O objetivo deste trabalho consiste em investigar a importância do teatro para o desenvolvimento da aprendizagem na educação infantil, sem perder de vista sua importante dimensão na evolução da cultura humana enquanto arte.

Resumo

O objetivo deste trabalho consiste em investigar a importância do teatro para o desenvolvimento da aprendizagem na educação infantil, sem perder de vista sua importante dimensão na evolução da cultura humana enquanto arte. Seja no âmbito pedagógico ou artístico, assistido ou encenado, o teatro auxilia o aluno no seu crescimento cultural e na sua formação como indivíduo. A escola é um espaço de conhecimento, informação e sabedoria, portanto, a arte por meio do teatro consiste em um aspecto pedagógico essencial para o processo de aprendizagem do aluno desde a educação infantil, pois o mesmo privilegia o uso da linguagem e promove a imaginação, a socialização e a criatividade.  A reflexão se deu na esfera sociocultural, tendo em vista as relações do indivíduo com o meio que o cerca. Para tanto, compreende a inserção do teatro no Brasil e como se deve trabalhar o mesmo na escola, com destaque para o papel do professor no favorecimento da improvisação e da liberdade de expressão. Por fim, ressalta a importância do teatro como estímulo para o desenvolvimento cerebral, e, consequentemente sua contribuição para aprendizagem escolar.

Palavras-chave: Teatro. Educação infantil. Aprendizagem. Desenvolvimento.

The importance of the theater to the development childhood education learning

Abstract

The aim of this paper consists in discuss the importance of the theater to the development childhood education learning, without missing its dimension important in the evolution of the human culture while art. Thus in the pedagogic or artistic sphere, watching or playing, the theater helps the cultural growing and the formation as an individual in the student. The school is the space of knowledge, information and wisdom, so, the art through the theater consists in an essential pedagogic aspect to the process of the student learning since the kindergarten, because it privileges the language and promotes the imagination, socialization and the creativity. The reflection gave the sociocultural sphere, considering the relationship of the individual with the environment that surrounds it. Therefore, comprises inserting the theater in Brazil and how it should work in the same school, highlighting the role of the teacher in favor of improvisation and freedom of expression. Finally, it emphasizes the importance of theater as a stimulus for brain development, and hence its contribution to school learning.

Key-words: Development. Kindergarten. Learning. Theater.    

1 introdução

O teatro tem sido desde as civilizações mais antigas, uma fonte de cultura e educação, tanto para quem interpreta, como para os que o frequentam. O mesmo floresceu no Egito, a princípio como representações dramáticas que continham o objetivo de expressar a cultura daquela civilização. Essas representações tiveram origem religiosa, sendo destinadas a exaltar as principais divindades da mitologia egípcia, principalmente Osíres e Ísis. Três mil anos antes de Cristo já existiam tais representações teatrais. E foi do Egito que elas passaram para a Grécia, onde o teatro se expandiu para o mundo ocidental. Portanto, a Grécia é considerada o berço do teatro, porém sua origem deve-se aos egípcios (MAGALHÃES JUNIOR, 1980).

No Brasil, o teatro foi introduzido pela Companhia de Jesus[1], como instrumento para transmitir os valores católicos que os Jesuítas pregavam (CUNHA, 2006). De acordo com Gomes (1981), como professor e catequista, Anchieta procurava tornar mais agradável o que dizia. Portanto, para melhor incuti-lo no espírito dos ouvintes, valia-se do teatro e da poesia.

Neste sentido, a arte teatral desde sua origem tem sobrevivido às transformações sociais, políticas e econômicas, e em cada momento histórico tem representado ou transmitido conhecimentos de geração em geração.

Tendo em vista sua atemporalidade, bem como sua utilização como instrumento educativo informal, pretende-se discutir neste trabalho, a importância do teatro para o desenvolvimento da aprendizagem na educação infantil.

Sabe-se que a aprendizagem escolar consiste em um processo complexo, pois necessita de uma intensa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a atenção, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos, os quais por sua vez, contribuem para que a criança aprenda (LEFREVE, 1976. p.81).

