Este artigo buscou compreender, através de revisões bibliográficas, o que é Preconceito linguístico, visando a identificar como este se manifesta e onde estão suas raízes. 

Resumo

Este artigo buscou compreender, através de revisões bibliográficas, o que é Preconceito linguístico, visando a identificar como este se manifesta e onde estão suas raízes. Com efeito, foi possível constatar que o Preconceito linguístico é um produto(r) da intolerância e da manipulação ideológica. Suas manifestações acontecem a partir daqueles que se julgam falar uma língua culta, pertencentes à elite, e buscam desqualificar todas as manifestações linguísticas não pautadas pela assim intitulada norma-padrão. Além disso, suas raízes estão no século XV, enquanto no Brasil se revigorou a partir do século XIX, com o processo de purificação da língua com manuais de gramática e dicionários. Desse modo, este artigo busca propagar, ainda mais, informações a respeito de o Preconceito linguístico e, com efeito, demonstrar o quanto este problema é nocivo para o progresso civilizatório.

Palavras-chave: Preconceito linguístico; Variação linguística; Linguística; Sociolinguística.

Abstract

This article sought to understand, with the aid of bibliographic reviews, what is linguistic Prejudice, aiming to identify how this manifests itself and where are their roots. Indeed, it was found that language Prejudice is a product / producer of intolerance and ideological manipulation. Its manifestations occur from those who think themselves speak a cultured language, belonging to the elite, and seek to discredit all the manifestations of language that do not follow standard standard guidelines. Moreover, its roots are in the fifteenth century, while in Brazil was reinvigorated during the nineteenth century through the language of the purification process with dictionaries and grammar books. Thus, this article seeks to propagate further information on language Prejudice and demonstrate how much this problem is detrimental to the civilizing progress.

Keywords: Linguistic prejudice; Linguistic variation; Linguistics; Sociolinguistics.

Introdução

       Este artigo tem por objetivo compreender o que é Preconceito linguístico, visando a identificar como este se manifesta e onde estão suas raízes. Desde já, podemos dizer que esse problema se fundamenta na premissa de que há um modelo único de língua a ser falado, isto é, ditado por gramáticas e dicionários. Aqueles que seguem esse padrão se julgam salvadores da língua, ao passo que chamam deturpadores da língua os que não se sucumbem a ele. Haja vista suas manifestações, é difícil não perceber que esse é um problema cuja força motriz está na intolerância para com a diferença e que, com efeito, promove inúmeras demonstrações de violência.

As fontes que motivaram sua elaboração tiveram suas raízes na necessidade de, cada vez mais, discutir o Preconceito linguístico. Não podemos nos emudecer e deixar esse problema de lado, porque, sempre que o fizermos, estaremos sendo opressores e contribuindo diretamente com seu objetivo, que é silenciar línguas. Por consequência, estaremos contribuindo também no fortalecimento de outros problemas como a desigualdade e discriminação sociais, porque, conforme veremos posteriormente, a língua é parte integrante do ser humano.

Em relação às suas contribuições acadêmicas e sociais. Em primeiro lugar, fará com que estudantes e até mesmo profissionais que não estejam familiarizados com o tema tenham uma visão crítica sobre ele e, a partir disso, aprofundem-se em suas questões. Ao abordarmos o Preconceito linguístico, é importante termos em vista que este não é um problema que tem de ser abordado somente pela Linguística, embora esta ciência contribua significativamente, mas, sim, por todos. Em segundo lugar, promoverá conscientização, já que busca evidenciar o fato de que, o ato de considerar a língua dita por gramáticas e dicionários como modelo único a ser seguido pelos falantes, está pautado por premissas preconceituosas e discriminatórias.

Para efeito de melhor compreensão, seguiu a seguinte estrutura: no título Primeiras palavras, elucidou o que é Linguística, linguagem e língua. No título Preconceito linguístico: esclarecimentos, buscou elucidar o que é Preconceito linguístico, como este se manifesta e onde estão suas raízes. Enfim, aduziram-se as considerações finais.

Quanto à sua metodologia, foram realizadas revisões bibliográficas de artigos, dissertações e livros de autores da área da Linguística que trabalham questões relacionadas ao Preconceito linguístico. Todas as referências utilizadas foram ressaltadas no final, para serem fontes de pretensas consultas.

1 primeiras palavras

Antes de discorrermos acerca de o Preconceito linguístico, o objetivo principal deste artigo, temos de compreender alguns pontos importantes, cuja conjunção de entendimento servirá como norteadora. Para tanto, esforcemo-nos, neste título, por responder a três questões: 1) O que é Linguística?; 2) O que é Linguagem?; 3) O que é Língua?.  Feito isso, estaremos em condições apropriadas e, então, poderemos prosseguir com a linha de raciocínio.

