A neurociência cognitiva tem trazido importantes contribuições para área educacional, à relação dessas pesquisas com as teorias de Jean Piaget somam à pedagogia uma melhor compreensão do processo de desenvolvimento cognitivo humano.

Resumo

A neurociência cognitiva tem trazido importantes contribuições para área educacional, à relação dessas pesquisas com as teorias de Jean Piaget somam à pedagogia uma melhor compreensão do processo de desenvolvimento cognitivo humano. O objetivo principal proposto pelo artigo é compreender as informações das pesquisas neurocientificas e as fases da criança descrita por Piaget, com intuito de trazer embasamento teórico necessário para o aperfeiçoamento das metodologias pedagógicas. A Pedagogia tem como objeto de estudo o processo de ensino e aprendizagem e deve aliar-se as essas pesquisas fundamentando sua prática em base cientifica. O artigo explana um tema atual e relevante para área educacional, tem como embasamento a lista com as referências e resumos dos documentos que foram localizados e pesquisados para elaboração deste.

Palavras-chave:. Neurociências; Piaget; Pedagogia.

Abstract

Cognitive neuroscience has made ​​important contributions to the educational area, the relationship of these studies with Piaget's theories add to pedagogy a better understanding of human cognitive development. The main objective of the proposed article is to understand the information of neuroscientific research and the child's stages described by Piaget, in order to bring theoretical foundation necessary for the improvement of teaching methods. Pedagogy has as object of study the process of teaching and learning should ally if such research basing their practice on scientific basis . The article explains a current topic and relevant to the educational area, has as basis the list of references and abstracts of documents that were found and searched for preparing this.

 Keywords: Neurosciences ; Piaget ; Pedagogy.

Introdução

O presente artigo traz discussões sobre a relação entre as teorias de Jean Piaget e as pesquisas da neurociência cognitiva e comportamental. Tem o intuito de explanar as importantes contribuições com base teórica-cientifica para área educacional. 

A relação da neurociência com a pedagogia trás a oportunidade de aprofundamento nos estudos do desenvolvimento cognitivo humano, trazendo grandes contribuições para o entendimento dos processos neurobiológicos da aprendizagem. O artigo também pontua a necessidade de reflexão sobre a matriz curricular na formação de professores, que esta abarque o ensino do desenvolvimento cerebral na construção do aprendizado. Na atualidade é essencial à integração saúde, educação e neurociência, pois, faz-se necessário aos professores entender esses processos neurológicos e compreender o educando como ser integral.

Compreende-se hoje que o educador trabalha diretamente com a aprendizagem humana, em muitos casos sendo o primeiro profissional que trabalha intencionalmente na estrutura cognitiva do sujeito.  A preparação deste profissional para lidar com este processo e compreende-lo deve ser efetiva. O professor, mesmo que não perceba isso de forma consciente, muda e modela as estruturas neuronais dos seus alunos quando media as informações que os auxiliaram no seu desenvolvimento. Entender como o cérebro aprende é algo que deve ser inerente ao currículo dos cursos de formação docente.

1.Neurociências e Jean Piaget - As fases de desenvolvimento da criança:

Jean Piaget (1896-1980) via o desenvolvimento intelectual cognitivo como a aquisição de conhecimento pela criança. Ele não admitia (empirismo) que é o conhecimento reduzido como uma “folha em branco” da mente ou (inatismo) estruturas cognitivas que desabrocham automaticamente há seu tempo por fator genético. Para ele á aprendizagem ocorre na interação com o meio. Contudo, aquilo que o individuo aprende nesta interação depende do nível de suas estruturas cognitivas. Para Piaget a inteligência não é herdada, mas o que se herda é a capacidade de se adaptar.  Seus estudos têm como base a epistemologia genética, o ser humano tem uma troca com o meio em que vive, ele transforma a natureza se transformando também. Piaget trás na sua teoria a palavra chave interação. (PIAGET, J. 1973).

