Influência televisiva na atividade dominante de crianças de nove e dez anos

Para a Psicologia Histórico-Cultural de Vygotski e Leontiev, o desenvolvimento humano de uma forma geral, é caracterizado por atividades dominantes que são específicas em cada fase da vida do individuo.

Resumo

Para a Psicologia Histórico-Cultural de Vygotski e Leontiev, o desenvolvimento humano de uma forma geral, é caracterizado por atividades dominantes que são específicas em cada fase da vida do individuo. Na contemporaneidade, o grande acesso aos meios de comunicação, notadamente a televisão, trouxe algumas consequências para o desenvolvimento infantil. Sendo assim, torna-se importante analisar se a televisão está interferindo na atividade dominante de crianças. Esta pesquisa foi guiada pela Epistemologia Qualitativa e contou com as técnicas de observação livre, questionários e desenhos seguidos de histórias. Foram estudadas seis crianças entre 9 e 10 anos, além de um questionário aplicado aos pais dos participantes, buscando identificar como funciona o dia a dia dessas crianças. Com os dados coletados foi realizada a formação dos seguintes núcleos de sentido: O prazer de estudar X à obrigação de estudar; A questão é: Quanto tempo tenho pra mim?; As vontades para fora das salas. Espera-se que a pesquisa tenha contribuído para o estudo de influências televisivas sobre a atividade escolar, considerando o momento histórico e social presente.  

Palavras-Chave: Vygotski. Desenvolvimento Infantil. Televisão. Atividade dominante.

Abstract

For Vygotski and Leontiev, human development in general is characterized by dominant activities that are specific for each stage of the individual’s life. In contemporary times, the great access to communication, such as television, brought some consequences for child development. Therefore, it is important to examine whether the television is interfering with children’s dominant activity. The survey examined the drawings of six children between 9 and 10 years of age, which illustrated their routines and also one day they considered to be nice, as well as a questionnaire applied to their parents in order to identify how these children’s everyday life works. With the data collected a categorization was made to form units of meaning, which enabled the formation of the data analyzes. The research is expected to have contributed to the study of television influences on school activity, considering the historical and social present time

Keywords: Vygotsky. Child development. TV..Dominant activity.

Introdução

Os meios de comunicação estão presentes no cotidiano ocidental desde a segunda metade do século XX e despertaram o interesse de várias ciências e pesquisadores(as). Na educação destacam-se os estudos de Brougère (1998) e Ferrès (1996), com influências da antropologia e psicanálise, respectivamente. Adotamos no presente estudo o referencial da psicologia histórico-cultural. Segundo Leontiev (2006, p. 63): “O que determina diretamente o desenvolvimento da psique de uma criança é a sua própria vida e o desenvolvimento dos processos reais desta vida”. Quando se busca estudar a psique infantil, deve-se começar pelo desenvolvimento da atividade principal e como ela foi construída de acordo com as condições concretas da vida da criança, pois compreendendo essa atividade, é possível entender quais as condições externas que estão envolvidas e quais as potencialidades que ela possui. Assim, após trabalharmos a disciplina "História da infância e da família", nos propomos a questionar a influência das produções ideológicas dos meios de comunicação na atividade dominante de crianças. Entendendo que, em determinado nível de desenvolvimento da criança, a televisão se encontra muito presente no seu dia a dia, e com isso surge a curiosidade de que se a programação televisiva poderia por meio das suas ideologias, estar interferindo na atividade dominante das crianças brasileiras.

A criança passa por vários estágios de desenvolvimento e cada um deles é marcado por uma atividade principal, que representa a principal maneira de relacionamento entre a criança e a realidade. É através do desenvolvimento de atividades, proporcionadas por condições concretas ao longo da vida, que o homem consegue se adaptar e com isso modificar os objetos e os meios de produção desses objetos para sanar suas necessidades. A criança se relaciona com o mundo por meio dessas atividades principais, e em cada estágio é formado nela necessidades específicas ligadas ao psiquismo. Segundo Leontiev (1988), o desenvolver da atividade proporciona as mudanças mais significativas nos processos psíquicos da criança e nas particularidades de sua personalidade.