No entanto, Lefreve (1976, p. 82-83) salienta que, “embora tais elementos cognitivos sejam essenciais para que a criança aprenda, são necessários estímulos provenientes do meio que a cerca, que por sua vez, tendem a agir como elementos catalizadores pertinentes à aprendizagem”.

Conforme Cunha (2006), o teatro como instrumento da educação é de efetiva validade ao desenvolvimento da aprendizagem, pois o mesmo influencia em todas as áreas: afetiva, ativa, intelectual, artística, cognitiva e motora do individuo. Além disso, é ótima ocasião de socialização: o aluno se desinibe e, orientado pelo professor aprende a trabalhar a crítica e a valorizar o trabalho alheio.

 Não obstante, o teatro é o conjunto de todas as artes, pois dele fazem parte à literatura, a poesia a pintura, a dança, o canto, e a arquitetura, além de muitas outras artes. Por isso, o teatro é uma das linguagens mais ricas que existem, pois é o conjunto de várias outras linguagens. E tem como peça fundamental o ator, o qual tem o privilegio de estar em contato com todas as estas artes, que por sua vez irão ampliar de certa forma, tanto sua bagagem cultural como intelectual (MORENO, 1984).

Diante de tal importância, justifica-se a realização da pesquisa proposta neste artigo, uma vez que o teatro se mostra de suma importância para a educação desde sua origem. Para tanto, a pesquisa buscou esclarecer algumas questões como: a introdução do teatro no Brasil; a utilização do mesmo na escola, e por fim como o teatro pode contribuir para aprendizagem?

Para desenvolver este estudo nos fundamentamos em Gil (2007) ao qual salienta que todas as pesquisas podem ser definidas com base no objetivo geral e específico. O objetivo da pesquisa resulta em uma investigação exploratória que tem como fundamento o aprimoramento de ideias. Por esta razão, este trabalho se constituirá em uma pesquisa bibliográfica, baseada em livros, teses e dissertações como literaturas de apoio.

2  A Introdução do Teatro no Brasil

Como já mencionado anteriormente, o teatro foi introduzido no Brasil pelos padres Jesuítas com a intenção de catequisar os índios. Como estratégias pedagógicas os mesmos utilizavam o teatro, para impressionar os gentios, pois acreditavam que, por meio da expressão, gestos, movimentos e vestimentas chamariam atenção para uma mobilização emocional, incutindo assim suas crenças e costumes, fazendo com que a cultura dos nativos fosse aos poucos sendo substituída pela cultura europeia (NEVES, 1993). Com o teatro os jesuítas atingiram um alto grau de sofisticação na colônia com fins educacionais, pois conseguiram ensinar sua língua aos nativos, bem como alguns de seus costumes (LOMARDO, 1994).

De acordo com Peixoto (1982), o teatro jesuítico destinado aos índios diferentemente do teatro dos colégios e seminário para os estudantes portugueses, recebiam o nome de diálogos ou autos, através dos quais encaminhavam-se os principais mistérios da religião, mas de forma diferente do encaminhamento dado nos sermões.

No teatro a pregação se dava de forma mais bem humorada, assemelhando a uma comédia dado ao gosto do gentio por situações hilariante e jocosa, ate porque o teatro, enquanto estratégia vai ter na promoção da alegria a mola mestra do centro de interesse do aprendizado gentílico, enquanto que no sermão a ênfase é dada a interlocução do medo e da fé como o sermão do temor que enfatiza a morte e as torturas infernais (PEIXOTO, 1982, p.122).

Os padres produziam e adaptavam os autos para as mais variadas cerimonias, desde fundações de novas aldeias a outros adereços religiosos. O teatro era um aglomerado, no qual personagens, texto e plateia estavam todos “enredados”. Criava-se ao longo da apresentação uma aura magica de envolvimento, que tinha ao final do espetáculo o poder de deleitar e pretensiosamente regenerar o auditório. Deduzia-se que a mensagem transmitida pelo teatro era assimilada de forma mais integral. Acreditava- se inclusive, que nesse momento até a natureza unia-se aos padres para ajuda-los em suas missões (NEVES, 1993).

