O efeito do Relaxamento Respiratório no manejo da ansiedade-estado.

RESUMO

 
Este trabalho objetivou avaliar o efeito do Relaxamento Respiratório sobre os níveis de ansiedade em estudantes de enfermagem durante o desenvolvimento dos Grupos Terapêuticos. Trata-se de um estudo descritivo transversal com abordagem quantitativa, desenvolvido com 44 estudantes de uma Universidade Pública. Para realização da coleta de dados, foram aplicados dois questionários: o primeiro para caracterização da amostra; e o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE). Para a análise dos dados foram utilizados os testes Mann-Whitney e ANOVA. Os estudantes de enfermagem se caracterizaram por apresentar nível médio de ansiedade-traço e ansiedade-estado. Verificou-se uma redução estatisticamente significativa de escores da ansiedade-estado após a intervenção com o RR. Observou-se, que apesar de não haver significância estatística, houve uma redução do número de estudantes com alta e média ansiedade, evidenciando um aumento de indivíduos baixa ansiedade após a aplicação do RR. Os dados demonstram que a aplicação da técnica de RR contribui, de forma eficaz, no manejo da ansiedade.
Palavras-chave: Ansiedade. Estudantes de Enfermagem. Relaxamento. Exercícios Respiratórios. 
 
The effect of Respiratory Relaxation in the management of anxiety in nursing students when developing Therapeutic Groups.

ABSTRACT

This study evaluated the effect of Respiratory Relaxation on the levels of anxiety in nursing students during the development of Therapeutic Groups. This is a cross-sectional study with a quantitative approach, developed with 44 students of a public university. To perform the data collection, two questionnaires were applied: one to characterize the sample; and the State-Trait Anxiety Inventory (STAI). For data analysis there were used the Mann-Whitney and ANOVA tests. Nursing students were characterized by average level of trait anxiety and state of anxiety. There was a statistically significant reduction of the state of anxiety scores after the intervention with the RR. There was observed that, although there was no statistical significance, there was a reduction in the number of students with high and medium anxiety, showing an increase of low anxiety subjects after the application of the RR. The data demonstrate that application of the RR technique contributes effectively in the management of anxiety.
Descriptors: Anxiety; Nursing Students; Relaxation; Breathing Exercises.
 
 
El efecto de Relajación Respiratoria en el tratamiento de la ansiedad en los estudiantes de enfermería cuando el desarrollar Grupos Terapéuticos.
 

RESUMEN

Este estudio evaluó el efecto de la Relajación Respiratoria en los niveles de ansiedad en los estudiantes de enfermería durante el desarrollo de grupos terapéuticos. Se trata de un estudio descriptivo transversal, con enfoque cuantitativo, desarrollado con 44 estudiantes de una universidad pública. Para llevar a cabo la recolección de datos, se aplicaron dos cuestionarios: uno para caracterizar la muestra; y el Inventario de Ansiedad Grifo-Estado (STAI). Para el análisis de los datos, se utilizó las pruebas de Mann-Whitney y ANOVA. Los estudiantes de enfermería se caracterizaron por nivel medio de ansiedad grifo y estado de ansiedad. Hubo una reducción estadísticamente significativa de las puntuaciones de ansiedad estado después de la intervención con el RR. Se observó que, si bien no hubo significación estadística, hubo una reducción en el número de estudiantes con ansiedad alta y mediana, mostrando un aumento de los sujetos con baja ansiedad después de la aplicación del RR. Los datos demuestran que la aplicación de la técnica de RR contribuye eficazmente en el tratamiento de la ansiedad.
Descriptores: Ansiedad; Estudiantes de Enfermería; Relajación; Ejercicios de Respiración.
 

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. METODOLOGIA
2.1 Instrumentos
2.2 Procedimentos
2.3 Análise
3. RESULTADOS
4. DISCUSSÃO
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
6. REFERÊNCIAS
 

