Ação lúdica e sua contribuição ao desenvolvimento interpessoal de crianças tímidas e ensimesmadas

O desenvolvimento cognitivo da criança depende de vários fatores, a capacidade de relacionar-se consigo e com o outro é um desses fatores, o desenvolvimento social da criança está diretamente ligado ao ato de brincar, de interagir e de conviver em sociedade. Uma crianç...

Ação lúdica e sua contribuição ao desenvolvimento interpessoal de crianças tímidas e ensimesmadas
RESUMO:
O desenvolvimento cognitivo da criança depende de vários fatores, a capacidade de relacionar-se consigo e com o outro é um desses fatores, o desenvolvimento social da criança está diretamente ligado ao ato de brincar, de interagir e de conviver em sociedade. Uma criança tímida tem maior dificuldade de interação, envolver esse aluno dentro da sala de aula pode ser mais complicado, têm-se também as crianças ensimesmadas, as quais aparentemente vivem num mundo paralelo ou peculiar a ela mesma. O objetivo da pesquisa é compreender como a ação lúdica pode beneficiar o desenvolvimento emocional e interpessoal das crianças da Educação Infantil. O método que será utilizado na pesquisa será teórico bibliográfico, buscando autores que explorem o desenvolvimento emocional, intrapessoal e interpessoal da criança, fazendo interlocução com jogos cooperativos e brincadeiras, dentre eles Gardner (1994), Antunes (1997,) Almeida (1999), Golleman (2001), Soler (2005), Marinho et al (2007). Fonseca (2008), D'Angelo (2009), Friedmann (2012) e Ujiie (2012, 2014). O resultado esperado é comprovar a eficácia da recreação no desenvolvimento de crianças tímidas e ensimesmadas, na esfera educacional.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Infantil. Criança. Ação lúdica. Desenvolvimento.

LUDIC ACTION AND CHILDREN INTERPERSONAL DEVELOPMENT CONTRIBUTION YOUR SHY AND ENSIMESMADAS

ABSTRACT:
The cognitive development of children depends on many factors,the ability to relate with you and the other is one of these factors, the child's social development is directly linked to the act of play, to interact and to live in society. A shy child is more difficult to interact, engage these students in the classroom can be more complicated, also has them ensimesmadas children, who apparently live in a parallel world or peculiar to itself. The objective of the research is to understand how ludic action can benefit the emotional and interpersonal development of children of early childhood education. The method that will be used in the research will be bibliographic theoretical, seeking authors to explore the emotional, intrapersonal and interpersonal child, making dialogue with cooperative games and activities, including Gardner (1994), Antunes (1997) Almeida (1999) Golleman (2001), Soler (2005), Marino et al (2007). Fonseca (2008), D'Angelo (2009), Friedmann (2012) and Ujiie (2012, 2014). The expected result is to prove the recreation of development effectiveness of shy and ensimesmadas children in the educational sphere.

Keywords: Child education. Children.Ludic action.Development.

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1. INTRODUÇÃO
O presente estudo teve por finalidade compreender que a ação lúdica é para a criança um dos principais meios que possibilita a aprendizagem sobre as pessoas e a sociedade em que está inserida. Têm-se conhecimento de crianças tímidas e ensimesmadas que apresentam dificuldades de relacionamentos interpessoais e através da brincadeira vai aos poucos interagindo com outras crianças, adultos e aprendendo a conviver, pois a criança é:

Sujeito histórico de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentido sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura. (DCNEI, 2010, p. 14).

A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica. “Trata-se de levantamento de toda bibliografia já publicada, e pode, portanto ser considerada também como primeiro passo de toda a pesquisa científica” (MARCONI e LAKATOS, 2001, p.44).
O principal objetivo desta pesquisa é a compreensão de como a ação lúdica, recreação, jogos e brincadeiras podem auxiliar o desenvolvimento intersocial das crianças na primeira infância, pois se percebe que algumas crianças se fecham e tornam-se retraídas e com o envolvimento nas atividades lúdicas esta criança aos poucos irá desenvolvendo a inteligência interpessoal de convivência com o outro.
Este estudo é composto de dois momentos, onde no primeiro será realizada uma compilação teórica sobre a criança, a timidez, a inteligência interpessoal, a questão cultural, a inteligência emocional e a auto-estima, e, no segundo será abordado à questão da ludicidade, das brincadeiras, dos jogos e da recreação, com foco no desenvolvimento emocional das crianças, em especial as tímidas e ensimesmadas.

