Dificuldades de aprendizagem na matemática: desafios para a prática do professor
A Matemática está presente no nosso cotidiano, porém na escola ela não tem sido bem aceita e é a responsável pela frustração da maioria das crianças. Muitas vezes as crianças não conseguem aprender Matemática por que possuem algum distúrbio, disfunção ou dificuldade de aprendizagem, nesta área do conhecimento, em outros casos a metodologia do professor não é adequada ao nível de aprendiza... Dificuldades de aprendizagem na matemática: desafios para a prática do professor
RESUMO: A Matemática está presente no nosso cotidiano, porém na escola ela não tem sido bem aceita e é a responsável pela frustração da maioria das crianças. Muitas vezes as crianças não conseguem aprender Matemática por que possuem algum distúrbio, disfunção ou dificuldade de aprendizagem, nesta área do conhecimento, em outros casos a metodologia do professor não é adequada ao nível de aprendizagem da criança. Assim sendo buscamos identificar quais são as dificuldades de aprendizagens tratadas nas produções bibliográficas, e como o professor pode intervir na superação dessas dificuldades. Esta pesquisa é de natureza qualitativa onde realizamos pesquisa bibliográfica. O estudo permitiu compreender que o diagnóstico correto, o uso de metodologias adequadas às necessidades das crianças, o uso de jogos, brincadeiras e recursos que chamem a atenção delas, contribuem para a aprendizagem dessas crianças e até mesmo para a superação de suas dificuldades de aprendizagem em Matemática.

Palavras-Chaves: aprendizagem, dificuldades de aprendizagem em Matemática, discalculia, intervenção pedagógica.

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1 INTRODUÇÃO
O que vemos, geralmente, nas escolas, é que há uma priorização da alfabetização, do ensino e aprendizagem da leitura e da escrita, enquanto que o ensino da Matemática é deixado de lado. A Matemática vem sendo trabalhada de forma muito abstrata, levando em conta apenas exercícios repetitivos de resolução de “continhas” (as quatro operações) e atividades descontextualizadas. Não se busca uma compreensão dos conceitos matemáticos e suas relações com o cotidiano, enfatizando que a Matemática como uma ciência pronta e acabada e que o aluno deve apenas memorizar seus símbolos e signos. Aspecto que cria um receio na criança e faz com que esta não goste dessa disciplina.
Segundo Paín (1992) e Kozelski (2012) o processo de aprendizagem é complexo e sofre interferência de fatores internos e/ou externos às crianças, os quais podem afetar negativamente a aprendizagem da criança, dificultando o processo de compreensão e construção deste conhecimento. Enquanto uns aprendem rápido, outros encontram muitas dificuldades, sendo elas causadas por falta de uma metodologia adequada, por problemas psicológicos, físicos ou mentais, ou por que o aluno não consegue compreender os códigos Matemáticos ou da linguagem. E se tratando de aprendizagem Matemática as dificuldades tornam-se ainda mais frequentes, aumentando assim o número de crianças que temem ou não gostam dessa disciplina. Apesar da Matemática, fazer parte do nosso dia a dia, as crianças apresentam dificuldade em compreendê-la na escola, é como se existissem duas Matemáticas distintas, a vivida por eles e a estudada na escola.
Enquanto professora de uma Oficina de Matemática em uma escola publica municipal era muito comum ouvir os professores reclamando das dificuldades dos alunos em aprender Matemática, muito se falava em aluno desinteressado e desatento, mas pouco se busca identificar e compreender quais são os fatores que interferem na aprendizagem desse aluno. Já em sala de aula senti muita dificuldade em trabalhar a Matemática, pois os alunos não conseguiam aprender e não se interessavam pela aula. Quando busquei trabalhar de forma concreta e com o auxílio de materiais diferenciados, jogos, brincadeiras e até mesmo situações do cotidiano percebi que as crianças se interessaram mais pela proposta de ensino e como resultado aprenderam mais facilmente conteúdos em que antes apresentavam dificuldades.
Com base nessa realidade vivenciada, esse estudo tem como objetivo identificar quais são as dificuldades de aprendizagem em Matemática tratadas em produções bibliográficas, trazendo, também, possibilidades de intervenção do professor diante dessas dificuldades de aprendizagem apresentadas pelas crianças. Buscando assim contribuir com as discussões e com a aprendizagem das crianças e tornando as aula mais produtivas e interessantes, trazendo da prática docente, subsídios para a pesquisa proposta. Esse estudo foi desenvolvido através da realização de pesquisa de natureza qualitativa, do tipo bibliográfica desenvolvida “com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (GIL, 2002, p. 43).
Para desenvolver a pesquisa usamos diferentes referenciais, entre eles Piaget (2003), Kamii (2003), Paín (1992), Kozelski (2012), Leal e Nogueira (2011), José e Coelho (2002), Pádua (2009), Fonseca (1995), Johnson e Myklebust (1987) os quais tratam do processo de aprendizagem Matemática da criança e quais a dificuldades apresentadas por ela nesse processo.
Este artigo, num primeiro momento explicita como se dá o processo de aprendizagem Matemática na criança, em seguida apresenta o que e quais são as dificuldades de aprendizagem em Matemática e suas principais causas, com enfoque na disfunção do sistema nervo central, a discalculia. Para finalizar apresentaremos algumas sugestões de intervenção do professor diante das dificuldades em aprender Matemática apresentadas por crianças com discalculia, com base em referenciais teóricos.