1. INTRODUÇÃO

A ansiedade é determinada pela presença de um conflito interno que serve de aviso sobre um perigo iminente para que se tome medidas para lidar com a ameaça. É um fenômeno comum, que pode ser facilmente notada, vivenciado por todas as pessoas como uma resposta normal, adaptativa e positiva, servindo como elemento que aumenta nossos esforços e desempenho. Porém, quando essa sensação apresenta-se com intensidade e/ou duração excessiva, ou ainda quando irracional e dissociada, a ansiedade passa a ter papel desajustador e patológico1,2.
Quanto às habilidades motoras e intelectuais do indivíduo, níveis elevados de ansiedade podem provocar percepções negativas. Isso interfere na atenção seletiva e na codificação de informações na memória, bloqueando a compreensão e o raciocínio. O autor Meleiro (2001), aponta que, também, pode interferir no processo de aprendizagem, na redução da atenção e concentração, diminuindo, assim, a aquisição de habilidades3,4.
A ansiedade pode ser diferenciada entre traço e estado. Enquanto o traço de ansiedade refere-se a um aspecto mais estável, sendo a capacidade do indivíduo lidar com maior ou menor ansiedade ao longo de sua vida, o estado de ansiedade reflete uma reação transitória diretamente relacionada a uma situação de adversidade que se apresenta em dado momento5,6. 
Pesquisas no contexto acadêmico, que descrevem estudos brasileiros e internacionais, apontam percentuais entre 15 a 29% de estudantes universitários apresentando algum tipo de transtorno psiquiátrico durante sua vida acadêmica7,8,9. 
Os estudantes universitários são um exemplo de população em que a ansiedade vem sendo estudada e relacionada à situação vivenciada. Silver (1982), citado por um estudo4, discorre que ao ingressarem na faculdade, os estudantes são submetidos a uma grande carga de estresse, devido a longas horas de estudo e cobranças pessoais, de professores ou familiares 
Estudos revelam que o curso de Enfermagem apresenta a maior prevalência de estudantes com Transtornos Mentais (34%), seguidos pelos dos cursos de Letras (22%), Direito (17%) e de Informática (9%). O processo de aprendizagem em Enfermagem é estressante para os estudantes, desencadeando sofrimento psíquico, o que é reforçado por uma maior prevalência nas experiências de ansiedade, irritação, impaciência, cansaço e sobrecarga, podendo tornar a vida uma luta constante, desgastante e infeliz10. 
Os estudantes de enfermagem são susceptíveis a perturbações da ansiedade em função da previsão de situações futuras ou em presença de situações consideradas como desagradáveis ao longo do percurso acadêmico, como a proximidade de provas, estágios, realização e apresentação de trabalhos11,12. Existem, ainda, outras atividades realizadas fora da universidade como o desenvolvimento de atividades no CAPS, nas quais os estudantes estão predispostos a apresentar um nível de ansiedade alterado, relacionado a uma situação particular, que é o desenvolvimento de grupos terapêuticos.
Em meio aos campos de estágios dos estudantes de enfermagem em Saúde Mental, apresenta-se o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), considerado como porta de entrada e de regulação em saúde mental no SUS e criado com a intenção de substituir as internações nos manicômios13.
Dentre às atividades coletivas do CAPS, destacam-se: as oficinas terapêuticas, as atividades artísticas, os grupos terapêuticos, os encontros e os passeios externos e as festividades em datas comemorativas. Os grupos e as oficinas em Saúde Mental podem ser consideradas terapêuticas quando possibilitam aos usuários dos serviços um lugar de fala, expressão e de acolhimento. Além disso, avançam no caminho da reabilitação, pois exercem papel de um dispositivo construtor do paradigma psicossocial14.
Como alternativa para o tratamento da ansiedade, Arcuri (2006)15, destaca as técnicas de relaxamento, tanto respiratório quanto muscular, ajudam no seu manejo, proporcionando uma redução importante nos seus sintomas. Essas técnicas podem ser úteis em várias situações que há alteração emocional, como agitação, dependências e fissura16. 
A técnica de Relaxamento Respiratório (RR) atua sob a mente gerando uma sensação de autocontrole, pode proporcionar um estado de tranquilidade e reduzir a vulnerabilidade para a hiperventilação17.
O objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito do Relaxamento Respiratório sobre os níveis de ansiedade em estudantes de enfermagem durante o desenvolvimento dos Grupos Terapêuticos.
 

