Nos dias de hoje, a saúde mental brasileira recomenda a inclusão do portador de transtorno mental na sociedade tirando-o do âmbito hospitalar e inserindo-o no contexto sociofamiliar

Resumo

Nos dias de hoje, a saúde mental brasileira recomenda a inclusão do portador de transtorno mental na sociedade tirando-o do âmbito hospitalar e inserindo-o no contexto sociofamiliar. Para isso, as famílias e os profissionais de saúde, bem como a sociedade em geral, são orientados a aceitar uma forma mais humanizada de olhar a loucura, encontrando modos de conviver com a diferença, dissipando os estereótipos e os preconceitos em relação à figura do louco. O estudo foi realizado na cidade de Cabedelo/PB, no Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), classificado como CAPS I. Contou-se com a participação de uma psicóloga, respeitando o critério de que essa prestasse serviço ao CAPS I. Na pesquisa, foi utilizado um roteiro de entrevista semi-estruturada, composta de 13 questões, que pode ser dividida em duas partes, abarcando perguntas sobre a formação profissional e a atuação da psicóloga no CAPS. Diante de tudo o que foi discutido com relação a saúde mental, percebe-se que existe um avanço nessa questão, em que o CAPS é parte disso. Além disso, observa-se um esforço da academia, juntamente com profissionais inseridos nesses locais de apoio psicossocial, em construir um novo olhar sobre o doente mental. Foi possível observar ainda, que o cuidado e apoio, oferecidos nos serviços do CAPS, vão além da questão profissional e financeira, mas envolve sentimentos entre profissionais/usuários, como também, formação de vínculos. Espera-se que a partir dessa pesquisa, desencadeiem novos estudos que ultrapassem as limitações desse, em que o pesquisador possa investigar, problematizar, trazer propostas, promovendo maiores avanços

Introdução

A psiquiatria traz, ao longo da sua história, alguns marcos que nortearam o atendimento ao doente mental, como por exemplo, a reforma psiquiátrica e a luta pela desinstitucionalização da loucura (AMARANTE, 1998, 2004; DELGADO, 2015). Atualmente, vivemos um período
o de mudanças ideológicas, estruturais e políticas que refletem nas ações de saúde mental, provocando mudanças em relação à institucionalização da assistência (DELGADO, 2015; BRAGA; D'OLIVEIRA; PIRES, 2015)
Normalmente, há uma tendência em se julgar a sanidade de uma pessoa, de acordo com seu comportamento, e sua adequação às normas e regras sócio-culturais. A saúde mental pode, então, ser considerado um conceito e um espaço de ordem pública. Diante disso as definições de sanidade e loucura são variações de um mesmo fenômeno e um mesmo fator de acordo com a época histórica
Nesse sentido, buscou-se, através do presente trabalho, um estudo prático acerca dos aspectos abordados pela saúde mental. A partir da observação do CAPs, buscou-se um maior conhecimento acerca das dificuldades, da função e das potencialidades não só do psicólogo, mas de parte dos profissionais que compartilham o seu dia-a-dia, buscando interligar pontos muitas vezes tratados de forma independe e isoladas de um contexto mais amplo e geral que possibilite uma visão que ultrapasse concepções meramente teóricas. O confrontamento teoria/prática possibilita um olhar abrangente, critico e reflexivo da realidade vivenciada no CAPs atual, fornecendo subsídios para uma atuação consciente e responsável.

