A investigação refere-se à caracterização do bom professor segundo relato de estudantes do Ensino Médio e Superior do Brasil entre os anos 2000 e 2013.

Resumo 

O presente trabalho consiste em uma revisão da literatura acerca das concepções de estudantes sobre as características de “bom professor” e apresenta uma relação de bibliografias existentes nos acervos das bases de dados Index Psi; BBO; LILACS; BDENF. A investigação refere-se à caracterização do bom professor segundo relato de estudantes do Ensino Médio e Superior do Brasil entre os anos 2000 e 2013. Foram analisados na íntegra nove artigos e uma tese de doutorado que englobavam esta temática. De maneira geral, o conjunto dos resultados permitiu identificar que para a amostra o bom professor mobiliza um conjunto de saberes no contexto educacional em que atua, em especial, os saberes pedagógicos, disciplinares, curriculares e experienciais e que a relação afetiva-emocional é de suma importância em sua prática. Pelos resultados desses estudos, evidencia-se que as concepções dos estudantes coincidem com as orientações contidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais para a organização do trabalho pedagógico. Ressalta-se que os atributos que se destacaram nos estudos como os mais ou menos importantes podem ser utilizados por docentes e instituições para repensarem suas práticas e realizarem uma autocrítica sobre sua atuação em sala de aula, buscando a melhoria e aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem no médio e longo prazo.

Palavras-chave: Bom professor; percepções; alunos.

Abstract

This work consists of a literature review on the concept of students about characteristics of a "good teacher" and presents a list of existing bibliographies in the collections of databases: INDEXPsi, BBO, LILACS and BDENF. The investigation concerns about the characterization of the good teacher according to the reports of middle and high school students from Brazil between 2000 and 2013. There were fully analyzed nine papers and a doctoral thesis that encompassed this theme. In general, all the result allowed to identify that the sample answered that the good teacher mobilizes a set of knowledge in the educational context in which it operates, in particular, the pedagogical, disciplinary, curricular and experiential and affective-emotional relationship is paramount in their practice. It is evident that the students' conceptions coincide with the guidelines contained in the National Curriculum for the organization of educational work. It is noteworthy that the attributes that have excelled in the studies as more or less important can be used by teachers and institutions to rethink their practices and conduct a self-critical about their performance in the classroom, seeking the improvement and enhancement of teaching and learning in the medium and long term.

Keywords : Good teacher, perceptions, students .

INTRODUÇÃO

Numa perspectiva histórica, a relação entre a Psicologia e a Educação tem sido perpassada por influências teóricas e práticas das duas áreas. A Psicologia tem encontrado no contexto escolar, um campo de atuação e intervenção que permite o estabelecimento das relações entre os processos psicológicos e pedagógicos. Nesse sentido, cabe à Psicologia propor maneiras de construção de uma prática pedagógica que supere os problemas existentes na escola e contribua para o sucesso da produção de conhecimentos e do desenvolvimento em nível individual e coletivo dos alunos1

                No que tange à educação e a formação docente do Brasil, no fim do século XX, com o surgimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e as reformas instituídas na administração das funções do Estado, o sistema de ensino superior atravessou uma fase de desenvolvimento. Especificamente nas duas últimas décadas, o número das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras cresceu, principalmente no âmbito do ensino privado2,3.

                Diante de tais evidências quantitativas, é importante ressaltar que, embora tenha havido esse aumento de cursos superiores voltados à formação de professores, a educação brasileira vem sendo caracterizada, nos últimos anos, por um constante declínio de sua qualidade, confirmadas pelas avaliações oficiais realizadas regularmente. Questões como conflitos entre alunos, professores e/ou gestores vem se mostrando cada vez mais evidentes e se sobrepondo a questões de ensino e aprendizagem de conteúdos acadêmicos4. Dessa forma, é imprescindível que alunos, professores e demais agentes escolares, incluindo o psicólogo, avaliem e discutam o ensino realizado e procurem opções para a melhoria deste.