Vygotski (1996 apud FACCI, 2004, p.67) diz que já no primeiro ano de vida da criança há uma sociabilidade bem especifica e particular por conter uma situação social de desenvolvimento único, fundamentada por dois momentos: o primeiro está baseada a uma total incapacidade biológica, visto que o bebê não consegue satisfazer suas necessidades básicas de sobrevivência. São os adultos que tomam conta do bebê e a atividade principal da criança nessa idade, se torna o caminho por intermédio do adulto, ou seja, os comportamentos do bebê estão inseridos no fator social, sendo que ele precisa de uma mediação social para ter contato com a realidade. No segundo momento, mesmo que o bebê dependa do adulto, precisando da linguagem como meio fundamental de comunicação social, a forma como a sua vida foi organizada faz com que ele mantenha uma grande comunicação com os adultos, mesmo sendo caracterizada por uma comunicação que carece de palavras e que muitas vezes é marcada pelo silêncio, é vista como uma comunicação específica. Dessa forma, no primeiro ano o desenvolvimento da criança é marcado por uma grande sociabilidade e uma pequena possibilidade de comunicação.

Ainda na primeira infância, mas em um segundo momento, a atividade passa a ser a objetal-instrumental. Nesse momento ocorre a assimilação entre o que já havia sido desenvolvido socialmente de ação com os objetos, e para isso é necessário que o adulto mostre as ações para as crianças. A criança por meio da linguagem consegue manter contato com o adulto e aprende a manipular objetos, assim ela organiza ao mesmo tempo colaboração e a comunicação com os adultos.

         No período pré-escolar, a atividade principal se torna o jogo ou a brincadeira, e por meio dessas atividades a criança se apodera do mundo concreto dos objetos adultos. As brincadeiras não tem caráter instintivo, o que serve de determinante do conteúdo é a percepção que a criança tem do mundo. Na medida em que a criança maneja os objetos usados pelos adultos, ela toma consciência deles e das ações humanas que podem ser usadas com esses objetos. Durante o desenvolvimento da consciência do mundo objetivo, a criança brinca realizando operações que ela ainda não domina devido as condições objetivas reais da ação, como por exemplo, dirigir um carro. Por meio da atividade lúdica a criança pode realizar essas ações, e assim ela resolve a contradição posta entre a necessidade de agir e a impossibilidade de executar determinadas operações. 

Para Elkonin (1988), o principal significado do jogo é dar a oportunidade para que a criança modele as relações entre as pessoas. O jogo tem grande influência das atividades humanas e das relações entre os indivíduos, tendo como conteúdo fundamental o homem. E ao mesmo tempo influencia a formação da personalidade infantil e o seu desenvolvimento psíquico.

A criança pré-escolar passa para o próximo estágio quando ingressa na escola, e sua atividade principal passa a ser o estudo, e o lugar que ela ocupa em relação ao outro muda, pois ela passa a ter obrigações, tarefas a cumprir e a executar, e primeiramente ela tem a impressão de estar realizando algo que é verdadeiramente importante. O estudo é o intermédio da criança com os adultos que o cercam, os parentes perguntam muito a elas sobre a escola, ninguém pode atrapalhar eles enquanto estão fazendo tarefa etc. Ocorre nesse momento uma nova assimilação de conceitos, na qual a direção integra o objetivo fundamental de ensino. O ensino deve introduzir o aluno na atividade de estudo, e desenvolver algumas funções como capacidade de reflexão, análise e planificação mental.

Quando chega o período da adolescência, a atividade principal passa a ser a comunicação íntima pessoal entre os jovens. Nesse estágio muda a relação que o jovem tem em relação com o adulto, devido a forças físicas, conhecimentos adquiridos e capacidades desenvolvidas, acaba ficando em certos casos em igualdade com os adultos, e em outros mais particulares até mesmo em posições superiores.

         Para Vygotsky (2006), nessa fase há um importante avanço no desenvolvimento intelectual. O pensamento concreto começa a ser substituído cada vez mais por pensamentos abstratos, e o conteúdo do jovem passa a se tornar convicção interna, tendo muito haver com orientações de seu próprio interesse, em relação a normas de conduta, desejos e propósitos.

         Por meio das relações sociais e da comunicação entre iguais que o adolescente desenvolve vários pontos de vista gerais acerca do mundo, das pessoas, do seu próprio futuro, e estrutura o sentido pessoal da vida. Essas atividades em grupos, vão dar origem a atividade profissional/de estudo, ou seja, a atividade de estudo volta a ser utilizada como uma maneira de orientar e preparar esses jovens profissionalmente, dando origem ao “domínio dos meios de atividade de estudo autônomo” (DAVIDOV; MARKOVA, 1987 apud FACCI, 2004, p. 71). O desenvolvimento chega a sua estável quando o individuo começa a trabalhar, e assim ocupa um novo lugar na sociedade.

