O cenário atual no que tangeas práticas da educação requer múltiplas reflexões a serem feitas, visando aprimorar as habilidades dos profissionais que estão diretamente envolvidos no processo de ensino, bem como favorecer a absorção dos conhecimentos no processo de aprendizagem por parte dos educandos.

 

Resumo

O cenário atual no que tangeas práticas da educação requer múltiplas reflexões a serem feitas, visando aprimorar as habilidades dos profissionais que estão diretamente envolvidos no processo de ensino, bem como favorecer a absorção dos conhecimentos no processo de aprendizagem por parte dos educandos. A prática docente é elemento que ganha destaque, uma vez que tem por objetivo intervir e mediar o conhecimento para assim desenvolver a capacidade do pensar criticamente nos seres ainda em processo de desenvolvimento da aprendizagem.Os objetivos que nortearam a realização do trabalho visaram debater acerca da literatura que respalda o assunto em questão, bem como levando em consideração uma soma de aspectos envolvidos (escola, aluno, família, cultura, sociedade) diretamente na formação e aprimoramento dos ideais reflexivos e pensamentos críticos dos educandos, bem como ampliar os conhecimentos a respeito da constituição do contexto escolar a partir da inserção do futuro profissional no próprio ambiente educacional.Como metodologia utilizou-se da realização de entrevista com o professor da turma a qual se realizou o estágio, bem como foram realizadas observações em sala de aula durante o processo de ensino/aprendizagem. Mediante os resultados, os mesmos demostraram que a prática mecanicista ultrapassada utilizada pelo professor em sala de aula é um dos fatores que contribuem para o mau desenvolvimento das habilidades intelectuais dos alunos, bem como a politica educacional que não se mostra efetiva na prática como se diz perfeita no papel, a falta de afetividade no contexto escolar é notório, gerando assim uma atmosfera de constantes conflitos no âmbito escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Educação; Aprendizagem; Sociedade.

Abstract

The current situation regarding the educational practices requires multiple reflections to be made, aiming to improve the skills of professionals who are directly involved in the teaching process, and to promote the absorption of knowledge in the process of learning by the students. The teaching practice is an element that is highlighted as it aims to intervene and mediate knowledge to thereby develop the critical sense of individuals still in the learning development process. The goals that guided the realization of this work aimed to discuss about the literature that supports the subject matter as well as taking into account the sum of some aspects (school, student, family, culture, society) which are directly involved in the formation and improvement of reflective ideals and the students critical thinking as well as increase knowledge about the constitution of the school context from the insertion of future professionals in the educational environment. The methodology used was conducting an interview with the class teacher in which the stage took place, and it was carried out observations in the classroom during the teaching / learning process. From the results, it showed that the outdated mechanistic practice used by the teacher in the classroom is one of the factors that contribute to the poor development of the students intellectual skills as well as how educational policy shows itself not effective the same way it sounds perfect on paper, lack of affection in the school context is notorious, generating an atmosphere of constant conflicts in schools.

KEYWORDS: Education; Learning; Society.

Introdução

A educação em sua complexidade de aspectos é uma soma de fatores envolvidos ao qual todo ser tem direto a ter acesso e permanência nos espaços educacionais, sendo assim, o ensinar é uma prática que requer pesquisa, respeito aos saberes dos educandos, criticidade sobre a prática, exige risco, aceitação do novo, rejeição de qualquer forma de discriminação, conhecimento sobre a identidade cultural, consciência do inacabado, bom senso, humildade, tolerância e convicção de que mudança é possível, bem como ensinar é uma especificidade humana que exige comprometimento, segurança, competência profissional, generosidade e a compreensão de que a educação é uma forma de intervenção no mundo. (FREIRE, 1996. p. 8)
A ideia de que estamos inseridos em um mundo totalmente revolucionando tecnologicamente traz consigo inúmeras reflexões e mudanças a serem feitas acerca da prática da educação atualmente, e como a mesma encontra-se acontecendo, levando em consideração se o objetivo requerido encontra-se sendo alcançado (se o pensar criticamente, a aprendizagem sobre os conhecimentos e a relação com o cotidiano encontram-se sendo realizado de maneira correta e concreta). O papel do professor é figura que ganha destaque uma vez que representa o mediador a respeito do desenvolvimento dos seres pensantes, sendo necessário aprimorar sua prática em sala de aula e levar em consideração todo o contexto cultural, social e cognitivo dos sujeitos em processo de aprendizagem. Torna-se necessário que o professor assuma uma postura didática inovadora e transmita conhecimento aprendendo, bem como leve em consideração os conhecimentos adquiridos previamente pelos educandos. De acordo com Becker:

