Este trabalho tem a finalidade de relatar a atividade tutorial desenvolvida no Curso de Graduação em Administração Pública, da Universidade Federal Fluminense (UFF), visando contribuir para que outros profissionais possam conhecer a função de tutor, que é tão importante na Educação à distância (EaD). 

Resumo

Este trabalho tem a finalidade de relatar a atividade tutorial desenvolvida no Curso de Graduação em Administração Pública, da Universidade Federal Fluminense (UFF), visando contribuir para que outros profissionais possam conhecer a função de tutor, que é tão importante na Educação à distância (EaD). Metodologicamente nos apoiamos na abordagem qualitativa, sustentada por uma pesquisa de caráter teórico, bibliográfico e documental. Utilizamos as categorias propostas pela Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação, adotada pelo Sistema Universidade Aberta do Brasil. A partir deste material elaboramos um diagrama como três questionamentos sobre a tutoria envolvendo sua identidade, função e ação. Concluímos, destacando que a identidade, funções e ação do tutor são semelhantes dos docentes. Para que este profissional torne sua prática efetiva ele precisa promover mudanças de pensamento, atitudes e comportamento no discente, desenvolvendo sua autonomia.

Palavras chave: Educação à distância; Tutoria; Atividade Efetiva

1. Introdução

O tema do presente estudo encontra-se amparado na atividade tutorial desenvolvida no Curso de Graduação em Administração Pública, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tendo como objetivo contribuir para que outros profissionais possam conhecer a função de tutor. Desta forma pretende-se responder aos seguintes problemas: Que é o tutor, o que deve fazer e como saber se sua prática é efetiva em EaD?

Desta forma, justifica-se este trabalho devido relevância social e científica do tema, uma vez que é uma área de atuação nova, em que o profissional responsável pela tutoria está profundamente associado ao sucesso ou fracasso do curso. Pois sua ação encontra-se estritamente ligada a motivação do aluno, aceitação do conteúdo, metodologia e didática aplicados na Educação a Distância (EaD). Metodologicamente nos apoiamos na abordagem qualitativa, sustentada por uma pesquisa de caráter teórico, bibliográfico e documental (KNECHTEL 2012).

Inicialmente apresentaremos um breve relato histórico sobre a Educação Distância e sua articulação com o curso de Administração Pública. Posteriormente discutiremos sofre a formação do tutor e metodologia utilizada na pesquisa. Finalizaremos com análise das informações.

2. Revisão de literatura

2.1. Processo histórico da ead

Com evolução dos tempos, uso das tecnologias e o avanço sociedade surge a Educação a Distância (EaD), porém engana-se que pensa que este modelo de educação, é recente, Abreu (et al 2014) enfatizam que:

[...] a educação a distância pode ter tido seu início com as epístolas de São Paulo às comunidades da Ásia Menor registradas na Bíblia. Para além desse registro, pode-se destacar como marco da Educação a Distância eventos ocorridos a partir do século XVIII. Temos apontamentos de oferecimento de cursos com material de ensino e tutoria por correspondência na Gazeta de Boston e de cursos de taquigrafia por correspondência em 1883, na Suécia [...] (ABREU, SIMÃO E FERREIRA 2014 p.55 apud ALVES, 2011).

No Brasil, as informações que existem sobre os cursos na modalidade à distância, tiveram seu início através dos cursos profissionalizantes realizados por meio de correspondências (SCHLOSSER, 2010). Com a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923, o ensino passou utilizar o rádio como instrumento, no qual os cursos ofertados eram todos direcionados para as pessoas que buscavam oportunidade no mercado de trabalho. Após essa data, outras iniciativas ganharam força, por meio da transmissão de cursos via satélite e da distribuição de materiais impressos (MARTINS, 2014).