Em relação à Linguística, digamos que, enquanto ciência¹, surgiu no século XX, com os estudos do genebrês Ferdinand de Suassure (1857-1913), o fundador do Estruturalismo linguístico². Para ele, a Linguística tem por objeto de estudo todas as manifestações da linguagem, indiferente se de povos selvagens ou civilizados; considera, ao analisar cada período histórico, as maneiras diversas de expressão da linguagem, não se limitando apenas à assim intitulada linguagem correta (Suassure, 2006). Influiu significativamente na construção e aprimoramento dos estudos da Linguística, porque esta, mais especificamente no século XIX, buscava compreender as mudanças das línguas através de suas relações com fatos que as antecedem ou sucedem, assim, fora intitulada histórica ou diacrônica. Já nos períodos incipientes do século XX, com o auxílio de suas elaborações, recebeu uma nova perspectiva nos estudos das línguas, isto é, as línguas passaram a ser estudadas a partir das formas em que se achavam em um momento histórico específico, sendo intitulada sincrônica. Embora o linguista tenha introduzido essa nova perspectiva nos estudos linguísticos, considerou importante tanto a Linguística diacrônica quanto a Linguística sincrônica, afirmando serem duas perspectivas complementares (Fiorin, 2010)³.

A Linguística não diz respeito ao estudo tradicional e específico da gramática, normativa; de maneira mais ampla, busca descrever e explicar padrões sonoros, gramaticais e lexicais, não os avaliando a partir das perspectivas moral, estética ou crítica (Fiorin, 2010). Aliás, ela é a ciência que busca estudar os códigos utilizados pelas pessoas a fim de se comunicarem, e, não menos, a capacidade, inata, que as permite executar tal atividade. Compreende que a linguagem é, fundamentalmente, instrumento de comunicação: é possível cogitar sem fazer uso da linguagem, porém, impossível comunicar-se sem fazer uso de algum tipo de linguagem. É importante ressaltar que os dados fundamentais da linguística, de forma geral, estão nas línguas naturais, assim, pode-se dizer que “O estudo das línguas naturais, consideradas em si mesmas, é a base de todo o estudo linguístico.” (Perini, 2010, p.5).

Busca, principalmente: (1) estudar o processo de evolução histórica das línguas, as variantes de determinada língua, ocasionadas pelos usos diversificados das classes sociais, e variantes regionais; (2) estudar o processo de aquisição da linguagem na infância, desvendar os traços comuns entre todas as línguas, tendo em vista que esses traços são evidências “de aspectos da programação inata que nos permite adquirir e utilizar uma língua natural.”. Em outras palavras, “a linguística é uma ciência na medida em que se ocupa sempre, em última análise, do estudo de dados reais, tirados do uso normal das línguas.” (Perini, 2010, p. 5-7).

Para tanto, em termos de metodologia, correlaciona os resultados, obtidos através da coleta, organização e seleção de análise de dados linguísticos, a informações já disponíveis em outras línguas, a fim de que se possa elaborar uma teoria geral da linguagem. Nesse sentido, a linguística se distingue em dois campos de estudos: Linguística geral e Linguística descritiva. A primeira proporciona conceitos e modelos que servirão de base para a análise das línguas. A segunda proporciona dados que possam legitimar ou deslegitimar as teorias já formuladas pela Linguística geral. O fato é que esses dois campos de estudo são interdependentes, isto é, não há Linguística geral ou teórica sem Linguística descritiva e vice-versa. Contudo, é importante dizer que a descrição de uma língua visa a outros objetivos, para incorporá-la de instrumentos para sua propagação de maneira escrita, como, por exemplo, produção de gramáticas e/ou dicionários (Fiorin, 2010).

Além de a linguística, dentro de seus limites, descrever e explicar o fenômeno da linguagem, busca resolver problemas práticos, especialmente os referentes ao ensino das línguas, através da aplicação de seus resultados. Cumpre dizer que a Linguística, enquanto ciência, não tem necessariamente compromisso estabelecido com a educação, mas, por outro lado, os linguistas têm-no, enquanto cidadãos. Conforme afirma Perini (2010, p. 8), “As principais aplicações do conhecimento linguístico se voltam para questões educacionais. Por isso, na prática, a linguística e a educação se ligam bem de perto.”, embora, para esta aplicação da linguística, é forçoso ter com foco a interdisciplinaridade, já que a transmissão do ensino é uma questão de didática, que envolve o processo pedagógico.

