Este estudo apresenta como objetivo principal uma análise do processo evolucionário pelo qual as creches passaram, e ainda precisam passar, no que tange a conceitos pedagógicos, financeiros e sociais.

 

Resumo

Este estudo apresenta como objetivo principal uma análise do processo evolucionário pelo qual as creches passaram, e ainda precisam passar, no que tange a conceitos pedagógicos, financeiros e sociais. Este trabalho foi elaborado com base em pesquisas bibliográficas, leis e estatutos pertinentes ao assunto, abordando a concepção da educação dentro das creches. A “visão” assistencialista que fazia da creche um local, onde simplesmente abrigavam-se crianças para seus familiares trabalharem passa a ter um cunho político pedagógico complexo e com vistas a uma formatação integral de seus atendidos. Com tudo isso, é necessário que seus funcionários sejam, também, diferenciados em seus desempenhos diários, tornando cada situação uma fonte rica e importante para ser explorada pedagogicamente. A questão financeira também tem seu lugar de destaque dentro das necessidades desse processo de mudança das creches. Espera-se que ao final desta pesquisa a instituição seja mais valorizada dentro da sociedade e que se torne mais autônoma na sua prestação de serviços.

Palavras-chave: creche; espaço pedagógico; trajetória evolucional.

Abstract

This study has as main objective analysis of the evolutionary process by which day care, it still must pass, when it comes to teaching concepts, financial and social. This work was based on library research, laws and statutes pertaining to the subject, addressing the concept of education in daycare centers. The "vision" that was welfare of a local nursery, where children simply sought shelter for his family to work is replaced by a political and educational complex with a view to a full format of his subjects. With all this, it is necessary that their employees are also differentiated in their daily performances, becoming a situation where a rich and important to be pedagogically exploited. The financial issue also has a prominent place within this process of change needs of child care. It is expected that by the end of this research institution is valued within society and to become more autonomous in their provision of services.

Keywords: Day care; teaching space; evolutionary path.

Introdução

Atualmente a Creche é colocada pela Constituição de 1988 e pela atual LDB (20/12/1996) como parte integrante do sistema educacional, obedecendo às mesmas categorias administrativas no que se refere à participação do Estado, a saber: as públicas, criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público; as de caráter privado, mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, onde se incluem as particulares no sentido estrito, as comunitárias, as confessionais e as filantrópicas.

Como a Educação Infantil não era contemplada pelo FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), essa foi a área que menos cresceu nos últimos 20 anos. Em 2006, apenas 13% das crianças de até 3 três anos estavam matriculadas nessas instituições. Com a inclusão no FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais de Educação), tudo aponta para o aumento de matrículas nessa faixa etária. Com isso, é possível prever que haverá um maior investimento financeiro nas Creches, mas todos esses recursos devem ser direcionados e aplicados corretamente, ou seja, não é somente a estrutura física que deve ser beneficiada, mas principalmente proporcionar o preparo adequado aos educadores que atuam nessas Instituições. Apesar do pouco investimento feito até hoje nas Creches, essas instituições passaram por transformações, tendo como objetivo o pleno desenvolvimento da criança; o cuidar assistencialista passou também a educar.

Dessa forma, o assunto a ser estudado é a apresentação de uma visão evolutiva das creches na educação infantil, no Brasil, abordando historicamente as diferentes concepções e funções das Creches, bem como um panorama geral das leis e estatutos voltados para a área. A importância desse tema está justamente na conscientização do papel das Creches na Educação Infantil, tendo em vista a sua trajetória histórica, na qual, destaca-se a mudança de um caráter educacional. A Creche existe para assegurar o desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança, durante o horário de trabalho da família, criando a necessidade de funcionários qualificados e instalações adequadas para exercer responsavelmente a tarefa de educação da criança. Portanto, a instituição é destinada a favorecer o desenvolvimento harmônico da criança, em todos os níveis psicológico, social e intelectual, onde a criança se socializa e estabelece relações afetivas.

Para isso, busca-se na discussão desse tema possibilitar o debate a respeito da educação infantil: seu papel, diretrizes, legislação e concepções atuais, a partir de pesquisas em bibliografias pertinentes ao assunto, que mostrem as mais recentes abordagens sobre a educação de crianças de zero a três anos dentro das creches.

O trabalho será desenvolvido em seis capítulos, sendo que o primeiro abordará o surgimento das Creches.

No segundo capítulo será relatado algumas considerações sobre educação e cultura infantil. É importante destacar o desenvolvimento infantil e as aprendizagens nesta faixa etária.

O terceiro capítulo tratará da trajetória evolucionária das creches, do caráter assistencialista para o pedagógico e como está sendo o seu processo de estruturação.

O quarto capítulo abordará a visão da creche perante muitos, será questionado sua real função: instituição de ensino ou substituta da família?

No quinto capítulo será relatada a evolução financeira, pedagógica e física da creche e sua importância dentro da reestruturação que a instituição sofreu.

O sexto capítulo abordará as atividades desenvolvidas dentro da creche e sua importância no desenvolvimento infantil.

Espera-se que ao final desta pesquisa a instituição seja mais valorizada dentro da sociedade e que se torne muito mais autônoma na sua prestação de serviços. Como consequência disto, seus funcionários assumam posturas diferentes, busquem ampliar a gama de seus conhecimentos e tenham a autoestima muito mais elevada, refletindo diretamente em suas ações diárias e em seus resultados. Claro que este processo não é fácil, nem muito menos doloroso, sacrificado, mas é, acima de tudo, digno de ser visto, estudado minuciosamente e aprimorado para, assim, termos uma Educação de qualidade.

1.Visão de Creche

Breve histórico do surgimento das creches

A primeira creche (do francês “manjedoura”) surgiu na França em 1769. Nesse período o religioso Oberlein, protestante, teve a iniciativa de ajudar as famílias que necessitavam trabalhar no campo. De acordo com Junior “os programas para as crianças pequenas previa que ali elas deveriam: perder os maus hábitos; adquirir hábitos de obediência, sinceridade, bondade, ordem.” (JUNIOR, 2008, p.169).