Tem ocorrido debates sobre a docência, a qual é considerada um dos determinantes do desempenho dos alunos e da qualidade de ensino. Perante isso, elementos como a formação do professor, sua postura em sala de aula, a expectativa do professor em relação ao aluno, a relação professor-aluno, a metodologia utilizada pelo docente em sala de aula e o tipo de avaliação aplicada interferem na aprendizagem e também na qualidade do ensino5.

Embora o docente não possa ser visto de maneira isolada dos fatores que interveem no processo educativo, é importante considerar que este agente escolar é fundamental para o desenvolvimento da ação de ensino e aprendizagem. Mesmo não sendo o único elemento significativo para o sucesso escolar dos alunos, é uma peça imprescindível para o favorecimento de permanências ou mudanças no que tange à cultura da instituição pela sua possibilidade de desenvolver uma prática pedagógica comprometida6.

 “O conjunto de valores e crenças que são escopo à performance dos docentes são frutos de sua história e suas experiências de vida são contornos ao seu desempenho”, assim, o ambiente sócio-cultural e também as experiências de vida são elementos explicativos da atuação docente7. Dessa forma, a maneira de ser do professor constitui-se como um todo que depende da visão de mundo que ele possui.

Diante dessas premissas, nota-se que existe certo consenso acerca dos comportamentos esperados tanto dos alunos, como dos professores. Isso implica dizer que parte da relação entre professor-aluno é predeterminada socialmente.

A escola, enquanto instituição social interfere na expectativa de professores e alunos, passando a ideia de ordem aos envolvidos na comunidade escolar e esses valores constituem-se como parte das expectativas dos alunos. Assim, a escolha que o aluno faz do “bom professor” é permeada por sua prática social, isto é, consiste na apropriação dos saberes históricos-sociais8. Portanto, a ideia de “bom professor” pode variar entre os alunos, pois traz consigo a expressão de um valor.

Enquanto organizador do processo de ensino-aprendizagem, o professor tem que ser o mediador da ação de conhecer, propiciando, provocando a atividade do aluno. Nesta postura, o professor deve compreender que não é ele que “deposita” o conhecimento na cabeça do educando, por outro lado, não é deixando o educando sozinho que o conhecimento “brotará” de forma espontânea. Quem constrói é o sujeito, mas a partir da relação social, mediada pela realidade9.

Dada à complexidade do tema, este trabalho investiga apenas um dos elementos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem: o professor. A pesquisa tem por objetivo realizar uma revisão da literatura e apontar os atributos de um bom professor a partir dos relatos de pesquisas realizadas entre 2000 e 2013 com estudantes no Brasil.

Os alunos são elementos relevantes no processo educacional e são atores capazes de opinar a respeito de seus professores. Eles podem dar informações fiéis a respeito das práticas habituais dos professores, pois as vivenciam concretamente10. Dessa forma, ao identificar a opinião dos alunos com relação às características de um bom professor, o presente estudo poderá servir de instrumento para psicólogos escolares desenvolverem estratégias de intervenção voltadas aos docentes, buscando promover o aprimoramento do processo de ensino-aprendizagem.

MATERIAIS E MÉTODO

                Este estudo caracterizou-se como um levantamento bibliográfico, que consistiu numa relação de bibliografias existentes nos acervos das bases de dados Index Psi do Conselho Federal de Psicologia/PUC-Campinas; BBO, que corresponde à Bibliografia Brasileira de Odontologia,  LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), BDENF (Base de dados de Enfermagem) sobre a temática que está sendo abordada.

                Os artigos utilizados foram publicados entre 2000 e 2013 cujas bases de dados são: IndexPsi, BBO, LILACS, BDENF. Os descritores utilizados foram: bom professor, docentes, ensino, aprendizagem, concepções, alunos, estudantes, metodologia de ensino, percepções. Essas palavras poderiam estar em qualquer campo do registro, tais como título, resumo e palavras-chaves. Os critérios de inclusão foram: artigos originais, no idioma português, apresentando estudo de campo.

A primeira etapa consistiu na leitura dos títulos dos artigos que foram localizados nas buscas a fim de excluir aqueles que claramente não atendiam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Na segunda etapa este mesmo procedimento foi efetuado, sendo que agora a decisão pela exclusão foi baseada nas informações constantes nos resumos. Por fim, na terceira etapa, os artigos foram analisados integralmente.