O raciocínio das crianças evoluiria ao longo de estágios sucessivos de desenvolvimento através dos quais a criança passa de estados de menos conhecimento para estados de mais conhecimento. Os estágios são comuns a todo ser humano numa sequência fixa de complexidade crescentes sendo quatro fases ocorrendo em determinadas faixas de idade. Mas como isso acontece neurologicamente? Como relacionar essas fases a neurociências e trazer um maior entendimento para a formação de educadores tornando-os mais preparados? E como essas informações podem ser utilizadas efetivamente no meio educacional, atingindo de maneira direta e positiva o aprendizado da criança? Como essa relação veio para somar conhecimentos e auxiliar os educadores dentro da sala de aula? “No sistema piagetiano, a inteligência, independentemente do seu conteúdo e nível de desenvolvimento, é definida por dois aspectos interdependentes: organização e adaptação. Ambos estão presentes em qualquer forma de inteligência, sendo por isso, conhecidos como invariantes funcionais”. (COOLL; PALACIOS & MARCHESI, 1995, pp.35-39).

1.1 Estágio Sensório-Motor (0 a 2 anos)

Conforme a teoria Piagetiana, este período é marcado por um intenso desenvolvimento, passando por três etapas: Reflexos, organização das percepções e hábitos, inteligência sensório motora. A criança quando nasce sua vida mental se reduz a alguns reflexos sensórios motores. Através destes reflexos que o bebê assimilará o mundo ao seu redor. Possui também um aguçado equipamento sensorial que lhe permite ver, ouvir, sentir odores, ser sensível a dor e a temperatura. O bebê nasce com intensa capacidade de se adaptar ao meio. Com as contribuições da neurociência hoje podemos afirmar que o cérebro nasce com 1/3 do tamanho do cérebro de um adulto. A criança nasce com um cérebro de mais ou menos 400g e no final do primeiro ano de vida, terá duplicado de tamanho pesando cerca de 800g. Nascemos com excesso de sinapses e passamos por uma série de períodos críticos de desenvolvimento, também chamados de janelas de oportunidade para aprendizagem.

Existe uma capacidade intelectual precoce, ou seja, apesar do ser humano nascer imaturo no que se refere a sua capacidade motora, em contrapartida o mesmo já nasce capaz intelectualmente a aprender. As estruturas neurais humanas ocorrem muito precocemente, na ocasião do nascimento estruturas essenciais já estão quase formadas. Sendo assim ao contrário do que um dia se imaginou a criança não nasce com um cérebro em “branco”, mas com estruturas formadas prontas para o aprendizado. Como dito antes, esse excesso de sinapses neste período de 0 a 2 anos fará a criança desenvolver rapidamente sua coordenação motora, visão, audição e linguagem. Através dessa exuberância sináptica é que ocorre esse aceleramento do aprendizado, (LENT, 2008, p.105-107).

O cérebro absorve o maior numero de estímulos para se adaptar ao meio e é com a interação deste meio que o cérebro aprenderá. Fazendo a relação desta fase estudada por Piaget com as contribuições das pesquisas da neurociência, educadores podem compreender melhor como acontece este processo e como é de suma importância nesta fase os estímulos corretos para a criança e os benefícios para o desenvolvimento cognitivo para toda vida. Nesta fase também caracteriza pelo estado de Anomia, a criança não assimila as regras sociais por não ter maturidade neurológica e psicológica para entender o outro se colocando no lugar dele, o que se dá o nome de apatia. Sendo um traço marcante desta idade a falta de limites e o cuidado para que a criança não coloque sua própria vida em risco. Essa maturidade só ocorrerá quando o córtex frontal começar sua maturação desenvolvendo o raciocínio lógico, abstrato e o controle das emoções, mas este desenvolvimento levará décadas para chegar ao seu ápice estrutural.