 Durante o século XIX surgiram na Europa as primeiras creches públicas municipais, designadas à população carente. Entretanto a inexistência de capacitação profissional e as condições precárias de atendimento fizeram com que essas instituições fossem vistas como fonte de socorro, ou seja, a única solução para as mães de classe baixa trabalharem. (IBRAP, 2001)

Segundo Oliveira (1992), o surgimento de creches no Brasil sofreu influências das culturas anteriores, fazendo-se inexistentes os objetivos pedagógicos, mas solucionando os problemas das mães de baixa renda que necessitavam contribuir na renda da família.

 Em 1943, o presidente Getúlio Vargas criou uma legislação específica, a C.L.T (Consolidação das Leis de Trabalho), estabelecendo assim que as empresas organizassem berçários para abrigar os filhos das operárias que tinham idade entre 16 e 40 anos, que trabalhavam em empresas com mais de 30 funcionárias e somente as que amamentavam. No entanto, o governo não fiscalizou e não houve êxito na exigência.

A revolução industrial brasileira avançava e juntamente com ela surgiam novos elementos referentes às creches. Um dos fatos marcantes foi o aumento de mulheres da classe média no mercado de trabalho, resultando no crescimento dessas instituições.

Segundo Oliveira (2005), devido à falta de higiene das crianças pobres e visando combater a mortalidade infantil da época, eram prevalecidos os órgãos de assistência pública e da saúde. Entretanto, as pré-escolas particulares existentes na época visavam outros aspectos:

há que se notar, todavia, que as pré-escolas particulares existentes na época e que foram  se tornando cada vez mais numerosas já adotavam como justificativas para seu trabalho junto a uma população socialmente mais privilegiada preocupações com a criatividade, a sociabilidade, o desenvolvimento infantil como um todo. Apoiavam-se, as pré-escolas particulares, em estudos da Psicologia que destacavam o período de zero a seis anos como “crítico” para o desenvolvimento infantil, como rico em possibilidades de construção do conhecimento (OLIVEIRA,et al, 2005, p.21).

Resultou-se na Educação Infantil dividida em duas etapas: a primeira, destinada às crianças de 0 a 3 anos, que eram as matriculadas em creches ou asilos de crianças da primeira infância, e a segunda, destinada às crianças de 4 a 6 anos, que eram as escolas primárias ou sala de asilos para segunda infância; estas foram criadas na França e mais tarde passaram a se chamar Escolas Maternais, inclusive no Brasil.

 As escolas maternais tinham o intuito de educar todas as crianças, independente da classe social, pois se acreditava que estas instituições eram propícias ao desenvolvimento e ao cultivo de bons hábitos nas crianças, no entanto, a mesma era fundamentalmente destinada às crianças pobres. Já as creches, tinha o intuito de cuidar apenas das crianças mais pobres, pois, as crianças nesta idade deveriam ficar preferencialmente com as mães e por elas serem criadas, mas como nas famílias de baixa renda, as mães necessitavam trabalhar, as crianças, consequentemente, não poderiam ser criadas por elas. A creche foi criada, principalmente, com o intuito de evitar que as famílias pobres abandonassem seus filhos na roda dos expostos, por falta de opção, que era o que acontecia antes da Lei do Ventre Livre. Com a instauração desta lei, o governo viu-se obrigado a tomar providências para evitar este problema (FREITAS, 1997, p.74).

Segundo Oliveira (1992), a diferença social ficava mais nítida com a falta de recursos para as instituições governamentais e as crianças eram obrigadas a se submeterem a uma alimentação deficiente, à falta de capacitação dos educadores, à ausência de brinquedos e materiais pedagógicos; o que não significava problema para as instituições privadas.

Acredita-se que o preconceito não ocorre unicamente sobre a creche como instituição de cuidado infantil, mas sobre seu cunho de serviço público, compreendido como de pouco crédito, pelo atendimento de baixa qualidade, devido à grande precariedade dos serviços públicos prestados à sociedade.

Oliveira (1992), afirma que a creche surge para atender a mesma faixa etária a qual era responsabilidade exclusiva da família. Sendo assim, acaba por delimitar, mesmo que inconscientemente, as responsabilidades atribuídas a estas e a educação formal como um todo.

Com tudo isso, estabelecem-se duas hipóteses para justificar o aparecimento e, consequentemente, o “papel” da creche dentro da sociedade. Na primeira, pode-se dizer que a creche surge para substituir a família e acaba trazendo para si o caráter assistencialista; haja vista sua preocupação em atender as crianças enquanto seus pais trabalham. Na segunda, que a creche acabou sendo assistencialista por buscar moldar-se à sombra do modelo familiar, buscando assemelharem-se às suas características e funções; tentando desenvolver seu trabalho embasado em conceitos ditados pelos exemplos dados por estas. Em ambos os casos, é inegável o alto teor assistencialista observado na origem da creche.

A função da escola maternal não é ser um substituto para uma mãe ausente, mas suplementar e ampliar o papel que, nos primeiros anos da criança, só a mãe desempenha. Uma escola maternal, ou jardim de infância, será possivelmente considerada, de modo mais correto, uma ampliação da família “para cima”, em vez de uma extensão “para baixo” da escola primária. (WINNICOTT, 1982, p.214).

Winnicott (1982), indica um caminho diferente, quando afirma que a Educação Infantil seria melhor considerada uma ampliação da família “para cima”. O autor pretende apontar para o fato de que, ao entrar na escola, a criança não renuncia a vida afetiva (centrada sobretudo na mãe) que vivia no lar. Ao contrário, ela está ali para ampliá-la, relacionando-se com os educadores e com outras crianças, de diversas idades, com valores culturais, etnias e familiares diferentes dos seus. É importante, também, ressaltar que qualquer aprendizagem está intimamente ligada à vida afetiva. Portanto não cabe à escola minimizar esta relação afetiva, mas sim ampliá-la, criando um ambiente sócio-afetivo saudável para a criança dentro das instituições escolares.