Em vez de um professor que transmite ‘comunicados’ sobre um objeto e um aluno que passivamente recebe estas informações acreditando ter aprendido, a educação problematizadora traz, desde logo, o professor para a posição do aluno e o aluno para a posição do professor; o objeto passa a ser o fator de mediação deixando de ser ‘o’ objetivo da educação. Pois não há educadortão sábio que nada possa aprender, nem educando tão ignorante que nada possa ensinar. Surge, daí, a concepção dialógica da educação problematizadora. Becker (apud Hoffmann, 2009. p. 119)

A educação é a porta de entrada para modificar o meio em que nos encontramos, é a principal saída diante de uma sociedade que perpassa por inúmeras crises a níveis mundiais. O abalo é diretamente no sistema educacional em seus diversos segmentos, deixando assim as marcas de uma sociedade injusta e desigual. É necessário intervir no contexto em que se forma a educação e, pensando as relações de grupos que se formam e as que são advindas do meio cultural em que os sujeitos estão inseridos. O autor (NIVAGARA, 2011) a respeito da educação afirma que:

A educação é o conjunto das ações, processos, influências e estruturasque intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relaçõesentre grupos e classes sociais. São esses processos formativos que constituem objeto de estudo da Pedagogia e, de modo geral, das Ciências da Educação. Mas o campo educativo é bastante vasto, porque a educação ocorre na família, no trabalho, na rua, nos meios de comunicação social ou na política. (NIVAGARA, 2011, p. 317)

A aprendizagem compartilha de muitos conceitos, os quais enfatizam ser o processo pelo qual o sujeito assimila informações de acordo com determinada situação, provocando assim uma mudança de comportamento. Partindo ainda da concepção de Vygostsky, onde o mesmo afirma que é necessário que o indivíduo conviva com a cultura, uma vez que proporciona o desenvolvimento de aptidões e capacidades não existentes no indivíduo no nascimento, facilitando assim a sua aprendizagem. De acordo com (CAMPOS, 2004) a aprendizagem pode ser definida como:
A aprendizagem é o processo pelo qual uma atividade tem origem ou é modificada pela reação a uma situação encontrada, desde que as características da mudança de atividades não possam ser explicadas por tendências inatas de respostas, maturação ou estados temporários do organismo (por exemplo, fadiga, drogas e etc.). Campos (apud, MARTINS; CAMPOS, 2010, p. 30)
Partindo destas concepções e com o propósito de conhecer mais profundamente os processos educacionais e as relações estabelecidas nos espaços escolares, o Curso de Psicologia da Faculdade Santa Maria na Cidade de Cajazeiras/PB, tem em sua matriz curricular um componente denominado de Estágio Básico IV – Processos Educacionais, tendo como objetivo a inserção do acadêmico de Psicologia às Escolas Públicas da micro e macro região. Desta forma, realizou-se um estágio básico obrigatório na turma do 5° ano do Ensino Fundamental I, na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Antônio Lacerda Neto, para atender a requisitos da referida disciplina. Justificando-se pela necessidade de discutir as práticas educativas atuais e os aspectos humanos envolvidos em tais práticas. Tendo como objetivos, debater acerca da literatura que respalda o assunto em questão, bem como levando em consideração uma soma de aspectos envolvidos (escola, aluno, família, cultura, sociedade) diretamente na formação e aprimoramento dos ideais reflexivos e pensamentos críticos dos educandos, bem como ampliar os conhecimentos a respeito da constituição do contexto escolar a partir da inserção do futuro profissional no próprio ambiente educacional.