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa descritiva de corte transversal e abordagem quantitativa. Participaram da investigação, estudantes de enfermagem matriculados na disciplina Saúde Mental II do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba, que desenvolveram os grupos terapêuticos em um CAPS. 
A amostra foi constituída por 44 estudantes vinculados à disciplina durante dois períodos. A coleta de dados foi realizada em um CAPS do Município de João Pessoa- PB. 
Foi utilizado como critérios de elegibilidade na investigação: ser estudante de enfermagem, estar matriculado na disciplina Saúde Mental II, participar das aulas teórico-práticas no CAPS, não estar sendo submetido a quaisquer tipos de terapêutica para ansiedade e concordar a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
 
2.1 Instrumentos
Para coleta dos dados da pesquisa foi utilizado dois questionários: o primeiro para caracterização da amostra composto por oito questões objetivas e, o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), elaborado por Spielberger; Gorsuch & Lushene (1970)18 e traduzido e validado para língua portuguesa por Biaggio e Natalício (1979)5. Este inventário possui quarenta afirmações, sendo vinte para a escala de estado de ansiedade e vinte para a de traço de ansiedade. De acordo com este inventário, na escala traço o participante recebe a instrução de que deve responder como “geralmente se sente”, já a escala estado requer que o participante descreva como se sente “agora, neste momento. Os pontos de corte são os mesmos utilizados na validação para o português, assim os participantes do estudo foram classificados como pertencentes ao grupo “baixa ansiedade” aqueles que atingiram pontuação menor que 33 pontos; “média ansiedade” entre 33 - 49 pontos e “alta ansiedade” os indivíduos que pontuaram acima de 49 pontos 5.
 
2.2 Procedimento
O estudo foi desenvolvido com dois grupos, o controle e o experimental. O grupo controle foi realizado em três etapas: de início foi realizada uma explicação sobre o estudo, os procedimentos a serem realizados e obtido o consentimento livre e esclarecido dos participantes; em seguida foi solicitado o preenchimento da ficha de identificação e mensurado o IDATE-T e o IDATE-E. Na segunda etapa os estudantes de enfermagem desenvolveram os grupos terapêuticos para os usuários do CAPS. E por fim, o IDATE-E foi mensurado após desenvolvimento do grupo terapêutico.
O grupo experimental aconteceu em quatro etapas: a primeira foi similar ao do grupo controle. Na segunda etapa a Técnica de Relaxamento Respiratório com os estudantes de enfermagem foi aplicada. Do ponto de vista biomecânico, o relaxamento respiratório é uma técnica que consiste no exercício de controle da respiração através da musculatura diafragmática, realizada em três fases distintas: inspirar pelas narinas, distendendo o diafragma, dilatando o abdome e contando 3 tempos; prender o ar nos pulmões, contando 3 tempos; e expirar pela boca suavemente, encolhendo o diafragma e contraindo o abdome, contando 6 tempos19. Na terceira etapa, os estudantes de enfermagem desenvolveram os grupos terapêuticos. E na ultima etapa, o IDATE-E foi novamente mensurado após desenvolvimento da atividade.
 
2.3 Análise 
A análise estatística dos resultados foi realizada utilizando o programa GraphPad Prism (version 6.00, GraphPad Software Inc., San Diego, CA, USA). Os resultados foram definidos pelos testes estatísticos Mann-Whitney e ANOVA one-way. Estes foram considerados significativos quando apresentaram um nível de significância de 5% (p< 0,05). 
Atendendo a Resolução de nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamentam a realização de pesquisas envolvendo seres humanos20, a pesquisa foi aprovada pelo comitê de Ética e Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba e todos os participantes assinaram o consentimento informado.
 

3. RESULTADOS

Quanto à caracterização dos sujeitos investigados, a idade dos discentes variou entre 19 à 31 anos, com uma média de 23,77 anos. Com predominância do sexo feminino, sendo 90,9% mulheres e 9,09% homens. Na amostra 86,36% são solteiros e 13,63% casados; com relação a atividade remunerada, 59,09% dos estudantes não exerce nenhuma, restando 40,9% que exercem alguma atividade remunerada.
A figura 1 apresenta a característica de ansiedade transitória antes e depois do momento da intervenção nos Grupos Controle e Experimental. Observando o Grupo Controle, o escore do IDATE-E antes do desenvolvimento do grupo terapêutico, apresentou mediana de 40 (Percentil 75% = 51; Percentil 25% = 36). Após o desenvolvimento do grupo terapêutico, o IDATE-E teve mediana de 44(53;37), não havendo nenhuma diferença significativa (p-valor = 0,335) nesse escore.        
No Grupo Experimental, o escore do IDATE-E antes da intervenção com o RR e desenvolvimento de grupo terapêutico, teve mediana do escore de 38(47;32). Após a intervenção com a utilização do RR, o IDATE-E apresentou mediana de 35(42;30). 
 