Em se tratando de interdisciplinaridade, a Linguística estabelece intercâmbios íntimos e frequentes com outras ciências, inclusive com as que estudam o homem. Conforme expressou Suassure (2006), os aspectos da Linguística são de interesses de todos e, mais do que isso, tem importância sumária para a cultura em geral, porque a linguagem é o fator mais relevante do que qualquer outro. Assim, criando outras áreas de estudo, como, por exemplo, a etnolinguística: estuda a relação entre língua e cultura., a sociolinguística: estuda a interação entre língua e sociedade., a psicolinguística: estuda o comportamento do indivíduo enquanto agente de aquisição da linguagem e aprendiz de outra língua que não seja necessariamente a materna (Fiorin, 2010)., e a neurolinguística: estuda a elaboração cerebral da linguagem, buscando analisar os mecanismos cerebrais do cérebro humano que estão relacionados à compreensão, produção e conhecimento abstrato, tanto da língua falada e escrita quanto assinalada.

Em relação à linguagem¸ comecemos por compreender que esta é a capacidade que o ser humano tem para estabelecer comunicação a outro ser humano. Essa comunicação pode ser manifestada de diversos modos, sendo que o verbal, fala e escrita são os mais utilizados. É importante dizer que a linguagem pode ser expressa de modo não verbal, isto é, através de gestos, músicas, pinturas, mímicas, silêncios, dentre outros (Pokorski & Pokorski, 2012). Suas relações com a sociedade são demasiado importantes, já que uma comunidade, por menos complexa que seja, surge e funciona senão pelo seu uso contínuo e intenso. Ora, pois, uma comunidade existe devido à cooperação e ao conflito entre os seres humanos, e o que media este processo é nada mais nada menos do que a linguagem (Perini, 2010). Sendo assim, é possível dizer que, a cada instante, a linguagem é uma instituição atual e produto do passado. Embora pareça fácil distinguir aquilo que é daquilo que já foi, não o é, porque ambas as coisas estão intimamente correlacionadas, segundo afirmou Suassure (2006).

Essa faculdade mental, a linguagem, é um tipo específico de conhecimento, inerente a todos os seres humanos, e somente a estes. Através dela, ele consegue produzir, desenvolver e compreender as diversas manifestações simbólicas semelhantes à língua. A linguagem é heterogênea e multifacetada, ou seja, constitui-se de aspectos físicos, fisiológicos e psicológicos e pertence igualmente à esfera individual e social (Viotti, 2008). Por isso é que, uma criança, na sua mais tenra idade, já consegue elaborar frases, que não tinha escutado antes, questionar, solicitar e comentar fatos de maneira genuína e criativa, ao passo que papagaios e macacos não conseguem, por exemplo (Maia, 2006).

A linguagem faz parte da constituição biológica do ser humano, e sem esta seria impossível desenvolvê-la somente através da observação das coisas. Ora, pois, se a linguagem fosse aprendida tal qual ao que acontece em um jogo de repetição, os seres humanos seriam capazes apenas de reproduzir aquilo que escutaram, e, como é possível perceber, estes vão muito além da mera reprodução de frases. Os linguistas acordaram em chamar esse fenômeno de Infinitude discreta, ou seja, significa que “somos capazes de produzir um número infinito de expressões gramaticais a partir de um conjunto finito de elementos e princípios lingüísticos.” (Maia, 2006, p.24).

Dito isso, é imprescindível diferenciar quatro conceitos. Em primeiro lugar, aquisição da linguagem e aprendizagem da linguagem. No tocante ao primeiro processo, que é natural e espontâneo, acontece de maneira homogênea para todos os indivíduos em suas mais tenras idades, não sendo determinado pelo contexto em que estes estejam inseridos. Ocorre ao indivíduo quando este está exposto a estímulos linguísticos, o que, em consequência, faz com que o órgão da linguagem se ative e opere, ocasionando a aquisição de uma língua específica, também intitulada GU – Gramática Universal. No tocante ao segundo processo, ao contrário do primeiro, requer esforço, exercício, prática, conquanto, frequentemente, seus resultados não sejam tão significativos. A título de explicação, tem-se o aprendizado de uma língua estrangeira. Em segundo lugar, Competência gramatical e Desempenho Linguístico. O primeiro diz respeito ao saber linguístico abstrato que todos os seres humanos possuem em suas mentes. É acessado sempre que necessário para se conseguir produzir ou compreender determina frase. Já o segundo, diz respeito ao momento de fala específico, ou seja, é o fazer linguístico (Maia, 2006).

Em relação à língua, segundo Suassure (2006), enquanto parte determinada e essencial da linguagem, não se confunde com esta. É, concomitantemente, tanto produto social da complexa faculdade mental da linguagem quanto conjunto de convenções indispensáveis, utilizadas pela sociedade para permitir o exercício da linguagem pelos indivíduos que a compõem. Ao contrário do que se pensa, é um todo passível de classificação; é adquirida e convencional; é objeto de natureza concreta. “É uma imagem acústica que pode ser traduzida numa imagem visual constante.” (Suassure, 2006, p.17-23).  Nesse sentido, a língua não se constitui como uma função do falante, pelo contrário, é o produto que o indivíduo registra passivamente. Não supõe jamais premeditação.