Fundamentação teórica

No Brasil dos anos oitenta, a maioria dos cidadãos era excluída do direito à saúde, com exceção dos trabalhadores que contribuíam com o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Diante disso, os profissionais da saúde, usuários, entre outros, lutaram pela reestruturação do sistema de saúde através da Reforma Sanitária Brasileira que almejava ser mais do que uma reforma setorial, queria implantar um sistema que servisse à democracia para consolidar a cidadania no país e um projeto social que garantisse o direito à saúde integral (AMARANTE, 1998; AMARANTE, 2011).
O movimento sanitário tinha propostas como: (1) que todos os cidadãos tivessem direito à saúde, independente de ter contribuído, ser trabalhador rural ou que não tenha nenhum tipo de trabalho; (2) as ações de saúde tinham que garantir acesso a sistemas preventivos de doenças; (3) descentralização dos setores administrativos, financeiros (AMARANTE, 1998; AMARANTE, 2011).
Concomitantemente, mas não ligado a Reforma Sanitária, surge o movimento de Reforma Psiquiátrica brasileira. Um processo social complexo, caracterizado por quatro dimensões: a política, a epistemológica, a técnico-assistencial e a sociocultural. Na esfera política, a Reforma Psiquiátrica se caracterizou como uma luta, tanto em termos da politização da questão da loucura e de crítica às instituições psiquiátricas quanto da transformação social num sentido mais amplo (NICACIO, 2002; YASUI; 2010).
No âmbito epistemológico a reforma psiquiátrica implica uma ruptura com o olhar psiquiátrico no contexto mais amplo de uma crise do paradigma da racionalidade científica. Já no técnico-assistencial, se propõe uma nova forma de prática, uma nova organização dos serviços. Nesse ponto, o Centro de Assistência Psicossocial (CAPs) aparece como o principal instrumento de implementação da política nacional de saúde mental. E a dimensão sociocultural refere-se percepção que a sociedade tem do louco e, às representações construídas em torno da loucura (NICACIO, 2002; YASUI; 2010).

O objetivo desses processos, segundo Amarante (2009), era a transformação social da loucura, do diferente. Possuindo como foco fundamental a desinstitucionalização, sendo sua luta principal a redução do número de leitos nos manicômios e a implementação de ampla rede comunitária de serviços substitutivos
Sendo assim, a desinstitucionalização, defendido pela reforma, não é, apenas, à substituição do hospital por um conjunto de cuidados externos envolvendo a aplicação de recursos na criação de serviços substitutivos. Envolve questões do campo jurídico-político e sociocultural. Exige que, de fato haja uma mudança das práticas psiquiátricas para práticas de cuidado realizadas na comunidade. A questão crucial da desinstitucionalização é uma “progressiva ‘devolução à comunidade’ da responsabilidade em relação aos seus doentes e aos seus conflitos” (GONÇALVES; SENA; 2001)

Nos dias de hoje, após os movimentos contra a instituição psiquiátrica, os hospitais psiquiátricos são substituídos pelos CAPs, sendo este um serviço de caráter extra-hospitalar. O CAPs é um serviço de atenção em saúde mental muito efetivo na substituição da internação de longa duração, porque não isola os pacientes de suas famílias e da comunidade, mas os envolve com a devida atenção, ajudando na recuperação e na reintegração social do individuo com sofrimento psíquico. O tratamento é feito por uma equipe de profissionais interdisciplinares, no qual estão inseridos psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, enfermeira, farmacêutica, técnicos de enfermagem, nutricionistas, recepcionista, cozinheira, auxiliar de serviço, entre outros (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002, 2004).

Existem cinco tipos de CAPs. O CAPs I é instalado em cidades de pequeno porte, para atender os casos com transtorno mentais severos, atendendo durante o dia. O CAPs II é para cidades de meio porte, tem o mesmo objetivo que o CAPs I, e atende, somente, durante o dia. O CAPs III oferece serviço 24h, nas grandes cidades. O CAPsi são serviços para crianças e adolescentes, nas cidades de meio porte e o atendimento é feito durante o dia. Já o CAPs ad oferece serviços para pessoas que enfrentam problemas com álcool e drogas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002, 2004).

O CAPs proporciona mudanças, como a de possibilitar que o doente mental permaneça com sua família, desde que este convívio seja saudável e positivo. Para isso, o serviço deve estar inserido numa rede articulada de apoio e de organizações que se proponham a oferecer um continuum de cuidados. A participação da família nesses cuidados exige que se tenha uma nova organização familiar e aquisição de habilidades, que podem, de imediato, alterar as atividades diárias dos familiares. Diante disso, o familiar torna-se um parceiro da equipe de saúde e facilitador nas ações de promoção da saúde mental e de inserção do individuo em seu meio (SCHRANK; OLSCHOWSKY, 2008).