         Como todas as atividades estão ligadas à cultura humana, é a sociedade que estabelece a motivação e o conteúdo da vida da criança. As atividades dominantes de cada período não deixam de existir, apenas vão perdendo sua força na medida em que se avança para o período seguinte. As atividades estão divididas em dois grupos: o primeiro grupo é composto pelas atividades que são desenvolvidas no sistema criança-adulto social, caracterizados pela assimilação de objetos, motivos e normas entre as pessoas. O segundo grupo é composto das atividades que ocorrem no sistema criança-objeto social, no qual há assimilação de procedimentos de ação com os objetos. 

A medida que a criança se desenvolve, ela percebe que o lugar que ocupava no mundo não corresponde com as potencialidades que ela tem e assim começa a transformá-lo. O processo das relações sociais passa a ser consciente e isso leva ela a uma nova modificação na sua atividade, que fazem com que ela repense suas interpretações anteriores. A atividade principal do novo momento, nasce produzindo um novo estágio do desenvolvimento. Essas transações resultam na mudança das ações, funções, operações, que de uma forma geral modificam toda a atividade.

A transição de um estágio de desenvolvimento para outro, gera crises. Nesses momentos de crise, a criança abandona o interesse em coisas que usualmente ocupavam muito o seu tempo e a sua atenção, e isso gera um vazio. Esses períodos de crise são intercalados com períodos estáveis, as crises denunciam que a necessidade interna de mudanças de um estágio para o outro, pois surge um debate entre o modo de vida da criança e a possibilidade dela de superar esse modo de vida. Para Leontiev (2006), a atividade se reorganiza, pois as próprias necessidades da criança mudam o seu interesse e a fazem buscar novas atividades dominantes. 

O conceito de linguagem e de atividade são considerados centrais para Vigotsky e Leontiev. Wittgenstein (1958, 1969 apud LAMPREIA, 1999, p. 3), com suas reflexões filosóficas a respeito da linguagem fez com que ele a percebesse como uma ação, e sendo uma ação não pode separa-la da atividade, pois se realiza a atividade por meio da linguagem, por ter uma significação.

A linguagem em uma forma tradicional vem sido vista como uma forma de representar coisas e pensamentos, algumas vezes é adicionado a esse conceito alguns aspectos contextuais como a atual comunicação, expressões faciais, entonação etc. Para  Wittgenstein (1958,1969 apud LAMPREIA, 1999), quando alguém entra em contato com a comunicação, o contexto é interpretado, trazendo ideias já formadas de significações e pressupostos. Essas ideias remetem a uma cultura já formada de específicos modos de vida, mitologias e crenças. E são esses aspectos da cultura que dão significação para a atividade em um contexto especifico.

Por um lado a linguagem é ação, por outro, qualquer atividade humana é contida de linguagem, porque está inserida em um ambiente construído por meio da linguagem. Dessa forma, esses conceitos não tem um sentido único, pois depende do ambiente em que eles estão inseridos. Quando se trata desse ambiente que direciona a linguagem e a atividade, outro autor menciona que: "as condições sociais trazem com elas os motivos e objetivos de sua atividade, seus meios e modos... Em uma palavra, a sociedade produz a atividade dos indivíduos que ela forma" (LEONTIEV, 1981 apud LAMPREIA, 1999, p.14-15). 

Se a sociedade produz a atividade dos indivíduos que estão inseridos nela, se torna interessante entender o papel da televisão na atividade principal da criança, uma vez que no Brasil a média de horas que uma criança assiste teve, é de 4horas 51min 19segundos, (NISTI; FARINHA; RENNER, [s.d]). O desenho animado é principalmente dirigido ao público infantil, e para isso tem que conter conteúdos que equivalem a infância brasileira. É necessário entender que além disso, a comunicação carrega a ideologia do seu emissor e tem relação com o contexto social e moral da época.

Segundo Ferrés (1996), a televisão alimenta a imaginação infantil como diversos tipos de contos e fantasias, se tornando um amparo em momentos de frustração e tristeza por exemplo. O desenho animado não pretende representar a realidade, mas sim confundir essa realidade, apresentando novas possibilidades para encarar o dia a dia, usando como meio o extraordinário e a fantasia.  

Segundo Lamas (2012, p. 81), o que é apresentado às pessoas é sempre algo que já foi assegurado pelos meios de comunicação e tido como verdadeiro, único e imutável. É extremamente difícil que a imagem seja questionada, porque ela se mostra como a verdade real, assim assistir televisão acaba por limitar a ação do pensamento, tornando o indivíduo um ser passivo para ser manipulado.  