2 CARACTERIZANDO A APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA
A aprendizagem das crianças acontece durante o decorrer de sua vida, através das suas relações com os objetos e com o meio. Piaget (s.d.) apud Leal e Nogueira (2011) define o ser humano como um sujeito epistêmico por ter essa capacidade de construir seu conhecimento.
Piaget (1980) apud Pádua (2009, p. 24) afirma que:

A relação cognitiva sujeito/objeto é uma relação dialética porque se trata de processos de assimilação (por meio de esquemas de ação, conceitualizações ou teorizações, segundo os níveis) que procedem por aproximações sucessivas e através dos quais o objeto apresenta novos aspectos, características, propriedades, etc. que um sujeito também em modificação vai reconhecendo. Tal relação dialética é um produto da interação, através da ação, dos processos antagônicos (mas indissociáveis) de assimilação e acomodação.

Para o autor a aprendizagem é construída por meio de constantes equilibrações e desequilibrações. Perante uma nova aprendizagem há uma desiquilíbrio para que o sujeito adquira o conhecimento. Dois processos fazem parte do desiquilíbrio, a assimilação e a acomodação. A partir do momento em que há o desiquilíbrio, passa a haver uma reestruturação, interpretação do novo conhecimento, Piaget denomina esse processo de assimilação. Pode se dizer “que uma assimilação é uma associação acompanhada de inferência” (PAGET, 1976, apud PÁDUA, 2009, p. 25). A combinação do novo conhecimento ao já adquirido anteriormente é chamada de acomodação.
Além desses processos, há também, a adaptação que é o equilíbrio na relação do sujeito com o meio físico e sociocultural.

A adaptação é um equilíbrio – equilíbrio cuja conquista dura toda a infância até a adolescência e define a estruturação própria destes períodos das existências – entre dois mecanismos indissociáveis: a assimilação e a acomodação [...] De um modo geral, a adaptação supõe uma interação tal entre o sujeito e o objeto, que o primeiro possa incorporar a si o segundo levando em conta as suas particularidades; a adaptação é tanto maior quanto forem melhor diferenciadas e mais complementares essa assimilação e essa acomodação (PIAGET, 2003, p. 156 e 157).