1.2 Estágio Pré-Operatório (2 a 7 anos)

Este estágio para Piaget abrange aproximadamente dos dois aos sete anos de idade é marcada pelo aparecimento da linguagem de modo que o comportamento da criança é profundamente modificado, tanto no aspecto afetivo quanto no intelectual. O cérebro de uma criança e de um adulto é muito diferente, da mesma forma, os cérebros de crianças em idades diferentes não podem ser comparados. É dentro deste estágio que acontece também a primeira poda sináptica por volta dos três anos, o número de neurônios/sinapses reduz cerca de 25% em relação ao nascimento. Tudo que foi estimulado durante estes primeiros anos de vida no cérebro, mas que ao longo deste tempo não teve uma serventia será “dispensado”. Assim a criança começa a se concentrar melhor nas coisas que faz nas brincadeiras e em outras crianças. Este é o inicio da socialização, a aparição do pensamento rudimentar, interiorização das ações, reconstruções das imagens e experiências mentais, mostrados por Piaget. Educadores passam a entender que na fase pré-operatório também é marcada por profundas modificações neurológicas, compreendendo a transformação do comportamento infantil neste período.

Mesmo com a primeira poda neuronal o sistema nervoso é extremamente plástico nos primeiros anos de vida, a capacidade de formação de novas sinapses é muito grande o que é explicável pelo longo período de maturação do cérebro que se estende até a adolescência. Sendo assim a criança não diminui a capacidade de aprender, mas o cérebro agora passa a selecionar as informações que serão necessárias para seu aprendizado, em seguida o que não for útil para ele descartará com mais rapidez do que quando era bebê, pois, antes tudo era armazenado para sua adaptação ao meio, isso era necessário para sua sobrevivência. Aqui leva os educadores a reflexão sobre esta fase do desenvolvimento da criança. No estágio sensório-motor o estímulo era essencial para aprendizado, nesta fase a estimulação ainda intensa e precoce poderá ser negativa para o desenvolvimento cognitivo. (CONSENZA, 2011).                         

Embora a privação sensorial também seja ruim para o desenvolvimento da criança, o excesso de estímulo nesta fase não fará bem, pois tudo que for em excesso o cérebro fará a seleção naturalmente, com isso poderá gerar na criança ansiedade ou agitação. Ao longo de milhares de ano de evolução, nosso cérebro foi programado para desenvolver-se de forma harmoniosa com o ambiente, assim como é prejudicial à falta de estímulo para o aprendizado é pouco provável que uma estimulação exagerada traga benefícios para o desenvolvimento cognitivo da criança. Outro fator a considerar é o cronológico, pois a criança passa por processos psicológicos de maturação no meio que esta inserida, mas estes processos têm fatores neurológicos com mudanças na estrutura cerebral, sendo muito importante ponderação aos educadores, estes devem refleti que, as crianças necessitam dos estímulos necessários na idade correta.

“O desenvolvimento, portanto, é uma equilibração progressiva, uma passagem contínua de um estado de menor equilíbrio para um estado de equilíbrio superior. Assim, do ponto de vista da inteligência é fácil se opor a instabilidade e incoerência relativa das ideias infantis á sistematização de raciocínio adulto. No campo da vida afetiva, notou-se, muitas vezes, quanto o equilíbrio dos sentimentos aumenta com a idade. E, finalmente, também as relações sociais obedecem à mesma lei de estabilização gradual.” (PIAGET, J. 1971, p.11)

1.3 Estágio Operatório-concreto (7 a 12 anos)

Para Piaget neste estágio evidencia a socialização, o pensamento, as operações racionais e o campo da afetividade.

 “A inteligência é uma adaptação, para aprender suas relações com a vida em geral é necessário determinar quais as relações que existem entre o organismo e o meio ambiente. De fato a vida é uma criação continua de formas cada vez mais completas uma busca progressiva do equilíbrio entre essas formas e meio. (...) De certa forma o início da evolução mental, a adaptação intelectual é, pois, mais restrita que adaptação biológica, mas quando essa se prolonga aquela a supera infinitamente. (...) As coisas que percebemos ou conhecemos são uma parte restrita do meio ao qual o organismo tende adaptar-se.” (PIAGET, J. p.28-29, 2010).