Desse modo, carregado de caráter moralista e altruísta o teatro brasileiro durante muito tempo se destinou aos adultos. Somente em meados do século XX é que se voltou para crianças, porém, designado até pouco tempo como “teatrinho”, diminutivo que bem pode caracterizar a visão do teatro infantil como uma “atividade menor”, visto como um artefato puramente pedagógico e patriótico (CAMAROTTI, 1984).

Sob essa ótica, Camarotti (1984) afirma que, o teatro infantil até 1950 era constituído de pequenas comédias e monólogos, carregados de grande ingenuidade, as crianças por sua vez, recitavam com a finalidade primordial de encantar os adultos, quase sempre parentes dos pequenos declamadores.

Foi ‘somente nos anos de 1960 que o teatro infantil brasileiro passou a despertar o interesse de uma maior parte populacional, principalmente de jovens escritores, que a ele passaram a se dedicar, alguns destes escritores demonstraram excelentes intenções e trouxeram para o teatro infantil inúmeras realizações’ (READ, 1958, p. 31).

É também nessa época que a imprensa e as instituições culturais do país começam a interessar-se por essa área. E, por conseguinte, neste mesmo período que os empresários, ávidos de lucros, e jovens autores e encenadores desejosos de galgar os degraus do sucesso, passaram a se devotar á realização de espetáculos para a infância (CAMAROTTI, 1984, p. 19).

3 O Teatro Na Escola

A partir do momento em que o teatro-infantil passou a ser um gênero específico, foi aos pouco se popularizando e, atualmente o contato da criança com o mesmo se dá basicamente pela escola ou pela igreja. E em ambas as instituições o espetáculo é marcado mais pelo viés pedagógico do que pelo estético propriamente dito.

Na escola, o teatro só passou a ser obrigatório a partir da Resolução N° 2 da Câmara de Educação Nacional 9394/96. O Art. 26, § 2º, da LDB 9894/96 (CEB), de 7 de abril  com a integração do ensino da arte no currículo escolar como uma área do conhecimento, constituindo-se como disciplina, a qual abrange conteúdos específicos, tais como: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro (BRASIL, 1998, p. 62). Esta resolução refere-se ao ensino Fundamental. No que diz respeito à educação infantil, não ha menção de sua obrigatoriedade. No entanto, as diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil (2010) traz em suas definições que o currículo destinado à educação infantil deve conter:

O conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade [...], além disso, [...] deve: garantir experiências que favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal plástica, dramática e musical (BRASIL, 2010).

 Sob essa ótica, Cunha (2006) ressalta que embora não haja obrigatoriedade de trabalhar o teatro na educação infantil, não deixa de ser essencial para o desenvolvimento intelectual do educando, pois o teatro historicamente consiste em um excelente método pedagógico. Portanto, trabalhar com o teatro na sala de aula, não consiste apenas em fazer os alunos assistirem as peças, mas também representá-las, pois o teatro representado pelas crianças deve ser entendido como parte de uma educação pela e para a arte, método em que o viés estético não é o mais importante: o relevante é o processo, a experiência vivida e recriada a cada momento.

Neste sentido, [...] ao considerar a educação infantil como foco, seria importante trabalhar cenas curtas, quadros com situações da vida dos próprios alunos, em que se cuidaria da mímica da expressão corporal da improvisação, do faz de conta, da entonação e da dicção– são jogos dramáticos, jogos de desinibição e sensibilização. Essas atividades, que a longo prazo levariam á peça e á bons desempenhos, estarão na pior da hipóteses, criando um frequentador de teatro: é a formação do público do espetáculo dramático, que atualmente não tem plateia (LOMARDO, 1994, p.140).

A participação do educando como atuante na peça inclui uma série de vantagens obtidas: o aluno aprende a improvisar, desenvolve a oralidade, a expressão corporal, a entonação de voz, aprende a se entrosar com as pessoas, desenvolve o vocabulário, trabalha o lado emocional, o pensamento crítico e reflexivo, desenvolve as habilidades para as artes plásticas (pintura corporal, confecção de figurino e montagem de cenário) (CUNHA, 2006).