De acordo com Guisela (2007)
“muitas vezes, o familiar responsável concentra sua dedicação e seu tempo no cuidado da pessoa com sofrimento psíquico, o que pode levar a transformações na sua vida, como dificuldades no trabalho e diminuição do lazer. Pensamos que a equipe de saúde mental deve estar atenta e comprometida com essa problemática: a dificuldade/complexidade do cuidado da família e do usuário, buscando construir dispositivos de apoio e mecanismos que facilitem a participação e a integração da família. Nesta multiplicidade de sujeitos envolvidos, a família se destaca pelo seu papel de cuidadora e por ser, muitas vezes, o elo mais próximo que os usuários têm com o mundo” (SCHRANK; OLSCHOWSKY, 2008).

A família, entendida como uma unidade de cuidado necessita de apoio profissional para orientá-la e fornecê-la, quando esta se encontrar em um estado de fragilidade. Sendo assim, o tratamento não se restringe a medicamentos e eventuais internações, mas, também a procedimentos que visem a uma reintegração familiar, social e profissional, bem como a uma melhoria na qualidade de vida, tanto do doente quanto de seus familiares (SCHRANK,; OLSCHOWSKY, 2008).
Nos dias de hoje, a saúde mental brasileira recomenda a inclusão do portador de transtorno mental na sociedade tirando-o do âmbito hospitalar e inserindo-o no contexto sociofamiliar. Para isso, as famílias e os profissionais de saúde, bem como a sociedade em geral, são orientados a aceitar uma forma mais humanizada de olhar a loucura, encontrando modos de conviver com a diferença, dissipando os estereótipos e os preconceitos em relação à figura do louco (SCHRANK,; OLSCHOWSKY, 2008).
As mudanças sociais e a luta por melhorias no tratamento, em especial, do psicótico, vem ganhando ênfase no atual contexto social, promovendo benefícios no tratamento do paciente. O tratamento é modificado de tal forma, que não há um olhar apenas nos sintomas da doença, mas no sujeito como um todo (NAVARINI; HIRDES, 2008).
No contexto do CAPs, os psicólogos podem trabalhar, dentre outros espaços, nas oficinas terapêuticas. Essas práticas grupais possuem uma ordem recreativa, e mostra uma grande eficácia para o tratamento de transtornos psiquiátricos e problemas emocionais, com objetivo central a reeducação de internos para a vida em sociedade. As atividades terapêuticas motivam o paciente a falar, além de aprimorar a escuta dos profissionais (SANTOS ET AL, 2000).
As vivências do CAPs mostram que as variadas atividades que lá são realizadas servem como guia para o paciente construir autonomia. Em alguns casos, o tratamento medicamentoso e a atenção social, dão suporte para estas atividades. Para alguns pacientes, somente, o trabalho individual é ineficiente para trabalhar sua subjetivação. Também existem casos que sem o trabalho individual o paciente não pode ser compreendido como um todo (SANTOS ET AL, 2000).
Embora ainda haja inúmeras dificuldades a serem transpostas acredita-se que os primeiros passos já foram dados para a desconstrução/construção de novas possibilidades de atuação do psicólogo no cerne da atenção primária a saúde (SANTOS ET AL, 2000).

Método

Lócus da Pesquisa

A pesquisa foi realizada na cidade de Cabedelo/PB, no Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), classificado como CAPS I.

Participantes

Contou-se com a participação de uma única psicóloga, respeitando o critério de que essa prestasse serviço ao CAPS.

Instrumentos

Na pesquisa, foi utilizado um roteiro de entrevista semi-estruturada, composta de 13 questões, que pode ser dividida em duas partes. A primeira parte consistia em perguntas sobre o período de formação dessa profissional, e o possível conhecimento adquirido. A segunda metade abrangia questões sobre a atuação da psicóloga no CAPS, como também, as implicações da teoria, recebida no momento da graduação, para sua atual prática.

Procedimentos

Inicialmente, fomos convidadas pela professora da disciplina a realizar a pesquisa no CAPS –Cabedelo/PB. Para isso, não foi necessário nenhum documento de autorização, pois a professora intermediou a nossa entrada, por meio de um contato com a própria instituição, que autorizou nossa visita.
Ao chegarmos ao CAPS fomos apresentadas a duas psicólogas, e em acordo, foi decidido quem seria a participante da pesquisa. Em seguida, informamos a psicóloga que seria garantido o sigilo com relação a sua identificação. Com a permissão e o devido esclarecimento da participante, iniciamos o nosso estudo, por meio de um roteiro de entrevista semi-estruturada. Para realização das entrevistas, que contou com cinco pesquisadoras, foi necessário apenas um dia. Após seguirmos o roteiro, realizamos uma observação e caracterização do ambiente: observações das salas de atendimento médico, refeitório, área de lazer, e quartos.