Esse conjunto de convenções sociais, por ser um objeto bastante definido, é passível de ser encontrado à medida que determinada imagem auditiva associe-se a um conceito. A língua é exterior ao indivíduo, é a parte social da linguagem, e este, por si mesmo, não consegue criá-la tampouco a modificar, embora tenha de aprendê-la para conhecer seu funcionamento. A língua “não existe senão em virtude duma espécie de contrato estabelecido entre os membros de uma comunidade.”, já que ela é um conjunto de signos cujo objetivo é exprimir ideias (Suassure, 2006, p.22-24).

Embora as considerações de Suassure sejam indispensáveis nos estudos da Linguística, será necessário seguir a orientação da linguista Viotti (2008), de que, ao se dedicar à compreensão de o que é língua, é imprescindível compreender, antes, que cada área, a qual estabelece interface com a Linguística, a ela atribuirá uma definição, evidenciando um de seus múltiplos aspectos; irá conceituá-la de maneira específica, ou seja, que esteja mais alinhavada às suas hipóteses de pesquisa. Em outras palavras:

[...] cada definição de língua precisa ser entendida no âmbito de uma teoria particular. As teorias são como as lentes de um telescópio. As lentes de um telescópio nos ajudam a ver estrelas e planetas que não conseguimos ver a olho nu. Da mesma maneira, as teorias são lentes que nos ajudam a perceber peculiaridades da língua, que passam despercebidas quando estamos fazendo uso dela em nosso dia-a-dia (Viotti, 2008, p.4).

Desde já, portanto, evidencia-se que este artigo se constitui a partir da perspectiva teórica da assim intitulada Sociolinguística, já que esta se encontra mais alinhavada aos objetivos deste artigo. Isso não que dizer que os estudos de Suassure são insignificantes, e sim que esta é outra maneira, nem melhor nem pior, de enxergar a língua.  Ao contrário do que muitos avaliam como verdade absoluta, as concepções teóricas em Linguística “não são de todo excludentes e têm, cada uma a seu modo, muito a contribuir para a compreensão do fenômeno da linguagem.” (Santos, 2010, p. 22).

Para efeito de melhor compreensão, a Sociolinguística busca estudar tanto as relações existentes entre a língua e a sociedade quanto de qual maneira os falantes usam da língua em suas interações sociais. Segundo Araújo (2010, p.3), ela busca analisar “a realidade do discurso humano e mostra como um dialeto pode descrever a idade, o sexo, e a classe social do falante, sendo uma codificação da função social da linguagem.”. Compreende ser a língua um fenômeno social e que cada falante possui sua maneira própria de comunicar-se através da fala oral, por exemplo, dialetos, sotaques, neologismos dentre outras maneiras que não fazem parte dos dicionários (Azola, 2011).

Essa vertente da Linguística se divide em duas perspectivas de estudo: (1) Sociolinguística Interacional e (2) Sociolinguística Variacionista. Em relação à primeira, busca investigar a linguagem na comunicação entre os indivíduos e o contexto no qual se fazem presentes, assim, compreendendo como eles reagem às situações de interação. Nesta área, destacam-se os estudos do sociólogo Goffman (1922-1982), que trabalha com a questão da representação de papéis e a projeção do Eu nas interações. Em relação à segunda, busca estudar essencialmente a variação linguística que ocorre no contexto social em que o indivíduo está inserido. Um de seus autores mais proeminentes é o americano William Labov, que objetivou estudar a fala a partir de seu contexto e sistematizar seu considerado caos linguístico. Com efeito, surgiu a Teoria da Variação Linguística, que considera a língua como não homogênea (Nascimento, 2011).

Para a sociolinguística, a língua varia conforme a sociedade que dela faz uso, isto é, varia conforme a necessidade de seus falantes. Então, a partir do momento em que uma expressão passa a ser utilizada, pelos indivíduos, pode se tornar oficializada e até legitimada pela gramática. Da mesma maneira, determinada expressão pode vir a obter outros sentidos, os quais foram modificados pela própria sociedade, haja vista o tempo e seu uso, sendo, então, indispensável que ocorra variação linguística4. Os falantes fazem uso da língua de várias maneiras, concordando com os aspectos geográficos, econômicos e sociais do país, o que, geralmente, é entendido como oportunidade de pôr em prática a discriminação. Cada falante usa da língua de maneira singular, de acordo com suas necessidades e costumes, e isto não implica dizer que ele tem de ser julgado e criticado. Conforme expressou Azola (2011, p.1):

É importante saber que a lingüística não diferencia o homem através da forma como se utiliza da língua. E, para ela, não há língua correta ou errada. Nenhuma língua é melhor ou pior, seja ela complexa ou simples de ser apreendida. Elas não são comparáveis, não competem entre si (Azola, 2011, p.1).