[...] o trabalho com o teatro na sala de aula exige uma busca  necessária  de formas de dramaturgia e espetáculos capazes de expressar uma estrutura mais aberta e flexível que possibilite a participação da criança, com o intuito de integrar o desenvolvimento integral da mesma.

Assim como gostam de participar como “interpretes”, os alunos apreciam o teatro como espetáculo a ser assistido. Isso se explica facilmente pelo elemento essencial do gênero que é a ação dramática. Pois as crianças gostam de coisas que estão por acontecer. Daí seu fascínio pelas histórias em série que oferecem sempre uma espécie de previsão de coisas a acontecer (idem).

Diante do exposto, convém ressaltar que tanto para dirigir uma peça de teatro, quanto para apresenta-la na escola, o professor precisa de preparação e tempo. Preparação, porque necessita de bom conhecimento da temática a ser apresentada e tempo para preparar a peça. Necessita, ainda, de boa interlocução, pois o professor deve ser um exemplo para o aluno. Além disso, deve haver comprometimento por parte do educador, como um incentivador da produção individual e grupal, buscando formas de apreciação das peças de teatro, bem como formas de manter vivo o interesse das crianças pela arte de encenar, construindo junto com elas a surpresa, o mistério o humor, o divertimento a incerteza a questão/ tema a ser trabalhado como ingredientes dessas atividades (NUNES, 1989).

Um professor bem preparado deve ter consciência das potencialidades de seus alunos e em cima disso trabalhar para que estes possam se desenvolver e ampliar suas habilidades, pois a criança desde o instante que entra na escola traz com sigo a arte da teatralidade, adquirida a partir dos jogos de- faz- de conta, já em seus primeiros anos de vida (JAPIASSU, 2001). Em consonância ao exposto, os Parâmetros Curriculares Nacionais afirma que:

A criança, ao começar frequentar a escola, possui a capacidade da teatralidade como um potencial e como prática espontânea vivenciada nos jogos de faz de conta. Cabe à escola atentar ao desenvolvimento no jogo dramatizado oferecendo condições para o exercício consciente e eficaz, para a aquisição e ordenação progressiva da linguagem dramática. Deve tonar consciente as suas potencialidades, sem perda da espontaneidade lúdica e criativa que é característica da criança ao ingressar na escola (PCN de Arte, 1997. P 84).

Para tanto, o professor deve saber explorar capacidade teatral do aluno e fazer teatro de forma lúdica, divertida, espontânea e prazerosa (CUNHA, 1968). Ensinando aos seus alunos a arte da improvisação e a liberdade de expressão. Precisa ainda, ter clareza nos objetivos que queira alcançar e principalmente ter um método definido, pois com isso o professor poderá organizar jogos dramáticos que estimulem seus alunos á aprendizagem e ao desenvolvimento.

4 O Teatro Como Facilitador da Aprendizagem

De acordo com Vygotsky (1984, p. 57) o desenvolvimento do cérebro humano inicia na concepção e continua durante toda a idade adulta. Nos nove meses que antecedem o parto, todas as estruturas básicas do cérebro são formadas. O sistema nervoso de um feto cresce em estágios com diferentes regiões cerebrais, formando-se em diferentes momentos durante a gravidez. Um período desenvolvimental particularmente crítico é do quinto ao sétimo mês de gestação, quando as células movem-se para as suas posições apropriadas no córtex cerebral.

O córtex, uma estrutura de múltiplas camadas que formam a carapaça externa do cérebro, esta envolvido em praticamente todos os aspectos da atividade consciente. O mesmo está relacionado, as vias de associação, e as estruturas subcorticais: corpo estriado, tálamo óptico, tronco encefálico, medula e cerebelo (LURIA, 1981, p.45). O funcionamento apropriado do córtex cerebral é essencial para o pensamento e a aprendizagem do nível superior.

 Luria (1981) descreve o cérebro, como um todo, que estrutura a conduta do indivíduo em seus aspectos cognitivos e afetivos. Para o autor, o cérebro se divide em dois hemisférios – estes por sua vez se subdividem em outras pequenas partes - e cada uma delas é responsável por uma função.  

