Este trabalho foi desenvolvido como parte das avaliações do curso de e pós-graduação Lato Sensu em Supervisão Pedagógica, Orientação Educacional e Inspeção Escolar da Faculdade de Viçosa, Viçosa- MG e propõe-se a compreender o papel do Orientador Educacional na gestão do Projeto Político Pedagógico (PPP) de uma instituição de Educação Infantil. 

Resumo

Este trabalho foi desenvolvido como parte das avaliações do curso de e pós-graduação Lato Sensu em Supervisão Pedagógica, Orientação Educacional e Inspeção Escolar da Faculdade de Viçosa, Viçosa- MG  e  propõe-se a compreender o papel do Orientador Educacional na gestão do Projeto Político Pedagógico (PPP) de uma instituição de Educação Infantil. Entende-se que o PPP norteia as ações escolares, é uma ação intencional e o resultado de um trabalho coletivo de reflexão. A função do Orientador é buscar os meios para que a escola cumpra seu papel com base no PPP e que sua realidade não se cristalize, reforçando o aspecto coletivo. A pesquisa foi realizada no Laboratório de Desenvolvimento Infantil da Universidade Federal de Viçosa (MG) e utilizou-se como técnica de coleta de dados a observação, a entrevista semi-estruturada e a análise documental. A análise dos dados fundamentou-se na literatura estudada. Os resultados indicam que a Orientadora tem conhecimento sobre o PPP, bem como reconhece sua importância, busca envolver os pais e funcionários na reelaboração do documento. Em linhas gerais, pode se inferir que o Orientador Educacional deve estar inteirado das questões ligadas ao PPP, sendo o articulador que une as pessoas que fazem parte do processo educativo.

Palavras-chave: Orientador Educacional, Projeto Político Pedagógico e Educação Infantil

Introdução

Neste trabalho, pretendeu-se abordar questões referentes à relação dos Orientadores Educacionais com Projeto Político-Pedagógico de instituições de Educação Infantil. Além de suscitar uma reflexão sobre alguns pressupostos que devem orientar na elaboração deste documento.

Entende-se que o Projeto Político-Pedagógico é uma ação intencional e o resultado de um trabalho coletivo, que busca metas comuns que intervenham na realidade escolar. Traduz a vontade de mudar, pensar o que se tem de concreto e trabalhar as utopias; permite avaliar o que foi feito e projetar mudanças.

Antes da Constituição Federal de 1988, a Educação Infantil era responsabilidade da União, sob a ênfase de amparo e da assistência. Desta maneira as expressões que correntemente apareceram no corpo das constituições federais serão o silêncio como é o caso de 1891 pela expressão “amparo a infância”, ou então como na constituição de 1937 que afirma que a infância a qual vier faltar recursos o estado deverá providenciar cuidados especiais. Portanto a figura nesse caso coerente com o Estado novo é o cuidado e não o dever, é o amparo e não o direito.

A Constituição de 1988 incorporou em si algo que estava presente no movimento da sociedade que advinha do esclarecimento e da importância que já se atribuía à Educação Infantil, reconhecendo a educação de 0 a 6 anos como “direito da criança e da família e dever do Estado”; determina que os municípios desenvolvam programas de educação pré-escolar com assistência técnica da União e dos Estados e mais, que atuem prioritariamente nesse nível e no ensino fundamental (Paiva, 2003, p.117).

Neste contexto a educação infantil passa a fazer parte da estrutura e funcionamento da educação escolar brasileira. Isto quer dizer que a Educação Infantil deixou de estar prioritariamente no campo das escolas livres e passou ao âmbito das escolas regulares. Isso é uma inovação com conseqüências que vão desde o estabelecimento de diretrizes da União para a Educação Infantil, até uma nova compreensão, sobretudo pelos estabelecimentos particulares, da figura que se chamava até então animador ou animadora, crecheiro ou crecheira. Não será mais possível estabelecer que os agentes da Educação Infantil sejam qualificados como crecheiros/crecheiras ou como animadores/animadoras.

Deste mesmo modo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº9.394 de 1996 considera a Educação Infantil como primeira etapa da educação básica, oferecida em creches e pré-escolas. Além dessas determinações legais, outros assuntos referentes à educação infantil são temas de debate, como o desenvolvimento e a aprendizagem da criança, a relação entre cuidar e educar, a formação profissional e a proposta política pedagógica da instituição que o tema deste trabalho.

No que diz respeito ao Projeto Político Pedagógico da instituição de educação infantil, a LDB Nº9.394/96 determina também que é incumbência dessas instituições de elaborar suas propostas pedagógicas, tendo em vista as definições legais. E sendo este projeto político pedagógico um documento que apresenta a instituição e que busca organizar o trabalho de cuidar e educar, estruturando de conteúdos e disciplinas e outras considerações, como o conjunto de experiências da criança sobre a direção da instituição.  O Orientador tem um papel fundamental para que este documento não fique arquivado, mas que seu conteúdo seja colocado em prática.

Com isso, percebemos que o papel do orientador é de fundamental importância para o fortalecimento do trabalho pedagógico. Uma vez que ele deve unir as pessoas que fazem parte do processo educativo, em torno de objetivo comum, a promoção da qualidade do ensino e do sucesso escolar dos alunos. Ou seja, ele é o profissional da escola que media as relações entre professor/aluno, pais/escola, professores/demais funcionários, aluno/sociedade, sociedade/aluno dentre várias outras.

Deste modo os orientadores devem ajudar na elaboração/reelaboração e avaliação do Projeto Político Pedagógico da instituição, tendo-se em vista que ele não e algo pronto e acabado, afim de que ele esteja adequado às capacidades das crianças e baseado em uma teoria e na prática educacional da primeira infância, bem como no aprendizado que se considera importante.