De acordo com Oliveira (1992), outro fato importante a ser ressaltado é que houve uma grande necessidade social, a partir do aparecimento da creche, da especialização e do aprofundamento de algumas questões sociais, tais como, serviço social, psicologia, pediatria, higienistas, sanitaristas, entre outros, que acabaram por ter um serviço muito próximo com as famílias e com as creches a fim de melhorarem os resultados obtidos juntos aos educandos. Isso tudo gera mais conhecimento, estudo e dedicação de todos os envolvidos, provocando novas descobertas e ampliando o círculo de convivência dos envolvidos no processo.

2. Considerações sobre Educação e Desenvolvimento Infantil

Educação e desenvolvimento infantil

A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.  (Lei 9394/96)

Os avanços pedagógicos ocorridos nos últimos anos fizeram com que houvesse uma evolução considerável em relação ao processo de desenvolvimento infantil, descobrindo formas mais eficazes para termos um processo educacional com mais resultados e de mais qualidade.

Segundo Oliveira (2010), a criança passa a ser vista “por inteiro”, como ser pensante que é, com isso temos visto que o desenvolvimento pedagógico passa a ocupar um lugar mais importante dentro da sociedade, com mais empenho não só dos educadores, mas, também, das famílias que, na maioria das vezes, acabam se envolvendo com os progressos e, conseguindo contribuir grandemente neste processo evolutivo da criança.

Dentro das creches, o espaço pedagógico cresce muito, porque é visto como objetivo principal. Este caráter educativo é alicerçado e passa a existir em todas as dependências dos prédios, sendo desenvolvido por todos os funcionários que se tornam também os mediadores do processo.

As fases do desenvolvimento infantil são respeitadas pelos educadores, sendo valorizadas e exploradas de um modo complexo e contextualizado. As atividades são partes de um “todo”, de um projeto pedagógico que é incorporado pelos educadores, e tendo esta “visão” complexa torna-se mais prazeroso desenvolver as atividades diárias, conquistar, avaliar e mensurar os resultados obtidos.

Campos (2010), afirma que presença de uma tecnologia cada vez mais forte dentro da sociedade faz com que os recursos por ela desenvolvidos constituam-se de meios para auxiliarem este processo educativo. As crianças têm muita facilidade para adaptarem-se às descobertas tecnológicas diárias, utilizando-as com muita desenvoltura e apresentado conquistas grandemente aproveitadas no dia-a-dia delas.

É possível observar crianças que, às vezes, acabam “pulando” certas fases do desenvolvimento infantil, umas por terem conhecimentos muito maiores do que o esperado para a faixa etária e, outras, por não terem oportunidade de explorarem as fases, pela grande expectativa que acaba sendo depositada nelas em relação à aprendizagem e ao desenvolvimento destas.

Cabem às creches o papel de “mediação” entre conhecimentos e desenvolvimento infantil, de forma a estabelecer os melhores caminhos para a obtenção dos resultados mais eficazes para todos. (Oliveira, 2010). 

A pedagogia na educação infantil.

Segundo Oliveira (2010), o contexto da Educação Infantil requer uma proposta pedagógica sistematizada, que tenha como objetivos: a construção do conhecimento, a intervenção pedagógica consciente do educador, o desenvolvimento cognitivo, a estimulação da criatividade, as brincadeiras e jogos que atuem de forma pedagógica; e não se esquecer da importância de valorizar e trabalhar com as culturas diversificadas existentes entre as crianças.

O processo de desenvolvimento infantil requer atividades educativas analisadas pelo educador, tendo como alguns de seus objetivos formarem alunos críticos e criativos; para além dos cuidados assistenciais de saúde, alimentação e proteção, ele tenha seu desenvolvimento e aprendizagem estimulados constantemente. (Oliveira, 2010).

De acordo com Campos (2010), é necessário que o professor conheça bem os alunos, as concepções do desenvolvimento infantil que fundamentam as práticas sociais e os trabalhos realizados com a criança em creches/pré-escolas, nos serviços de saúde e na própria família. Assim:

mesmo em comunidades pobres, economicamente falando, quando a criança participa ativamente da vida familiar e comunitária, ela encontra as condições necessárias para desenvolver-se adequadamente. Não obstante, a valorização das oportunidades educativas no âmbito da vida cotidiana não pretende substituir o acesso sistemático aos conhecimentos tipicamente escolares, mas tem como objetivo enfatizar e apoiar as interações sociais significativas e ampliar o conhecimento das comunidades e grupos sociais sobre os cuidados e a educação da criança.  (CAMPOS, 1993, p.49).

Em muitos casos a escola tem desvalorizado a linguagem, os conhecimentos prévios e habilidades que a criança traz da sua própria cultura. Por essa questão se deve a importância de se buscar a articulação consistente entre o saber cotidiano e o saber escolar, aprimorando a criação de um novo conhecimento a partir das trocas significativas entre o “dialeto escolar” e o “dialeto popular”.

De acordo com Kramer (2009), a Educação Infantil abrange pré-escolas e creches, conjeturando uma proposta pedagógica que contemple o processo de desenvolvimento e da aprendizagem da criança e os conhecimentos socioculturais das diferentes populações.

A fim de que essa função se efetive na prática, o trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais, indivíduos que vivem em sociedade, cidadãs e cidadãos. Isso exige que levemos em consideração suas diferentes características, não só em termos de história de vida ou de região geográfica, mas também de classe social, etnia e sexo. Reconhecer a criança como seres sociais que são implica em não ignorar as diferenças. (KRAMER, 2009, p.19).

Sendo assim, a escola está ligada em uma proposta pedagógica que articula os conteúdos escolares com as experiências e curiosidades das crianças sobre a realidade. Como cada criança compõe uma realidade social diferente da outra, a Educação Infantil não pode ser padronizada, ou seja, a escola precisa saber como utilizar as diversidades culturais para a construção dos conhecimentos.

Segundo Werner (2009), devem-se considerar os processos interativos, a cooperação, o trabalho em grupo, a arte, a imaginação, a brincadeira, a mediação do professor e a construção do conhecimento em rede como eixos do trabalho pedagógico voltado para o Desenvolvimento e a Educação Infantil visando à construção do sujeito criativo, autônomo, crítico e com estruturas afetivo-cognitivas necessárias para operar sua realidade social e pessoal.