Metodologia

O trabalho aqui enfatizado utilizou-se da realização de entrevista com o professor da turma a qual se realizou o estágio, com o intuito de colher informações pertinentes sobre a dinâmica utilizada em sala de aula, o perfil da turma, rotinas de aula, crianças que apresentavam dificuldades na aprendizagem, relações interpessoais em sala de aula, planejamento de aulas, materiais utilizados, métodos de avaliação, entre outros. Bem como foram realizadas observações em sala de aula durante o processo de ensino/aprendizagem.

Resultados e discussões

O estágio realizou-se na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Antônio Lacerda Neto, no dia 08 de abril de 2015. A mesma foi fundada em 24 de setembro de 1985, está localizada na cidade de São José de Piranhas, Alto Sertão da Paraíba, na Rua Expedito Rodrigues de Holanda (centro), n° 34. As informações aqui contidas foram retiradas do Plano Político Pedagógico – PPP fornecido pela referida escola no ato do estágio.
Em observação realizada a sala de aula (5° ano do Ensino Fundamental I), ressalta-se uma série de aspectos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, a qual se torna relevante serem descritos, levando em consideração como ocorre a aula em seus diversos contextos e as condições de estrutura física em que os educandos encontram-se a fim de absorver os conhecimentos.
A prática mecanicista ao qual fora observada em sala de aula, ainda é um dos fatores alarmantes que atrapalham o processo de ensino/aprendizagem, o despreparo de alguns profissionais com o intuito de dinamizar aulas e aproximar o conteúdo exposto da realidade dos alunos, fazendo assim relação com o cotidiano dos mesmos, ainda é algo a se repensar no contexto escolar. É necessário aplicar métodos em grupo, estabelecer parcerias com os alunos a partir de exposições que problematizem o contexto social e cultural ao qual estamos inseridos, provocando assim a inquietação e reflexão dos mesmos. A esse respeito Rangel explica:

Os métodos de ensino aplicados a grupos são desenvolvidos com base em princípios e processos de aprendizagem recorrentes à interação, ao diálogo, à parceria dos alunos. Eles apontam conceitos, elementos e fatores essenciais do conteúdo, visando garantir aos alunos, coletivamente, uma base comum de conhecimentos. [...] Os métodos de ensino ‘em grupo’, ou aplicados coletivamente aos alunos por grupos de estudo, enfatizam, portanto, o intercâmbio de ideias, a discussão, as trocas. Rangel, 2003 (apud, RANGEL, 2009, p. 25)

Torna-se assim necessário utilizar de recursos práticos buscando aproximar, a realidade dos alunos do contexto escolar. É necessário que o professor compreenda os alunos em suas particularidades e subjetividade, influenciados pelo bom senso de desenvolver e aprimorar suas capacidades ainda em processo de desenvolvimento.
O problema de mecanicismo no ambiente educacional propõe discutir uma série de fatores que se relacionam entre si. A metodologia ultrapassada e mecanizada que enfatiza a aquisição passiva de conteúdos, utilizada por alguns professores torna os alunos inquietos, bem como um processo que acaba se tornando sem importância, sem significados. Desse modo, os alunos acabam incorporando características de agitados, hiperativos e que não prestam atenção na aula por que não querem, sendo taxados assim de pessoas desinteressadas.
Cabe levar em consideração que a política educacional também não leva para a prática, uma formação efetiva continuada dos professores para lidarem com esses alunos, que busquem fazer a diferença. As crianças tidas como superdotadas, ou que apresentam um desenvolvimento cognitivo elevado sofrem a mercê de uma educação onde a mesmice prevalece, e não são enfatizados métodos de ensino que acompanhe o desenvolvimento do aluno, mas desenvolvido e maturado cognitivamente. O Ministério de Educação define que o aluno superdotado é aquele que:

Segundo as Leis de Diretrizes e Bases do Conselho Nacional de Educação Especial, (Ministério da Educação, 1995) adotadas por alguns programas brasileiros, são consideradas crianças superdotadas e talentosas as que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior; aptidão acadêmica específica; pensamento criador ou produtivo; capacidade de liderança; talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música e capacidade psicomotora. Ministério da Educação, 1995 (apud, PINTO; FLEITH, 2002. P. 79)

