificar a norma local. Em alguns casos, o limite pode ser inferior (ex.: quatro faltas) ou, excepcionalmente, superior mediante acordo coletivo.

As faltas abonadas descontam o salário?

Em regra, não. O dia de falta abonada não gera desconto nos vencimentos básicos do servidor. Contudo, algumas vantagens acessórias – como vale-refeição, auxílio-transporte e adicional de produtividade – podem deixar de ser pagas naquele dia, conforme a regulamentação de cada órgão.

É obrigatório apresentar atestado médico para justificar a falta abonada?

Depende do ente. Na USP e em Praia Grande, não é exigido atestado, bastando uma justificativa aceita pela chefia. Já em Jundiaí, após a revisão das regras, o servidor precisa apresentar atestado médico para que a falta seja abonada. Na dúvida, consulte o manual de frequência ou o RH do seu órgão.

Qual a diferença entre falta abonada e licença médica?

A licença médica é um afastamento por motivo de saúde comprovado por atestado ou perícia oficial, podendo durar vários dias ou meses, sem limite anual rígido (dentro do período aquisitivo). Já a falta abonada é uma ausência curta (geralmente um dia), com limite anual e mensal, que não exige comprovação médica na maioria dos casos, mas também não conta para fins de benefícios como vale-refeição.

Posso ter duas faltas abonadas no mesmo mês?

Na maioria das regulamentações, não. O limite de uma falta abonada por mês é comum, como visto na USP, Praia Grande e no projeto paulista. Se o servidor precisar se ausentar mais de uma vez no mesmo mês, deverá utilizar outro tipo de afastamento (licença médica, falta justificada com desconto, férias, etc.).

O que acontece se eu ultrapassar o limite de faltas abonadas no ano?

As faltas que excederem o teto anual (geralmente seis) serão consideradas injustificadas, acarretando desconto na remuneração e podendo gerar consequências disciplinares, como advertência ou suspensão, dependendo do regime jurídico do servidor. Por isso, é fundamental controlar o saldo de faltas abonadas ao longo do ano.

As faltas abonadas contam para aposentadoria ou licença-prêmio?

Em regra, as faltas abonadas são consideradas como dias de efetivo exercício para fins de aposentadoria, pois não há interrupção do vínculo funcional. Contudo, para licença-prêmio (quando existente), é preciso verificar a legislação de cada ente; algumas administrações desconsideram dias de falta abonada para o cômputo do período aquisitivo. Consulte o estatuto do servidor.

Reflexoes Finais

As faltas abonadas representam um importante instrumento de flexibilidade na gestão de pessoal do serviço público, permitindo ao servidor lidar com imprevistos sem comprometer sua renda. No entanto, a heterogeneidade de regras entre os entes federativos exige atenção redobrada: o que vale para um servidor da USP pode não se aplicar a um funcionário municipal de Três Lagoas. Além disso, a recente movimentação legislativa e judicial – com projetos de lei, liminares e acordos sindicais – indica que o tema permanece em evolução.

Para o servidor, o caminho mais seguro é conhecer a fundo a legislação do seu órgão, manter registros das solicitações e respeitar os limites impostos. Para os gestores, cabe garantir a aplicação uniforme das regras e esclarecer os efeitos sobre vantagens acessórias, evitando passivos trabalhistas. Em última análise, o equilíbrio entre a necessidade de assiduidade e a compreensão das demandas pessoais é a chave para que as faltas abonadas cumpram seu papel sem gerar distorções.

Para Saber Mais

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos construiu sua trajetória na interseção entre tecnologia e linguagem — um território que poucos navegam com a mesma desenvoltura. Desenvolvedor e editor com mais de quinze anos de experiência, tornou-se uma das vozes mais reconhecidas na curadoria de conteúdo digital brasileiro, justamente por recusar a separação artificial entre criar siste...

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