Nesse sentido, falar da língua implica falar de identidade. Se a língua faz parte da vida das pessoas, isso significa que estas estabelecem relações íntimas com ela. As pessoas contam o que são e em que acreditam através da língua. Igualmente, a língua é um território, território de decisões, lutas, afirmações e produção de conhecimento. De fato, as pessoas dizem o que são e o que não são através da língua. Ora, pois, “as pessoas travam batalhas por meio da língua. A língua é um território de vida que anda de braços dados com as identidades.” (Freitas, 2012, p.6-7). A língua vai muito além de simplesmente descrever coisas; consegue agir sobre a vida do ser humano. Nas próprias palavras de Freitas (2012, p. 8-9):

Porque a língua é uma faca de dois gumes. Porque a língua dá vida e mata. Porque a língua inclui e exclui. Porque a língua constrói e destrói. Porque a língua afirma e nega. Porque a língua aceita e resiste. Porque a língua delimita e expande. Porque a língua oprime e liberta. Enfim, porque a língua jamais é inocente. A língua sempre quer fazer alguma coisa no mundo. Mas, pra fazer alguma coisa, ela precisa ser usada. E quem será que vai usar a língua? Pensemos nisso (Freitas, 2012, p. 8-9).

Apresentadas essas informações preliminares, é possível prosseguir com a linha de raciocínio. No título seguinte, será elucidado o que é Preconceito linguístico, como este se manifesta e onde estão suas raízes, deste modo, demonstrando o quanto este é um problema nocivo para o progresso civilizatório, já que é um dos principais promovedores de intolerância, discriminação e exclusão sociais. 

2 preconceito linguístico: esclarecimentos

Uma boa maneira de iniciar este título é reorganizando a ordem de explicação das coisas, quer isso dizer, começando pela compreensão de onde estão as raízes do Preconceito linguístico, para, em seguida, compreender o que de fato é este problema e como se manifesta.

À análise dos fatos, podemos perceber que o Preconceito linguístico está intimamente relacionado à norma-padrão, um sistema comunicativo que visa à padronização, aliás, à purificação da língua, quer seja falada quer seja escrita. Já há algum tempo, tornou-se motivo de bastantes discussões pelos brasileiros, nada mais nada menos pelo fato da suposta deturpação da língua portuguesa no Brasil. Pautada por ideologias conservadoras, é carregada de preconceitos; compreende, afirma e propaga a ideia de que toda variação linguística que não segue o padrão determinado por ela, através de gramáticas e dicionários, são erradas (Faraco, 2004). Por sua vez, é restrita apenas a alguns integrantes de determinada comunidade, além disto, está intimamente relacionada a um patrimônio cultural fixado na tradição escrita (Gnerre, 1991).

Não pensem que essa tendência de purificação da língua é recente, porque não o é, teve seu início no final do século XV, motivada por necessidades de unificação e centralização dos Estados Centrais que estavam se constituindo e, assim, superar a fragmentação econômica, social e política. Tinha de se ter uma língua enquanto referência que estivesse acima da grande diversidade regional e social. É importante ressaltar que as mudanças sócio-econômicas-culturais na Europa na Baixa Idade Média favoreceram significativamente tal objetivo. Por consequência, foi criado um projeto padronizador da língua, tendo como pioneiro Antonio Nebrija, o autor da primeira gramática de uma língua moderna, ao criar a gramática do Castelhano, em 1942. A partir de então, com o auxílio de gramáticas e dicionários, começaram a estabelecer o padrão de língua para os Estados Centrais Modernos, permitindo-lhes afunilar a diversidade linguística regional e social enraizada no período feudal. (Faraco, 2008).

O problema disso tudo é que tais instrumentos, gramática e dicionário, não objetivaram apenas descrever a língua, mas padronizá-la, regular a fala das pessoas, a fim de que se conseguisse alcançar o ideal de língua para o Estado Centralizado. Com efeito, receberam caráter coercitivo, tendo por objetivo principal enquadrar a fala e a escrita naquilo que eles ditavam como certo. E, como bem se pode perceber, não foi possível realizá-lo por completo, e nunca o será, já que seria indispensável, conforme expressa Faraco (2008, p. 80), ao dizer que “homogeneizar a sociedade e a cultura e estancar o movimento e a história. Mesmo assim, o padrão terá sempre, por corações sociais, certo efeito unificador sobre as demais normas.”.

Já no Brasil, a norma-padrão se originou de forma bastante artificial, aproximadamente, na segunda metade do século XIX. Enganam-se aqueles que consideram ter ocorrido o mesmo que ocorreu na Europa, porque não fizeram uso da norma culta brasileira como referência, mas se basearam em um modelo lusitano de escrita expressivamente praticado por escritores portugueses do romantismo. Enganam-se novamente ao considerarem que foi uma imposição, pelo contrário, a norma lusitana foi concebida como ideal pela própria elite letrada brasileira (Faraco, 2008). Segundo Faraco (2008, p. 81), por aqui, sobretudo nessa época, a norma-padrão abrasileirada era concebida como ““português de preto” ou “pretoguês”, [...] língua de negros boçais e de raças inferiores, que era entendida pela elite conservadora como sinônimo de corrupção, degeneração, desintegração.”.