Desenvolvimento

Caracterização do ambiente

O CAPS I Porto Cidadania está localizada na cidade de Cabedelo, no bairro de Camalaú próximo a BR 230, funcionando das 8 horas às 17 horas, possuindo um total de 22 funcionários e de 540 usuários cadastrados.
A instituição funciona pela manhã das 8 horas às 12 horas, iniciando com o “Bom dia” e fechando para o almoço, porém, para usuários que estão em crise, chamados de ”modo intensivão”, ficam todos os dias, o dia todo, inclusive almoçando com os funcionários da instituição. Pela tarde, os trabalhos se iniciam às 13:30 horas com o “Boa tarde”, seguido por oficinas e atividades programadas previamente para aquele dia.

O CAPS I possui uma recepção na entrada da casa, na parte térrea, assim como salas para atendimento médico e clínico, assim como uma sala para atendimento psicológico, uma cozinha e banheiros para homens e mulheres. No 1º andar da casa possui uma sala para descanso (caso um paciente chegue cansado e queira dormir um pouco), assim como uma varanda, uma sala para atendimento médico e psicológico e uma área na parte de trás onde funciona um almoxarifado.

No estacionamento da casa, funciona as Rodas de Conversa, assim como outras oficinas como de arte, de pintura, etc., já na parte externa da casa, há um fumódromo (para pacientes que fumam), assim como uma área onde acontecem as aulas de capoeira e as reuniões da Assembléia e das reuniões de família.

O CAPS I ainda conta com um Programa de Geração de Renda, onde tudo o que é produzido nas oficinas de artes são vendidos e o dinheiro é revertido para o benefício da instituição e dos usuários do mesmo. Devido a um programa do Governo Federal, o CAPS I conta desde 2006 com o direito a supervisão, onde é um incentivo ao aperfeiçoamento e acompanhamento do profissionais que trabalham na instituição.

Análise da Entrevista

Com relação à análise da atuação do psicólogo no CAPS, além de fornecer dados sócio-demógráficos, tomou-se por base aspectos referente à formação profissional; teorias utilizadas pela psicóloga no contexto de trabalho; atuação do psicólogo no CAPS; tipos de atividades desenvolvidas e com quais objetivos; trabalho realizado em equipe e sua importância, entre outras.

No primeiro ponto observado a psicóloga relatou que fez estágio na clínica, mas não apresentava maiores experiências em saúde mental. Acerca da abordagem, respondeu não fundamentar sua prática em alguma teoria específica, mas fazer uso de todos os conhecimentos adquiridos ao longo da graduação.

A psicóloga em questão Posteriormente, perguntou-se qual a função do psicólogo no contexto de trabalho. Em resposta, foram citadas diversas atividades desenvolvidas pelo profissional na instituição, dentre elas a de triagem, estudos de caso, trabalho em grupo, corpo a corpo (trabalho desenvolvido especialmente com pacientes que se encontram em crise), escuta individual e com famílias, além de outras possíveis demandas. Foi enfatizada a importância do constante trabalho de comunicação entre os diversos serviços da rede para a obtenção de um bom resultado.

Uma vez apontado o serviço de escuta também às famílias, faz-se importante destacar o importante papel que os mesmos desempenham no processo de recuperação daqueles que são atendidos pelo CAPS, assim como o grande cuidado e atenção que deve ser à eles destinado devido ao constante desgaste e possível mudança de rotina sofridos. Segundo Guisela & Olschowsk (2007), a família responsável concentra sua dedicação e tempo no cuidado da pessoa com sofrimento psíquico, o que pode levar a dificuldades no trabalho, diminuição no lazer, entre outros. Dessa forma, a equipe de saúde mental deve estar atenta e comprometida com essa problemática.

A pergunta seguinte fez referência a como é o CAPS e quais as suas especificidades. A esse respeito, foi respondido que o Centro de

Atendimento Psicossocial é um serviço substitutivo, com serviço diferenciado ao de um hospital. No primeiro, o paciente acolhido recebe atenção e os cuidados que precisar, retornando para casa em seguida. Estimulando um maior envolvimento com a comunidade, desenvolvimento de sua subjetividade e participação em atividades diversas.