A aprendizagem é contínua e acontece por meio das mais diversas situações de interação do sujeito com os objetos e com meio em que ele vive. Cada interação gera um novo conhecimento o qual supera ou complementa os conhecimentos que já foram adquiridos.
Pádua (2009, p. 23) afirma que a inteligência trata-se de uma:

Organização de processos que está associada a níveis de conhecimento. Quando a organização é complexa ela exige um nível de conhecimento mais complexo e quando se trata de uma organização menos complexa a exigência é de um nível de conhecimento inferior.

Para Pádua (2009), bem como defende Piaget, a inteligência não é construída por acúmulos, mas pela reorganização dos conhecimentos já adquiridos e a síntese dos novos conhecimentos que estão sendo adquiridos. O resultado dessa interação gera mudanças na estrutura dos conhecimentos adquiridos pelo sujeito, já o objeto não sofre nenhuma alteração.
Seguindo essa mesma linha de pensamento Coll (1996, p. 95) afirma que:

Os alunos formam seu próprio conhecimento por diferentes meios: por sua participação em experiências diversas, por exploração sistemática do meio físico ou social, ao escutar atentamente um relato ou uma exposição feita por alguém sobre um determinado tema, ao assistir um programa de televisão, ao ler um livro, ao observar os demais e os objetos com certa curiosidade e ao aprender conteúdos escolares propostos por seu professor na escola.

A construção do conhecimento acontece a todo o momento através das relações sujeito com o objeto ou com o meio. Piaget (s.d.) apud Kamii (2003) estabelece três tipos de conhecimento: o conhecimento físico, o conhecimento social (convencion|
5 REFERÊNCIAS
ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
BRASIL. Ministério de Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros curriculares nacionais: Matemática. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/matematica.pdf. Acesso em: ?29? de ?jul. de ?2014.
COLL, César. et al. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática, 1996.
FONSECA, Vitor da. Dificuldades de aprendizagem. 2 ed. rev. aum. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
GARCÍA, Nicasio Jesus. Manual das dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre. Artes Médicas, 1998.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. - São Paulo: Atlas, 2002.
JHONSON, Doris J. MYKLEBUST, Helmer R. Distúrbios de Aprendizagem: princípios e práticas educacionais. Trad. Marillia Zanella Sanvicente. 2 ed. São Paulo: Pioneira, 1987.
JOSÉ, Elisabete da Assunção. COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. 12 ed. 3 imp. São Paulo. Ed. Ática, 2002.
KAMII, Constance. A Criança e o Numero: implicações da teoria de Piaget para a atuação junto a escolares de 4 a 6 anos. 3 ed. Campinas, SP: M Papirus, 2003.
KOZELSKI, Adriana Cristina. Matemática: aprendizagem e dificuldades no contexto escolar. In: BASSO, Ademir et al. Educação matemática: diferentes olhares. Pato Branco: Imprebel, 2012.
LEAL, Daniela. NOGUEIRA, Makeliny Oliveira Gomes. Dificuldades de aprendizagem: um olhar psicopedagógico. Curitiba. Imbpex, 2011.
PÁDUA, Gelson Luiz Daldegan de. A Epistemologia Genética De Jean Piaget. In: Revista FACEVV. 1º Semestre de 2009. Número 2. p. 22-35. Disponível em: http://www.facevv.edu.br/Revista/02/A%20EPISTEMOLOGIA%20GENETICA.pdf. Acesso em: 28 de maio de 2014.
PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Trad. Ana Maria Neto Machado. 4 ed. Porto Alegre. Artes Médicas, 1992.
PIAGET, Jean. Psicologia e Pedagogia. Trad. Dirceu Accioly Lindoso e Rosa Maria Ribeiro da Silva. 9 ed. Rio de Janeiro. Forense Universitária, 2003.
SILVA, Wiliam Rodrigues Cardoso da. Discalculia: Uma Abordagem à Luz da Educação Matemática. 2008. 45 p. Universidade de Guarulhos. Guarulhos, SP. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/MATEMATICA/Monografia_Silva.pdf . Acesso em: ?29? de ?jul. de ?2014.

 

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