Entretanto, foi com o avanço tecnológico e a mudança de rotina na sociedade moderna, que a EaD tornou-se uma realidade na educação brasileira (SAMPAIO, 2013). Apesar da disseminação deste modelo de educação, por meio de organizações renomadas como Universidade de Brasília (UnB), Ministério da Educação (MEC), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Fundação Roberto Marinho, entre outras. Somente em 1995 que a Secretaria de Educação a Distância foi criada e um ano após, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. 9.394/96) conseguiu ser aprovada, legitimando a EaD no Brasil a partir do Artigo 80 (OLIVA, 2010). No decreto nº 5.622 de dezembro de 2005, encontramos a seguinte definição:

[...] caracteriza-se a educação à distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos (BRASIL, 2005, p.01)

2.1 a ead e o curso de administração pública

Após a regulamentação da EaD, enquanto legislação, várias instituições começam investir na modalidade à distância. Desta forma, neste artigo, abordaremos sobre o trabalho da tutoria à distância, no curso de graduação em Administração Pública do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), oferecido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), campus Volta Redonda. Abreu (2012) enfatiza que a área da Administração Pública está enfrentando pressões das mais distintas naturezas e das mais variadas intensidades. Um extremo, mais participacionista, demanda descentralização, transparência, controle social, e abertura ao debate popular. Em outro extremo, a demanda remete aos temas como qualidade, eficiência no gasto público, resultados, agilidade e menos “burocracia” nos processos públicos. Essa articulação apresenta traços contraditórios, exigindo da gestão pública agilidade no processo de tomada de decisões.

Diante disso, o curso de Bacharel em Administração Pública à Distância foi criado pela Universidade Federal Fluminense no ano de 2010 com pólos inicialmente nas cidades de Volta Redonda, Paracambi, Belford Roxo e Rio de Janeiro (Campo Grande). Os pólos foram ampliados em 2012, sendo acrescidas as cidades de Três Rios, Nova Iguaçu Bom Jesus do Itabapoana e Itaocara. Este curso visa formar Administradores Públicos para atuação nas esferas municipal, estadual e federal, bem como no terceiro setor. As aulas são ministradas através da Plataforma Moodle com uso de vídeo-aulas e material didático. As dúvidas e questionamentos bem como a interação entre professores, alunos e professores tutores, são feitos através do ambiente virtual de aprendizagem- Moodle e pelo telefone. Atualmente o programa conta com aproximadamente 3.088 alunos, distribuídos entre os 8 pólos citados acima.

Atualmente, com o aumento dos cursos de graduação oferecidos na EaD, e a oferta do curso de Administração Pública pela UFF surge a procura por um novo perfil de profissional para atender uma demanda bem particular: Orientar e acompanhar os alunos no percurso de seu curso. Nunes (2007) acredita que o espaço de atuação do tutor vem crescendo e determinadas habilidades começam ser essenciais, para que possa assumir esta função.

2.3. O desenvolvimento do papel do tutor na educação à distância   

Foi com a expansão das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que a EaD deu um salto significativo, possibilitando a disponibilização de informações por meio dos recursos eletrônicos como os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Uma modalidade que antes era centralizada apenas no texto impresso, cedeu espaço para fontes eletrônicas digitais de informação, proporcionando uma aprendizagem colaborativa e uma construção coletiva de novas formas de interação (OLIVA 2010).

Diante deste novo modelo de educação, a função de tutor foi se construindo modestamente ao longo do desenvolvimento da EaD. Do mesmo modo que ocorreu o aumento da oferta desta modalidade de ensino, surgiu uma demanda por profissionais capacitados e qualificados para auxiliar no processo de aprendizado dos alunos. Desta forma este buscamos conhecer o desenvolvimento histórico deste profissional (BARBOSA E REZENDE, 2006).

Entre o período da Revolução Industrial até o seu contexto atual, a tutoria vem acompanhando a universidade desde suas origens. No século XIX um sistema tutorial foi criado pelos ingleses com a função de cuidar da constituição científica e ética de um pequeno grupo de estudante. Diante do impacto causado pelo período industrial e pela era das comunicações, a formação do tutor sofreu fortes influências, respondendo a competitividade do contexto global. Já no século XXI a tutoria estabeleceu-se como um componente do futuro e visando contribuir para o desenvolvimento do capital humano (BERNAL, 2008).

Para Ivashita e Coelho (2009) a função do tutor à distância, caracteriza-se como, a primeira forma de contato do aluno com o curso, realizando o papel de mediador virtual. Desta forma as tecnologias romperam as fronteira da sala tradicional dos livros e lousas e redimensionaram um novo espaço e recurso de trabalho do tutor. Nevado (2008) argumenta sobre o uso das tecnologias:

[...] vem crescendo em diversificados contextos educativos, como formas de ampliação dos espaços pedagógicos, facilitando o acesso à informação e a comunicação em tempos diferenciados e sem a necessidade de professores e alunos partilharem dos mesmos espaços geográficos (NEVADO, 2008, p.06).