O fator que motivou esta pesquisa, se deu após meu ingresso no mercado de trabalho como educadora Infantil em que pude perceber a real importância do Projeto Político Pedagógico para a concretização do meu trabalho e de toda a escola. E após meu ingresso na Pós- Graduação Lato Sensu em Supervisão Pedagógica, Orientação Educacional e Inspeção Escolar da Faculdade de Viçosa e conhecer sobre as atribuições do Orientador Educacional senti a necessidade de relacionar e pesquisar o trabalho deste profissional com questões ligadas a este documento.

Diante dos aspectos abordados e tendo em vista a importância do projeto político pedagógico na instituição de educação infantil e da relação dos orientadores no mesmo, buscou-se neste estudo responder a seguinte questão: Qual o papel do Orientador Educacional de uma instituição de Educação Infantil na gestão do Projeto Político Pedagógico?

O objetivo geral é identificar a relação do trabalho orientador Educacional com questões referentes ao Projeto Político Pedagógico do Laboratório de Desenvolvimento Infantil- LDI/UFV. Este objetivo geral se desdobra em três  específicos:

  • Analisar o Projeto Político Pedagógico do Laboratório de Desenvolvimento Infantil/UFV, com foco nas atribuições do Orientador Educacional;
  • Compreender a percepção do Orientador Educacional sobre projeto político pedagógico;
  • Verificar as ações do orientador para que o Projeto Político Pedagógico seja concretizado na prática diária.

Justificamos a pertinência do tema por compreendermos que a escola possui uma identidade própria, que se constitui sob a influência da sua realidade local e das diretrizes/teorias gerais da educação. Essa identidade nem sempre é explícita ou, mesmo, reconhecida na própria escola, que acaba por reduzir sua função ao repasse de conteúdos prontos e acabados, sem relacioná-los com o público ao qual atende. A construção coletiva do Projeto Político Pedagógico é, justamente, uma possibilidade de reconhecimento dessa identidade e de reflexão e mudança da prática pedagógica. Temos que levar em conta que todos os envolvidos com a instituição, pais, professores, coordenadores, orientador, cozinheira, faxineiro e demais profissionais, devem conhecer o Projeto Político Pedagógico e se responsabilizar por sua efetivação na prática. Deste modo, o orientador tem muito a contribuir para que todos se sintam responsáveis por este documento e com isso surge o interesse em pesquisar a relação do orientador com o Projeto Político Pedagógico da escola.

No contexto atual da sociedade e da educação, espera-se confirmar a hipótese de que o Orientador Educacional está totalmente integrado das questões referentes ao Projeto Político Pedagógico, uma vez que este documento se constitui a identidade da escola, seus objetivos e finalidades, o currículo e toda sua organização. Além disso, o Orientador Educacional é aquele profissional que busca por meio de suas ações diárias criar uma escola participativa em que todos os envolvidos com o processo educativo estão inteirados e se responsabilizam por efetivar na pratica os conteúdos do projeto político pedagógico da instituição, buscando uma escola de qualidade para os alunos e funcionários.

Revisão de literatura

Para uma maior compreensão do tema o mesmo será apresentado da seguinte maneira: primeiramente serão abordadas questões referentes ao Projeto Político Pedagógico da escola, sua definição, função, elaboração dentre outros; num segundo momento serão abordadas as funções e a importância do orientador nas questões ligadas a este documento.

O Projeto Político Pedagógico e sua importância

Segundo Veiga (1996), a escola é o lugar de concepção, realização e avaliação de seu projeto educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. Nessa perspectiva, é fundamental que ela assuma suas responsabilidades, sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa, mas que lhe dêem as condições necessárias para levá-la adiante. Para tanto, é importante que se fortaleçam as relações entre escola e sistema de ensino.

Conforme estabelecido na LDB 9.394/96 a Educação Infantil é a primeira etapa da educação básica, atendendo crianças de zero a cinco anos visando seu desenvolvimento integral, nos aspectos, social, físico, psicológico e intelectual, complementando a ação da família e da comunidade. No que diz respeito às normas a serem seguidas na elaboração do projeto político pedagógico da instituição, a mesma Lei determina que:

os estabelecimentos de ensino, respeitar as normas comuns e as do seu sistema de ensino terão a incumbência de:

Elaborar e executar sua proposta pedagógica. (art. 12-1)

“os docentes incumbir-se-ão de;

“I- Participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino” (Art. 13-I)

Com relação às definições de projeto político pedagógico, ressaltamos os dizeres de Gadotti (1994) que aborda a definição de projeto no seu contexto geral:

Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores ( GADOTTI, 1994, p.579).

Para Veiga (1996) no que diz respeito ao projeto político-pedagógico, este vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o processo educativo da escola.      

                O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica. Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, 1996).

                Marques (1990) também argumenta que o Projeto Político Pedagógico tem uma significação indissociável. Sendo considerado como um processo permanente de reflexão e discussão dos problemas da escola, na busca de alternativas viáveis à efetivação de sua intencionalidade, que não é descritiva ou constatativa, mas é constitutiva. Se constituindo em um processo democrático de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão.

Como referenda Veiga (1996), o projeto político-pedagógico tem a ver com a organização do trabalho pedagógico em dois níveis: como organização da escola como um todo e como organização da sala de aula, incluindo sua relação com o contexto social imediato, procurando preservar a visão de totalidade. Nesta caminhada será importante ressaltar que o projeto político-pedagógico busca a organização do trabalho pedagógico da escola na sua globalidade.

A construção do projeto político-pedagógico, para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico, passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto político-pedagógico. Sendo construído com o envolvimento de todos, pela discussão, análise e posicionamento, e se organiza a nível pedagógico e político.(VEIGA, 1996).