O professor tem um importante papel na mediação da relação epistemológica, ou seja, da relação da criança com o conhecimento, assim como na constituição da identidade e da autonomia da criança. O papel de mediador do professor também está associado à ideia da construção do conhecimento em rede, como orientador do planejamento pedagógico e da seleção e tratamento dos conteúdos curriculares. (Werner, 2009).

Para tanto, o professor e os profissionais que trabalham na Educação Infantil precisam ter garantidos seus próprios direitos a uma educação que lhes permitam serem independentes e críticos no ofício da profissão. É preciso valorizar os saberes adquiridos durante a experiência da vida docente, visando confrontá-los com os saberes acadêmicos. Sendo assim, o educador é visto como um sujeito social introduzido na cultura e não desajustado da sua própria cultura.

As origens da Pedagogia na modernidade, como disciplina são marcadas por orientações teóricas de alguns de seus predecessores (como Herbart, Dewey, Clarapede) que traziam de uma forma geral, dois princípios comuns: a necessidade da alimentação de estudos pedagógicos por disciplinas auxiliares e a crença no atrelamento da prática pedagógica à Psicologia para aprender com ela procedimentos experimentais, bem como seu objeto e destinatário privilegiado: a criança. (FREITAS, 1997, p.330).

Durante a construção da Pedagogia e com a generalização da escola, houve uma mudança no centro das atenções: a criança passa a ser o aluno e o foco durante o processo de ensino-aprendizagem, dando grande importância a aquisição dos conhecimentos já produzidos e omitindo a aprendizagem como um processo construtivo; criando um debate entre os educadores brasileiros, pois torna o ensino como objetivo principal, limitando às instituições escolares, e bloqueando uma pedagogia relacionada aos movimentos e práticas sociais. (Rocha, 1999).

Segundo Rocha (1999), a educação infantil deve estar centrada nas relações educacionais pedagógicas e não no ensino aprendizagem.

Para isto, faz-se necessário, em primeiro lugar, destacar que a creche e a pré-escola diferenciam-se essencialmente da escola quanto às suas funções que assumem num contexto ocidental contemporâneo. Particularmente, na sociedade brasileira atual, estas funções apresentam em termos de organização do sistema educacional e da legislação própria, contornos bem definidos. Enquanto a escola se coloca como o espaço privilegiado para o domínio dos conhecimentos básicos, as instituições de educação infantil se põe, sobretudo com fins de complementaridade à educação da família. Portanto, enquanto a escola tem como sujeito o aluno, e como objeto fundamental o ensino nas diferentes áreas, através da aula; a creche e a pré-escola têm como objeto as relações educativas travadas num espaço de convívio coletivo que tem como sujeito a criança de 0 a 6 anos de idade ( ou até o momento em que entra na escola). A partir desta consideração, conseguimos estabelecer um marco diferenciador destas instituições educativas: escola, creche, pré-escola, a partir da função social que lhes é atribuída no contexto social, sem estabelecer necessariamente com isto uma diferenciação hierárquica ou qualitativa. (ROCHA, 1999, p.62).

Concluiu-se que os estudos da educação brasileira dão predominância à escola, a necessidade de enfatizar os contextos não escolares, tanto as escolas, creches e pré-escolas, devem ter componentes de interesse em comum. Sendo assim, a educação infantil não pode ser limitada, seu trabalho deve-se nortear na ideia da criança como cidadã, em processo de desenvolvimento e sujeito ativo na construção do seu conhecimento, ou seja, ela deve-se fortalecer, uma vez que ela mesma incluiu diferentes aprendizagens, diferentes sujeitos e diferentes contextos educativos, que serão benéficos no momento em que a criança iniciar seu aprendizado na escola.

3. A trajetória evolucional das creches: de caráter assistencialista a educativo.

O processo de estruturação da Creche com sua capacidade funcional

Segundo Oliveira (1992), o processo de estruturação da creche no que tange à capacidade funcional passou por várias modificações nas últimas décadas, em especial, nos últimos anos. Com a evolução do processo educativo nas creches, com a introdução de um novo olhar, passando de caráter assistencialista para educativo, o quadro funcional das creches precisou ser moldado às novas necessidades destas.

A necessidade de ter em seu corpo de funcionários educadores devidamente habilitados para suas funções levou os mesmos a pensarem em atualizarem-se, cursando aulas específicas de graduação e até mesmo de pós-graduação, para manterem-se mais atualizados e proporcionarem um trabalho de maior eficácia, com mais comprometimento e obtendo melhores resultados.

Os gestores destes estabelecimentos de ensino também passaram a ser mais criteriosos no que tange à especialização específica na área em que atuam, sendo que antigamente os diretores nem tinham uma capacitação específica para atuarem com crianças pequenas, nem ao menos para dirigirem um estabelecimento de ensino com tantas atividades diárias importantes e com a necessidade psicológica, pedagógica e administrativa para a realização do seu trabalho.

A parte intelectual é mais bem elaborada hoje do que antigamente e, como resultado, os alunos atendidos são beneficiados pelo aprimoramento profissional de todos.

A delimitação do “papel” a ser desempenhado por cada funcionário da creche trouxe benefícios à unidade escolar com um “todo”, pois, com as tarefas definidas e bem divididas, com estruturação pedagógica contextualizada, firme e consistente, pode-se observar grande avanço na capacidade de atendimento das unidades escolares.

Cada qual sabe até onde é sua obrigação de agir, com a interferência externa de cursos de capacitação profissional e embasamento teórico mais aprimorado o que também trouxe mais segurança para a execução das atividades diárias. Embora ainda precisem de ajustes técnicos, já se pode observar uma melhora nos resultados obtidos pelos grupos, que passaram a trabalhar como um todo, e não de forma fragmentada e sem sentido.

A importância da presença dos familiares dentro das unidades escolares também deve ser enfatizada como um grande benefício que reverte em resultados para as próprias crianças e para a sociedade como um todo.