O cérebro se divide em dois hemisférios, que estão integrados pela presença das comissuras inter-hemisféricas, responsáveis pelas três unidades funcionais: Primeira unidade funcional ou de vigília, área responsável pela seleção de informações, é também nesta área que se haver problema ocorre o déficit de atenção e sonolência, a pessoa fica dispersa, sem sono e irritada. Segunda unidade funcional ou de recepção. É a área da análise e do armazenamento da informação, representada pelos córtices temporal, parietal e occipital, existindo as áreas primárias, secundárias e terciárias. A terceira unidade funcional corresponde à unidade de programação, regulação e verificação da atividade. É representada pelos lobos frontais, que tornam possível a intencionalidade, a planificação e a organização da conduta em relação à percepção e ao conhecimento do mundo. (LURIA, 1981, p. 46-47).

O aprendizado é um processo complexo, dinâmico, estruturado a partir de um ato motor, perceptivo, ativo, emocional etc., portanto é necessário o bom funcionamento de todas as áreas do cérebro para que o individue seja capaz de aprender naturalmente.

Neste sentido, a aprendizagem refere-se à aquisição do uso da escuta, fala, leitura, escrita, raciocínio, habilidades matemáticas, habilidades musicais, percepção sensorial, emocional, criatividade, interação social e outras peculiaridades próprias do ser humano (VYGOTSKY, 1991). Ou seja, a aprendizagem diz respeito à assimilação de aspectos culturais, científicos e sociais construído historicamente pelo homem.

Dessa forma, o homem não serve unicamente de experiência herdada fisicamente. Toda a nossa vida, o trabalho, o comportamento, as emoções a criatividade se baseiam na amplíssima utilização da experiência das gerações anteriores, isto é, de uma experiência que não se transmite de pai para filho através do nascimento, esta experiência é proveniente de um meio mais amplo constituído ao longo da história humana (VYGOTSKY, 1999, p. 45).

  Sua relação com o mundo é o que o torna criativo e por isso humano, sendo que perpetua pela via da educação as suas conquistas. Por essa via ele passa a contar com a atividade duplicada: primeiro pode projetar uma dada ação ou atividade em sua mente, e depois executar em sua mão o que projetou (BARROCO, 2007). No entanto, para que o indivíduo assimile tais conhecimentos é necessário que esteja constantemente em contato com o meio social, que seja ainda, psicologicamente e fisicamente normal, pois durante toda a sua vida o mesmo encontra-se em contato com o aprendizado (JOSE; COELHO, 2008).

Sendo assim, a aprendizagem é vista como um evento que esta ocorrendo desde o momento em que o individuo nasce, e não como um evento que já ocorreu. No entanto, para que a criança aprenda é necessário que haja estímulos do meio em que vive (LEONTIEV, 2003). Portanto, a aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente sobre o individuo, que se expressa, diante de uma situação problema, sob a forma de uma mudança de comportamento em função da experiência (VYGOTSKY 1984).

Sob essa ótica, Reverbel (1989), afirma que o teatro como estímulo para a aprendizagem é essencial, pois trabalha várias áreas do cérebro, explorando as percepções, visuais, auditivas e emotivas do indivíduo.

O teatro do ponto de vista pedagógico possibilita o desenvolvimento da conscientização, o aprimoramento da percepção sensorial, da imaginação e da criatividade, desenvolve a expressão e a comunicação, auxilia no controle das emoções, no desenvolvimento do pensamento reflexivo, na integração de conhecimentos, no desenvolvimento da participação e da iniciativa, no desenvolvimento da sensibilidade estética, e da psicomotricidade (JOSÉ; COELHO, 2008).

Assim, [...] a educação através do teatro é um movimento educativo e cultural que procura a formação de um individuo total, dentro dos moldes do pensamento idealista e democrático. Valorizando no ser humano os aspectos intelectuais, morais e estéticos, procura despertar a sua consciência individual harmonizada ao grupo social ao qual pertence (FUZARI; ERRAZ, 2004, p. 19).