A Socialização começa a surgir a partir de sete anos, a criança adquiri a capacidade tanto de se concentrar em uma atividade quanto de cooperar com outros para realizar trabalhos em conjuntos. Inicia aqui o trabalho com jogos coletivos e de regras. O Pensamento da criança começa a se desenvolver e a pensar sobre suas ações. Desenvolve também a noção de conservação de substâncias, peso, volume, comprimento e reversibilidade de pensamento. As Operações racionais dá à criança a capacidade de formar sistema de conjuntos e incluindo neles novos conceitos aprendidos. A Afetividade consciente torna-se possível nesta fase à aquisição de novos sentimentos morais, como respeito mútuo. Respeito às regras como resultado de um acordo entre os jogadores que inclui a honestidade e companheirismo.

Com amadurecimento físico também temos o amadurecimento cerebral. A neurociência mostra que os processos cognitivos emocionais estão profundamente entrelaçados no funcionamento do cérebro. Nesta fase o cérebro já tem estruturas suficientes para fazer relações com novos aprendizados formando um raciocínio mais rápido. A afetividade, emoções também se manifestam por meio das alterações na fisiologia e nos processos mentais, mobilizando os recursos cognitivos existentes como atenção e a percepção o principal responsável por estes processos é o sistema límbico.

Ligado também a essa fase do desenvolvimento neurobiólogo esta o lobo frontal, que começa a discernir o que é “certo” ou “errado” nas interações sociais e se colocar no lugar do outro, surgimento da empatia, também começa o amadurecimento da consciência. Alterar a fisiologia do organismo visando uma aproximação, confronto ou afastamento, costuma determinar as escolhas das ações. As emoções também é um eficiente mecanismo de sinalização intra-grupal, pois, a criança passa a reconhecer as emoções uns dos outros e por meio delas a desenvolver a comunicação. “(...) entender quais os mecanismos mentais que o sujeito usa nas diferentes etapas da vida para poder entender o mundo. Sim, pois para Piaget a adaptação á realidade externa depende do conhecimento”. (RAPPAPORT. 1981, p.51.)

1.4 Estágio Operatório formal: (Por volta dos 12 anos)

Caracteriza o início da adolescência. Nesta idade o cérebro chega ao tamanho máximo do seu crescimento, sendo do tamanho de um adulto. Daqui para frente não terá um crescimento físico, mas continuara o desenvolvimento das suas conexões sinápticas não cessando seu aprendizado e desenvolvimento cognitivo. Nesta fase passa-se por diversos conflitos no campo emocional, apresentando uma série de conquistas importantes que asseguram o pensamento, a afetividade e um equilíbrio superior. Aqui também se caracteriza pelo começo da autonomia. Nesta fase o ser humano além de ser capaz de socializar ele começa a ser capaz de colocar-se no lugar do outro responsabilizando pelos seus atos e consequências. Por volta desta mesma época o cérebro passa por sua segunda poda neuronal, fazendo um “refinamento” de suas estruturas neuronais, reforçando e consolidando os conhecimentos adquiridos com o tempo e experiência que este sujeito passou. É possível verificar que o conceito de equilíbrio/desequilíbrio constituirá a espinha dorsal da epistemologia genética de Piaget: “(...) O motor interno do desenvolvimento cognitivo não é propriamente o amadurecimento do sistema nervoso, mas a equilibração, a busca de um novo equilíbrio intelectual cada vez melhor.” (KESSERLING, 1993, p.37.).

Nesta fase o cérebro esta “programado” para descartar tudo aquilo que já não o estimula, passando por um processo de amadurecimento como foi feito por volta dos três anos.  Nesta fase o adolescente passará esta ciente dos seus atos, mas ainda não existe uma maturidade cerebral para medir as consequências destes. Por isso que é uma etapa principalmente no espaço escolar, desafiadora para pais e educadores. Compreender como cérebro funciona nesta idade capacita o professor a entender como trabalhar com este adolescente e seu potencial. Não basta somente a maturação do sistema nervoso, embora seja importante, é preciso que a criança vivencie situações desafiadoras, desequilibrantes, para ter a oportunidade de agir com toda sua capacidade biológica, psicológica e social para o desenvolvimento maior do conhecimento. (HERCULANO, 2005)

2.Como o cérebro aprende? 