                Veiga (1996) afirma ainda que o projeto político-pedagógico, ao mesmo tempo em que exige dos educadores, funcionários, alunos e pais a definição clara do tipo de escola que intentam, requer a definição de fins. Assim, todos deverão definir o tipo de sociedade e o tipo de cidadão que pretendem formar. As ações específicas para a obtenção desses fins são meios. Essa distinção clara entre fins e meios é essencial para a construção do projeto político- pedagógico. Neste contexto, como a própria organização do trabalho pedagógico da escola, a construção do projeto político-pedagógico parte dos princípios de igualdade, qualidade de liberdade, gestão democrática e valorização do magistério. A escola é concebida como espaço social marcado pela manifestação de práticas contraditórias, que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os envolvidos na organização do trabalho pedagógico.

Entendendo-se que o projeto político-pedagógico é, essencialmente, um fórum de discussões que direciona o trabalho da escola, torna-se, também, um espaço de formação profissional, junto com vários outros momentos como os cursos de formação e capacitação, a resolução de problemas diários da escola. E sua elaboração/reelaboração neste sentido deve ser pensada de forma coletiva.

O Orientador Educacional e o Projeto político Pedagógico

Polez afirma que (2004) no momento atual, é esperado dos educadores-professores, orientadores, supervisores, um trabalho em conjunto na construção de projetos que permitam aos alunos encarar o futuro com confiança e responsabilidade. Os profissionais da educação devem ser agentes de mudança e o Orientador Educacional em suas ações diárias deve ser um dos profissionais que está diretamente ligado a esse processo, mediando, articulando os profissionais da instituição para que realizem um trabalho interativo, para que se cumpram os conteúdos do Projeto Pedagógico da escola, para assim ter uma escola de qualidade para os alunos, funcionários, pais e comunidade.

Grinspun (2002) também comunga das idéias de Polez (2004) pois, para ela, a orientação possui papel mediador junto aos demais educadores da escola, buscando assim o resgate de uma educação de qualidade nas escolas. Da ênfase ao individual de antes, passa-se, agora, a reforçar o aspecto coletivo, sem deixar de levar em conta que este é formado por pessoas com pensamentos e contextos sociais diferentes que as levam a pensar de maneira própria sobre as questões que lhes cercam, devendo elas chegarem a realizações bem sucedidas.

(...) a Orientação Educacional hoje, em termos de teoria e pratica da educação, posiciona-se como uma prática político-pedagógica que procura respostas para as perguntas: Por que e para quê faço Educação?” (GRINSPUN, 2002, p. 46)

Hoje o Orientador Educacional, no discurso de GRINSPUN (2002), não atua mais por ser uma profissão que deva existir pela “obrigação”, pois na Lei 9394/96 não há a obrigatoriedade da Orientação,

mas por efetiva consciência profissional, o orientador tem espaço próprio junto aos demais protagonistas da escola para um trabalho pedagógico integrado, compreendendo criticamente as relações que se estabelecem no processo educacional. (GRINSPUN, 2002, p.28)

Na condição de especialista em educação e de membro do corpo de funcionários da escola, cabe ao Orientador Educacional participar, assistindo à direção da mesma, da elaboração e da implementação do Projeto Pedagógico da escola. Pois, participando do planejamento e da caracterização da escola e comunidade o Orientador Educacional poderá contribuir, significativamente, para decisões que se referem ao processo educativo como um todo.

 (GIACAGLIA, 2009,p.19)

A Orientação educacional busca os meios necessários para que a escola cumpra seu papel de ensinar/educar com base em seu projeto político-pedagógico, promovendo as condições básicas para formação da cidadania dos alunos. O orientador de hoje, é aquele que discute as questões da cultura escolar promovendo meio/estratégias para que sua realidade não se cristalize em verdades intransponíveis, mas se articule com prováveis verdades vividas no dia-a-dia da organização escolar. (FREITAS, 2009)

O principal papel da Orientação será ajudar o aluno na formação de uma cidadania crítica, e a escola, na organização e realização de seu projeto pedagógico. Isso significa ajudar nosso aluno ‘por inteiro’ (grifo da autora): com utopias, desejos e paixões. (...) a Orientação trabalha na escola em favor da cidadania, não criando um serviço de orientação (grifo da autora) para atender aos excluídos (...), mas para entendê-lo, através das relações que ocorrem (...) na instituição Escola. (GRINSPUN, 2002, p. 29)

Segundo Grinspun (2002) a Orientação não deveria exercer um papel na escola que caracterizasse um “serviço à parte”, com preocupações voltadas apenas para resolver problemas. Ao contrário, a função do Orientador seria de auxiliar na elaboração do projeto político-pedagógico a ser desenvolvido na escola, e de preferência que este fosse pensado de forma coletiva, numa perspectiva de que todos se sentissem co-responsáveis tanto pelos fracassos quanto pelas vitórias.

Assim, a orientação deveria ajudar a desmistificar esse discurso científico, em que a escola abre caminhos para que o aluno internalize esse fracasso como algo pessoal, social ou biológico. Para Grinspun (2002), o trabalho do Orientador Educacional não deveria ser reduzido apenas a técnicas que favoreçam diagnosticar os alunos em um lado do processo de aprendizagem. A Orientação deveria ser a parceira competente da escola para refletir sobre soluções que minimizem o fracasso escolar. Assim, seu papel estaria muito mais relacionado a promover discussões e debates na escola a respeito de seus alunos e professores, das suas relações, do currículo e dos objetivos de seu projeto político-pedagógico etc.

O orientador faz a análise, junto com todos os protagonistas da escola sobre o  cotidiano, para que se tenha, tanto quanto possível, uma visão mais objetiva do que ocorre nesse dia-a-dia, analisando, refletindo e discutindo os acontecimentos marcantes, duvidas dos professores e pais. Se a Orientação deve estar compromissada com o projeto político-pedagógico da escola, a forma de melhor atuar nele, garantindo a qualidade, é conhecer sua cotidianidade. (ibid, 2002).