A opinião exposta relaciona-se com Schrank & Olschowsk (2008). Para os mesmos, o CAPS é um serviço de saúde mental efetivo na substituição da internação de longa duração, uma vez que não causa isolamento de seus pacientes em relação à família e comunidade.

Ao contrario, volta-se à recuperação e integração social do indivíduo com sofrimento psíquico..

Ao ser perguntada acerca de como é trabalhar no CAPS, a psicóloga afirma se constituir como uma ótima experiência, relata o bom acolhimento e a importância da sensibilidade nesse tipo de trabalho que, para ela, transcende ao conhecimento de abordagens ou teorias. Em pergunta posterior, sobre a satisfação com o trabalho e salário, expõe que a satisfação em trabalhar em uma ambiente como o CAPS ultrapassa outras dificuldades, porém afirma sua opinião referente à má remuneração dos serviços prestados.

Foi perguntado ainda se o trabalho do profissional psicólogo é desenvolvido em grupo ou em equipe e quais profissionais envolvidos, caso haja. A resposta voltou-se ao trabalho em equipe, desenvolvido com profissionais como Educadores físicos (2), Psicólogos (5), Psiquiatras (2), Assistentes sociais, nutricionista (1), Assistentes administrativos (2), Cozinheira (1), Auxiliar de serviços (1), entre outros. Ao todos somam-se 22 profissionais envolvidos no trabalho. Foi perguntado ainda como é trabalhar em conjunto com tantos profissionais e se há autonomia para tomar decisões por parte do profissional psicólogo. A resposta voltou-se para a necessidade de compartilhar as diversas situações que ocorrem na instituição e a análise, em conjunto, da melhor solução para os casos. Segundo a psicóloga, há uma reunião semanal de equipe, onde cada um pode expor suas dificuldades e debater sobre temas variados. Dentro da equipe, existe um técnico (com nível superior), que funciona como porta-voz de pacientes em específico e que leva as dificuldades para todo o grupo, possibilitando a atuação em conjunto.

Na instituição, são desenvolvidos serviços variados para atender a demanda de usuários. Os indivíduos chegam à instituição, na maioria das vezes, de forma espontânea. Por indicação de visinhos ou parentes, indicados pelos PSF, por hospitais, entre outros. Ainda segundo a entrevistada, os serviços oferecidos aos usuários variam desde oficinas de capoeira, pintura, costura, atendimentos médicos, psicológicos, reunião de família, assembléias, roda de conversas, atividades externas (caminhadas na praia, visitas e passeios a pontos turísticos). À Busca ativa, que se refere à visita aos pacientes que deixaram de freqüentar a instituição.

A respeito do trabalho desenvolvido pelo psicólogo no CAPS, SANTOS et al (2000) relata a existência das oficinas terapêuticas, passeios, entre outras, uma vez que essas práticas grupais de ordem recreativa mostram uma grande eficácia para o tratamento de transtornos psiquiátricos e problemas emocionais, objetivando a reeducação de internos para a vida em sociedade. Ainda segundo os autores, as mais variadas atividades realizadas no CAPS servem como guia para o paciente encaminhar sua vida e buscar sua autonomia.

Considerações Finais

Tendo em vista a proposta do CAPS que é a de oferecer um serviço direcionado a saúde mental, com caráter de inclusão e reintegração social do indivíduo, torna-se imprescindível a atuação do psicólogo inserido nesse contexto, articulado a outros profissionais, como também, demanda uma atenção, por parte dos estudantes, a esse novo horizonte acerca da saúde mental.
Entendendo que o CAPS resultou de uma reforma de cuidados em saúde mental, em que se destacou por considerar uma aproximação entre saúde coletiva e saúde mental, como também, por se colocar como uma área que demandava uma interdisciplinaridade de saberes e práticas, afirmamos ser esse centro de apoio uma das grandes reformadoras, e promotoras de uma maior avaliação nos serviços de saúde.