Nunes (2007) destaca que a EaD é recente, por isso, existem poucos profissionais preparados para esta área, nossa realidade é que grande parte dos tutores atuais saíram diretamente do ensino formal e presencial. Juntamente, surgiu a necessidade por profissional capacitado para o trabalho no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e com Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), proporcionando um novo espaço para o aluno, possibilitando a interação e cooperação. Com isso, o desejo de propor cursos em EaD, em níveis variados, como na área de extensão, capacitação, graduação e até mesmo especialização vem crescendo e a oferta é realizada tanto por instituições públicas como pelas privadas.

3. Procedimentos metodologicos:

A pesquisa bibliográfica/documental tem como foco direcionar o leitor à pesquisa de assuntos específicos, proporcionando o saber. Além disso, poderá ser empregado como base para as outras pesquisas.

A pesquisa bibliográfica permite compreender que, se de um lado a resolução de um problema pode ser obtido através dela, por outro, tanto a pesquisa de laboratório quanto à de campo (documentação direta) exigem, como premissa, o levantamento do estudo da questão que se propõe a analisar e solucionar. A pesquisa bibliográfica pode, portanto, ser considerada também como o primeiro passo de toda pesquisa científica (LAKATOS e MARCONI, 1992, p.44).

Portanto o presente trabalho buscou realizar uma pesquisa bibliográfica/documental  através de artigos, dissertações, teses e revistas científicas, sobre o papel do tutor à distância na EaD. Além disso, alguns documentos públicos como editais, leis, decreto, resoluções, entre outros, referenciados pela plataforma da Universidade Aberta do Brasil (UAB) foram consultados.

4. Resultado da pesquisa e discussão

4.1. Identidade do tutor a distância e sua função

Diante do levantamento de dados, é possível apontar que segundo o Inep (2014) a EaD já alcançou mais de 1,2 mil cursos à distância no Brasil, se comparado com 2003, havia apenas 52. Ultimamente, as universidades são responsáveis por 90% dos cursos oferecidos nessa modalidade.

A partir destes dados analisaremos a identidade do tutor, através do referencial teórico, utilizados nas categorias propostas pela Secretaria de Educação a Distância (SEED) do Ministério da Educação, adotadas pela maioria das universidades públicas que trabalham com EaD e mantêm convênio com o Sistema UAB (Universidade Aberta do Brasil). Elaboramos um diagrama a partir de três questionamentos em relação função do tutor à distância. (Fig. 1)

 

 

Fig. 1- Interfaces da tutoria à distância (Elaborado pelos autores)

 

No núcleo mais profundo o tutor confronta com sua identidade: “Que eu sou?”, esta foi a primeira dificuldade encontrada pelos autores. Coelho (2002); Gold, (2001); Gutierrez, (1996) questionam a definição de tutoria, destacando que este é um profissional potencializador da aprendizagem, que realiza mediações pedagógicas e estabelece uma comunicação empática com os alunos. Porém na realidade, o tutor é muitas vezes chamado de “professor” pelos alunos. Na busca desta identidade, o tutor confronta-se com o seguinte questionamento: “sou ou não sou um professor?

Com relação à definição encontrada no dicionário da língua portuguesa, a palavra “tutor” tem o seguinte significado: “indivíduo legalmente encarregado de tutelar alguém; protetor” (FERREIRA, 2001, p. 553).  Se esta definição fosse aplicada no contexto da EaD, teríamos o tutor como aquele que tem a função de tutelar, acompanhar a aprendizagem do estudante, sendo de sua competência apenas a função de verificar se o aluno está aprendendo ou não (FILHO, et al, 2012). Apesar da nomenclatura mais utilizada ser “tutor”, Garcia Aretio (2001) e Gonzalez (2005) destacam que seu papel é muito mais amplo do que a nomenclatura restringe, pois o sucesso das instituições educativas depende em grande parte da formação, capacidade e atitude deste profissional. Sendo assim, a identidade do tutor ultrapassa os limites conceituais, uma vez que é um educador assim como os demais envolvidos no processo da EaD, pois exerce a função docente. Considerando que:

 