Na análise dos artigos, foram extraídos os dados relativos à publicação (autoria, ano de publicação e periódico) e ao método empregado no desenvolvimento do estudo, abrangendo a identificação dos seguintes aspectos: delineamento, tamanho da amostra, instrumento de medida, resultados e conclusão.

RESULTADOS

Foram localizados 28 artigos nas buscas (17 no Index Psi, 4 no BBO, 4 no BDENF e 3 no LILACS). Destes, 11 foram excluídos pela leitura do título. Na fase subsequente, mediante análise dos resumos dos artigos, decidiu-se pela exclusão de 04 artigos, por fim após a leitura dos artigos na íntegra decidiu-se excluir 05 artigos. Estes resultados estão ilustrados na figura 1.

Figura 1

DISCUSSÃO

Foram encontrados oito artigos publicados e uma tese de doutorado que exploravam as características do “bom professor” segundo a concepção de estudantes do Ensino Superior e Médio no Brasil. É importante destacar que não se localizou nenhum artigo que correspondesse às concepções dos alunos do Ensino Fundamental, nem tampouco do Ensino Infantil.

Apesar dos consideráveis avanços na pesquisa científica realizada com crianças o estudo do discurso das mesmas trata-se de uma disposição atual, logo, é importante dar voz à criança e adaptar a pesquisa às possibilidades de capturar essa voz11-13.

Foram entrevistados alunos do Ensino Médio e Superior, questionando o que é para eles um bom professor. Foi constatado que na visão dos estudantes “bom professor é aquele que domina o conteúdo, escolhe formas adequadas de apresentar a matéria e tem um bom relacionamento com o grupo”(p.71). Segundo os alunos pesquisados, os melhores professores tornam as aulas agradáveis e atraentes; estimulam a participação do aluno; sabem se expressar de forma que todos entendam; induzem à crítica, à curiosidade e à pesquisa; procuram formas inovadoras de desenvolver a aula e fazem o aluno participar do ensino. A pesquisa chama a atenção para a questão de que os alunos participantes do estudo, apenas em raras ocasiões, referiram-se ao posicionamento político do professor. Detectou-se também que os docentes apontados como “bons professores” trabalham e permanecem trabalhando, preponderantemente, na perspectiva da reprodução do conhecimento, atitude bastante aceitável pelos alunos. Ser professor e ser aluno extrapola a relação de ensinar-aprender os conteúdos de ensino e envolve uma absorção de aprendizagens valorativas muito intensas14.

Apesar de nos depoimentos sobre “bom professor” estar presente o domínio da matéria, essa presença não se dá numa perspectiva de entendimento do conteúdo, refere-se, contudo, às habilidades de desempenho do professor15.

Foram investigadas as representações de estudantes do curso de Odontologia sobre os atributos de um “bom professor”. Os resultados indicaram que essas representações estão intensamente fundamentadas nos saberes ligados à capacidade de transmissão de conteúdos e habilidades afetivas, ainda que os alunos se considerem como sujeitos participantes do processo educativo16.

Foi comparada a visão de professores e alunos do Curso de Odontologia da UNIFOR sobre o papel do professor no aprendizado do aluno. Para tanto, foram entrevistados alunos do 9º semestre e professores de todas as áreas de conhecimento. As respostas foram categorizadas de modo a poder expressar a visão mais comum entre os dois grupos. Para a maioria dos alunos, os melhores professores são aqueles enquadrados nas categorias relacional (50%) e cognitiva (37,1%). Já para a maioria dos professores, os melhores alunos são aqueles que se enquadram na categoria motivação (65,4 %), relacionando o aprendizado do aluno a quanto este está estimulado para aprender. O aspecto cognitivo, apesar de ser entendido como importante por ambos, não foi considerado o mais importante para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Ao considerar a motivação como o item mais importante para identificar um bom aluno, o professor transfere a responsabilidade do aprendizado exclusivamente para o aluno. Tendo em vista o grande valor que o aluno imprime à relação interpessoal, é fundamental que tal questão esteja presente na formação do professor17.