Ademais, o Preconceito linguístico está intimamente relacionado à língua culta, uma conjunção de fenômenos linguísticos que acontecem, geralmente, no uso dos falantes letrados, pertencentes à elite, quando em situações mais monitoradas da fala e da escrita. Por extensão, juntamente com as práticas culturais, recebe um valor simbólico e social extremamente positivo, mas, em verdade, é apenas uma variedade com funções socioculturais bastante definidas. Seu valor não diz respeito às “suas propriedades gramaticais, mas de processos sócio-históricos que agregam valores a ela. Em outras palavras, o prestígio não decorre de propriedades intrínsecas (linguísticas propriamente ditas), mas de extrínsecas [...]”. (Faraco, 2008, p.74).

Ao receber a qualificação culta, traz consigo uma gama de pressupostos que, sem dúvida, não são muito discerníveis.  Sugere que a língua daqueles que seguem à risca a norma-padrão, a classe de prestígio, é provida de conhecimento, deste modo, opondo-se à língua das pessoas que a ela não têm acesso, automaticamente, que têm língua “inculta”, são incultos, ignorantes (Faraco, 2004, p. 39). O pior é que esse processo conseguiu produzir, no registro imaginário dos falantes, que, de fato, a língua culta, regida pela norma-padrão, é a variedade mais superior, a melhor a ser falada dentre as demais (Faraco, 2008).

Uma parcela da sociedade, prestigiada social e economicamente, que se julga possuir uma língua culta, segue à risca suas prescrições e compreende ser indispensáveis suas aplicações a todos os falantes, como uma lei, sobretudo aos que não pertencem a seus grupos, os que falam errado, deturpam a língua, os violões da nação. Isso acontece por diversos motivos, conforme expressou Gnerre (1991, p. 11), sobretudo porque ”[...] a variedade culta é associada à escrita, como já dissemos, e é associada à tradição gramatical; é inventariada nos dicionários e é portadora legítima de uma tradição cultural e de uma identidade nacional.”.

Embora pareça notável, cumpre dizer que as prescrições impostas pela norma-padrão, transmitidas também pelos que se dizem ter uma língua culta, levam em consideração, sobretudo, as posições sociais entre falante e ouvinte. Há, sem dúvida, uma diferenciação hierárquica valorativa entre os falantes. Uns recebem uma avaliação social positiva, outros, uma avaliação desprestigiada e, com muita frequência, estigmatizada. Segundo Faraco (2008, p. 74), “O importante é entender que tais valorações não são “naturais”, não são puramente linguísticas, mas resultam do modo como se constituem historicamente as relações sociais.”.

Para efeito de melhor compreensão, a norma-padrão não é propriamente dita uma variedade da língua, é um construto sócio-histórico que fomenta a uniformização da língua. Já a língua culta é uma variedade linguística utilizada pelos letrados, que consideram dominar a norma-padrão e ser a única língua a ser propagada. A norma-padrão não passa de uma codificação abstrata que tende a balizar a uniformização da língua. A língua culta, por sua vez, é uma expressão viva de determinados segmentos sociais, mais especificamente, os da elite, utilizada em certas situações, inclusive para desprezar a diferença (Faraco, 2008).

Nessa conjuntura, podemos afirmar, então, que o Preconceito linguístico, semelhante a outros preconceitos, é irracional, advém da ignorância, da intolerância e da manipulação ideológica. A cada vez mais, de maneira sorrateira, tem se apresentado às culturas, tendo como colaboradores, sobretudo, as redes de comunicação em massa, livros e manuais, gramáticas normativas e livros didáticos. Apresenta-se de maneira bastante maquiada, e por isso é muito perigoso. Quase ninguém o percebe e tampouco suas consequências. E quando é dito quase ninguém, realmente , é quase ninguém mesmo. Nem aqueles que se dizem fazer parte de movimentos políticos progressistas; agora, quando é abordado, não o é de maneira mais do que vaga (Bagno, 2013).

Manifesta-se ao se tentar afirmar a ideia de que a língua, a qual é essencial para o ser humano em tudo o que diz respeito à sua vida, já passou por todos os seus possíveis processos, já está pronta e acabada. É bem ali que está o perigo, porque essa ideia traz consigo a crença de que há apenas uma única língua digna de ser falada (Bagno, 2003). Nesse sentido, cumpre reiterar que a língua existe porque há seres humanos que a falam, portanto, não é morta, estagnada e instável, pelo contrário, é viva, está em constante transformação, conforme afirmou Bagno (2013).