Neste sentido, o teatro desenvolve no indivíduo elementos cognitivos inerentes à aprendizagem, ou seja, a partir do momento em que o aluno começa a desenvolver habilidades cognitivas através do teatro, tais como: a improvisação, a oralidade, o contato com as diversas obras clássicas, a expressão corporal, a coordenação motora, a criatividade entre outros, o aluno terá maior facilidade de aprender os conteúdos escolares, pois a aprendizagem escolar perpassa aspectos cognitivos que exigem estratégias pedagógicas abrangentes como o teatro, que por sua vez é o conjunto de varias linguagens.

5 Considerações Finais

No decorrer do artigo buscou-se ressaltar a importância do teatro como estratégia pedagógica no desenvolvimento da aprendizagem na educação infantil. Este curto, porém importante período da educação abrange a primeira infância, momento em que alguns psicólogos concordam que as maiores influências básicas, sobre a vida das pessoas, acontecem durante a primeira infância. É neste momento que se forma a personalidade do sujeito, bem como a maioria das tendências do futuro da criança.

Para Sève (1989, p. 157, apud BARROCO, 2007, p.132 ).

A personalidade não é nem uma constelação de traços psíquicos  cristalizados - na qual se resume a um ‘temperamento’, nem um conjunto de papéis sociais prescritos – em que se reduz a um ‘currículo’. Trata-se de um sistema temporal de atividades inseparavelmente sociais e individuais, objetivas e subjetivas, fundado sobre o, e no, ‘conjunto das relações sociais’, isto é,  ‘essa soma de forças de produção, de capitais, de formas de relações sociais, que cada individuo e de cada geração encontram como dados existentes’. Denomino formas históricas de individualidade todas essas relações sociais, na medida em que  regem as maneiras variáveis pelas quais os seres humanos se tornam personalidades no decorres de sua biografia singular e na medida em que são as ‘formas necessárias nas quais sua atividade material e individual se realiza’. 

Evidentemente, os indivíduos estão submetidos a muitas influências externa, porém a adequada interação com a aprendizagem na educação infantil fará diferença no desenvolvimento escolar, psicológico e afetivo do mesmo.

Além de promover o desenvolvimento do educando o teatro permite também, que o professor perceba traços da personalidade do aluno, comportamento individual ou em grupo, oportunizando um melhor direcionamento pedagógico, cuja realização de cenas dramáticas trabalha-se faz de conta, imaginação e interpretação. Neste sentido, o objetivo do teatro na  escola não  é  ter um  aluno-ator, mas sim, um aluno que tenha oportunidades de  descobrir  o  mundo,  a  si próprio e a importância da arte na vida humana.

Sendo assim, a contribuição do teatro no desenvolvimento da criança é grandiosa, ajuda o aluno no desenvolvimento de suas próprias potencialidades de expressão e comunicação, bem como proporciona o conhecimento de outro gênero, além da prosa e da poesia, favorece o processo de produção coletiva do saber cultural, tanto no valor estético como educativo.

Sob esta ótica, conclui-se que o teatro enquanto estratégia pedagógica se mostra não apenas como um agente formador da contemplação no plano estético, mas também ao desenvolvimento completo, independente e vitorioso da personalidade da criança, porque trabalha todas as linguagens da arte concomitantemente. Neste sentido, o teatro tem provado por meio de sua atemporalidade que se constitui como promotor da cultura humana enquanto arte desde sua origem. Destarte, tendo em vista sua importância para aprendizagem, não se pretende aqui esgotar as discussões a respeito do tema, mas abrir caminho a outras discussões, que poderão contribuir para a educação.

 

Referências

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Autores

Gizeli Fermino Coelho: Mestranda em Educação pela Universidade Estadual de Maringá – UEM  e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Currículo lattes    http://lattes.cnpq.br/0360361897915730

Possui Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (2010), Especialização em Arte e Educação pelo   Instituto Paranaense de Ensino - IPE (2012), Mestranda  em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE/UEM - Mestrado/Doutorado) -  UEM. Participa do Grupo de Estudos e Pesquisa em História da Educação, Intelectuais e Instituições Escolares, cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa - CNPq. Atualmente orienta Trabalho de Conclusão de Curso em nível de Pós-graduação a Distância pela Unicesumar. Tem experiência na Educação Infantil e nas series iniciais do ensino fundamental.

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