Em uma pesquisa com 102 alunos do Ensino Médio da rede pública de ensino do Distrito Federal, visando compreender e discutir aspectos relacionados às características de um “bom” professor de matemática. Os resultados demonstraram que o bom professor para esses estudantes é aquele que é paciente, atencioso, bem-humorado, que se relaciona positivamente com seus alunos e com sua área de conhecimento18.

Outro estudo buscou conhecer e analisar as características pessoais do bom professor na opinião dos acadêmicos da Licenciatura em Educação Física do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os participantes foram trinta e oito (38) acadêmicos da Licenciatura em Educação Física (Currículo de 1990) do CEFD/UFSM. Na opinião dos acadêmicos da Licenciatura em Educação Física do CEFD/UFSM, o bom professor, é aquele que em sua prática pedagógica cotidiana mostra como principais características pessoais uma ‘boa didática’, o ‘domínio do conteúdo’, sendo ‘respeitador’, ‘criativo’ e ‘gosta do que faz’19.

Foi desenvolvido um estudo tendo como objetivo identificar a opinião dos estudantes acerca das características de um “Bom Professor”. Trata-se de um estudo qualitativo, utilizando um questionário autopreenchido, com uma questão aberta “o que considera ser um Bom Professor?”, e a identificação do curso. A amostra é constituída por 174 e 52 estudantes dos Cursos de Licenciatura e Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem, respectivamente. Do conjunto de indicadores de um Bom professor emerge o domínio dos conteúdos da disciplina que leciona, a capacidade de cativar e motivar, de desenvolver uma boa relação com os estudantes, ser disponível e acessível, compreensivo e tolerante, de relacionar a teoria com a prática, sendo exigente, assíduo e pontual20.

                Ainda sobre a concepção de alunos acerca do “bom professor”, foram investigadas as concepções de professores de Medicina de uma instituição federal de ensino superior sobre as características de um bom professor. Foi utilizada a abordagem qualitativa de pesquisa, e os dados foram coletados por meio de questionário e de entrevista semiestruturada com professores do ciclo profissional de um curso de Medicina. Como características do bom professor destacaram-se as competências científica, pedagógica e relacional/afetiva, notando-se que os docentes de Medicina já incorporaram a noção de que para ser um bom professor não basta apenas conhecer o conteúdo da disciplina sob sua responsabilidade. Assim, torna-se importante o investimento institucional em cursos de formação didático-pedagógica em uma perspectiva de reflexão sobre a prática docente executada21.

Outro estudo buscou-se identificar a opinião de alunos de três cursos superiores de Ciências Contábeis em Belo Horizonte sobre as competências de seus professores que são mais valorizadas. Estas competências influenciam na definição de “bom” professor que é uma definição histórica e contextualmente construída. Os alunos participantes do estudo consideraram como bom professor aquele que possui conhecimento sobre o conteúdo da disciplina e que tem habilidade de ensinar, ou seja, que possui capacidade didática22.

A didática assume múltiplas dimensões e a atuação docente precisa envolver três dimensões: a humana, a técnica e a política. Na dimensão humana o centro do processo de ensino-aprendizagem é a relação interpessoal. A dimensão técnica refere-se ao processo de ensino-aprendizagem como ação sistemática, intencional, que busca organizar as condições para a promoção da aprendizagem. A dimensão política enfatiza o processo de ensino-aprendizagem como um todo, ela ocorre sempre numa cultura específica, com pessoas concretas que possuem uma organização social onde vivem23.

De posse dos resultados das pesquisas adscritas, é possível observar que uma série de fatores está vinculada às características do bom professor de acordo com os alunos. Ao analisar a percepção dos estudantes quanto aos atributos de um bom professor, nota-se que alguns fatores são mais recorrentes, tais como comportamentos e atitudes do professor que se mostram como evidentes expectativas dos alunos. Esses estudos revelam de forma clara o vínculo estabelecido entre uma boa aula e um bom professor.