2. NORTEADORES TEÓRICOS E CONCEITUAIS DO DESENVOLVIMENTO INTERPESSOAL: EMOÇÃO, SOCIALIZAÇÃO E FORMAÇÃO HUMANA
As emoções fazem parte do nosso cotidiano, fazem a relação entre o físico e o biológico, pois quando nos deparamos com determinada situação nosso organismo reage especificamente de acordo com cada fato ocorrido, é através desses impulsos que conseguimos expressar como nos sentimos. Confirmando esta relação entre o social e o biológico destacamos que:

Todas as emoções são em essência impulsos, legados pela evolução, para uma ação imediata, para planejamentos instantâneos que visam a lidar com a vida. A própria raiz da palavra emoção é do latim MOVERE "mover" - acrescida do prefixo "e" -, que denota "afastar-se", o que indica que em qualquer emoção está implícita uma propensão para um agir imediato (GOLEMAN, 2001, p. 20).

Portanto, cada emoção desempenha uma função específica, como por exemplo: na raiva o sangue flui para as mãos, percebemos na criança quando um colega ou amigo pega um brinquedo que está em sua posse, é automático a reação de bater para pegar o brinquedo de volta, no medo o sangue vai para os músculos do esqueleto, como das pernas, facilitando a fuga, é visível na criança quando ela tem medo do adulto, a primeira reação é retrair-se e/ou sair correndo. A felicidade na criança é vista quando ela ganha um brinquedo novo, revê um ente querido que estava distante, faz um passeio, entre outras situações.

A sensação de felicidade causa uma das principais alterações biológicas. A atividade do centro cerebral é incrementada, o que inibe sentimentos negativos e favorece o aumento da energia existente, silenciando aqueles que geram pensamentos de preocupação (GOLEMAN, 2001, p. 21).

Já o amor gera uma estimulação parassimpática que percorre o corpo e gera um estado geral de calma e satisfação, é visível nas crianças em seu semblante e em relação aos seus pais, avós e demais familiares. A tristeza acarreta uma perda de energia e de entusiasmo, esse sentimento é passado por uma criança que perdeu um ente querido, um animal de estimação, ou até mesmo quando esta se sente rejeitada, seja no ambiente familiar, escolar ou demais locais que freqüenta.
A afetividade tanto quanto a inteligência constitui-se fator ligado ao desenvolvimento humano. Almeida (1999, p.63) destaca que a teoria de walloniana explica a relação entre o desenvolvimento social e biológico, sempre associados no indivíduo e afirma que “as capacidades biológicas são pré-requisitos para a vida em sociedade, mas o meio social é que proporciona o desenvolvimento destas capacidades”, faz-se um destaque neste ponto da criança que é muito tímida, pois acaba encontrando dificuldades de expressar alguma necessidade ou até em pedir ajuda para resolver um problema que lhe acometa.
O ser humano é um ser social por natureza e desde os tempos mais remotos convive com o outro em sociedade, mas sabemos que existem algumas pessoas que encontram dificuldades de conviver em grupo, porém essa característica pode ser mudada se trabalhada desde a infância, vemos aqui a importância do trabalho da educação infantil, onde a criança que é muito tímida que se isola e brinca sozinha, ao frequentar uma instituição de educação infantil, começa a estabelecer com seus colegas relações sociais que irão auxiliá-la na vida adulta em sociedade, portanto saber o que é estável em sua pessoa e conhecer suas potencialidades é fundamental para o desenvolvimento da identidade e autonomia.

O ingresso na instituição de educação infantil pode alargar o universo inicial das crianças, em vista da possibilidade de conviverem com outras crianças e com adultos de origens e hábitos culturais diversos. (BRASIL, 1998 p. 13).