 
A Tabela 1 apresenta as alterações, segundo o Mann-Whitney teste para amostras independentes, nas medianas de escore do IDATE-E antes e depois do desenvolvimento do grupo terapêutico e nas medianas de escore do IDATE-E antes e depois dos momentos de intervenção com o RR nos grupos controle e experimental.
 

 
      
A relação entre o número de estudantes com os níveis de ansiedade é exibida na Figura 2. No grupo controle, antes do desenvolvimento do grupo terapêutico, observou-se 9,09% de estudantes baixa ansiedade, 59,09% média ansiedade e 31,81% com alta ansiedade. Ao termino do grupo terapêutico, a amostra se caracterizou por possuir 22,72% de estudantes baixa ansiedade, apresentando um aumento de 13,63%; 54,54% média ansiedade, com redução de 4,55% dos sujeitos; e 22,72% alta ansiedade, reduzindo em 9,09% o número de estudantes.
O grupo experimental, antes da aplicação do Relaxamento Respiratório, apresentou 4,54% de estudantes baixa ansiedade, 59,09% média ansiedade e 36,36% alta ansiedade. Após a aplicação da técnica de RR, verifica-se que o nível de ansiedade-estado variou, apresentando 36,36% de estudantes baixa ansiedade, havendo um aumento de 31,82%; 50% média ansiedade, caracterizando uma redução do número de estudantes nesta categoria de 9,09%. Já o alto nível de ansiedade-estado, após a intervenção, apresentou 13,63%, o que significa uma redução de 22,73% de sujeitos nesta categoria.
 

 
 

