O objetivo do relato de experiência é resgatar a autoestima dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem com o propósito de minimizar o fracasso escolar e melhorar suas competências e habilidades e de outro; oferecer às bolsistas participantes a oportunidade de vivenciar e aprender a gestão escolar e o ofício do professor tuteladas por seus professores, ainda na fase de formação.

1. INTRODUÇÃO

O “Projeto Aprendendo com a Dificuldade” é um projeto de apoio as Licenciaturas ofertado pelo Programa Universidade Sem Fronteiras (USF) da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). O projeto é uma parceria entre os cursos de Pedagogia e Química da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR Campus União da Vitória) e atua junto a crianças com dificuldades de aprendizagem em escolas públicas municipais, do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

O objetivo do relato de experiência é resgatar a autoestima dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem com o propósito de minimizar o fracasso escolar e melhorar suas competências e habilidades e de outro; oferecer às bolsistas participantes a oportunidade de vivenciar e aprender a gestão escolar e o ofício do professor tuteladas por seus professores, ainda na fase de formação. A metodologia utilizada é a Pedagogia Lúdica Interdisciplinar com enfoque no ensino das Ciências e Química.

O trabalho dos acadêmicos envolvidos se faz por meio de observações e acompanhamento das atividades do professor regente em sala de aula. Posteriormente administra aulas em contra turno, planejadas de acordo com as necessidades detectadas nos alunos. Sendo o Projeto estruturado com uma professora Coordenadora, duas professoras Orientadoras (uma da área de Química e a outra da área de Pedagogia), duas bolsistas recém-formadas também uma de cada Curso e três bolsistas acadêmicas graduandas do Curso de Pedagogia.

Diante deste contexto, a presente pesquisa tem como finalidade relatar o trabalho realizado pela equipe do Projeto da Unidade Sem Fronteira (USF), sobre a avaliação psicomotora aplicada aos alunos alvo do projeto. A metodologia do trabalho se deu pela pesquisa aplicada, de caráter participativo, sendo resultado de uma revisão bibliográfica (GIL, 2002), embora não exaustiva, buscou-se embasamento teórico das seguintes literaturas: José e Coelho (1997), Costa (2009), Mora (2004) e Sisto et al., (2008), para o desenvolvimento desde artigo. Pois, cabe ressaltar que a psicomotricidade é uma ação em que se desenvolvem todas as áreas do conhecimento.

2. DESENVOLVIMENTO

Mora (2004) evidencia que durante o processo de ensino e aprendizagem, são utilizados alguns elementos básicos da psicomotricidade, dentre eles os mais utilizados: lateralidade, orientação espacial e temporal, esquema corporal e coordenação motora. Esses elementos auxiliam para um bom desenvolvimento da aprendizagem, sendo que, se a criança tiver um déficit em um deles, poderá ter significativas dificuldades na aquisição da linguagem verbal e escrita, além de direcionamento errado das grafias, trocas e omissão de letras, ordenação de sílabas e palavras, dificuldades no pensamento abstrato e lógico entre outros.

Neste sentido, José e Coelho (1997) apregoam que os progressos psicomotores e a coordenação dinâmica irão permitir que as crianças sejam capazes de controlar melhor seus movimentos e impulsos emocionais e que tenham, portanto, uma boa adaptação ao meio social familiar e escolar.

A partir dos estudos realizados sobre a importância de se desenvolver a psicomotricidade nas crianças, observamos a necessidade da aplicação dos testes psicomotores nos alunos participantes do projeto. Sendo assim, utilizamos como ferramenta de apoio nos trabalhos que desenvolvemos o Formulário de Avaliação de Dificuldades de Aprendizagem (FADA), o mesmo foi elaborado pelas bolsistas do Projeto Mão Amiga PIBID da UNESPAR Campus União da Vitória. Segundo Ansai (2012 p. 18) “este formulário objetiva auxiliar o professor na detecção de dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos”.

O FADA foi elaborado com base no currículo escolar dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental; no planejamento anual da rede municipal de ensino de União da Vitória, no Paraná, lócus de atuação do Projeto Mão Amiga; no Manual de Dificuldades de Aprendizagem de Gómez e Terán (2009) e no Manual de Avaliação Motora de Rosa Neto (2002).