Em suas observações, estudos e pesquisas, Piaget fala que o aprendizado acontece através de processos de equilibrações sucessivas.

O desenvolvimento mental é uma construção contínua, comparável á edificação de um grande prédio que, á medida que se acrescenta algo ficará mais sólido, ou a montagem de um mecanismo delicado, cujas fases gradativas de ajustamento conduziriam á uma flexibilidade e uma mobilidade das peças tanto maiores quanto mais estáveis tornasse o equilíbrio. (PIAGET, 1969, p.12.)

Para Piaget, construímos nosso conhecimento através das dúvidas buscando saná-las, aprimorando as respostas conforme cada etapa da vida formando um círculo contínuo de aprendizagem. “Os esquemas quer sejam esquema de ação quer sejam esquemas mentais permitem que o indivíduo aja sobre o mundo que o cerca no sentindo de aprender os elementos presentes nesse mundo e, assim restabelecer seu equilíbrio”. (FIORAVANTE, D. 2010, p.107) 

Assimilação: Ocorre quando há interação com o meio e tentativas de integrar aspectos, experiências aos esquemas previamente estruturados, consistiria na tentativa do indivíduo de solucionar uma situação.

A acomodação: Consiste na capacidade de criar novos esquemas ou modificações de estruturas mentais antigas e dessa forma consigam lidar com o meio, fazendo a resolução para poder lidar com o novo objetivo do conhecimento.

Equilibração: Será o desenvolvimento da inteligência, permitindo aos indivíduos estar em equilíbrio com seu meio, quando este é rompido a sempre há uma nova tentativa de equilibração dando origem a esquemas mais complexos. (PAREDES, TANUS. 2000).

Fazer a relação destes conceitos de aprendizagem explanados por Piaget e a pesquisa da neurociência na área cognitiva, percebe-se como estes conceitos contribuem para o entendimento ainda mais aprofundado dos processos cognitivos. A expressão e a aprendizagem dependem de sinapses, entender como se dá estas conexões e a consolidação do aprendizado é importante para compreender como o cérebro aprende. Na estrutura neurológica quando se faz a acomodação do conhecimento há uma mudança física no cérebro. Pesquisas atuais mostram que as células nervosas ou neurônios estimam-se cerca de 86 bilhões, sendo as células gliais ou de sustentação, aproximadamente 84 bilhões no cérebro humano. Esta complexa rede é responsável pelo processamento de informações por todo córtex cerebral, fazendo conexões uns com os outros, essas conexões são chamadas de sinapses. Quando a informação chega ao cérebro chama-se esse primeiro momento de aquisição. (CARTER, 2012, p.68,69).

Piaget referia-se a esse primeiro momento de assimilação. Essa informação será recebida no lobo frontal e passará por todo o córtex cerebral para fazer a consolidação, que nesta segunda fase Piaget dá o nome de acomodação. Para este processo ocorra o cérebro “filtra” as informações, se a informação que chega é relevante, passará pelo o processo de consolidação, nesta terceira fase Piaget a nomeia de Equilibração, ficando na memória de longo prazo, passando pela mielinização, processo que a bainha de mielina faz, passando pelo axônio fortalecendo mais as conexões consequentemente as sinapses, que é o fortalecimento dos dendritos novos que foram criados para manter aquela informação no cérebro. A mielina cobre boa parte dos neurônios e aumenta significativamente a velocidade e a intensidade da transmissão de impulsos elétricos entre eles. (HOCKENBURY, 2003. p.43-48.).                         