Educar, hoje, exige mais do que nunca olhar o sujeito/aluno de forma ampla, um ser que é que constituído de história, crenças e valores, e por isso a escola deve ter um projeto político-pedagógico, onde nele implícito ou explicitamente, deve ser refletido a questão da formação do sujeito. O Orientador deve, portanto, buscar os meios necessários para que a escola cumpra seu papel de educar, mediante ao seu projeto político-pedagógico.

Segundo a Orientadora Alaíse Farias citado por Freitas (2009) “a orientação educacional no trabalho pedagógico é de fundamental importância para o fortalecimento do trabalho pedagógico. Trata-se de um articulador que une as pessoas que fazem parte do processo educativo, em torno de objetivo comum, a promoção da qualidade do ensino e do sucesso escolar dos alunos”.

De acordo com Grispun (2002), o desenvolvimento do trabalho do Orientador na escola junto com cada membro, proporcionaria:

Junto aos alunos: o seu desenvolvimento pessoal, visando à participação dele na realidade social.

Junto aos professores: a colaboração e participação na construção do projeto político pedagógico da escola, contribuindo para a discussão sobre as questões técnico-pedagógicas da escola.

Junto à direção: participando junto tanto nas decisões tomadas pela direção com à obtenção de dados inerentes aos aspectos administrativos. O Orientador deve participar de toda a prática que organiza a escola.

Junto aos pais: fazer com que eles participem da escola do projeto da escola de diferentes formas, desde o planejamento do projeto pedagógico até as decisões que a escola deve tomar.

Para que haja a construção de uma escola de qualidade deve haver um projeto coletivo, que requer ação coordenada e participação de todos. Numa escola de qualidade deve existir uma discussão sobre as finalidades da educação, a atuação do professor, as metodologias e até o abandono de alunos e professores (ibid, 2002).

Dessa forma, percebemos a real importância e função do Orientador Educacional nas escolas. Uma vez, que o orientador é um mediador entre professor-aluno, aluno-professor, aluno-sociedade, sociedade-aluno, é responsável por levar possibilidades de desenvolvimento cognitivos, culturais e emocionais para o espaço escolar e de fazer transformações necessárias para uma sociedade mais justa e humana.

Metodologia

Descrição do local de estudo
  • Unidade empírica de análise:

A escolha desta instituição se deu pelos critérios abaixo:

  • Não foram encontrados Orientadores Educacionais em Viçosa e região que atuassem na Educação Infantil;
  • Indisponibilidade de tempo para deslocar-se para outra localidade;
  • Constituir-se como um laboratório que atende atividades de ensino e extensão;
  • Ter um Projeto Político Pedagógico bem fundamentado;
  • Ser uma instituição aberta à participação de profissionais, pais, estudantes e comunidade;
  • Ser local de estágio e inserção da pesquisadora por meio de disciplinas do curso de Educação Infantil (UFV) e atualmente ser o local de atuação profissional;
  • Possuir 4 coordenadoras com atribuições distintas, sendo que uma delas desempenha as funções de Orientadora Educacional, embora não seja contratada com esta nomenclatura.

O estudo em questão foi realizado no Laboratório de Desenvolvimento Infantil (LDI). Este estabelecimento de Educação Infantil foi criado em 1988 no âmbito da Universidade Federal de Viçosa, localizando-se no campus universitário.

A idealização da creche partiu das funcionárias desta universidade que reivindicaram seus direitos trabalhistas. A principio a creche foi projetada para atender 70 crianças de 0 a 3 ano. Depois de um tempo o atendimento foi ampliado para 85 crianças e o serviço, da creche passou a atender não só as mães, mas também os pais servidores e os pais estudantes. A creche dispunha de 35 funcionários “eventuais”.

Em 1993 foi possível, por meio de um decreto, que os pais optassem pelo recebimento ou não do auxilio pré-escolar, uma vez que as famílias com crianças de 0 a6 anos matriculas na creche UFV não receberiam esse auxilio se utilizassem os serviços prestados pela UFV. Em 1999 foi feito uma nova proposta a UFV para que ela continuasse a prestar serviço à comunidade, mas que ela oferecesse um espaço de formação profissional e um espaço de produção e socialização de conhecimentos e não apenas oferecesse um espaço de atendimento à criança. Desse modo a creche foi extinta e criou-se o LDI (Laboratório de Desenvolvimento Infantil).

O Laboratório de Desenvolvimento Infantil - LDI, anteriormente Creche UFV, é parte do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa - UFV, e tem como objetivo o atendimento à criança de 03 meses a 05 anos de idade e sua respectiva família. Os usuários do LDI são filhos e tutelados de servidores da UFV, dos três seguimentos funcionais; filhos de estudantes de graduação da UFV; filhos e tutelados de servidores de órgão vinculados a UFV e filhos de estudantes de pós-graduação da UFV. É também um espaço destinado às atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, onde têm-se a oportunidade de trabalhar na produção de conhecimentos na área de Família e Desenvolvimento da Criança, de realizar discussões, análises e intervenções nas práticas educativas do LDI e também de outras instituições de Educação Infantil, bem como socializar conhecimentos por meio de Cursos, assessorias e consultorias junto às instituições públicas e privadas como: Creches, Pré - escolas, ludotecas e brinquedotecas.

Procedimentos de coletas de dados

Esta pesquisa foi pautada em uma metodologia qualitativa, isto significa que estudaremos o tema no seu cenário natural, buscando interpretá-lo em termos do seu significado assumido pelos indivíduos. Caracteriza-se como um estudo de caso, no qual a unidade empírica de análise foi o Laboratório de Desenvolvimento Infantil.

Os dados foram obtidos mediante observação e registro da mesma (Roteiro de Observação - Apêndice A), uma vez que é uma das técnicas de coleta de dados imprescindível em toda pesquisa científica. Observar significa aplicar atentamente os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. A maior vantagem do uso da observação em pesquisa está relacionada à possibilidade de se obter informações na ocorrência espontânea de um fato (ANDRÈ, 2005).