Diante de tudo o que foi discutido com relação a saúde mental, percebe-se que existe um avanço nessa questão, em que o CAPS é parte disso. Além disso, observa-se um esforço da academia, juntamente com profissionais inseridos nesses locais de apoio psicossocial, em construir um novo olhar sobre o doente mental.
Embora, com limitações no que diz respeito ao tempo, a pesquisa recebeu uma contribuição a partir das observações e entrevista, para que se pudesse fazer uma confrontação entre teoria e prática, como também observar os avanços que obtiveram a área de saúde mental. No entanto, pela mesma limitação, não foi possível um estudo mais abrangente que revelasse as deficiências que o CAPS vivencia em sua rotina.

No que diz respeito ao ambiente observado, mostrou-se favorável a intenção do CAPS, pois é um local acolhedor que remete a uma idéia de liberdade e de “normalidade”, fugindo da idéia de prisão que os ambientes de hospitais psiquiátricos traziam.
Foi possível observar ainda, que o cuidado e apoio, oferecidos nos serviços do CAPS, vão além da questão profissional e financeira, mas envolve sentimentos entre profissionais/usuários, como também, formação de vínculos. Esses aspectos foram de bastante relevância, mostrando como nossa atuação profissional pode contribuir para o desenvolvimento potencial da saúde mental. Espera-se que a partir dessa pesquisa, desencadeiem novos estudos que ultrapassem as limitações desse, em que o pesquisador possa investigar, problematizar, trazer propostas, promovendo maiores avanços.

Referências

AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. SciELO-Editora FIOCRUZ, 1998.
AMARANTE, P. D. C. et al. A inclusão da saúde mental no SUS: pequena análise cronológica do movimento de reforma psiquiátrica e perspectivas de integração. Dynamis (Blumenau), v.12, n.47, p. 06-21,2004.
AMARANTE, Paulo Duarte. Reforma psiquiátrica e epistemologia. Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, v. 1, n. 1, p. 34-41, 2011.
BRAGA, Cláudia Pellegrini; D'OLIVEIRA, Lucas; PIRES, Ana Flávia. A continuidade das internações psiquiátricas de crianças e adolescentes no cenário da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 19, n. 52, 2015.
Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Relatório Final da 3ª Conferência Nacional de saúde Mental . Brasília: Ministério da Saúde; 2002.
DELGADO, Pedro Gabriel Godinho. O desafio da produção de conhecimento sobre a reforma psiquiátrica brasileira. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 2, p. 312, 2015.
GONÇALVES, Alda Martins; DE SENA, Roseni Rosângela. A reforma psiquiátrica no Brasil: contextualização e reflexos sobre o cuidado com o doente mental na família. Revista latino-americana de Enfermagem, v. 9, n. 2, p. 48-55, 2001.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial. Brasília: Ministério da Saúde; 2004.
NAVARINI, Vanessa; HIRDES, Alice. A família do portador de transtorno mental: identificando recursos adaptativos. Texto and Contexto Enfermagem, v. 17, n. 4, p. 680, 2008.
NICÁCIO, Maria Fernanda. Utopia da realidade: contribuições da desinstitucionalização para a invenção de serviços de saúde mental. 2002. 213 p. Tese (doutorado e Medicina Preventiva e Social). Universidade de Campinas
SANTOS, Núbia Schaper; ALMEIDA, Patty Fidelis de; VENANCIO, Ana Teresa; Delgado, Pedro Gabriel. A autonomia do sujeito psicótico no contexto da reforma psiquiátrica brasileira. Psicologia: Ciência e Profissão. Vol. 20. Brasília Dec 2000.
SCHRANK, Guisela; OLSCHOWSKY, Agnes. O centro de atenção psicossocial e as estratégias para inserção da família. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo. Vol. 42, n. 1 (mar. 2008), p. 127-134, 2008.
YASUI, Silvio. Rupturas e encontros: desafios da reforma psiquiátrica brasileira. SciELO-Editora FIOCRUZ, 2010.

 

Autores

Alexsandra Dias de Morais, Bruna Jucilene Carlos Gonzaga, Jaqueline Gomes Cavalcanti, Jéssica Queiroga Oliveira, Thatiana Pessoa da Silva, - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Alexsandra Dias de Morais: Psicóloga. Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa. Bruna Jucilene Carlos Gonzaga: Psicóloga. Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa. Jaqueline Gomes Cavalcanti: Psicóloga. Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa. Jéssica Queiroga Oliveira: Especialista em Educação em Direitos Humanos. Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa. Thatiana Pessoa da Silva: Psicóloga. Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa

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