Esse processo ocorre naturalmente, principalmente na infância e adolescência. Nessa fase o cérebro tem maior facilidade de formar novas ligações, nomeia de Neuroplaticidade. Se for algo que se usará somente em um espaço de tempo muito curto a informação irá para memória de curto prazo não haverá a mielinização e logo será perdida ou “deletada”. A repetição daquela mesma informação gera cada vez mais mielinização tornando mais forte os dendritos responsáveis por guarda-la. Essa mielinização trás uma mudança física no cérebro. Desse modo podemos ver que a aprendizagem trás mudanças profundas no cérebro mudando também o sujeito. “Memória é aquisição, a formação, a conservação e a evocação de informações. A aquisição é também chamada de aprendizagem: Só se grava aquilo que foi aprendido. A evocação é também chamada de recordação, lembrança, recuperação. Só lembramos aquilo que gravamos aquilo que foi aprendido”. (IZQUIERDO, 2002, p.9)

O cérebro é plástico, molda-se ao aprendizado que vai adquirindo, dar-se o nome a esta capacidade cerebral de neuroplasticidade, pois, este é capaz de se reorganizar, moldar, mudar estruturalmente para continuar seu aprendizado. O cérebro tem três grandes áreas funcionais. A primeira área estabelece que a intensidade da resposta esta ligada diretamente com a intensidade do estímulo a área um é responsável só pelas sensações dos nossos quatro sentidos, a área dois tem todo um arquivo, então tudo que já vimos fica registrado no córtex dois. A segunda refere que a resposta a um estímulo requer que haja concentração dos processos nervosos e equilíbrio entre a excitação e inibição e dizemos também área secundária que é responsável pela identificação. A terceira está relacionada com a mobilidade dos processos nervosos, característica que possibilita ao indivíduo mudar facilmente de uma atividade para outra, a área terciária é a cognitiva. (RODRIGUES, 2010).

Estas áreas estão especificadas no córtex por diferentes giros e camadas. A evocação dessas informações é a etapa que se recorre à memória de longo prazo para trazer a tona os esquemas previamente estruturados resgatando o conhecimento necessário para lidar com uma nova situação. Porém, se a situação ainda não pode ser resolvida, mas uma vez o cérebro entra no processo de aquisição, consolidação para futuramente recorrer a uma evocação deste aprendizado adquirido. O cérebro esta em constante aprendizado, mesmo depois de adulto ou idade avançada, ele nunca para de aprender. 

3.Contribuições para os métodos pedagógicos:

Considerar a participação tanto da herança biológica (genótipo) quanto da herança sócio-histórico-cultural (ambiente; meio ambiente) na determinação de características físicas e comportamentais, entre elas a inteligência dos alunos é de suma importância para o desenvolvimento do trabalho do professor. O estudo do desenvolvimento do sistema nervoso permite ao educador fazer observações nos comportamentos que irão aparecer na criança naturalmente em cada fase do seu amadurecimento. O desenvolvimento do Sistema Nervoso Central (SNC). Inicia-se na vida intrauterina e têm influências de fatores genéticos e ambientais.  (PEÇANHA, 2012, p. 16-18.).                         

O desenvolvimento do comportamento relaciona-se a maturação das células cerebrais. A cognição age no processo de aprendizado e memória, modelando o cérebro da criança dotado de sinapses em excesso. Além das influências genéticas, o sistema nervoso também sofre influência de fatores ambientais para a interação das regiões cerebrais e para promover as alterações das estruturas celulares. Entende-se como indispensável ao educador o estudo das bases neurais da aprendizagem com a necessidade de fornecer subsídios para seu trabalho. O cérebro em desenvolvimento é plástico, capaz de organizar novas capacidades intelectuais e comportamentais na criança. As células em desenvolvimento têm maior capacidade de adaptação do que no adulto, percebe-se que com o avanço da idade a aprendizagem requer o emprego de muito mais esforço para se efetivar.

 Não significa que a pessoa deixa de aprender quando amadurece, ao contrário do que se pensava há décadas atrás existem partes do cérebro que produzem novos neurônios até a velhice, como, por exemplo, o Hipocampo, porém perdem-se um pouco as vantagens naturais que o cérebro trás no começo da vida e do seu desenvolvimento, quando é a fase que ele está em plena adaptação ao meio. A eficácia de uma aprendizagem se relaciona fortemente com a sua continuidade (repetição), discussão, problematização e argumentação. Por isso hoje se defende uma pedagogia pautada na interdisciplinaridade, pois a ligação de um conteúdo ao outro trás a repetição do mesmo assunto em vários contextos diferentes fazendo várias áreas do cérebro armazena a informação e pode ser evocada com maior facilidade quando necessário. (GUERRA, 2011).