Outro procedimento foi a pesquisa documental, em que se analisou o Projeto Político Pedagógico do Laboratório de Desenvolvimento Infantil, buscando ressaltar as atribuições do orientador educacional (Apêndice B).

Para a coleta de dados, também foi realizada uma Entrevista semi-estruturada, composta por um roteiro prévio de perguntas (Apêndice C), sendo gravada e depois transcrita.

População e amostra

O LDI conta com 37 profissionais (anexo A) sendo 9 professores, 20 atendentes de sala, 4 auxiliares de serviços gerais, 2 cozinheira, 2 atendente de recepcionista,  2 coordenadoras pedagógicas escolar, 1 coordenador administrativo e 1 coordenador de serviços de alimentação e higiene.

Como sujeito da pesquisa, tem-se uma das coordenadoras pedagógicas do LDI, uma vez que o perfil profissional, ou seja, as características do trabalho de uma das supervisoras está voltado para as funções do Orientador Educacional, embora ela não tenha oficialmente o cargo de orientadora Educacional. Sendo que ela é consciente que desempenha no seu trabalho as funções de um orientador.

Procedimentos para análise dos dados

O objetivo desta fase de acordo com Barros (1990) é sumariar, classificar e codificar as observações feitas e os dados obtidos.  È nesta fase que buscamos responder as respostas pretendidas, através da utilização dos raciocínios indutivos, dedutivos, comparativos, etc.

Esta pesquisa tem como característica uma análise qualitativa, em que se busca organizar e descrever os dados obtidos e a análise dos mesmos a luz dos autores utilizados. Os dados foram submetidos à análise descritiva de conteúdo; de forma a desvelar as percepções da Orientadora sobre o Projeto Político Pedagógico e importância deste para o LDI, sobre sua participação na elaboração/ reelaboração do mesmo, sobre o envolvimento dos demais funcionários nas questões ligadas ao PPP, sobre a efetivação do PPP, desafios na realização do trabalho do orientador e as ações do orientador que estão contempladas no PPP.

Resultados e discussão

Os principais dados obtidos a partir da análise da entrevista estão descritos a seguir.

  • Percepções sobre o que é o PPP e importância deste para o LDI.

Tal categoria justifica-se pela necessidade de se compreender o que a Orientadora conceitua como sendo o PPP e como ela percebe o papel do PPP no LDI. Pela fala abaixo, observa-se que há um entendimento quanto à estrutura do PPP enquanto um documento.

È um documento que norteia as ações escolares, detalhando sobre o funcionamento da instituição, contemplando os aspectos legais que regem a Educação Infantil, além de suscitar os específicos inerentes à nossa forma ou dinâmica de trabalho.

Com relação ao papel do Projeto Político Pedagógico do LDI ela afirma que ele é um documento muito importante pois, nele explicitamos como nossas ações serão desenvolvidas com as crianças e suas respectivas famílias. Ele tem por função registrar, de forma estruturada, o cotidiano de nosso trabalho.

De acordo com os dizerem acima podemos analisar que a resposta da orientadora comunga com os de Veiga (1996) que afirma  que  o projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente.

Todavia, não se percebe o PPP como algo vivo, explicitado numa dimensão mais prática e dinâmica que se faz presente no cotidiano da instituição, e sim como um “documento”, apenas.

  • Participação da Orientadora na elaboração/reelaboração do PPP:

Esta Categoria se justifica pela necessidade de compreendermos o envolvimento da orientadora, na elaboração/reelaboração do documento, o que nos leva a inferir o seu grau de envolvimento com o mesmo. De acordo com a fala apresentada a seguir, percebemos que a orientadora está participando da reelaboração do documento, sendo incumbida de reelaborar a parte que diz respeito a sua área de atuação.

O PPP da instituição está sendo revisado após 5 anos em vigor e cada uma das quatro coordenadoras se responsabilizou pela redação de itens específicos à sua área de atuação. Fazem reuniões periódicas para discutir o conteúdo a ser reelaborado, ou seja, ninguém faz sozinho, é um trabalho em equipe.

  • Ações do trabalho do Orientador que estão contempladas no PPP

Está categoria de análise é necessária, uma vez que é preciso identificar a visão da orientadora sobre suas atribuições e se as mesmas estão contempladas no PPP da instituição. Podemos perceber de acordo com a fala da entrevistada que alguns itens da sua área de atuação não estão contemplados no PPP como é o caso das aulas práticas dos cursos de graduação.

Como somos 4 coordenadoras, cada uma desempenha ações específicas. No meu caso, minhas ações estão voltadas para um Orientador Educacional. O PPP contempla, dentre as coisas que estão sob minha responsabilidade, a participação e envolvimento da família, elaboração de conferências e reuniões, avaliação das crianças e apoio as professoras e visitas domiciliares. Ainda sou responsável pelo apoio às aulas práticas, mas este item não está explicitado no PPP.

  • Envolvimento dos demais funcionários no PPP

A importância da categoria em questão deve ser percebida no fato da construção coletiva do PPP, em que o orientador deve ser o mediador junto aos demais funcionários, para que estes possam contribuir na construção do mesmo. Percebemos nos dizeres da entrevistada que ela faz cumprir este papel.

Por ser um laboratório que serve de apoio aos cursos de graduação da UFV, o PPP do LDI está em constante avaliação. Como os profissionais estão em processo de formação no nível superior e pós-graduação, eles, por si mesmos, nos trazem muitas questões sobre o PPP, participando e avaliando sempre.

E com relação a este tópico, podemos afirmar que a construção do projeto político-pedagógico, para gestar uma nova organização do trabalho pedagógico, passa pela reflexão anteriormente feita sobre os princípios. Acreditamos que a análise dos elementos constitutivos da organização trará contribuições relevantes para a construção do projeto político-pedagógico. Sendo construído com o envolvimento de todos, pela discussão, análise e posicionamento, e se organiza a nível pedagógico e político.(VEIGA, 1996).