O FADA está subdividido em três seções, respectivamente: psicomotricidade, lógico-matemática e lecto-escrita. No campo da psicomotricidade o formulário está organizado do seguinte modo: avaliações sobre motricidade fina e global, o equilíbrio, o esquema corporal, a linguagem e estrutura temporal, organização espacial e a lateralidade. Cabe ressaltar que o FADA foi elaborado de acordo com o ano escolar do sujeito aprendente (ANSAI, 2012).

Diante deste contexto Costa (2009) ressalta que o termo psicomotricidade, significa a relação entre o movimento, o pensamento e a afetividade” e hoje é muito importante na educação perceptivo-motora, tornando-se uma grande ferramenta para auxilio no processo educacional da criança.

Mora (2004, p. 247) assevera que “o desenvolvimento psicomotor da criança contribui para que ela tenha um bom crescimento na área cognitiva, na linguagem, no social e no emocional”. Neste sentido, o processo de aprendizagem é um processo complexo que envolve sistemas e habilidades diversas, inclusive as motoras.

Para a aplicação das atividades psicomotoras nas escolas em que o Projeto Aprendendo com a Dificuldade/USF atua, a equipe de bolsistas montou um circuito no qual a criança deveria realizar todos os comandos dados pelas bolsistas como, por exemplo: chutar a bola com o pé; arremessar ao alvo; saltar a alturas de 20 e de 40 cm; saltar com um pé só; andar em linha reta; apresentar noções de dentro e fora. Desta maneira avaliamos a motricidade global dos alunos atendidos pelo projeto.

Para a avaliação da motricidade fina realizamos as seguintes atividades: enfiar a linha na agulha; fazer um nó com um cordão; fazer bolinhas de papel; tocar com o polegar os demais dedos. Cabe ressaltar que estas atividades foram realizadas individualmente e em sala de aula.

Na sala de aula, também realizamos atividades para avaliar o esquema corporal, pois um esquema corporal mal constituído resultará em uma criança que não coordena bem seus movimentos: vestem-se ou despem-se com lentidão, as habilidades manuais tornam-se difíceis, a caligrafia é feia, a leitura é inexpressiva e não harmoniosa.

Por meio de atividades como a reprodução de movimentos, unir duas metades de um retângulo, reconhecer posição relativa de três objetos, avaliamos a organização espacial. Para Sisto et al., (2008) a criança com problemas de estruturação espacial pode apresentar dificuldades na discriminação visual, incapacidade de orientar-se. Por exemplo: na escola, a criança confunde “n” e “u”, “ou” e “on”, “b” e “p”, “6” e “9”.

A partir das atividades de repetição de frases; marcações de pequenos intervalos de tempo com palmas e batidas de pés; noções de sequência temporal (logo, após, muito depois, agora) avaliamos a linguagem e organização no espaço temporal. Do ponto de vista da orientação temporal, a criança pode apresentar confusão na ordenação dos elementos de uma sílaba, não percebe o que é primeiro e o que é último, não se situa antes e depois; não percebe os intervalos. Pode também não conseguir organizar seu tempo, não prevendo o tempo que gasta ao realizar uma tarefa e, por consequência, demorando muito e não consegue finalizá-la.

Nas atividades em que os alunos necessitavam ficar na ponta dos pés, equilibrar-se em um pé só, entre outras, avaliamos o equilíbrio. Na atividade em que o aluno deveria olhar uma luneta (noções de direita e esquerda), avaliou-se a lateralidade que não estando bem estabelecida, a criança demonstra problemas de ordem espacial; não percebe a diferença entre seu lado dominante e o outro; não aprende a utilizar corretamente os termos direita e esquerda; apresenta dificuldade em seguir a direção gráfica da leitura e da escrita. E no requisito de localização espacial os alunos desenvolveram um desenho temático voltado para as representações de uma casa, sua família e uma paisagem (SISTO et al., 2008).

Para avaliarmos os alunos participantes do projeto montamos uma tabela contendo uma parte de identificação com o nome do aluno, o ano escolar e a idade do mesmo, a outra parte consiste na descrição das atividades realizadas com as seguintes marcações: Realizou, Realizou com dificuldades e Não conseguiu realizar.

