Antigamente, a avaliação da aprendizagem tinha o papel de classificar o aluno, apontando resultados quantitativos em relação ao mesmo. 

Sumário:

Antigamente, a avaliação da aprendizagem tinha o papel de classificar o aluno, apontando resultados quantitativos em relação ao mesmo. Com o avanço de estudos na área da educação a avaliação da aprendizagem assume como principal característica mostrar os avanços de apropriação do conhecimento adquiridos pelos alunos. Para que isso ocorra de forma satisfatória, o professor deve usar diferentes instrumentos de avaliação e analisar o aluno como um todo, isto é, não apenas o conhecimento, mas seu comportamento e atitudes.

Palavras-chave: avaliação, aprendizagem.

  1. Introdução

A primeira diferença estabelecida por estudiosos, segundo Teixeira (2008), é o conceito de medir e avaliar: “a medida diz o quanto o aluno possui de determinada habilidade; a avaliação informa sobre o valor dessa habilidade”. A medida descreve os fenômenos com dados quantitativos; a avaliação descreve os fenômenos e os interpreta, utilizando-se também de dados qualitativos. A avaliação, segundo essa perspectiva, pode ou não ser baseada em medida; quando, porém, se baseia nesta, vai além de uma descrição quantitativa, acrescendo, à medida, um julgamento de valor.

A avaliação da aprendizagem faz parte do processo educacional. De acordo com Andrade “a avaliação dos alunos pelo professor designa o levantamento cuidadoso e a classificação sistemática, bem como a interpretação apreciativa dos modos de conduta e das propriedades dos alunos”.

Para que isso ocorra de forma adequada, é necessária a observação contínua do comportamento do aluno durante o processo de ensino, e a mensuração destes dados por meio de instrumentos de avaliação: testes, trabalhos escritos, além de levantamento de dados anamnésicos (no lar, na evolução e desenvolvimento), e através do diálogo pessoal com o aluno.

Alguns autores defendem a ideia que a avaliação não deve ocorrer de forma isolada, deve ser analisada a classe com um todo, o professor, ou outros fatores que podem contribuir para o resultado da avaliação.

Segundo Andrade, a avaliação deve ser quantitativa e qualitativa, onde considera-se as atitudes dos alunos, seus interesses, motivações, modos de pensar, adaptação social e pessoal do aluno. Neste aspecto, deve-se apreciar a autoavaliação, onde o aluno terá a oportunidade de julgar sobre o resultado da avaliação pessoal, fazendo-o refletir sobre o que deve ser melhorado, para que seja capaz de superar e avançar na construção do conhecimento.

 

2- Conceitos de avaliação

De acordo com Aparecida (2008), apud Kramer (2006), “avaliação vem do latim, e significa valor ou mérito ao objeto em pesquisa, junção do ato de avaliar ao de medir os conhecimentos adquiridos pelo individuo.” A avaliação é considerada com um instrumento valioso e indispensável no sistema escolar, onde descreve-se as aptidões, atitudes e conhecimentos que os alunos possuem. Assim, ele serve como paramento para visualizar os conhecimentos adquiridos e as dificuldades do processo de ensino-aprendizagem.

Segundo Aparecida (2008), apud Luckesi:

Esses casos atestam a possibilidade efetiva de desenvolvimento de pesquisas de vários tipos, até da mais rigorosa pesquisa acadêmica, mesmo nas nossas escolas. É verdade que elas não representam a situação comum das escolas da rede pública no país, como já ficou dito. Mas, guardadas as devidas distâncias, creio que podemos, a partir de seu estudo, discutir um pouco o estado atual da questão do professor-pesquisador e seu saber, tal como vem sendo apresentada por alguns dos seus estudiosos (LUDKE, 2001, p.14).

Segundo Aparecida (2008), apud Libâneo:

Uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o processo de ensino e aprendizagem. Através dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos são comparados com os objetivos propostos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções necessárias. A avaliação é uma reflexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar tanto do professor como dos alunos.