Pensando assim, Polez (2004) afirma que no momento atual, é esperado dos educadores-professores, orientadores, supervisores, um trabalho em conjunto na construção de projetos que permitam aos alunos encarar o futuro com confiança e responsabilidade. Os profissionais da educação devem ser agentes de mudança e o Orientador Educacional em suas ações diárias deve ser um dos profissionais que está diretamente ligado a esse processo, mediando, articulando os profissionais da instituição para que realizem um trabalho interativo, para que se cumpram os conteúdos do Projeto Pedagógico da escola, para assim ter uma escola de qualidade para os alunos, funcionários, pais e comunidade.

  • Efetivação do Projeto Político Pedagógico:

Sempre que alguém apresenta dúvidas ou tem alguma dificuldade, consultamos juntos nosso PPP para  efetivar o que está escrito neste documento.

                A análise de tal percepção pode ser complementada pela observação feita ao longo desta pesquisa no qual participei de reuniões que o orientador fez com os professores para discutir problemas imediatos e que eram dúvidas de todos, como por exemplo, trabalhar com as perdas das crianças (neste caso específico, com o falecimento da mãe de duas crianças que freqüentam o LDI). Além de presenciar conferências com pais e professores para trabalhar o desenvolvimento de uma criança em específico que estava muito agitada e agressiva.

  • Desafios /ou dificuldades na realização do seu trabalho:

O excesso de atividades, mesmo com quatro coordenadoras com funções distintas, aliado ao fato da instituição ser um laboratório, intensifica e precariza as condições de trabalho. A partir das observações, tem-se um exemplo em que algumas professoras solicitam atividades complexas e em cima da hora, levando a orientadora a deixar de executar ações internas (necessárias para o bom atendimento da criança e da família) para atender as aulas práticas.

Outra dificuldade observada foi em relação à infra-estrutura, sendo a sala em que a orientador trabalha muito pequena além de ser dividida por duas funcionárias,, utilizada como sala de brinquedos e sala de planejamento das professoras. Como estratégia ela faz reuniões individuais em uma sala usada pelas professoras do Curso de Educação Infantil para dar aula.

Com relação aos dizeres da orientadora ela afirma que:

O excesso de atividades, mesmo que, das quatro coordenadoras, duas sejam do setor pedagógico, e dentre elas eu que ainda me diferencio por ser responsável mais pela relação da família e escola e desenvolvimento do aluno, tem sido muito difícil. Apesar de dividirmos tarefas o fato de sermos laboratório, nos onera muito pois, algumas professoras da UFV nos solicitam atividades complexas em cima da hora. Dessa forma, deixo de executar ações internas, necessárias para o bom atendimento da criança e da família para atender as aulas práticas.

Ações do Orientador contempladas no Projeto Político Pedagógico

Para apreciação deste item além da entrevista e observação, foi feita uma análise do Projeto Político Pedagógico do LDI com foco nas atribuições do Orientador Educacional.

O PPP do LDI foi elaborado em 2004/2005 por Naise Valéria Guimarães Neves – Economista Doméstica; Mestre em Economia Doméstica na UFV - UFV/DED/LDI e pela Professora Maria de Lourdes Mattos Barreto - Economista Doméstica; Doutora em Educação e Desenvolvimento Humano na UNICAMP – UFV/DED

Com relação às percepções da Orientadora, ela afirma que é responsável pela participação e envolvimento da família, a avaliação das crianças e apoio às professoras na elaboração de atividades e projetos, e ainda é responsável pelo apoio as aulas práticas, mas este item não consta no PPP.

Nas observações pude observar reuniões de pais e professores organizadas pela orientadora, conferências, curso de capacitação de professores, acompanhamento das avaliações das crianças feitas pelos professores e elaboração do relatório avaliativo de algumas crianças.

Segue abaixo a análise do Projeto Político Pedagógico do LDI com foco nas ações do Orientador Educacional:

Consta no item 4 do PPP os objetivos da instituição e acredito que o orientador ao desenvolver o seu trabalho deve estar a par destes para melhor conduzir o seu trabalho e fazer com que os mesmos se concretizem no dia a dia.

                Objetivo geral do PPP:

Desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão por meio do atendimento às crianças de 3 (três) meses a 5 (cinco) anos, nos aspectos físico-motor, social, cognitivo, afetivo e moral, promovendo o envolvimento da família no programa, oferecendo estágios aos estudantes que cursam as disciplinas da área, bem como prestando assessoria técnica à comunidade, realizando pesquisas relacionadas à criança e à família.

Com relação aos objetivos específicos estes são em um total de 28, divididos em pesquisa, ensino e extensão. Porém, como o foco da pesquisa é a atribuição conferida ao orientador, segue abaixo os objetivos específicos que se relacionam a ente profissional:

- Integrar as ações de cuidar e educar durante a prática de atendimento à criança e à família;

- Acompanhar e avaliar o desenvolvimento e aprendizagem das crianças nos aspectos físico-motor, social, cognitivo, afetivo e moral;

- Fornecer subsídios teórico-práticos para elaboração de propostas destinadas ao atendimento à criança e à família.

- Promover, coordenar, desenvolver, realizar e difundir estudos e pesquisas relacionadas à família e à criança.

- Apoiar pesquisas desenvolvidas por professores, técnicos e estudantes em projetos cadastrados e aprovados pelo Conselho de Administração do LDI.

- Analisar os princípios teóricos e pressupostos básicos das principais teorias de desenvolvimento humano.

- Desenvolver sobre habilidades para interagir com a criança e a família, para planejar, assessorar e, ou, administrar programas de atendimento à criança de zero a seis anos.

- Compreender a participação da família nos processos de socialização e construção da subjetividade, dentro da estrutura sócio-econômica e política.

- Identificar as implicações da dinâmica familiar e das relações na estruturação dos papéis familiares, bem como no processo de educação dos filhos.

- Desenvolver programas de extensão por meio de atendimento aos pais usuários do LDI.