3. RESULTADOS DO RELATO DE EXPERIÊNCIA

As atividades de psicomotricidade desenvolvidas tiveram início em uma Escola Municipal de União da Vitória no Paraná (denominada ESCOLA A), e estiveram presentes apenas 05 alunos dos 10 selecionados, sendo 02 meninas e 03 meninos. Em outra ocasião realizamos os testes em outra Escola Municipal de União da Vitória no Paraná (denominada ESCOLA B) com a presença de 03 alunos dos também 10 selecionados, sendo três meninos. Na terceira instituição na mesma cidade (denominada ESCOLA C) apenas um aluno dos 15 que foram selecionados não esteve presente na realização das atividades do Projeto, totalizando 22 alunos que passaram pelos testes psicomotores.

Pode-se identificar com a realização dos testes psicomotores, que as maiores dificuldades apresentadas pelos alunos foram as mesmas nas três escolas parceiras, sendo elas: no requisito equilíbrio, no qual a maioria dos alunos não conseguiu se equilibrar nas pontas dos pés, na lateralidade havendo dificuldades em assimilarem os conceitos de direita e esquerda.

Outra dificuldade apresentada foi referente à motricidade fina, os quais tiveram dificuldades em fazer bolinhas de papel com uma mão só e com a palma voltada para baixo e tocar com o polegar os demais dedos das mãos. Nas demais áreas não houve um número significativo de dificuldade apresentada pelos alunos na realização do teste psicomotor.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Constatamos que a criança que apresenta um desenvolvimento psicomotor precário, poderá apresentar problemas na leitura, na escrita, no pensamento abstrato e lógico, entre outros. Para trabalhar o indivíduo na sua globalidade é necessária uma observação contínua do desenvolvimento da criança, pois muitas vezes se privilegia o aspecto cognitivo, esquecendo o aspecto motor e a afetividade.

Diante deste contexto, constatamos a importância de se trabalhar a psicomotricidade no projeto, pois as crianças que frequentam o mesmo, em geral, não recebem muitos estímulos em casa, dessa forma acreditamos que se aprimorarmos as habilidades psicomotoras estaremos desenvolvendo a aprendizagem.

Portanto, por meio desta avaliação psicomotora, conhecemos as dificuldades e carências motoras das crianças e percebemos que precisamos trabalhar atividades que envolvam principalmente o equilíbrio, a lateralidade e a coordenação motora fina, fatores que apresentaram maiores fragilidades nas crianças alvo do projeto. Dessa forma, a partir desses resultados poderemos planejar atividades a serem desenvolvidas estimulando o aspecto cognitivo, motor e afetivo.

 

REFERÊNCIAS

ANSAI, Rosana Beatriz; BORILLE, Josimar Mariano; GUIMARÃES, Débora Passos; LAZIER, Tatyanne Roiek; MATTOS, Luciane Maria Serrer; VERGOPOLAN, Roseli. (Orgs.). Caderno pedagógico: uma mão amiga nas dificuldades de aprendizagem. União da Vitória - Paraná. FAFIUV: PIBID - CAPES: PNLD, 2012.

COSTA, Auredite Cardoso. Psicopedagogia e psicomotricidade: pontos de Intersecção nas dificuldades de aprendizagem. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GÓMEZ, Ana Maria Salgado; TERÁN, Nora Espinosa. Dificuldades de aprendizagem: detecção e estratégias de ajuda. São Paulo: Cultura, 2009.

JOSÉ, Elizabette da Assunção; COELHO, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo: Ática, 1997.

MORA, Estela. Psicopedagogia infanto-adolescente. São Paulo: Grupo Cultural, 2004.

ROSA NETO, Francisco. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed, 2002.

SISTO, Fermino F. et al. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. 11 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

Autores

Sonale Lumikoski Samonek. Graduada em Pedagogia (UNESPAR).

Caroline Sikorski. Licenciada Plena em Química (UNESPAR).

Débora Passos Guimarães. Graduada em Pedagogia (UNESPAR

Tatyanne Roiek Lazier-Leão. Mestre em Educação Física (UEM).

Cleber Mena Leão Junior. Mestre em Ensino (UNESPAR).

Dileize Valeriano da Silva. Doutora em Química Analítica (UNESP/Campus Araraquara).

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