O Preconceito linguístico é produção ideológica que está intimamente relacionada à confusão que se faz entre língua e gramática, uma confusão milenar. Diz respeito, fique sabendo, à discriminação e à exclusão. Está fundamentada na ideia conservadora de que há uma língua que tem de permanecer pura. Não reconhece a variação linguística dos falantes, logo compreende que há a dicotomia língua “errada”, a falada pelos indivíduos de classes baixas, e língua “certa”, ditada pela gramática normativa e falada pelos que pertencem à elite. Falar de Preconceito linguístico implica falar três coisas principais: língua culta, classe elitizada e classe estigmatizada (Bagno, 2013, p. 11-12). Nesse sentido, o problema está mais em quem fala o quê, no que naquilo que se fala, conforme afirma Bagno (2013).

Esse ideal de língua pura é bastante problemática, já que os falantes da classe de prestígio, por considerarem falar mais próximos da norma, condenam a língua falada das pessoas a que pertencem à classe menos prestigiada da sociedade, sendo estes julgados de bárbaros, deturpadores da língua. É possível perceber, então, que o Preconceito linguístico, em verdade, é um preconceito social e, portanto, de caráter político, já que seus falantes são seres políticos, e que pode ser praticado por todos. A língua é parte constitutiva do ser humano, faz parte de sua identidade, logo, se há preconceito linguístico há preconceito social. O ser humano é a língua que fala (Bagno, 2003).

Enganam-se aqueles que acham ser recente esse produto ideológico que é o preconceito linguístico/social, bem como ao acharem que ele faz parte apenas da história de algumas línguas específicas, porque este fez parte, e ainda o faz, da história de todas as línguas. Sempre pulsou forte a ideia de que certo é falar certo, elegante e de maneira civilizada, e este falar certo só é possível se estiver correlacionado ao que determina a famigerada gramática normativa. No entanto, tudo aquilo que foge às suas determinações, é considerado errado, impróprio, repudiável, asqueroso (Bagno, 2003).

No Brasil, prezado leitor, a situação não é diferente, porque pessoas, que fazem uso da língua culta como um instrumento de disseminar preconceito, buscam, em todas as formas de expressões linguísticas, tanto faladas quanto escritas, achar padrões que fogem do que eles consideram como língua “certa”. A gramática, para eles, exerce a função de lei que todos os demais, por incumbência, têm de a ela se sucumbirem. Segundo Bagno (2003, p.92), “O brasileiro não tem o direito de falar sua língua materna do modo que lhe parecer, como bem quiser ou como conseguir diante das coerções do contexto de interação verbal”. É excluído tanto do poder político e aquisitivo quanto, por extensão, do poder falar. Sua língua, que nem é considerada como tal mas mais como um resmungo, tem de ser meticulosamente silenciada, e é aqui que o Preconceito linguístico/social se manifesta.

Disso tudo, poderíamos nos perguntar: o que é que fundamenta o Preconceito linguístico/social; o que o faz a cada vez mais se demonstrar revigorante? Como resposta, diríamos que dois fatores principais.

Em relação ao primeiro fator, um antiguíssimo resquício cultural, mais especificamente, presidido pela gramática e, depois, pelos textos literários que por esta se guiavam. Tudo, de fato, iniciou-se a partir da disciplina gramatical, que ao ditar o que tem de ser usado por ser “certo”, diz aquilo que, sem justificativa, não o é e portanto precisa ser rejeitado. Depois, com a linguagem literária, passou-se a estabelecer a descrição/prescrição da língua, isso data desde a Antiguidade à Idade Média, já que era o veículo pelo qual a escrita era transmitida (Bagno, 2003, p.46-47). Ora, pois, isso fez turvar a concepção de que “A língua falada é concreta. A língua da gramática é abstrata.” (Bagno, 2003, p.20).

Em relação ao segundo fator, um ciclo vicioso pautado por uma tríade ostensiva, ou seja, escola-gramática-dicionário. Todas as expressões linguísticas que se despojem do que é dito por essa tríade, são consideradas erradas, e se instaura o Preconceito linguístico/social. Funciona assim: a gramática normativa se faz de base para a prática do ensino, e este por sua vez faz com que seja produzida a indústria do livro didático, que é presidida por pessoas que fazem uso da gramática normativa para apoiarem suas concepções e teorias sobre a língua (Bagno, 2013). Com isso, o Preconceito linguístico/social continua em processo. Muitos divergem dessa pressuposição, mas, o que não quer calar é se novas atitudes já foram empreendidas, sobretudo em relação aos livros didáticos e à didática de ensino, por qual razão essa produção ideológica continua sendo fomentada pela tríade acima referida? Que não seja, pelo menos, devido a essa ideologia já ter sido enraizada, disseminada e corporificada na cultura brasileira de modo tal que não mais seja possível combatê-la.