          O cinema, por exemplo, antes tido como uma forma de lazer e formação da consciência, se torna um elemento do mundo da indústria moderna e que dissemina a ideologia da cultura dominante de uma forma muito eficiente, "trazendo mitos em relação a felicidade e ao amor" (MIRANDA, 2009, p. 12). Essa cultura dominante vende seus padrões de comportamento, criando uma forma padronizada de viver para o sujeito. Além de oferecer para ele em seus conteúdos uma realidade pronta, o que é oferecido não é escolhido pelo receptor, mas pelo emissor, tirando do indivíduo o direito de escolha e de livre concentração.

Segundo Miranda (2009), o objetivo principal da televisão não é de trazer a informação, educar ou entreter, mas sim atrair o seu público para assistir as propagadas. Propaganda essa que incentiva a venda de produtos, porque se não o fizer ela é retirada do ar, e isso é valido para o público infantil da mesma forma que vale para o publico adulto. Os desenhos são formados visando o lucro, a partir de produtos que podem ser produzidos para o comercio.

A mídia, segundo Lucchesi (2003), é usada como uma estratégia de sedução, privando os indivíduos da autonomia de fazer escolhas e prometendo a vivência de pleno prazer. No entanto, é necessário que o indivíduo não tenha satisfação, para que ele continue a buscá-la, assim a mídia apresenta objetos de desejos. Se a mídia tem um papel na constituição psíquica, não há como deixar de lado o que Adorno e Horkheimer (1985) disseram sobre a cultura, defendendo a ideia de que ela não é produzida pela massa, mas já vem pré-fabricada e expressa valores da sociedade de consumo.         

Segundo Marcondes Filho (1992, p.13), as cenas impostas da televisão, que por sua vez, tiram o direito de escolha e da concentração livre do telespectador, são as que interessam o produtor do programa e ao patrocinador. A televisão, segundo o mesmo autor “vive da venda de cada minuto de programação, isto é, transforma em valor comercial seu tempo de emissão” (MARCONDES FILHO, 1992, pg.18), ou seja, em cada minuto existe um investimento e um lucro, dessa forma a emissora tende em não gastar o tempo do telespectador, porque o mesmo se não gostar da programação pode mudar de canal a qualquer momento. Dessa forma, a televisão se preocupa se o telespectador está ou não assistindo determinado canal, se a televisão está ou não ligada, de um modo que se exista queda o nível de audiência, a TV altera a sua programação buscando o aumento de telespectadores.

O que acontece é que, como o telespectador não pode reclamar do programa e exigir seu dinheiro de volta, porque o recebe gratuitamente, a emissora se foca em somente aumentar o número de audiência, levando a qualidade dos programas aos níveis da massa, e fazendo com que haja uma padronização de tal forma que o importante seja vender o programa, sem ligar para a qualidade. O problema é que essa comunicação que é industrialmente feita para as grandes massas, busca captar sonhos, fantasias, desejos, para assim domesticá-los.

         Segundo Marcondes Filho (1992, pg. 44), na televisão existe uma redução de tipos, de situações, de acontecimentos, que são mostrados de forma simples e fácies de serem identificados, ou seja, a uma padronização criada pela televisão que empobrece a reprodução da vida, pois somente reproduz uma série de cenas-padrão. Desse modo, a TV funciona como um reforço diário das ideologias, de um lado com a valorização das aparências e símbolos de status, de outro confirmando as diferenças e as segregações com os preconceitos sociais, dessa forma ela reproduz a sua própria cultura, com suas perseguições e vícios, no entanto de uma forma disfarçada e bela. A programação à medida que reforça desigualdades e problemas sociais, culturais, políticos ou étnicos, ela encontra nisso um suporte para a venda de mercadorias, da mesma forma que ela cria o consumo, ela é o próprio veículo, fazendo com que a mercadoria incorpore tudo o que a sociedade de uma forma ou de outra deseja, e que por isso é consumida.

         A publicidade trabalha com modelos de beleza, elegância, de como andar e falar, enfim, ela oferece modelos para diversas situações da vida. No entanto, “o importante, na publicidade não é o fato de apresentar, mas o de impor esses modelos como os únicos” (MARCONDES FILHO, 1992, p.79), pois aqueles que não se enquadram nessas normas, se sentem excluídos, com sentimento de culpa, por não estarem de acordo com a cultura, isso de uma forma geral, resulta em se render ao poder dos modismos, que sem duvidas, atinge os mais fracos mais facilmente. A questão é que não se compra as mercadorias por suas qualidades, e nem pelo valor de uso, mas pela imagem que tal produto veicula no ambiente da vida do consumidor, ou seja, adquirir uma roupa ou uma joia significa pertencer a determinados ambientes e a participar de certas rodas. 