4. DISCUSSÃO

Estudos mostram uma correspondência entre traço e estado de ansiedade, espera-se que indivíduos que possuam alto traço de ansiedade respondam às situações com elevações de estado de ansiedade, mais do que os indivíduos de baixo traço de ansiedade ao enfrentarem essas situações, uma vez que apresentam uma tendência a reagir às mesmas, como sendo perigosas ou ameaçadoras18.
A amostra brasileira do Inventário de Ansiedade Traço e Estado (IDATE), mostrou tendência igual ao da norte-americana, nos quais as mulheres demonstram maior ansiedade que os homens21. Essas diferenças entre os gêneros também são mostrados em outros estudos, nos quais as mulheres apresentam escores de ansiedade maiores do que os homens22,23,24,25,26.
Em um estudo observa-se que esta maior predisposição pode estar associada ao fato de que mulheres apresentam naturalmente um traço de ansiedade maior que os homens27. Porem, esta constatação não foi possível ser observada, tendo em vista que a população deste estudo em sua maioria é feminina e o número de homens pertencente à amostra é reduzido, não permitindo, assim, a aplicação de testes estatísticos.
As situações que requerem ao aluno falar em público, como durante a apresentação de trabalhos e seminários, avaliações orais e participação durante aulas, podem constituir práticas que são provocadoras de ansiedade excessiva28.
Os estudantes de enfermagem, ao desenvolverem o grupo terapêutico com usuários do CAPS, se caracterizaram por apresentar um nível médio de ansiedade-estado, como também de ansiedade-traço. Um estudo realizado por Santos e Galdeano (2009), exibiu a mesma tendência, na qual a maioria dos estudantes mostrou-se com média ansiedade traço e estado29. 
Em outro estudo sobre ansiedade nos estudantes do ensino superior, com uma amostra de 107 estudantes de enfermagem, os autores também identificaram um nível moderado de ansiedade12. Esses fatos podem ser relacionados a um conjunto de elementos predisponentes e à uma situação desconhecida – desenvolvimento do grupo terapêutico a portadores de transtornos psiquiátricos - que estimulam a evolução de um estado ansioso nos estudantes. Considerando também, o fato destes estudantes possuírem uma demanda acadêmica mais intensa, proveniente de aulas diárias, durante dois turnos, monitorias e estágios. 
Em decorrência a estes fatores, técnicas para a redução da ansiedade têm sido utilizadas em estudantes de enfermagem. Estudos demonstram que técnicas de terapias complementares apresentaram uma diminuição estatisticamente significativa do estado de ansiedade nesse tipo de população, como é o caso da Acupuntura Auricular e do Toque Terapêutico. Este último consiste na prática de harmonização do campo energético humano, através do uso consciente das mãos, a fim de promover relaxamento, reduzir a ansiedade, controlar a dor e outros efeitos30,31,32. Da mesma forma, técnicas de relaxamento, tanto respiratório quanto muscular são utilizadas. 
Arcuri (2006) evidencia que nosso estado emocional possui uma ligação íntima com nossa respiração. Quando acontece uma modificação no nosso estado emocional, pode-se ocorrer também uma modificação no ritmo respiratório.  A partir do momento que damos atenção à respiração, nos tornamos conscientes de aspectos da nossa personalidade que antes poderiam estar inconscientes, como a ansiedade e a agitação15.
O relaxamento respiratório (RR) é uma técnica de enfrentamento que consiste no exercício de controle da respiração por meio da musculatura diafragmática16. Na análise comparativa, observaram-se diferenças significativas (p-valor = 0.001) na redução de escores da ansiedade-estado, quando verificadas no grupo controle sem intervenção, e no grupo experimento, após a aplicação da técnica de RR. Além disso, após a intervenção, houve uma redução do número de estudantes com alta e média ansiedade, evidenciando um aumento de indivíduos com baixa ansiedade. Revelando, deste modo, o efeito do RR.
Tratando-se de questões relacionadas à aplicação da técnica de RR para diminuir níveis de ansiedade, estudos trazem dados indicando que essa técnica tem se mostrado eficaz. Um estudo com dependentes de crack que estavam internados, revelou que, depois da aplicação do RR os níveis de ansiedade foram reduzidos, bem como os sintomas relacionados ao craving (desejo súbito e intenso de usar uma determinada substância)19. Em mais um estudo com dependentes de crack, a técnica de RR também se mostrou eficaz na redução dos sintomas de ansiedade15.
Outro estudo ainda avaliando os efeitos da técnica de RR nos níveis de ansiedade, realizado com 60 puérperas, também confirmou uma diminuição significativa dos níveis de ansiedade-estado em seu grupo experimental33. 
Estes estudos citados anteriormente demonstram que intervenções com a aplicação do relaxamento respiratório tem um efeito modificador nos níveis de ansiedade, porém, não se encontrou estudos dessa natureza com estudantes em situações geradoras de ansiedade.
 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A amostra se caracterizou por apresentar médio traço de ansiedade, bem como médio estado de ansiedade. Houve redução significativa dos escores do IDATE-E após o momento de intervenção. Apesar de não termos adquirido diferenças estatisticamente significativas com relação ao número de estudantes e os três níveis de ansiedade, observa-se que a intervenção com Relaxamento Respiratório foi eficaz, visto que houve um aumento no número de estudantes baixa ansiedade. Assim, pelos resultados obtidos, constata-se que a aplicação da Técnica de Relaxamento Respiratório contribuiu para melhorar as emoções dos estudantes de enfermagem reduzindo a ansiedade.
 

6. REFERÊNCIAS

 
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Autores

Rayhanna Queiroz de Oliveira: Enfermeiro Graduado pela Universidade Federal da Paraíba/UFPB. Residente em Saúde Mental pela UFPB- Hospital Universitário Lauro Wanderley. João Pessoa (PB), Brasil.
 
João Euclides Fernandes Braga: Enfermeiro. Professor doutor do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública e Psiquiatria da Universidade Federal da Paraíba/UFPB. João Pessoa (PB), Brasil.
 
 
Gabriel Chaves Neto: Enfermeiro Graduado pela Universidade Federal da Paraíba/UFPB. Mestrando em Neurociência Cognitiva e Comportamental pela Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa (PB), Brasil.
 
 
Flávia Maiele Pedroza Trajano: Enfermeira Graduada pela Universidade Federal da Paraíba/UFPB. Mestre em Neurociência Cognitiva e Comportamental pela Universidade Federal da Paraíba João Pessoa (PB), Brasil.
 
 
Cláudia Quézia Amado Monteiro: Enfermeira Graduada pela Universidade Federal da Paraíba/UFPB. Especialista em Saúde Mental e Dependência Química pela FIP. Mestranda em Neurociência Cognitiva e Comportamental pela Universidade Federal da Paraíba João Pessoa (PB), Brasil.

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