“Abrir a creche” significa reconhecer que a creche é um dos contextos de desenvolvimento da criança compartilhando com a família a educação da mesma. Isto implica em compartilhar os sucessos e as dificuldades que se apresentam e, acima de tudo, transformar este trabalho em colaboração mútua. Sem dúvida, há que se determinar o que deve ser responsabilidade da creche e o que deve ser da família. Mas os papéis de cada um só vão se construindo a partir do exercício cotidiano de dialogar. (OLIVEIRA, et.al., 1992, p. 116).

 Conclui-se que hoje, com as funções pré-estabelecidas e como o aprimoramento cultural de seus profissionais, pode se ver uma creche “repaginada”, com muito mais atrativos, e, como prova disso, é possível observar resultados muito mais satisfatórios.

A elaboração de um plano gestão participativo, onde ficam estabelecidas as funções, direitos e deveres de cada um, além da construção conjunta de uma proposta pedagógica pode fazer com que todos os funcionários tenham uma união muito maior e, também, obter um resultado melhor de suas atividades.

Aspectos cotidianos das creches.

Segundo Oliveira (1992), além dos aspectos financeiros, existem muitos outros a serem considerados no cotidiano das creches. Alguns de ordem social, outros, de ordem pedagógica, que serão tratados ao longo deste trabalho.

É notável que os funcionários das creches acabam se organizando para buscarem recursos próprios para geração de fundos a fim de conseguirem alavancar projetos educacionais. Muitas vezes, a questão financeira é um empecilho que, dependendo do esforço do grupo é quebrado e acaba tornando o grupo mais unido e “forte” para resolver os problemas que, porventura, aparecerem.

Em, alguns casos, a questão financeira atravanca o processo de evolução das creches. Mesmo assim os funcionários fazem seu trabalho com amor e respeito, e, não somente por uma recompensa salarial que, na maioria das vezes, é desanimadora. (apesar de todos os avanços já conseguidos).

Torna-se necessário ressaltar o quanto a união e os esforços dos grupos de trabalho são decisivos para os resultados pedagógicos apresentados pelas creches. Este envolvimento com atividades educativas complexas objetivando um cunho pedagógico é o que impulsiona a clientela atendida por estas a sentirem-se animadas a aprender e, principalmente, a frequentar a instituição. Caso contrário, resumir-se-ia a um simples “acolhimento” para esperar o tempo passar; o que ocasionaria desinteresse e muito trabalho para as famílias conseguirem levar as crianças para as creches. (Oliveira, 1992).

Tem se observado que o funcionário de creche tem buscado por capacitações profissionais e demonstrado um grande interesse por inteirarem-se, cada vez mais, das novidades pelas descobertas pedagógicas infantis e tudo aquilo que representa avanços significativos ao processo educacional como um todo. Entretanto, muitos profissionais se formam e vão em busca de um salário adequado à sua formação, ou seja, quando o profissional está pronto para exercer sua função, ele parte em busca de um caminho profissional com melhores condições salariais. Não basta formação e capacitação, é necessário a valorização do educador de creche, tanto financeira quanto profissional.

A busca de identidade própria da creche.

Segundo Oliveira (2010), a partir do momento em que a Creche transforma-se em um espaço pedagógico, torna-se necessário que ela tenha uma “identidade” própria e definida para ter um lugar mais específico dentro da sociedade em que se encontra. Portanto torna-se necessária a tarefa de descobrir formas de comunicação entre todos os segmentos envolvidos no desenvolvimento das atividades e a união dos esforços de todos para que se consiga obter uma identidade pré-definida da creche, com suas características bem explícitas para a sociedade; somente assim tornará fácil saber em quê e como ajudar e, também, se é adequada às necessidades da sociedade.

Oliveira (2010), afirma que o primeiro ponto a ser estudado são as crianças a serem atendidas, suas expectativas, suas necessidades, ou seja, um estudo prévio e bem estruturado acerca da sociedade em que se encontra inserida para a montagem do primeiro passo da execução do plano gestão da creche.

Durante a construção do plano a creche passa a ter a sua identidade própria à medida que ela vai estruturando-se pedagogicamente e administrativamente. Pode-se dizer que, genericamente, as creches acabam tendo uma identidade pedagógica estruturada e bem definida, principalmente nos últimos anos de estudos acerca das necessidades desta instituição.

Segundo Ongari (2003), os pedagogos devem estar sempre conscientizados sobre a importância do seu trabalho e estarem sempre motivados a aprender mais, a busca de um saber inesgotável, sendo esta uma das atribuições da direção escolar, que precisa ter este fato, sempre em mente e praticá-lo diariamente.

De acordo com Oliveira (2010), outro aspecto que deve receber uma atenção imediata é o trabalho com as crianças do ponto de vista da qualidade da relação afetiva adulto- criança. A proposta da creche deve priorizar o cumprimento dos horários conciliado as necessidades das crianças que requerem uma relação estável, individualizada, harmoniosa e responsável do adulto com ela.

A estimulação dos bebês, que passam a maior parte de suas vidas dentro das creches, deve iniciar-se desde cedo através de experimentações, interações, brincadeiras, relacionamento com outros bebês e, se possível, com constância dos funcionários, pois a rotatividade muito grande de funcionários pode acabar por atrapalhar o desenvolvimento das crianças, que passam por uma fase necessária de estimulação, a fim de apoiá-los no pleno desenvolvimento de suas capacidades.

As crianças maiores devem ter um apoio psicopedagógico apropriado, com um controle específico e bem estruturado para embasar a vida deles no decorrer de toda a vida escolar e da vida afora. (Oliveira, 2010).

Conclui-se que a identidade da creche é moldada às necessidades do grupo, mas, com certeza, já composta de um caráter pedagógico.

4. Creche: instituição de ensino ou substituta da família?

No cotidiano das creches, no dias atuais, pode-se observar que o estigma de “substituta da família” está sendo deixado de lado, tendo em vista as mudanças na sociedade e as constantes evoluções pedagógicas que ocorreram.