Em contrapartida a este ponto de vista, o autor Renzulli critica tal conceito, justificando que o mesmo não leva em consideração as áreas não intelectuais do sujeito, considerado superdotado, além de não incluir categorias paralelas de desenvolvimento, levando em consideração que as habilidades podem aparecer em mais de uma área como criatividade e liderança. Ele define ainda que a superdotação baseia-se em três fatores: habilidade acima da média, envolvimento com a tarefa e criatividade, onde possuem fundamental importância na identificação dos comportamentos superdotados. Renzulli, 1986 (apud, PINTO; FLEITH, 2002. p. 79)
Durante o estágio, observou-se em sala de aula algumas características peculiares de um suposto aluno superdotado, onde o mesmo mantinha raciocínio e habilidade acima do esperado para o seu estágio de desenvolvimento humano. A criança mostrava-se bastante inquieta, pois as atividades propostas eram de rápido e fácil domínio, desse modo, ele logo buscava uma agitação mediante correr na sala de aula, mexer com os outros colegas, etc. A professora sempre o repreendia, pois justificava que ele já sabia e os outros ainda não sabiam.
Somando-se a este problema descrito acima, ainda deve se pensar a questão da afetividade e cognição na escola, por meio de alternativas teóricas e práticas. Tais fatores possuem uma relação de interdependência, onde a cultura está intimamente ligada ao conhecimento que se é adquirido de mundo, devendo ser levado em consideração na escola. A partir do momento que se tem afeto para com os educandos, a percepção de mudança para interiorizar conhecimentos é fundamental, uma vez que o conhecimento do novo faz nascer um processo de emoção e consequentemente o processo de avaliação e interiorização é também desencadeado. (ARANTES, 2003)
O conhecimento se origina a partir de situações vivenciadas no meio externo, mas ante isso, tornam-se necessárias experiências internas de inquietação, de algo novo que chame e prenda a atenção a fim de ser internalizado. A afetividade é um conjunto de sentimentos, que influência diretamente na cognição e no desenvolvimento posterior do sujeito. A teoria de Henri Wallon enfatiza um saber psicológico que leva em conta não só o cognitivismo, ou seja, a totalidade da pessoa (consciência, eu, emoções, representações e etc.), sendo assim o mesmo afirma que o fator principal para o sujeito interagir com o meio, ou seja, sair da condição do eu para o mundo, é a partir da afetividade que é resultado das emoções. (MAHONEY; ALMEIDA, 2005) Arantes seguindo esta linha de pensamento, afirma ainda que:

A emoção não é proveitosamente isolada do conhecimento da situação que estimula. A cognição não é uma forma de puro conhecimento ao qual a emoção é acrescentada [...] De fato, nossas ações frequentemente são dedicadas a evitar que um estado de conhecimento seja perturbado [...] ou para evitar situações que se saiba de antemão que são geradoras de emoções. (Bruner 1998 apud, ARANTES, 2003. p. 95)