Conforme o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil volume 2, a capacidade das crianças sentirem confiança em si mesma e sentirem-se aceitas, facilita o processo do desenvolvimento da inteligência interpessoal e também a oportunidade de realizarem escolhas e assumirem algumas responsabilidades, desenvolvendo sua auto-estima, onde juntamente com o desenvolvimento da identidade e autonomia aparece os processos sociais, pois nas relações sociais acontece o aumento dos laços afetivos que as crianças podem ter com outras crianças e com os adultos, entendendo o reconhecimento do outro. Percebemos o valor das instituições de educação infantil que são espaços de socialização, pois são nestes locais que a criança estabelece os primeiros contatos com os adultos e com outras crianças que trazem uma bagagem de conhecimentos (religiosos, étnicos, costumes, hábitos e valores), tornando assim um local de experiências educativas, criando condições para que as crianças possam descobrir novidades nestes aspectos. “A instituição de educação infantil é um dos espaços de inserção das crianças nas relações éticas e morais que permeiam a sociedade na qual estão inseridas” (BRASIL, 1998 p.11).
A identidade e a autonomia vão auxiliar a criança nas situações da vida, e sabemos que a medida que ela vai crescendo a vida em sociedade vai fazendo parte da sua rotina, e alguém que é muito tímido ou não consegue se relacionar com outras pessoas vai encontrar muitas dificuldades de relacionamento. O primeiro grupo social em que a criança está inserida é a família e a mesma já ocupa um papel social e estabelece relações próprias com os membros da família. Destacamos aqui outros momentos sociais que a criança participa desde pequena como festas da comunidade, igreja, e apresenta suas vivências, vai formulando um conjunto de conhecimentos e valores.

Ao considerar as formas de conhecimento que giram em torno de outras pessoas, entramos numa esfera onde o papel da cultura e de forças históricas prova ser especialmente saliente e difundo. (GARDNER, 1994, p. 211).

Os estudos do comportamento interpessoal são recentes e merecem um destaque no desenvolvimento humano, pois hoje sabemos que desde antes de nascer a criança já apresenta emoções e sentimentos. Ao nascer e com o passar do |
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Ana Rita Silva. A emoção na sala de aula. Campinas-SP: Papirus, 1999.
ANTUNES, Celso. A inteligência emocional na construção do novo eu. Petrópolis-RJ: Vozes, 1997.
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a EducaçãoInfantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, vol. 2, 1998.
__________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educaçãoinfantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília : MEC, SEB, 2010.
D’ANGELO, F. L. Educação física além do físico. In: Revista Nova Escola. São Paulo: Abril, n. 225, set. 2009, p. 131-135.
FONSECA, Vitor da.Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre-RS: Artmed, 2008.
FRIEDMANN, Adriana. O brincar na educação infantil: observação, adequação e inclusão.19. ed. São Paulo-SP: Moderna, 2012.
GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas.Porto Alegre-RS: Artes Médicas Sul, 1994.
GOLEMAN. Daniel, Ph.D. Inteligência emocional: à teoria revolucionária que define o que é ser inteligente. Rio de Janeiro-RJ: Objetiva, 2001.
JOSÉ, Elisabete da Assunção; COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. 12 ed. São Paulo: Ática, 2004.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico. 6. ed. São Paulo-SP: Atlas, 2001.
MARINHO, Hermínia Regina Bugesteet al. Pedagogia do Movimento: universo lúdico e psicomotricidade. Curitiba: Ibpex, 2007.
SOLER, R. Brincando e aprendendo com os jogos cooperativos. Rio de Janeiro/RJ: Sprint, 2005.
UJIIE, Nájela Tavares. A importância da construção das comunidades aprendentes na formação dos profissionais da educação infantil. In: UJIIE, Nájela Tavares; PIETROBON, Sandra Regina Gardacho. Educação, Infância e Formação: vicissitudes e quefazeres. Curitiba-PR: CRV, 2014, p. 53-64.
UJIIE, Nájela Tavares. A ação lúdica no espaço educacional: o desenvolvimento das inteligências múltiplas a partir de jogos e brincadeiras. In: ANSAI, Rosana Beatriz. Formação Inicial no Curso de Pedagogia: a práxis educativa lúdica no contexto de dificuldades de aprendizagem. São Paulo: Strobem, CAPES, PIBID, 2012, p. 61-73.

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