Segundo Oliveira (1992), o núcleo familiar passou por diversas mudanças, com a autonomia que foi dada aos jovens para que tivessem cada vez mais liberdade de escolha de como queriam viver suas vidas, com o direito a escolha de opção sexual sem receios de punições por parte da sociedade em que vivem, a escolha de profissões cada vez mais diferenciadas e com mais dedicação aos estudos para a constituição de uma vida acadêmica mais completa, sendo este um fator preponderante para a escassez de tempo para dedicação aos assuntos familiares. Além destes, a liberdade que foi conquistada pelas mulheres para conseguirem uma igualdade de direitos em relação aos homens, tanto profissionalmente quanto pedagogicamente e, até mesmo, dividindo os afazeres domésticos com os homens, de forma que houve certa “libertação” de alguns preconceitos especificamente dedicados às mulheres.

A creche é um dos contextos de desenvolvimento da criança. Além de prestar cuidados físicos, ela cria condições para o seu desenvolvimento cognitivo, simbólico, social e emocional. O importante é que a creche seja pensada não como instituição substituta da família, mas como ambiente de socialização diferente do familiar. Nela se dá o cuidado e a educação de crianças, que aí vivem, convivem, exploram, conhecem, construindo uma visão de mundo e de si mesmas, constituindo-se como Sujeitos. (OLIVEIRA, et al, 1992, p.64).

Esses avanços aliados ao progresso científico, tecnológico e pedagógico, através das inúmeras descobertas acerca de conceito contribuíram imensamente para o progresso evolutivo das creches fazendo com que a sociedade passasse a ter, paulatinamente, um “olhar diferenciado” para a instituição.

Se em épocas passadas a creche era vista, simplesmente, como um “depósito de crianças”, ou “substituta da família”, hoje, com todas as mudanças expostas acima, esta passa a ter características próprias que a aproximam das escolas de ensino infantil; porém, que a fazem especialmente diferentes.

O espaço ocupado pelas creches na sociedade, hoje em dia, é grande e marcante, porque, embora não tenha perdido alguns traços sociais, é um ambiente propício à aprendizagem, um espaço diferenciado, prazeroso tanto para os alunos atendidos, quanto para os educadores que ali trabalham e para os familiares que acabam sendo elementos ativos nos desenvolvimentos das atividades propostas pela entidade.

A tendência é que aumentem as características pedagógicas e o nível de absorção da sociedade em relação ao conceito de ambiente estimulador. (Oliveira, 2005).

Concluiu-se que o espaço social conquistado pelas creches é “especial”, isto porque foi conquistado com muito esforço pelos profissionais que se dedicaram, e ainda dedicam-se, à evolução destas. Para isto acontecer não mediram e não medem esforços para estudarem e para “crescerem” a cada dia.

Acredita-se que, dentro em breve, o espaço dedicado às creches será ainda maior, e com mais recursos financeiros para esta tão importante instituição.

Estabelecendo novos caminhos para a creche

O novo e o antigo

 De acordo com Oliveira (2010), a mutação pedagógica pela qual a creche passou demonstra um processo evolutivo que, embora apresentem algumas cicatrizes, fases dolorosas de amadurecimento e de esforços de todos, traz à luz um ânimo novo, um novo caminhar, uma nova perspectiva acerca de seu papel educacional. A família passa a deixar o ente querido na instituição e, ao final do dia, espera muito mais do que encontrar uma criança bem cuidada, limpa, alimentada e descansada; espera encontrar uma criança estimulada, com conhecimentos adquiridos, com fala mais aprimorada, com decisões próprias, com questionamentos acerca das situações vivenciadas e com emissão de conceitos; isso tudo embasado em uma polidez, de forma educada e culta; até mesmo na forma de alimentar-se e nos relacionamentos interpessoais.

Outra mudança benéfica nas creches é o espaço aberto para a inclusão dos alunos portadores de necessidades especiais, aqueles que, até algum tempo atrás, eram rejeitados pela sociedade como um todo, e que, ao chegarem para matricularem-se na creche, havia sempre uma “desculpa verdadeira” para, educadamente, serem dispensados. Isto porque faltava capacitação profissional e causava uma certa estranheza nos familiares de outros educandos ter uma criança no círculo de amizades dos seus que pudesse necessitar de uma atenção diferenciada, tomando mais tempo dos educadores e passando uma experiência diferenciada para os outros alunos.

Isso, evidentemente, traz a todas as creches e pré-escolas a sensação de enfrentar um grande desafio: encontrar metodologias de ensino e recursos diferenciados que assegurem êxito na tarefa de atingir os objetivos curriculares básicos propostos às crianças com necessidades educativas especiais. Todavia, quanto mais se estuda sobre o tema, mais forte é a conclusão de que esses recursos são, em sua maior parte, básicos para qualquer processo de ensino bem orientado: ambiente organizado, programações diferenciadas, material pedagógico diversificado e, principalmente, um clima de aceitação de diferenças interpessoais. (Oliveira, 2010, p.252).

Concluiu-se que estes pontos, com certeza, traduzem uma creche mais evoluída, com um leque mais amplo de conhecimentos e com uma capacidade maior de evolução. Acredita-se que, com o envolvimento de todos os funcionários ligados à creche, em pouco tempo vai existir um atendimento ainda melhor e com muitos benefícios a serem oferecidos aos atendidos e à população como um todo.

5.  O processo de reestruturação financeira, pedagógica e física da creche.

Após a implantação da lei nº 9394/2006, do Estatuto da Criança e do Adolescente e da criação do FUNDEB, pode-se observar que os benefícios transmitidos às creches ampliaram-se, de forma a representar grandes conquistas para estas.

Segundo Oliveira (2010), com o maior fluxo de movimentação de recursos para as creches, existe uma melhor distribuição de recursos materiais e físicos que proporcionam um melhor rendimento para os atendidos.

Com mais benefícios materiais, os alunos podem ser mais bem estimulados. Se o educando não consegue aprender de uma forma satisfatória, tendo a presença de outros recursos, ele será melhor estimulado para obter seus conhecimentos. Isso tudo, para que o educando possa ter uma aprendizagem melhor. Será necessário que haja várias maneiras de ser estimulado; uma aprendizagem de melhor qualidade proporciona metodologias diferenciadas a fim de “conquistar” cada aluno a partir da exploração do tipo de aprendizagem que melhor se adapta a cada um.