A partir da interpretação dos resultados, constatou-se de maneira geral, que um bom professor para os alunos pesquisados possuem as seguintes características:

No que se refere ao conhecimento– tem domínio de sua área de formação e também conhecimentos de outras áreas, que valoriza o conhecimento prévio do aluno, que relaciona sua matéria a outras disciplinas, que transmite as informações de maneira clara, objetiva, criativa, original e de fácil entendimento para os alunos;

No que se refere às relações interpessoais– paciente, atencioso, tolerante, educado, amigo, extrovertido, carismático, compreensivo, divertido, tranquilo e que se relaciona bem com os alunos, que percebe e avalia as dificuldades dos alunos e tenta ajudar de todas as formas;

No que se refere à metodologia empregada nas aulas – diversificado, simples, aberto ao diálogo, com maneiras fáceis de ensinar, que explique passo-a-passo e mais de uma vez, que usa vários macetes para facilitar a compreensão, que não enrola com um assunto só, que relaciona os conteúdos ao dia-a-dia , que adota aulas mais dinâmicas, com outros recursos além do livro;

No que se refere à avaliação – exigente, rígido, pontual, que adota novos métodos de avaliação, que passa mais trabalhos do que prova, entre outros.

Dentre essas características, a mais recorrente foi a figura do professor como uma pessoa paciente, atenciosa, bem-humorada e que seja apaixonada pela profissão. Foi possível verificar a partir das concepções dos alunos, que uma boa aula, além de estar vinculada ao perfil do bom professor, seria aquela em que há a participação dos alunos, a interatividade com outras matérias, a aplicação de jogos, brincadeiras e outras formas divertidas; uma aula de acordo com a realidade dos alunos, uma aula dinâmica com a utilização de outros recursos além do livro, em que haja interação entre aluno e professor.

Pelos resultados desses estudos, evidencia-se que as concepções dos estudantes coincidem com as orientações contidas nos PCN’s (Brasil, 1999)24 para a organização do trabalho pedagógico. É evidente que o presente estudo não encerra o assunto a respeito das características de um bom professor, mas abre espaço para se levantar novas questões do que ainda precisa ser investigado em relação a este assunto. Nesse sentido, propõe-se a realização de novas pesquisas que  abordem a autopercepção dos alunos sobre sua aprendizagem, ou, nessa mesma linha de raciocínio, investiguem a auto-percepção do professor sobre sua atuação em sala de aula ou sobre seu aluno.

CONCLUSÃO

Os resultados dos estudos aqui abordados, conforme já mencionado anteriormente, advém de elementos históricos e contextualmente construídos e que se relacionam com o processo de ensino-aprendizagem que depende, sobretudo de aspectos individuais (o sujeito), institucionais (a instituição) e contextual (o contexto), nesse sentido, as instituições e os docentes devem buscar estratégias que possibilitem fomentar o nível de conhecimento e a habilidade didática dos docentes.

                Ressalta-se que os atributos que se destacaram nos estudos como os mais ou menos importantes, podem ser utilizados por docentes e instituições para repensarem suas práticas e realizarem uma autocrítica sobre sua atuação em sala de aula, buscando a melhoria da percepção dos alunos e, por conseguinte a melhoria do processo de ensino e aprendizagem no médio e longo prazo.

Cabe sublinhar que esse estudo cumpriu o seu objetivo de fazer um levantamento bibliográfico sobre os estudos que abordavam sobre “o bom professor” para os estudantes, contudo, a quantidade de pesquisas encontradas apresenta-se como uma limitação à capacidade de generalização dos resultados, de modo que se sugere a ampliação de estudos sobre essa temática para uma futura construção de conceito mais robusto de “bom professor”, além do estabelecimento de possíveis correlações entre variáveis, como idade e origem institucional.

De maneira geral, na visão dos alunos estudados, o bom professor mobiliza saberes plurais, oriundos de sua história de vida, de sua experiência pessoal e profissional que é acumulada dentro e fora do ambiente escolar, portanto sua prática está pautada numa construção sócio-histórico-cultural.

REFERÊNCIAS

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2 Demo, P. (1986) A universidade precisa renascer. Caderno de Pesquisa [online]. n.57, pp. 86-95. ISSN 0100-1574.

3 Silva, W. M.; Bido, D. S.; Forte, D. (2008) Identificando atributos que influenciam o desempenho do professor de finanças: evidências empíricas por meio de Equações Estruturais. In: Encontro da Associação Nacional dos cursos de pós-graduação e pesquisa em Administração, 32, Rio de Janeiro, 06 a 10 de setembro de 2008. Anais. Rio de Janeiro: ENANPAD, 2008.