A nova era com a computação e a televisão, instituiu um novo mundo, ou seja, uma nova relação do homem com o seu meio e com as suas ideias, introduzindo uma nova lógica e em nova estrutura do pensamento. Com o grande contato da televisão com crianças e com os jovens, ela se torna uma desleal concorrente da atividade escolar.

Para Marcondes Filho (1992, p. 103-105), primeiramente a TV traz um novo ritmo de atividade mental, que consegue captar a atenção até mesmo dos entediados, cansados e distraídos, visto que a audiência tem grande importância para as emissoras, em contrapartida a sala de aula tem suas desvantagens, por normalmente ser uma aula expositiva clássica, e não conter o novo, o moderno, e por não veicular os signos valorizados pela cultura de massa. Também veicula a ideia de que o conhecimento pode ser passado sem a presença do professor como mediador, fazendo com que o individualismo seja ressaltado. Lembremos que assistir TV é um ato individual, que busca o se próprio interesse, no entanto, da mesma forma que a TV da impressão de liberdade, ela tira, pois toda a programação está subordinada a ideologia do programa. Outro fator, é que ao contrario da sala de aula, a TV não discute e não debate os assuntos, há pouco espaço para a filosofia, ou seja, a reflexão é excluída do cotidiano, porque fazer e pensar não são efetivamente preocupações da TV. Dessa forma pelo fato da TV ser mais barulhenta, trazer o novo, permitir uma liberdade supostamente maior, desligar o aluno do professor, dar o espaço para o individualismo e colocar superficialidade em vez de reflexão, ela se torna mais atrativa e supostamente venceria a sala de aula.

         A televisão é feita por homens que tem determinados interesses, ela é um instrumento que reforça e produz ideologias. O problema em questão que será debatido aqui se resume em:Como a tevê interfere na atividade dominante de crianças de 9 e 10 anos na contemporaneidade? Levando em consideração que as produções midiáticas retratam valores e comportamentos que denunciam o contexto histórico ao qual elas estão inseridas.  

         A mídia é usada como uma forma de sedução, privando seus telespectadores de fazerem escolhas e prometendo a eles uma ideia de pleno prazer. No entanto isso não ocorre, porque é necessário que o indivíduo continue a buscar satisfação, pois assim continuará consumindo. Dessa forma, é importante estudar como as ideologias passadas pela televisão podem influenciar na atividade principal das crianças na contemporaneidade.          

Metodologia

Participantes

         Participaram da pesquisa seis crianças pré-escolares, sendo três de escola pública e três de escola particular. As crianças tinham entre nove e dez anos de idade, as da escola pública foram selecionadas pela pesquisadora e pela psicóloga da Área de Psicologia Escolar de uma unidade de psicologia, com o critério de disponibilidade. Já as crianças na escola particular foram selecionadas pelas professoras, tendo como critério disponibilidade e autorização dos pais. Também participaram da pesquisa os pais das respectivas crianças. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Maringá segundo a resolução 196/96-CNS.        

 Procedimentos

         A pesquisa se dividiu em dois momentos, primeiro foi realizada com os alunos de escola pública. Em uma Unidade de Psicologia de uma cidade do Paraná, individualmente os pais assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e responderam o questionário junto à pesquisadora, sobre a rotina das crianças. Posteriormente, a pesquisa era realizada individualmente com cada criança, na qual consistia na realização de dois desenhos, o primeiro sobre como era o dia delas, a sua rotina, e o segundo sobre como seria um dia ideal, legal para elas, as instruções para o segundo desenho só eram dadas, quando o primeiro já havia sido finalizado.A medida que as crianças terminavam, poderiam ir embora.a inspiração para esta técnica foi a "tarefa-brinquedo" proposta por Alves (2003).

         Com as crianças da escola particular, a pesquisa foi realizada no próprio colégio. E os questionários foram enviados para os pais no dia anterior da pesquisa, desse modo, as crianças que participariam, quando fossem realizar a pesquisa traziam o termo assinado e o questionamento respondido. Assim, eram dadas as mesmas instruções que foram dadas as crianças do outro colégio, já descritas anteriormente. A medida que as crianças terminavam eram liberadas para voltar para suas atividades.