As oportunidades oferecidas aos educandos para aprimorarem seus conhecimentos fazem com que os mesmos tenham mais autoestima e, que a partir desta, obtenham mais resultados dentro das atividades propostas.

Segundo IBRAP (2001), a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente também foi outro fator importante para a valorização dos alunos atendidos pela creche, que passaram a ter assegurados seus direitos e, a terem seus lugares garantidos dentro das creches. A supervisão constante dos funcionários das creches acerca do cumprimento dos artigos do estatuto, fizeram com que as famílias tenham mais respeito no cumprimento destes e, assim, os direitos das crianças passam a ocupar lugar de destaque na sociedade.

Segundo Oliveira (2010), o ambiente físico das creches também assume, hoje, um aspecto diferenciado. Isso tudo porque existe uma preocupação mais acentuada em relação aos ambientes específicos para cada tipo de estimulação que deve ser dada para as crianças.

O espaço da brinquedoteca que foi especificamente criado para atender aos educandos de forma lúdica e prazerosa além de emitir conceitos que acabam sendo gravados mais facilmente do que se fosse de forma tradicional, é um exemplo da preocupação acerca do ambiente físico.

Experiências culinárias que estimulem os alunos a aprenderem conceitos de higiene, limpeza, nutrição, cores, quantidades, forma, entre outros, também ocupam um espaço físico de grande importância dentro do ambiente da creche. (Oliveira, 2010).

A estas estruturações pedagógicas e financeiras pode-se atribuir o grande melhoramento dos resultados apresentados pelas creches na atualidade.

O ambiente físico e a sua importância dentro da reestruturação pedagógica da creche

Um olhar atento para as condições físicas da creche também é muito importante. Precisa-se estar sempre com inovações e adequações estruturais e físicas nas creches para que estas possam atender plenamente as expectativas pedagógicas.

De acordo com Oliveira (2010), um ambiente claro, limpo, arejado, alegre, organizado, com elementos alfabetizadores expostos, com registros fotográficos de seus membros, com certeza, torna a aprendizagem muito mais significativa e prazerosa, produzindo novos caminhos para se aproveitar cada momento e torná-los especialmente eficazes.

Segundo Junior (1998), antigamente, as paredes eram vistas com cores sombrias, apagadas, sem expressividade. A iluminação era muito precária. Os ambientes eram igualmente organizados, sem ter especificidades para as faixas etárias e para as atividades a quem se destinavam. Elementos alfabetizadores e fotos não eram vistos expostos.

Esses segmentos acima relatados, tornavam o ambiente físico da creche triste e sem “vida”. Com o passar dos tempos, se tornaram mais coloridos, com o uso de cores vibrantes que transmitem energia e entusiasmo para quem os vê; além dos espaços, especialmente decorados para as atividades ali desenvolvidas. Fotos e elementos alfabetizadores costumam estar frequentemente expostos, motivando os visitantes a observá-los e seus alunos e funcionários a estimularem-se para estarem sempre destacando suas habilidades e se sentindo motivados a evoluir sempre.

Oliveira (2010), afirma que um ambiente especialmente preparado produz ânimo novo para quem ensina e, consequentemente , para quem aprende.

É muito mais prazeroso estar num ambiente especialmente preparado, que produza resultados mais eficazes do ponto de vista pedagógico. É a conquista visual que cativa e aproxima os educandos do conhecimento; é uma forma de aprendizagem significativa para todos.

O número de alunos atendidos pelas creches também é outro fator muito importante para ser visto e analisado. Não se pode esquecer que, por estar trabalhando com seres humanos em fase de desenvolvimento, que requerem atenção e cuidado, precisa-se ter cautela em relação aos números.

Creches super lotadas acabam por trazer certo desconforto para os usuários que ficam em situação de risco e de empobrecimento de atendimento. (Oliveira, 2010).

Portanto, havendo mudanças no espaço físico do ambiente da instituição, também ocorrerá mudanças nos aspectos afetivo e cognitivo das crianças.

6 Creches de Porto Ferreira.

Atividades e avaliações desenvolvidas nas creches

Segundo o site do município de Porto Ferreira, na última década houve uma evolução considerável nas creches do município.

Há dez anos Porto Ferreira contava com cinco creches, entretanto com o crescimento de empregos no município, houve a necessidade da construção de novas creches.

Atualmente o município conta com nove creches distribuídas em vinte e cinco bairros, sendo que uma é dirigida por uma ONG (Organização Não Governamental) conveniada com a prefeitura, e em breve será inaugurada mais duas instituições municipais.

A rotina das creches é organizada contendo um Plano Político Pedagógico que deve ser elaborado e executado com autonomia, dada a circunstância da criança necessitar estar em período integral dentro da instituição. São realizadas diversas atividades que envolvem o intelectual, social e emocional sempre com a orientação do pedagogo. (IBRAP).

Segundo Junior (1998), a saudação do educador para as crianças, realizada todos os dias, cria um ambiente confiável e harmônico para estas. As canções regionais e as cantigas populares contribuem para a formação e desenvolvimento da personalidade do educando.

As atividades físicas em que a criança possa correr, subir, pular e utilizar os brinquedos do parque são algumas das atividades sensoriais e motoras realizadas dentro da creche, que desempenham um papel fundamental na formação cognitiva e coordenação motora.

Junior (1998), também afirma que as creches devem criar momentos de pesquisa e experimentação, através das atividades artísticas como: modelar, desenhar ou pintar, as crianças estimulam sua imaginação podendo expressar-se espontaneamente e também contribuindo para a sua aprendizagem, tornando-as capazes de distinguir fenômenos complexos, como a diferença entre luz e sombra ou liso e áspero.

Os jogos de mesa (quebra-cabeça, jogo da memória), como também as brincadeiras desenvolvem potencialidades, ou seja, a criança aprende a nomear, comparar, calcular, classificar. Dentre as contribuições, segundo Negrine, pode-se destacar:

*as atividades lúdicas possibilitam fomentar a "resiliência", pois permitem a formação do autoconceito positivo;

*As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mental-mente.