Outra questão observada em sala de aula, diz respeito ao professor não se relacionar igualmente com todos os alunos, gerando assim uma atmosfera de constante irritação, insatisfação, descompromisso e apatia por parte do mesmo em sala de aula, em meio ao despreparo em lidar de forma adequada com os alunos em suas particularidades. A questão da afetividade é um problema tanto do contexto escolar, mas que já vem perpetuado do meio familiar. Em sala de aula, no próprio discurso dos alunos, observou-se que os pais não cultivam para com seus filhos essa questão, ficando claro o porquê de alguns comportamentos em sala de aula, refletir no contexto escolar. Tal aspecto enfatizado faz surgir uma série de problemas, sendo o desrespeito para com os colegas em sala de aula, outra questão que necessita ser trabalhada. De acordo com: (MAHONEY; ALMEIDA, 2005) o grande desfio do professor, que teve uma formação na qual sua integração não foi levada em conta, é enxergar seu aluno em sua totalidade concretude.
Na visão de (Freire, 1996) a falta de respeito dos alunos em sala de aula, para com a área escolar é resultado do contexto social ao qual estão inseridos, afirma ainda que se deve respeitar os conhecimentos trazidos do meio comunitário a fim de esclarecer a realidade a qual nos encontramos inseridos, e assim promover a consciência de mudança nas suas ações e potencialidades. Dessa forma a sociedade em si em seus vários segmentos é influente fundamental para a formação desrespeitosa com o contexto escolar. De acordo com Freire é evidente que tem-se que tirar proveito das experiências negativas dos educandos para com o meio social, para que assim possamos direcionar lhes a modificar o contexto que o circunda.
Por que não aproveitar a experiência que tem os alunos de viver em áreas de cidades descuidadas pelo poder público para discutir, por exemplo, a poluição dos riachos e dos córregos e os baixos níveis de bem-estar das populações, os lixões e os riscos que oferecem à saúde das gentes. Por que não há lixões no coração dos bairros ricos e mesmo puramente remediados dos centros urbanos? Esta pergunta e considerada em si demagógica e reveladora da má vontade de quem a faz. É pergunta de subversivo, dizem certos defensores da democracia. (Freire, 1996. p. 30)

A relação professor e aluno, aluno e aluno no contexto ao qual se realizou a observação ainda é bastante precária, no que diz respeito à qualidade de tais relações, a interação dos sujeitos os quais estão diretamente envolvidos, e os aspectos subjetivos que devem ser levados em consideração para assim transformar aspectos e características em uma relação de melhoramento e de confiança mútua no ambiente educacional e meio externo. Sendo assim uma relação que estabeleça laços de motivação para com o desenvolvimento dos educandos e satisfação nas atividades desenvolvidas pelo docente. De acordo com Silva e Navarro:
A relação professor-aluno na sala de aula é complexa e abarca vários aspectos; não se pode reduzi-la a uma fria relação didática nem a uma relação humana calorosa. Mas é preciso ver a globalidade da relação professor-aluno mediante um modelo simples relacionado diretamente com a motivação, mas que necessariamente abarca tudo o que acontece na sala de aula e há necessidade de desenvolver atividades motivadoras.Morales, 1998 (Apud, SILVA; NAVARRO, 2012)

É notório também no contexto escolar, como ocorre o processo de socialização, mediante as relações estabelecidas nomeio educacional, em sua diversidade de identidades em formação e aprimoramento dos ideais morais e éticos para com o mundo interno e externo dos sujeitos. Sendo assim a socialização de acordo com (MICHENER, DELAMATER, MYERS, 2005. P. 63) “[...] é o modo como os indivíduos aprendem e recriam habilidades, conhecimento, valores, motivos e papeis adequados à sua posição em grupo ou em uma sociedade.” É necessário entender a processo de socialização nos sujeitos a partir de perspectivas que se dão a partir da sua maturação física e cognitiva.

A perspectiva desenvolvimentista enfoca o desenvolvimento das habilidades da criança (a criança passa por um processo de maturação; ela cresce fisicamente, desenvolve habilidades motoras e começa a envolver-se em vários comportamentos sociais quase na mesma idade em que as outras crianças), a perspectiva da aprendizagem social enfatiza a aquisição das habilidades cognitivas e comportamentais pela criança a partir do ambiente, e a perspectiva interpretativa enfoca a interação em si, considerando que atarefa da criança é descobrir os significados comuns ao grupo social (como a família, por exemplo).(MICHENER, DELAMATER, MYERS, 2005. p. 64, 66)