Os dados coletados no decurso do processo de ensino, quantitativos ou qualitativos, são interpretados em relação a um padrão de desempenho e expressos em juízos de valor (muito bom, bom, satisfatório, etc.) acerca do aproveitamento escolar. A avaliação é uma tarefa complexa que não se resume a realização de provas e atribuição de notas. A mensuração apenas proporciona dados que devem ser submetidos a uma apreciação qualitativa. A avaliação, assim, cumpre funções pedagógico-didáticas, de diagnostico e de controle em relação as quais se recorrem a instrumentos de verificação do rendimento escolar. (LIBÂNEO, 1994, p. 195).

A avaliação é um instrumento permanente do trabalho docente, tendo como objetivo verificar se o aluno aprendeu ou não, podendo assim refletir sobre o nível de qualidade do trabalho escolar, tanto do aluno quanto do professor, com o intuito de gerar mudanças necessárias para que o objetivo seja alcançado.

3Funções da avaliação

A função da avaliação é favorecer o percurso dos aprendizes e regular as ações de sua formação, bem como possibilitar a certificação. Não deve ser punitiva quando os aprendizes não alcançarem resultados satisfatórios nas verificações, mas ajudar os aprendizes a identificar melhor as suas necessidades de formação para que possam empreender o esforço necessário para realizar sua parcela de investimento na sua própria formação.

Tradicionalmente, a avaliação é vista como um fator que ocorre no final do processo de produção de conhecimento, quando na verdade ela deve ocorrer em todo o processo de ensino-aprendizagem. Assim, podemos falar sobre três modalidades de avaliação: diagnóstica, formativa e somativa.

A avaliação diagnóstica é baseada em verificar a aprendizagem dos conteúdos propostos para que se possa prever dificuldades futuras, e resolver as situações atuais. Ela também tem o papel de investigar os conhecimentos anteriores adquiridos pelos alunos.

Blaya ao falar da avaliação diagnóstica destaca que:

Avaliação Diagnóstica tem dois objetivos básicos: identificar as competências do aluno e adequar o aluno num grupo ou nível de aprendizagem. No entanto, os dados fornecidos pela avaliação diagnóstica não devem ser tomados como um "rótulo" que se cola sempre ao aluno, mas sim como um conjunto de indicações a partir do qual o aluno possa conseguir um processo de aprendizagem. (BLAYA, 2007).

A avaliação formativa tem o objetivo de mostrar ao professor e ao aluno o seu desempenho na aprendizagem, bem como no decorrer das atividades escolares localizar as dificuldades encontradas, com a possibilidade de indicar ao professor quais as atividades necessitam de recuperação.

Na visão de Blaya a avaliação formativa é:

A forma de avaliação em que a preocupação central reside em coletar dados para reorientação do processo de ensino-aprendizagem. Trata-se de uma "bússola orientadora" do processo de ensino-aprendizagem. A avaliação formativa não deve assim exprimir-se através de uma nota, mas sim por meio de comentários. (BLAYA, 2007).

A avaliação somativa permite detectar o nível de conhecimento, desta forma, pode-se classificar a aprendizagem.

Segundo Aparecida (2008), apud Gil:

Uma avaliação pontual, que geralmente ocorre no final do curso, de uma disciplina, ou de uma unidade de ensino, visando determinar o alcance dos objetivos previamente estabelecidos. Visa elaborar um balanço somatório de uma ou várias seqüências de um trabalho de formação e pode ser realizada num processo cumulativo, quando esse balanço final leva em consideração vários balanços parciais. (GIL, 2006,p. 248).

Pode-se compreender, segundo a autora, que a avaliação somativa é o resultado final de um trabalho realizado no decorrer de um período, e é atribuído um valor à aprendizagem.

4-  Finalidades da avaliação

Nos modelos tradicionais a avaliação era usada para classificar e rotular os alunos, ou até mesmo como forma de punição. Hoje a finalidade da educação é orientar o avanço dos alunos. Ou seja, é importante encontrar caminhos para se medir a qualidade daquilo que é ensinado aos alunos.

Para atingir o objetivo é necessário definir os instrumentos de avaliação para cada situação. O professor precisar observar o que se pretende atingir na aplicação de um instrumento de avaliação, bem como, as características da cada turma.