[...] na EaD as funções docentes são separadas e fazem parte de um processo de planejamento e execução de divisão de tempo e espaço, tornando difícil a identificação de quem é o professor, uma vez que a EaD se constitui de um processo complexo que inclui muitas pessoas (BELLONI, 2006). Sendo assim, a docência na EaD não está centrada nas mãos de uma única pessoa, mas de um grupo de docentes no qual está inserido o professor-tutor. (FILHO, et al, 2012, p.6)

 

O modelo UAB (Universidade Aberta do Brasil) de educação a distância define o tutor da seguinte forma “tutor é o profissional que deve possuir formação de nível superior e experiência mínima de um ano no magistério, caso não comprove essa experiência, deve comprovar formação pós-graduada para poder exercer a função”. Desta forma, este profissional não é identificado como um docente, mas é exigido que tenha conhecimentos e habilidades que ultrapassam o papel de um mero “motivador”, uma vez que se encontra inserindo no processo de ensino e aprendizagem. (FILHO, et al, 2012).

O segundo questionamento vem em relação ao que é permito fazer. Vimos que a Educação a Distância, faz uma distinção entre o papel de professor e tutor, em especial no modelo adotado pelo sistema UAB. Pois dividem entre, o professor que prepara o material instrucional, as atividades da disciplina e gerencia sua execução e o tutor que atua diretamente com os alunos, ainda que a distância, sanando suas dúvidas (NUNES, 2013). A Universidade Aberta do Brasil (UAB) define o tutor à distância como:

[...] Já o tutor a distância é um “orientador acadêmico com formação superior adequada que é responsável pelo atendimento pedagógico aos estudantes através dos meios tecnológicos de comunicação (e-mail, fóruns, teleconferências, telefone, entre outros.)” (IVASHITA e COELHO, 2009 p. 7556).

Porém na prática, sua função não se restringe apenas isso. Além de mediador, também deve desempenhar o papel de motivador, promotor de interatividade e acolhedor. Muito mais do que corrigir tarefas e esclarecer dúvidas, o tutor deve trocar experiência entre os alunos, através do uso das tecnologias, minimizando distâncias e oferecendo segurança, para que os discentes se envolvam ao máximo no processo de busca do conhecimento. Pois diferente do presencial, o tutor a distância se defronta com a distância física e temporal entre alunos, e a tecnologia é o instrumento que requer habilidades. Pois ser compreendido sem o contato “olho no olho” não é tarefa fácil, isso demanda do tutor habilidade e profissionalismo. Desta forma não cabe ao mesmo, o simples papel de “animador”, ele deve ser compreendido como parte ativa do processo pedagógico (ANDRADE, 2007).  Nunes (2013) enfatiza que compete muitas vezes ao tutor oferecer suporte para estes alunos, não só em relação ao conteúdo e o uso da plataforma, como também em nível emocional. Uma vez que sua atuação influencia diretamente no processo motivacional do estudante, que na busca para atingir seus objetivos no curso, se depara com dificuldades como a solidão e a sensação de abandono.

Mas saber qual o seu limite de atuação, não é tarefa fácil para o tutor, que além de não ter um papel bem definido, defronta-se com uma diversidade de papeis dentro do mesmo curso.  Alguns tutores limitam-se apenas ao esclarecimento da disciplina, outros já exercem a função de editor de plataforma e tem alguns que fazem as correções de provas e trabalhos. Além de mediador, cabe ainda o papel de promover a realização de atividades, apoiarem sua resolução, e não apenas mostrar a resposta correta; deve proporcionar novas fontes de informação; entender o assunto ensinado e a organização do conteúdo; além de guiar, orientar e apoiar (PIMENTEL, 2006).

Por fim, nos defrontamos com o terceiro questionamento: Como atuar e ser efetivo? A UAB divulga em sua plataforma como atribuições do tutor, os itens abaixo (BRASIL, 2016):

  • Mediar a comunicação de conteúdos entre o professor e os estudantes;
  • Acompanhar as atividades discentes, conforme o cronograma do curso;
  • Apoiar o professor da disciplina no desenvolvimento das atividades docentes;
  • Manter regularidade de acesso ao Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA e responder às solicitações dos alunos no prazo máximo de 24 horas;
  • Estabelecer contato permanente com os alunos e mediar as atividades discentes;
  • Colaborar com a coordenação do curso na avaliação dos estudantes;
  • Participar das atividades de capacitação e atualização promovidas pela instituição de ensino;
  • Elaborar relatórios mensais de acompanhamento dos alunos e encaminhar à coordenação de tutoria;
  • Participar do processo de avaliação da disciplina sob orientação do professor responsável;
  • Apoiar operacionalmente a coordenação do curso nas atividades presenciais nos pólos, em especial na aplicação de avaliações.