*O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade;

  *Brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação;

*Brincar ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento. (NEGRINE, 1994, p.41).

Oliveira (2010), afirma que a “Hora da História” deve ser realizada diariamente, quando o educador trabalhará com lendas, literatura infantil e outros gêneros, fazendo uso também da pseudoleitura, com o objetivo da criança compreender a importância da leitura e interpretar a história de acordo com seu pensamento; a creche também deve ser fonte de estímulo para a descoberta da função da escrita, despertando a curiosidade imaginação e estimulando as crianças constantemente.

O ato de higiene pessoal, como vestir-se, lavar as mãos com autonomia fazem parte do ato educativo. As refeições são momentos necessários para o desenvolvimento da criança, pois ela relaciona-se com o outro, e ao mesmo tempo desenvolve sua independência.

Segundo Oliveira (2010), a avaliação na Educação Infantil contribui para o desenvolvimento da criança, é através desta, que o professor se orienta para organizar e construir suas atividades.

As crianças devem sentir-se aceitas incondicionalmente, embora alguns de seus comportamentos possam ser modificados. O importante é o professor servir-se de modelos de avaliação do desenvolvimento, voltados para a detecção de zonas de desenvolvimento proximal de cada criança, ou seja, buscar conhecer caminhos emergentes, e não meramente constatar obstáculos. (OLIVEIRA, 2010, p.260).

A avaliação na Educação Infantil deve ser diária e contínua, uma ferramenta para reorganizar os conteúdos e atividades. Os componentes essenciais de avaliação são: a observação e registro. É importante observar o desenvolvimento nos aspectos sócio-afetivo e cognitivo; e através do registro o professor refletirá sobre a prática e sobre as possibilidades de encaminhamento do trabalho. (RCNEI,1999).

Conclui-se que a creche é formada por profissionais capacitados que desenvolvem seus trabalhos baseados no ato pedagógico e no desenvolvimento da criança.

Considerações Finais

Vimos no primeiro capítulo, um breve relato sobre o motivo do surgimento da creche, sua função e suas transformações que se baseavam nas mudanças sociais. Em todos os caminhos percorridos pela creche, nesta trajetória evolucional, pode-se verificar nitidamente que, antes, era vista como “terra de ninguém”, pois não havia um comprometimento pedagógico dos educadores para com o desenvolvimento global dos alunos atendidos. Isto, porque a creche era vista como um abrigo de crianças, não como uma instituição que tenha cunho pedagógico; a função assistencialista era muito mais forte e presente em todos os componentes da creche.

Nesta “terra de ninguém” não havia um planejamento contextualizado, com vistas a um ambiente alfabetizador e a importância de suas atividades era apenas encarada como um fator social.

A função da creche era desvinculada da função pedagógica. Com esta fragmentação muita coisa se perdia, pois as crianças eram cuidadas e alimentadas, porém não se estimulava os seus desenvolvimentos intelectual, físico e cognitivo. Outro fator existente era o do preconceito existente em relação às matrículas dos alunos, que eram vistas de forma negativa e preconceituosa. Não se percebia uma necessidade pedagógica na matrícula, só via-se a falta de opção dos pais em deixar seus filhos para trabalharem.

Em seguida, no segundo capítulo, vimos que os avanços pedagógicos trouxeram consigo uma transformação no processo de desenvolvimento infantil, fazendo com que as fases de desenvolvimento fossem trabalhadas, valorizadas e respeitadas.

O terceiro capítulo nos mostra a trajetória evolutiva das creches, do caráter assistencialista para o pedagógico. A necessidade de se ter funcionários capacitados para a construção e prática das propostas pedagógicas. Através da história de evolução das creches, essa “terra de ninguém” foi perdendo estas características assistencialistas e preconceituosas e passou a dar vazão ao aspecto pedagógico que acaba incluindo todos nessa questão e a torna um “lugar para todos”.

No quarto capítulo, refletimos sobre as funções da creche, que é possível haver mais recursos financeiros e melhorias para estas instituições.

Posteriormente, no quinto capítulo, vimos as inovações e adequações no ambiente físico das creches e sua importância dentro da reestruturação pedagógica, ou seja, o ambiente físico influencia e contribui para a aprendizagem.

No sexto capítulo, relatamos as atividades desenvolvidas atualmente nas creches, seus objetivos pedagógicos e como deve ser feita a avaliação na Educação Infantil.

Pode-se concluir com este trabalho que a trajetória evolucionária pelo qual as creches passaram, trouxeram um progresso pedagógico para a sociedade que contribuiu para uma reflexão sobre como tornar um cidadão participativo e crítico e a constituição do núcleo familiar e de suas atribuições.

A sociedade passou com a evolução pedagógica da creche a vê-la com mais seriedade e funcionalidade, valorizando grandemente seu papel na Educação Infantil. Quem ganha com esta trajetória evolucional é, principalmente, o aluno atendido pela creche, que passam a ter um aproveitamento mais satisfatório e, aumenta sua auto-estima e a capacidade de aprender.

Estas modificações trazem à luz debates, estudos, capacitações diversas e, amplia o “leque” de opções das mesmas que acabam se tornando um lugar diferente, especial e, acima de tudo, capaz de aproveitar todos os momentos para produzir experiências educativas.

Este trabalho trouxe um convite à reflexão para os próximos passos que devem ser dados em ruma a melhoria da creche e das possíveis contribuições que podemos dar para esta.

Muitas mudanças já foram feitas, mas ainda, existem muitas arestas a serem aparadas. Porém, isso tudo somente será possível se existir comprometimento e apoio por parte dos educadores, gestores, psicopedagogos em continuar estudando, capacitando-se diariamente para se conquistar novos caminhos e novas estratégias para realizar-se eficazmente o processo educativo, tornando possível que a creche seja um lugar especial e envolvente.

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Autor

Lidiani Fabiano Pasini Carvalho: Pedagoga pela Faculdade Asser Porto Ferreira; Pós graduada em pedagogia empresarial – UNINTER

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