Mas é preciso levar em consideração que os dois protagonistas são o professor e o aluno - o primeiro tem de identificar exatamente o que quer e o segundo, se colocar como parceiro. É por isso, diz ela, que a negociação adquire importância ainda maior. Em outras palavras, discutir os critérios de avaliação de forma coletiva sempre ajuda a obter resultados melhores para todos. (Revista Nova Escola, 2009)

Uma boa avaliação envolve os seguintes passos:

•          Saber o nível atual de desempenho do aluno (etapa também conhecida como diagnóstico);

•          Comparar essa informação com aquilo que é necessário ensinar no processo educativo (qualificação);

•          Tomar as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados (planejar atividades, sequências didáticas ou projetos de ensino, com os respectivos instrumentos avaliativos para cada etapa).

A avaliação tem que ser um momento de aprendizagem que permita repensar e mudar a ação, um instrumento de comunicação que facilite a construção do conhecimento em sala de aula.

5-   Conclusão

A avaliação da aprendizagem antigamente era vista como uma forma de classificação do aluno, o que muitas vezes também rotulava o aluno. O aluno era visto apenas como um depósito do conhecimento e o professor como o detentor do conhecimento. A avaliação, muitas vezes se resumia apenas em testes escritos para avaliar o conhecimento do aluno.

Atualmente a avaliação da aprendizagem tem o papel de orientar o avanço do aluno. É através dela que pode-se pontuar as dificuldades do aluno em determinado assunto para que possa ser trabalhado novamente. Também funciona como um indicador para o professor, para que seja capaz de analisar o resultado de uma turma e seus alunos, verificando-se o que foi abordado e como foi abordado.

Para que se possa alcançar efetivamente a avaliação é preciso que o professor trabalhe com instrumentos de avaliação diversificados. Pois existe uma grande diversidade entre as turmas e entre os próprios alunos. Aquele aluno que apresenta dificuldades para escrever, por exemplo, pode ser avaliado com uma exposição oral, como um seminário, uma peça teatral. E o contrário também acontece: alunos com dificuldade de expressar-se oralmente, mas que tem domínio do conteúdo através da escrita.

Além disso, a avaliação da aprendizagem deve analisar todo o conjunto do aluno, o que ele desenvolve enquanto pessoa, sua socialização, compromisso com o trabalho e atitudes. Precisamos cada vez mais na sociedade de pessoas que além de conhecimento tenham a chamada inteligência emocional, que caracterizam indivíduos que tenham a habilidade de controlar suas próprias emoções a atitudes.

A avaliação da aprendizagem não é uma tarefa fácil, principalmente quando o professor inicia as atividades com uma turma. É necessário conhecer, criar vínculos com os alunos para que ele descubra qual a melhor forma de avaliar seus alunos.

 

Referências

ANDRADE, Pedro Ferreira. Avaliação da Aprendizagem

Disponível em: http://tpes.com.br/imagens/artigos/avaliacao-da-aprendizagem.pdf Data de Acesso: 26/10/2015

APARECIDA, Celena; OLIVEIRA, Adriana; SOUZA, Gelsenmeia M. Romero. AVALIAÇÃO: CONCEITOS EM DIFERENTES OLHARES, UMA EXPERIÊNCIA VIVENCIADA NO CURSO DE PEDAGOGIA. 2008

Disponível em: http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/510_223.pdf Data de Acesso: 26/10/2015

BLAYA, Carolina. Processo de Avaliação. Disponível em http://www.ufrgs.br/tramse/med/textos/2004_07_20_tex.htm Data de acesso em: 26/10/2015

REVISTA NOVA ESCOLA.  A avaliação deve orientar a aprendizagem. Janeiro, 2009. Disponível  em: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/avaliacao-aprendizagem-427861.shtml Data de Acesso: 28/10/2015

TEIXEIRA, Gilberto. Avaliação da Aprendizagem Disponível em: http://www.professorapatriciaruiz.com.br/metodologia/proposta_cient%C3%ADfica.pdf#page=67 Data de Acesso: 26/10/2015

 

Autor:
 

Daiani Teodoro de Melo Ribeiro Especialista em Engenharia de Sistemas, Bacharel em Ciência da Computação e Licenciada em Informática.

Professora de Informática da Rede Municipal – Arceburgo-MG. Professora de Informática do Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza”-SP

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