- Promover palestras, seminários, cursos e outros eventos destinados aos profissionais da área e área afins e às famílias usuárias.

- Desenvolver programas de envolvimento de pais e de empréstimos de livros.

Além dos objetivos acima, várias outras são apresentadas e estão relacionadas ao suporte de aulas práticas do curso de graduação. Portanto, podemos perceber que o LDI além de atender as crianças estimulando todas as áreas de conhecimento, também tem por objetivo promover palestras, cursos, apoiar pesquisas, envolver a família, avaliar a criança, entender sobre teorias do desenvolvimento humano e atender as aulas da graduação de cursos da UFV, o que faz com que a instituição tenha características diferenciadas das demais, como no caso da orientadora que além que cumprir as funções específicas do orientador, auxilia nas aulas práticas.

Ao longo do período de observação constatei que a orientadora auxilia as professoras no planejamento de algumas atividades, principalmente as relacionadas com aula prática. E com relação a este aspecto PPP aborda no item 6 a organização do cotidiano e do trabalho da seguinte maneira:

A estrutura curricular dessa proposta consiste em apresentar caminhos que, por meio de experiências e materiais diversos, poderão contribuir para o desenvolvimento integral da criança. Nesse sentido, essa proposta foi elaborada considerando, como eixo norteador, os três tipos de conhecimento, ou seja o conhecimento físico, o conhecimento lógicomatemático e o conhecimento social. A partir dos tipos de conhecimento, o currículo foi organizado nos seguintes conteúdos: ciências, ciências sociais, matemática e linguagens (oral e escrita, corporal, musical, plástica e imagética).

Com relação à  Educação Continuada dos Profissionais o PPP considera que este “é um processo integrado, parte do contexto diário, objetivando que a equipe desenvolva com habilidade e conhecimento suas atividades. Existem formas diversas de compartilhar informações, desenvolver essas habilidades e mudar atitudes. (2005, p.73)

No LDI ocorrem dois tipos de treinamento, ou seja, o treinamento em serviço e o de atualização. Dentre as ações relacionadas ao treinamento em serviço, destacam-se: reuniões com a equipe técnica; reuniões com a equipe de apoio técnico; reuniões com a equipe de serviços gerais; grupos de estudos; participação em seminários, congressos e palestras; participação em cursos específicos sobre educação infantil; acompanhamento das atividades nas salas e na área externa e orientações.

Quanto a atualização, o LDI realiza, anualmente, o Curso de Capacitação de Pessoal, com carga horária de 40 horas. O curso de capacitação conta com diversos profissionais da área de Família e Desenvolvimento Humano da UFV e também da comunidade Universitária e de Viçosa, além da participação dos pais, que, devido a sua formação específica, ministram palestras. (p.73)

No que se refere a articulação do LDI com a família e comunidade, percebi pelas observações que a orientadora está engajada em reunir-se com os pais, seja por meio de reuniões ou de conferencias  para discutir o funcionamento da instituição, temas pertinentes a Educação Infantil, ou sobre o desenvolvimento de seu filho.

E de acordo com o PPP (p.86), este programa de e envolvimento da família ele se  estende em diferentes níveis de ação: reuniões de pais, conferências individuais, participação da família nas atividades com as crianças, empréstimo de livros às crianças, visitas domiciliares, empréstimo de livros aos pais, festas e comemorações, informativos, palestras e seminários, excursões, participação das famílias como membro da comissão de pais e representantes no Conselho de Administração, contatos informais (NEVES et all, 1996). A seguir serão descritas as ações que norteiam a implementação do programa de capacitação:

_ Reunião de pais ou responsáveis: Reuniões onde, são discutidos assuntos sobre o desenvolvimento e a aprendizagem da criança. Tem como objetivo, levantar necessidades sentidas pelos pais, como o propósito de discutí-las e descobrir caminhos que favoreçam uma melhor relação entre a família e a criança, a família e a instituição e a criança e a instituição. Portanto, os temas a serem discutidos podem ser programados com a participação dos pais ou responsáveis, no sentido de atender às suas necessidades e expectativas. É importante salientar que as devem objetivar a troca de experiências sobre assuntos relativos à criança de modo que tanto a família quanto a instituição de educação infantil caminhem em sintonia.

_ Conferência individual: Esta reunião é realizada entre a coordenadora, a supervisora e os pais ou responsável podendo, ainda, participar a professora da criança. A finalidade é discutir, com pais ou responsável aspectos específicos do desenvolvimento e da aprendizagem do seu filho, podendo ser solicitada pelos pais, pela professora da criança ou pela coordenadora e supervisora da instituição.

A conferência exige treinamento e fundamentação teórica da equipe técnica que deve ter habilidade para ouvir e falar, conhecimento teórico e prático das situações comuns relacionadas ao desenvolvimento da criança em cada faixa etária. É necessária também, vivência com a criança obtidas das observações da criança para que possa discutir com os pais ou responsáveis sobre o desenvolvimento e aprendizagem da criança e as possíveis orientações solicitadas pela família ou demandadas pela instituição. Ao término da conferência, são registrados os dados na ficha de acompanhamento da criança que será, usado com as outras fichas de observação como subsídios para a avaliação do desenvolvimento e da aprendizagem da criança.

_ Festas e comemorações: Visam promover maior integração entre as famílias, crianças e instituição. Estes eventos são organizados e realizados com a participação efetiva dos pais ou responsável.

- Visitas Domiciliares: O objetivo é observar e acompanhar a criança em seu ambiente familiar, ampliando conhecimentos diversos sobre a criança em seu cotidiano familiar. É utilizado um roteiro de observação e perguntas que é preenchido após a visita onde relata todas as observações feitas. (2005, p.87)

O último Item (item 13.1, p. 92) que se refere às atribuições do orientador diz respeito à avaliação do desenvolvimento integral da criança, uma vez que pude perceber que ele auxilia e acompanha a professora neste processo. E de acordo com o PPP a necessidade da observação do comportamento humano é um fator reconhecido pelos profissionais da área, pois esta é um instrumento que nos permite acompanhar o desenvolvimento da criança, informar e dar feed back aos pais, bem como melhorar o programa.