         A pesquisa realizada com as crianças foi gravada por um aparelho de celular, e posteriormente transcrita. Os materiais obtidos com as entrevistas, desenhos, e transcrições foram organizados conforme proposta pela Epistemologia Qualitativa.   

Resultados        

         Após a coleta dos dados, foi realizado o método descrito por Aguiar e Ozella (2006),que consiste em uma leitura flutuante para a identificação de pré-indicadores, que seriam as palavras que aparecem com maior frequência, pela sua repetição ou reiteração, bem como, pela importância desses pré-indicadores nas falas dos participantes. Em uma segunda leitura, ocorreu o processo de aglutinação dos pré-indicadores, pela similaridade, contraposição ou complementaridade, formando por sua vez, os indicadores. Com as aglutinações concluídas, inicia-se o processo de formação dos núcleos de sentido, que se refere a o processo de articulação de conteúdos similares, contraditórios ou que se complementam, assim, os núcleos devem expressar os conteúdos fundamentais e centrais da pesquisa.

Pré-Indicadores das Crianças

Os Pré-Indicadores obtidos por meio dos desenhos e da conversa realizada durante a articulação do desenhos, foram: Tarefa; Escola; Caderno; Televisão; Quadro; Prova; Futebol; Quadra; Inglês; Natação; Aula; Flores; Piscina; Perder bastante aula;

Pré-Indicadores dos Pais

Os Pré-Indicadores obtidos pela entrevista realizada com os Pais, foram: Televisão; Escola; Tarefa; Inglês; Natação; Futebol; Aula; Banho; Janta; Brinca.

Indicadores

Depois de estipulados os pré-indicadores, houve a aglutinação que formou os seguintes indicadores: Escola – e assuntos relacionados; Atividades Extracurriculares; Atividades ao ar livre; Televisão.

Núcleos de Sentido

Os Núcleos do sentido formados pela aglutinação dos indicadores foram: O prazer de estudar X À obrigação de estudar; A questão é: Quanto tempo tenho pra mim?; As vontades para fora das salas.

Análise dos dados

A análise dos dados será embasada na proposta da Epistemologia Qualitativa (GONZALEZ REY, 2002), as respostas foram agrupadas por indicadores de sentido que formaram ao final, núcleos de significação.

O prazer de estudar vs a obrigação de estudar:

Quando se procura estudar a psique infantil, é necessário começar pelo desenvolvimento da atividade principal. Segundo Leontiev (2006) é por meio do desenvolvimento de atividades, proporcionadas por condições concretas ao longo da vida, que o homem consegue se adaptar e com isso modificar os objetos e os meios de produção desses objetos para sanar suas necessidades. O desenvolvimento da atividade proporciona as mudanças mais significativas nos processos psíquicos da criança e nas particularidades de sua personalidade.

         Levando-se em consideração os entrevistados, entendeu-se que a atividade principal correspondente a eles, se refere à escola. Para Elkonin (1987 apud FACCI, 2004, p. 69), quando a criança ingressa na escola o lugar que ela ocupa em relação ao outro muda, passando a ter obrigações e tarefas a cumprir, e também algumas funções passam a ser desenvolvidas, como capacidade de reflexão, análise e planificação mental.

Segundo os resultados encontrados na pesquisa, foi possível comprovar que a escola está fortemente presente na vida cotidiana das crianças. Quando solicitado para que elas desenhassem as suas rotinas, os estudos apareceram na maioria dos desenhos, sendo caracterizada efetivamente pela escola, ou por outros elementos como caderno, quadro, escola, prova, aula e tarefa, que também dizem respeito a atividade escolar.

Enquanto as crianças desenhavam, elas iam conversando com a pesquisadora, e por vezes relatavam sobre as diversas atividades escolares que realizavam. A questão levantada em relação a essa situação é se a realização desses estudos tem haver com o prazer que eles sentem por isso, ou se tem haver com obrigações. Durante a pesquisa dois entrevistados de um mesmo colégio, no qual a atividade estava sendo desempenhada na própria escola, relataram que a pesquisa estava demorando muito e que eles precisavam voltar à aula.

Esse fator tem haver com a importância dessa atividade na vida das crianças, como uma forma de dever, obrigação. Visto que, quando pedido para que elas desenhassem sobre um dia legal para elas, apenas em um desenho, a escola aparece. Ou seja, levando em conta a frequência que a escola aparece na rotina deles, e a frequência que aparece no dia legal, entende-se que essa atividade passa a ser vista como obrigação, que tem sua importância. Essa situação é claramente ilustrada em um dos desenhos sobre o dia legal para elas, no qual um dos participantes desenha uma máquina no tempo e relata que usaria aquela máquina para voltar e arrumar todas as "cagadas" que teria feito em uma prova, demonstrando o grau de importância da atividade escolar nessa fase da vida das crianças

A questão é: Quanto tempo tenho pra mim?