Para findar a linha de raciocínio, façamos uso das palavras de Bagno (2003, p. 31), “A história das línguas e das sociedades nos conta que para haver alguma grande mudança nos conceitos de língua “certa” e língua “errada” é preciso que também haja, ao mesmo tempo, uma grande e radical transformação das relações sociais.”.

3 considerações finais

Como foi possível perceber, o Preconceito linguístico é, também, em verdade, um Preconceito social, porque a língua é parte integrante do ser humano: constitui sua identidade. Opera como um produto(r) da intolerância e da manipulação ideológica. Desse modo, evidenciando o fato de que esse não é um problema específico de uma única ciência, e nem poderia sê-lo, mas, sim, um problema que tem de ser abordado por todos, juntos, visando a promover estratégias a fim de solucioná-lo.

A língua, por ser integrante do ser humano, não é estável, muito pelo contrário, é viva. A língua é metamorfose. Por isso, ao tentar impor a língua abstrata, estável e morta de manuais de gramática, dicionários e livros, como único modelo a ser seguido, está se esforçando por renegar todo o progresso civilizatório e, com efeito, promover a coisificação do ser humano. Não podemos nos esquecer de que tais produções são representantes da língua falada, isto é, são elaboradas a partir da língua concreta. Acompanham as transformações sociolinguísticas de determinada cultura, ou pelo menos tinham de ser assim compreendidas.

Acredita-se que este artigo tenha alcançado seu objetivo, então, possa contribuir com profissionais e pessoas antes não familiarizadas com o problema do Preconceito linguístico. A não aceitação da diferença está presente na constituição psíquica do ser humano, mas isso não tem de ser compreendido como algo que cause impotência.

Notas

I – Cf. História da Linguística. Produzido pela Universidade Castelo Branco, para efeito de compreensão pormenorizada da história da linguística.

II –  Essa é uma das principais vertentes da linguística que, em seus estudos, busca compreender as regras e as convenções que possibilitam a língua operar. A fim de melhor compreensão da linguagem, bifurcou-a em língua, sistema formal da linguagem que dirige a fala, e palavra, o discurso, ou eventos da fala. Visa mais à infraestrutura da língua, isto é, aquilo que há de mais comum entre todos os falantes e que opera a nível inconsciente, não fazendo menção à evolução histórica dos idiomas.

III – Além dessa importante vertente da Linguística, há, também, outras. A saber, Gerativismo: compreende que a linguagem não tem de estar totalmente presa à classificação de dados, ao passo que a importância primária é a teórica. Pautada no racionalismo e na tradição lógica dos estudos linguísticos, apresenta uma teoria intitulada gramática, cujo objeto principal de estudo é a sintaxe, que é a maneira pela qual a linguagem pode ser explicada. Nesta vertente, o linguista tem de descrever a competência, isto é, capacidade inata que um indivíduo possui para produzir, compreender e reconhecer todas as frases de sua língua; não compreende a língua como um conjunto infindável de frases indefinidas somente por frases já existentes, e sim por frases que podem ser criadas através da internalização das regras de tal língua. Funcionalismo: distancia-se dos estudos das correntes Estruturalismo e Gerativismo, já que visa a estudar as relações existentes entre a estrutura gramatical das línguas e os diversos contextos onde elas são empregadas. Para ele, a língua é objeto de estudo em seu uso, na comunicação e enquanto função que desempenha frase, não como inata. Objetiva explicar os fenômenos linguísticos sintáticos e semânticos (Cunha, 2010). Linguística Cognitiva: ao contrário da corrente que descreve a língua, estuda a língua a partir da semântica e dos significados. Em outras palavras, compreende que a linguagem é integrante à condição humana, e que, por sê-lo e denotar fatores culturais, psicológicos, comunicativos e funcionais, pode ser estudada somente a partir de uma visão real de conceitualização humana de mundo e processamento mental (Langacker, 1977). Linguística Textual: ao contrário da corrente Estruturalismo, tem por objetivo estudar aspectos formais e estruturais de textos, concentrando seu foco de análise no processo comunicativo entre autor, leitor e texto, claro, em contexto específico. Embora seu foco seja o texto, não quer dizer que não compreende aspectos linguísticos, cognitivos e sociais, pois estes estão envolvidos na organização, produção e compreensão textual (Koch, 2003).

IV – Conceito utilizado pelos linguistas para dizer do uso delimitado da língua por diferentes grupos sociais. Implica dizer que em uma mesma língua há diferentes formas de expressão da mesma, haja vista os aspectos sociais, econômicos e culturais de seu falante e dos grupos sociais a que pertence. A saber, existe a variação padrão, prestigiada e desprestigiada. Além disso, esse conceito sempre deve ser usado no singular – variação linguística (Nascimento, 2011).   

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Autor

Jonathas Rafael dos Santos – graduado em Psicologia pela Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis de Divinópolis – FACED (2015), Divinópolis/MG – Brasil.  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.