 A compreensão destes fatores trás importantes contribuições para a prática pedagógica, embasamento cientifico que auxilia o trabalho dos profissionais dentro da sala de aula, e os capacita para entender o processo da aprendizagem. Não somente a metodologia, mas também os processos neurológicos envolvidos na aprendizagem. O conhecimento mais amplo da atividade mental infantil, permiti o professor detectar problemas comportamentais e de aprendizagem que surgem durante o período de escolarização. O artigo não propõe uma fórmula pronta, mas a neurociência somada à pedagogia pode trazer muitos benefícios para efetivar um trabalho mais coeso identificando no aluno suas dificuldades e o estimulando corretamente para conseguir maximizar as capacidades cognitivas, mediando sua aprendizagem e estimulando seu potencial. (CAPOVILLA, 2007). 

Conclusão

As pesquisas da neurociência cognitiva têm crescido em todo mundo, tal crescimento também tem sido observado no Brasil. A ampliação dessas informações para área educacional trará fundamentação cientifica e maior compreensão do desenvolvimento humano. A pedagogia deve aliar-se a estas pesquisas do processo neurobiológico da cognição buscando fundamentar suas práticas educacionais com bases em metodologia cientifica, relacionando teóricos da educação como Piaget a essas novas descobertas trazendo novas bases para a formação docente.

Ao trabalhar com o ensino-aprendizagem, os educadores estão diretamente ligados às transformações neuronais do sujeito e é preciso entender como esses processos funcionam. As matrizes dos cursos para formação docente devem passar por adaptações, acrescentando os estudos cognitivos do cérebro. O artigo veio com o intuito de apresentar e salientar a importância dessas informações para educadores na sua formação acadêmica e potencializar a necessidade de conhecimentos gerados por pesquisas das neurociências e que estes sejam usados adequadamente nos planejamentos de projetos de ensino-aprendizagem. Mostraram-se aqui as inúmeras contribuições para auxiliar positivamente o trabalho de professores e pedagogos, aperfeiçoando as metodologias pedagógicas e em consequência beneficiando a aprendizagem de crianças e adolescentes dentro do espaço educacional. Argumenta-se a relevância deste conteúdo para as aplicações efetivas deste novo paradigma educacional na atualidade.        

Referências

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CAPOVILLA. Alessandra. Contribuições da neuropsicologia cognitiva e da avaliação neuropsicológica á compreensão do funcionamento cognitivo humano. CADERNOS DE PSICOPEDAGOGIA. Cad. psicopedag. v.6 n.11 São Paulo: 2007

CARTER, Rita. O livro do cérebro: Um guia ilustrado de sua estrutura, funcionamento e transtornos. Rio de Janeiro: DK, 2012.

CONSENZA, Ramon. Neurociência e educação: Como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

 COOL, PALACIOS, MARCHESI. Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

DOIDGE, Norman. O cérebro que se transforma: Como a neurociência pode curar as pessoas. São Paulo: Record, 2011.

 FIORAVANTE, Daniele. Psicologia da educação II. São Paulo: Pearson, 2010.

GUERRA, Leonor Bezerra. O diálogo entre a neurociência e a educação: da euforia aos desafios e possibilidades. Revista Interlocução, v.4, n.4, p.3-12, publicação semestral, junho/2011.

HERCULANO, Suzana Houzel. O cérebro em transformação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.

HOCKENBURY, Don e Sandra. Descobrindo a psicologia. São Paulo: Manole, 2003.

IZQUIERDO, Iván. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2002.

KESSELRING, T. Jean Piaget. Petropolis: Vozes, 1993.

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Autores

Wanessa de Moura Araújo Rodrigues1  Prof. Ademir José de Abreu, Ms. Orientador2             

1-Graduada em Pedagogia-UNOPAR. Pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica-CENSUPEG. Especialista em Neuropsicopedagogia e educação especial inclusiva-CENSUPEG. Pós graduada em Atendimento Educacional Especializado Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

2- Mestre Orientador. E-mail:Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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