         Foi observado que os participantes da pesquisa desempenham várias atividades durante as suas rotinas. Dentre elas estão as que a própria escola exige, como tarefas e leituras, até as extracurriculares, que permeiam por aulas de inglês, a treinos de futebol, passando por orientações profissionais, como de fonoaudiólogas e psicológicas.

Esses fatores são levados em conta visto que, essas crianças acabam por passar muito tempo envolvidas nessas atividades e acabam por não conseguir ter muito tempo para realizarem o que gostam, como brincar com alguma coisa ou até mesmo assistir televisão, visto que essas atividades são controladas, visando que as outras consigam ser cumpridas. 

         Essa preocupação em que a criança deve desempenhar várias atividades, desde muito cedo, tem haver com o que David, Davidov e Markova (1987 apud FACCI, 2004), comentam acerca da relação entre sociedade, atividades  e cultura humana, sendo que é a sociedade que estabelece a motivação e o conteúdo da vida da criança. Ou seja, a forma como a produtividade é cobrada em nível de trabalho social, parece ter chego às crianças, de tal modo que elas precisam desempenhar o maior número de atividades afim de se especializarem em cursos, lutas, jogos, línguas estrangeiras, pois isso acaba por traduzir quem são, em uma sociedade medida pela produção. 

         As crianças durante a realização dos desenhos ilustraram ou relataram as várias atividades que precisa desempenhar durante seu dia, dizendo que muitas vezes falta tempo hábil para desempenhar a tarefa escolar, visto que, ela precisa ser feita nos intervalos das outras diversas atividades. Ou seja, quando não estão nos compromissos pré-estabelecidos, então realizando as atividades exigidas no âmbito escolar, mesmo que o futebol, por exemplo, seja considerado como algo que elas gostem, não deixa de ser uma atividade já organizada e estipulada. Outra atividade que apareceu foi a de assistir televisão. Esse fato foi identificado em desenhos e nas entrevistas com os pais. Ou seja, quando a criança não está desempenhando as atividades programadas, ela assiste televisão, na maioria das vezes com um tempo estipulado.

         O fato delas assistirem televisão, no espaço que sobraria para a realização de qualquer outra atividade, tem haver com o lugar que a televisão ocupa na sociedade atual. Segundo Lucchesi (2003), a televisão é usada como uma estratégia de sedução, privando os indivíduos da autonomia de fazer escolhas e prometendo a vivência de pleno prazer. Ou seja, as crianças tendem a retornar a televisão, a assistir a programação, em vez de realizar outras atividades que iriam exigir criatividade e imaginação, por exemplo.

A televisão também é vista segundo Marcondes Filho (1992), como um reforço diário das ideologias, de um lado com a valorização das aparências e símbolos de status, de outro confirmando as diferenças e as segregações com os preconceitos sociais, dessa forma ela reproduz a sua própria cultura, com suas perseguições e vícios, no entanto de uma forma disfarçada e bela. A TV à medida que reforça desigualdades e problemas sociais, culturais, políticos ou étnicos, trabalha com modelos de beleza, elegância, de como andar e falar, enfim, ela oferece modelos para diversas situações da vida.

         Esse fator foi identificado nos desenhos das crianças, quando certos elementos como querer ir ao salão de beleza, se tornar um jogador de futebol, visitar uma exposição de carros e aviões e criar uma máquina do futuro, contidos no dia legal, perfeito ou ideal para eles. Ou seja, sonhos e anseios das crianças que tem muito ver com uma sociedade mercantilizada, na qual se valoriza a beleza feminina, se endeusa um jogador de futebol, ainda mais em ano de copa do mundo, valoriza carros e aviões, que são por si só objetos de consumo para um parte elitizada da população, e a realização de uma máquina do futuro, demonstrando uma ideia de querer ter um poder sobre o que já aconteceu e o que acontecerá.

         Esses itens podem ser questionados visando uma sociedade que como já dito anteriormente, tende a valorizar o lucro e a alienação. Desse modo as crianças almejam ideias vendidas e veiculadas pela sociedade de um modo geral, que tem a televisão como um forte meio para isso, e acabam por reproduzir essas ideias.