Com relação ao desenvolvimento da criança, a observação nos ajuda a entender melhor seu comportamento, revelando seu nível de desenvolvimento, nos fornecendo indicadores para observação. Por meio de análises desses indicadores, torna-se possível determinar se a criança está se desenvolvendo adequadamente e, se o programa está estimulando esse processo.

As crianças são acompanhadas por meio de registros corridos, ou seja, registros feitos em cadernos individuais sobre o seu comportamento, quando ele ocorre, de modo claro e preciso, fornecendo dados que permitem ao professor visualizar a situação tal qual ela ocorre.

São utilizados também listas para detectar aspectos do desenvolvimento da criança que necessitam “reforço”. São seqüências do desenvolvimento da criança, dividida em áreas (cognitivo, social, etc.) e subdivididos em itens relacionados a comportamento, habilidades e/ou situações. Tal instrumento contribui para um quadro geral do desenvolvimento da criança.

As escalas são utilizadas como instrumentos indicadores do grau que cada criança possui em relação à certa característica do comportamento.

O acompanhamento, embora sendo individual, é realizado em espaço dentro da sala de atividades, permitindo aos professores estar com a criança sem interferir demais nem sofrer interferência da dinâmica do grupo. Isto é feito porque acreditam que o ambiente físico da sala favorece o estabelecimento de uma relação mais espontânea entre as crianças e o professor.

Considerações finais

Face aos dados coletados mediante a entrevista, as observações e suas análises, bem como as leituras feitas ao longo desta pesquisa, percebemos que o Projeto Político Pedagógico deve ser considerado um importante instrumento dentro da instituição sendo a identidade da mesma, um conjunto estruturado de todo o funcionamento, que requer uma elaboração coletiva e dinâmica a fim de que todos os envolvidos sintam-se colaboradores do processo educativo.

 O papel do orientador na gestão do PPP, portanto, é o de mediar as relações dos demais envolvidos na escola para que todos se sintam comprometidos com o bom andamento da mesma, que tenham suas dúvidas esclarecidas, que saibam de todos os acontecimentos. Que tenham no orientador um profissional que irá lhe auxiliar no dia a dia para melhor alcance doa objetivos propostos no PPP, principalmente os ligados ao desenvolvimento e aprendizagem da criança, relação com as famílias, treinamento em serviço e as capacitações dos  profissionais.

                Em relação aos objetivos propostos durante este trabalho, considera-se que os mesmos foram alcançados. Sugere-se que novas pesquisas sejam feitas sobre o assunto abordando a opinião de um maior número de orientadoras. Além disso, observou-se a necessidade de realizar uma pesquisa com um profissional contratado como orientador Educacional, mesmo que não esteja atuando na educação infantil.

Contudo, podemos dizer que as rápidas transformações presentes na sociedade atual estão a requerer dos profissionais que nela atuam novas competências para atender às exigências, não só do mercado de trabalho, mas da própria sobrevivência numa comunidade onde conhecimentos cada vez mais diversificados passam a ser necessários. As escolas como responsáveis pela formação dos sujeitos que atuam nesta sociedade, precisam modificar-se para poder contribuir com a formação de “cidadãos capazes de se informar, de ampliar esta informação, de situar-se e mover-se no mundo do trabalho dentro de um viver ético, com responsabilidades partilhadas (GATTI,1997). E talvez por este motivo os profissionais tenham que desempenhar funções tão diversificadas como no caso estudado.

 Destaca-se ainda, a grande dificuldade em encontrar um Orientador Educacional que atue na Educação Infantil, uma vez que os coordenadores, como no caso desta pesquisa, é aquele que tem desempenhado este papel. Outra limitação desta pesquisa foi o fator tempo, uma vez que trabalho em período integral e não pude observar e participar da rotina do Orientador como gostaria.

Numa dimensão mais particular, enfatizo que esta pesquisa foi de extrema importância para minha formação profissional e pessoal, por poder estudar, pesquisar e analisar a atuação do Orientador Educacional, aprendendo mais sobre esta profissão e sua relação com o Projeto Político Pedagógico. Acredito que os professores, funcionários e demais envolvidos com a escola ao tomarem consciência da importância do Orientador Educacional no processo educacional, possam reivindicar junto ao poder público, seja secretaria municipal de educação ou superintendência regional de ensino, a criação de cargos efetivos para este profissional.

 

Referências

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Disponível em : http://www.conhecer.org.ber/enciclop/2009 Acesso em: 27/07/2010

GADOTTI, MOACIR. História das idéias pedagógicas São Paulo: Ática, 1994.

GATTI, Bernardete. Formação de professores e carreira. Problemas e movimentos de renovação. Campinas: Autores Associados, 1997.

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MOREIRA, Antonio Flavio, SILVA, Tomaz Tadeu da. Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 1994.

POLEZ, Tâmara: SILVA, Lauraci: ZORZO, Cacilda. Pedagogia em conexão. Canos: ULBRA, 2004.

VEIGA, I. P. A. Projeto Político Pedagógico da Escola: uma construção possível. Campinas. Papirus, 1996.

 

Autor

Nayara Carmem Batista Fontes
Possui licenciatura em Educação Infantil pela Universidade Federal de Viçosa (2010) e pós-graduação Lato Sensu em Supervisão Pedagógica, Orientação Educacional e Inspeção Escolar pela Faculdade de Viçosa. Trabalhou como Educadora Infantil do Laboratório de Desenvolvimento Infantil da Universidade Federal de Viçosa e como Orientadora Educacional na Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade. Atualmente, trabalha como Assistente Administrativo na Universidade Federal de Viçosa. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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