4 Sousa, V.L.T. (2009). Educação, Valores e Formação de professores- contribuições da psicologia escolar. In: Araújo, C.M.M. (org) Psicologia escolar: novos cenários e contextos de pesquisa, prática e formação. Campinas: Editora Alínea. Cap. 6. 133-151.

5 Waiselfisz, J. (2000) Recursos escolares fazem diferença? Brasília: FUNDESCOLA/MEC.

6 Solé, I. e Coll, C. (2009) Os professores e a concepção construtivista. In: Coll, C.et al. O Construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática. Cap 1. Pp. 9-28.

7 Cunha, M. I. (1988) A prática Pedagógica do “bom professor”: Influências na sua educação. Tese de Doutorado apresentada à Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.

8 Feitoza, L.A.; Cornelsen, J.M.; Valente, S.M.P. (2007) Representação do bom professor na perspectiva dos alunos de arquivologia. Perspectivas em Ciência da Informação, v.12, n.2, p.158-167, maio-ago.

9 Freire, P. (1967) Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

10 Luckesi, C.C.(1992) Filosofia da educação. São Paulo: Cortez.

11 Campos, M. M. (2005) Por que é importante ouvir a criança? A participação das crianças pequenas na pesquisa científica. In: CRUZ, S.H.V. (org) (2008). A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. São Paulo: Cortez.

12 Rocha, E.C.(2008) Por que ouvir as crianças? Algumas questões para um debate científico multidisciplinar. In: Cruz, S.H.V. (org) (2008) A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. São Paulo: Cortez.

13 Cruz, S. H. V.(org) (2008) A criança fala: a escuta de crianças em pesquisas. São Paulo: Cortez.

14 Cunha, C (2001). O bom professor e sua prática. 12 ed. Campinas: Papirus

15 Rangel, M. (2001). Representações e reflexões sobre o “bom professor”. Petrópolis: Vozes.

16 Souza, F. A. (2003) O bom professor: um olhar do estudante de Odontologia na perspectiva das representações sociais.170fls. Dissertação (Mestrado em Educação). Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte.

17 Noro, L. R. A.; Albuquerque, D. F.; Ferreira, M. E. M.(2006). O desenvolvimento do processo ensino aprendizagem: visão do aluno e do professor / Development of the teaching and learning process: the point of view of the student and of the professor. Rev. ABENO; 6(2): 109-114, Jul.-Dez

18 Oliveira, R.J. (2007) O Bom Professor de Matemática segundo a Percepção de Alunos do Ensino Médio. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Católica de Brasília.

19 Krug, R.R. (2008). As características pessoais do bom professor na opinião dos acadêmicos da licenciatura em Educação Física do CEFED/UFSM. Revista Digital-Buenos Aires. Ano 13, nº 126.

20 Ventura, M. C; Neves. M.; Loureiro, C.; Ferreira, M. M. F; Cardoso, E. (2011). "O "bom professor" - opinião dos estudantes ".  Revista de Enfermagem Referência, 5: 95 - 102.

21 Costa, N. M. S. C.; Cardoso, C. G. L.V.; Costa, D. C.(2012) Concepções sobre o bom professor de medicina / Conceptions about the good professor of medicine. Rev. bras. educ. m‚d; 36(4):499-505, out.-dez

22 Marques, V.A.; Oliveira, M.C.; Nascimento, E.M.; Cunha, J.V.A. (2012) Atributos de um bom professor: um estudo sobre a percepção dos alunos de Ciências Contábeis. Revista de Contabilidade e Controladoria.

23 Candau, V. M. (1983) A didática e a formação de educadores: a busca da relevânciaTextos, São Paulo, n. 06, p. 37-41. 

24 Brasil. (1999). Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Ministério da Educação, 1999.

 

Autores 

Edson Meneses da Silva Filho, fisioterapeuta, Mestrando em ciência da reabilitação, FACISA – UFRN.

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Jéssica Andrade de Albuquerque, psicóloga, especialista em saúde da família com ênfase na implantação das linhas de cuidado.

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