As vontades para fora das salas;

         Considerando que as crianças explicitaram que em suas rotinas uma grande quantidade de tempo é destinada para atividades dentro das salas, sendo elas, a própria sala de aula, a sala das atividades extracurriculares, ou a sala de televisão. E que quando questionado sobre os seus dias legais, o que apareceu na maioria foram, atividades que se remetessem para fora dessas salas, ou seja, para lugares ao ar livre.

         Esse fator levanta alguns questionamentos acerca de que, embora muito tempo seja investido em certas atividades, elas não são consideradas tão prazerosas para as crianças. Possivelmente esse fator esteja ligado ao de obrigatoriedade, e também, por exigir posturas que um dia em uma chácara, por exemplo, não exigiria.

         A grande questão a ser problematizada é o fato de que a televisão apareceu em menos da metade dos desenhos relacionados a rotina, não aparecendo em nenhum dos desenhos sobre o dia legal. Em contrapartida, segundo as entrevistas feitas com os pais, grande maioria das crianças assiste televisão todos os dias. Sendo que a escola não foi desenhada ou representada ou apenas uma das crianças. Ou seja, quando foi solicitado que elas escolhessem a atividade que quisessem, elas escolheram atividades ao ar livre, como jogar bola, visitar exposições de carros e aviões, ir ao salão, passa a tarde em uma chácara, ou em um floresta. E não escolheram a escola, as atividades extracurriculares ou assistir televisão.

         O questionamento levantado acerca do por que a televisão esta contida nessas rotinas como forma de lazer, tem haver com a praticidade que ela oferece, pois atividades ao ar livre exigiram tempo tanto dos pais quanto das crianças, além de uma programação e organização, no entanto, para assistir a televisão, basta liga-la. Ou seja, se pudessem escolher, não escolheriam a televisão, mas como não há opções, ficam com ela, visto que segundo eles não há nem tempo suficiente para a realização da tarefa, devido as diversas atividades, quem dirá para uma tarde “só” jogando bola.

Considerações finais        

         Ao dar inicio a pesquisa foi levado em consideração que segundo Marcondes Filho (1992), com o aumento do contato da televisão com crianças e com os jovens, ela se torna uma desleal concorrente da atividade escolar. No entanto, o que foi observado nesta pesquisa contraria essa informação. Visto que a escola está muito mais presente na vida das crianças do que a televisão, e isso foi nitidamente expressado por elas em seus desenhos.

         Levando em conta essa informação, conclui-se que, embora a televisão esteja presente na rotina dessas crianças e possa a vir influenciar a atividade de estudar, ela não à substitui. A escola continua sendo a atividade dominante das crianças tendo seu caráter de importante, esse fato, por exemplo, pode ser confirmado visto todas as crianças mencionaram que sabiam o que era Universidade Estadual de Maringá (UEM), quando a pesquisadora explicou para que estava sendo realizada a pesquisa, e dessa forma onde estudava. Essas falas retratam o grau de importância da escola e dos estudos, que permeiam desde fase escolar inicial, até a juventude.

            Outro fator identificado foi um grande número de atividades extracurriculares desempenhadas pelas crianças, o que por sua vez, poderia estar limitando o tempo delas dedicado ao que elas gostariam de fazer. Atividades ao ar livre, aparecem como a programação de prazer para a maioria delas, e quando questionadas se realizavam essas atividades, ela retratavam que não, hora por falta de tempo dos pais, hora por falta de tempo delas mesmas. O que é resultado de uma sociedade que prioriza a produção, e que inevitavelmente chegou ao universo infantil.

         Considerando os aspectos até o momento elencados, considera-se que a televisão ocupa o lugar de lazer para as crianças, mas não propriamente a escolha de lazer delas, como se de tudo o que pudesse realizar, escolhessem assistir televisão, mas pelo contrário, parece ser a opção que resta. E tudo isso intimamente ligada com o grande numero de afazeres que lhes são propostos, contudo, a atividade dominante continua aquela apontada pela psicologia histórico-cultural: a atividade de estudo. Entende-se a necessidade de mais estudos referentes a essa área, com amostras maiores e um estudo longitudinal que perpasse o período de crise entre uma fase e outra.

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Autores

Dr. Alvaro Marcel Palomo Alves, mestre em Psicologia da Infância e Adolescência (UFPR), doutor em Psicologia e Sociedade (FCL/UNESP). Professor Adjunto do Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá; email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

Paola Lingiardi Altoé (Aluna do Programa de Iniciação Científica - 5ª série de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá).

 

A representação social do psicólogo: um estudo descritivo

 

 

 

 

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