Mesmo diante destes saberes, encontramos ambientes virtuais frios, sem interação, com tutores treinados somente para transmitir informação, que não sabem aproveitar os fóruns, oferecendo respostas padronizadas, para todos os estudantes, sem feedback, orientação e acolhimento (BARBOSA, 2012).

Com isso entramos no campo da efetividade. Mas como saber se a prática do tutor é efetiva em EaD?

Antes de tudo, é importante destacar que a efetividade na Ead é entendida como impacto transformador, ou seja, a capacidade de se promover mudanças de pensamento, atitudes e comportamento do estudante (TONELLI, 2003). Desta forma para que a implantação da EaD seja um sucesso e seja efetivo o tutor  deve estar estritamente vinculados a aprendizagem dos alunos oferecendo suporte sistemático ao estudante, até que ele desenvolva sua autonomia e consiga caminhar sozinho (STRUCHINER, et al, 1998).

Porém estruturar este comportamento no aluno não é tarefa fácil, exige do tutor determinadas competências destacadas por Aretio (2001):

  • Capacidade de ser cordial, fazendo com os alunos se sintam acolhidos, respeitados e confortáveis; 
  • Saber aceitar e compreender a realidade do aluno e sua cultura;
  • Ser autêntico e verdadeiro, não criando falsas expectativas em relação o pode oferecer;
  • Ter habilidade da empatia, ou seja, saber se colocar no lugar do outro aproximando as relações
  • Saber, fazer uma escuta e leitura inteligente, isto é, o tutor deve buscar escutar/ler o que se diz/escreve intencionalmente, ou inconscientemente.

Além da boa interação entre o tutor e aluno é necessário assinalar, preparar, escolher, e planejar o surgimento do estímulo, ajustando com a ocasião instituída por ele e com o objetivo do resultado esperado (HARACEMIV E STOLTZ, 2013). Pierre Lévy (1999) complementa que ser efetivo envolve uma nova forma de relacionar, que ocorre em um espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores, chamado de ciberespaço. O autor destaca que este modelo de relacionamento, envolve vários graus de complexidade. Por isso o uso correto dos recursos como vídeo, tutoriais, chat, simulações, fóruns e lições é de fundamental importância.

Desta forma a formação do tutor deve permitir que cada profissional perceba como as tecnologias podem ser benéficas. Portanto compete ao tutor à distância, a função de facilitador do aluno com o ambiente virtual de aprendizagem. Aumentando ainda mais as responsabilidades e possibilidades de atuação deste profissional. O uso efetivo da tecnologia por parte dos alunos passa primeiro por uma assimilação da tecnologia pelo tutor.

Considerações finais

O objetivo desta pesquisa foi contribuir para que outros profissionais conhecer a função do tutor à distância. Nossa pesquisa utilizou como base o curso de Administração Pública da Escola de Ciências Humanas e Sociais de Volta Redonda/RJ que hoje é oferecido na modalidade à distância e está diretamente relacionado a uma política pública para educação no Brasil, juntamente com base em artigos e documentos.

A pesquisa apontou a que o papel do tutor é fundamental no cenário da Educação à Distância (EaD) e sua ação reflete nas relações de ensino e aprendizagem. Sua identidade e funções são semelhantes dos docentes, competindo a este profissional adicionar habilidades e conhecimentos específicos, que abrangem: acompanhamento do aluno, responsabilidade pela mediação pedagógica, avaliação do estudante e do plano de estudos. A função deste profissional é vital na EaD, pois para que este profissional torne sua prática efetiva ele precisa promover mudanças de pensamento, atitudes e comportamento no discente. Por isso a importância de se tornar um motivador, mediador e incentivador do aluno para que este desenvolva sua autonomia. Com isso seu papel deve ser divulgado colaborando para estudos futuros e pesquisas na área de Educação a Distância.  

Os autores agradecem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). 

 

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Autores

Juliana Andrade de Abreu; Júlio Cesar Andrade de Abreu

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