Outro fator de extrema importância a ser discutido enquanto prática frequentemente utilizada no contexto escolar é a violência (agressão), praticada pelos alunos e membros que compõem o espaço em sua totalidade. Observou-se comportamentos agressivos de alunos, tanto fisicamente, como psicologicamente e moralmente. Os conflitos gerados em torno de toda uma problemática presente no contexto escolar, em que os alunos estão inseridos, são concepções e atitudes pré-concebidas a respeito de algo, sem nenhuma justificativa para que o ato de agredir ocorra com uma maior naturalidade entre os educandos.
A violência (agressão) nas escolas é um fator que ganha destaque, uma vez que implica preceitos relacionados à convivência dos alunos no contexto educacional e como essa relação entre os alunos encontra-se sendo concretizada. A falta de preparo por parte dos professores é outro fator que precisa ser levado em conta, uma vez que os mesmos não sabem como lidar com tal fenômeno tão freqüente na escola. É necessário repensar práticas pedagógicas, investir na formação continuada de professores a fim de contribuir para mudar o cenário atual da educação na sociedade em que vivemos. Existe assim uma diferença entre violência, agressão e agressividade, no entanto as três precisam se conceituadas, para melhor entendimento acerca de tal problema. De acordo com Charlot, podem ser conceituadas da seguinte forma:
A agressividade é uma disposição biopsíquica reacional: a frustação (inevitável quando não podemos viver sob o princípio único do prazer) leva à angústia e à agressividade. A agressão é um ato que implica uma brutalidade física ou verbal (agredir é aproximar-se, abordar alguém, atacá-lo). A violência remete a uma característica desse ato, enfatiza o uso da força, do poder, da dominação. De certo modo, toda agressão é violência na medida em que usa a força. (CHARLOT, 2002. p. 436)

É evidente que no universo escolar e educacional, aos dias atuais perpetuam aspectos entristecedores de práticas e formações de preceitos morais absurdos. É toda uma problemática que envolve seres em processos de aprimoramento dos ideais, profissionais despreparados e insatisfeitos no trabalho que gera apatia, políticas que não funcionam na prática como deveriam, e a falta de investimentos que proporcione uma educação de qualidade em todos os aspectos.
Ao final do estágio, como forma de dar um feedback à escola, realizou-se uma ação, onde se trabalhou com os pais a questão da afetividade dos mesmos para com os filhos e a questão do distanciamento do contexto escolar também refletido na educação dos sujeitos envolvidos. Outra questão enfatizada para com os pais foi também, como entender as diferenças individuais, bem como perceber melhor o outro e como trabalhar também as diferenças de comportamento. Buscou-se conscientizar acerca da integração entre pais, alunos e professores ser a base para o sucesso efetivo do ensino, e que os pais devem estar ativamente envolvidos no processo de ensino/aprendizagem de seus filhos.

Conclusões

Diante do exposto ao longo do referido trabalho, percebe-se que a educação funciona na prática, a uma distância muito ampla do que a teoria e os marcos legais almejam que a mesma funcione. Existe uma série de fatores que contribuem para que as práticas educacionais atuais deixem muito a desejar: a influência política partidária, os profissionais despreparados para lidarem com a complexa realidade e alunos que necessitam de uma ajuda mútua, na compreensão de todo o seu contexto e realidade de vida onde cotidianamente vivem inseridos.
A psicologia como ciência que estuda o comportamento humano tem muito a oferecer e contribuir para as várias demandas escolares em suas totalidades de contextos envolvidos. É preciso levar em consideração também, os vários sujeitos envolvidos no processo ensino/aprendizagem, e que devem prestar papel fundamental para que a educação ocorra de forma eficaz e eficiente entre alunos, pais (que se distanciam muito do contexto escolar dos filhos, levando assim a uma carga de responsabilidade muito maior por parte da própria escola), professores que ganham destaque por serem mediadores do processo de aprimoramento das habilidades e da aprendizagem dos alunos.
É necessário também que se formem profissionais capacitados da Psicologia para atuarem na área escolar, as pesquisas que visem contribuir e evidenciar mais ainda a obrigação de se ter um psicólogo cujo campo de estudos deve constituir-se pela análise psicológica de todas as facetas da realidade educativa, ou seja, pela análise psicológica dos processos educativos. É necessário evidenciar a prática da humanização no contexto de trabalho educacional, fazendo nascer uma dinâmica de trabalho mais holística de forma que se tenha profissionais com visões abrangentes e capacidades de atuação genéricas, para assim discutir e modificar a realidade do quadro educacional atual.
Desse modo é necessário repensarmos a educação na prática docente e o processo de ensino/aprendizagem, buscando refletir acerca de alternativas teóricas e práticas que norteie o exercício do ensino de forma correta e eficaz para com os diversos seres envolvidos nesse processo de troca mútua de conhecimentos. As novas formas de organizar a sociedade exigem das pessoas capacidades diversas e inovadoras do real, bem como formas instituídas de reivindicar direitos e fiscalizar as medidas de aplicação, que ainda se distanciam do que seria realmente da população por direto e dever do Estado como órgão responsável por executar e manejar os recursos existentes no país. A sociedade, a cultura, a família, as relações sociais, são fatores que se entrelaçam, para favorecer a construção dos significados pertinentes, havendo assim a elaboração de um sentido novo, de uma inquietação, para assim concretizar a aprendizagem real e concreta das informações que norteiam o meio social em que estamos inseridos.

Referências

ALMEIDA, Laurinda Ramalho. MAHONEY, Abigail Alvarenga. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. São Paulo: 27° Reunião Anual da Anped, GT Psicologia da Educação, 2005.
ARANTES, Valéria, Arantes. Afetividade na Escola: Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus, 2003. 2° edição.
CHARLOT, Bernard. A violência na Escola: Como os Sociólogos Franceses Abordam essa Questão. Porto Alegre: Interface Sociologias. 2002.
CAMPOS, Dinah. MARTINS, de Sousa. Psicologia da Aprendizagem.Petrópolis. Vozes. 2010. 38° edição.
CARRARA, Kester. Introdução a Psicologia da Educação: Seis abordagens. São Paulo. Avercamp. 2004.
DELAMATER, John, D. MICHENER, Andrew, H. MYER, Daniel, J. Psicologia Social. São Paulo, Thomson, 2005.
FLEITH, Denise Sousa de. MAIA-PINTO Renata Rodrigues. Percepção de Professores Sobre Alunos Superdotados. Campinas. Estudos de psicologia, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 1996. p.47
HOFFMANN, J. M. L. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola á universidade. 29 ed. Porto Alegre: Mediação, 2009. p. 119.
NIVAGARA, Daniel D. Papel do Professor no desenvolvimento da Educação. 15 ed. Psicologia, Educação e Cultura. Universidade Pedagógica, Moçambique. 2011. p. 317.
RANGEL, Mary. Métodos de Ensino para a aprendizagem e a Dinamização das Aulas. Campinas – SP, 5° ed. 2010
SILVA, Ormenzina Garcia. NAVARRO, Elaine Cristina. A Relação Professor-Aluno no Processo Ensino – Aprendizagem. Interdisciplinar: Revista Eletrônica da Univar. Vale do Araguaia, 2012. Disponível em: < http://www.univar.edu.br/revista/index. php /interdisciplinar /article/view/82 >. Acesso em: 27 de abril de 2015.

Autores

Noélia Kally Marinho de Sousa, Elaine Christina Monteiro de Oliveira, Patrícia Emille Bento Gonçalves, Maria Anailsa dos Santos Furtado Dias, Maria Aparecida F.Menezes Suassuna - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Noélia Kally Marinho de Sousa: Bacharelanda em Psicologia, pela Faculdade Santa Maria – FSM de Cajazeiras-PB; Elaine Christina Monteiro de Oliveira: Bacharelanda em Psicologia, pela Faculdade Patrícia Emille Bento Gonçalves: Bacharelanda em Psicologia, pela Faculdade Santa Maria – FSM de Cajazeiras-PB; Maria Anailsa dos Santos Furtado Dias: Bacharelanda em Psicologia, pela Faculdade Santa Maria – FSM de Cajazeiras-PB; Maria Aparecida F.Menezes Suassuna: Mestre em Educação e Contemporaneidade. Especialista em Neuropsicologia. Especializanda em Educação Inclusiva. Professora da Faculdade Santa Maria – FSM de Cajazeiras-PB; Professora da Unidade de Ensino Superior do Sertão da Bahia - Pós-graduação (UESSBA);

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