Perspectiva e concepções de professores sobre distúrbios de aprendizagem no ensino fundamental

A educação, atualmente, perpassa grandes e variadas discussões, e, o insucesso escolar é uma realidade evidente. Pesquisas confirmam o fracasso escolar como um desafio a ser vencido. O presente estudo propõe identificar o saber daquele que atua diretamente com o educando, o professor, por considerá-lo um personagem importante no diagnóstico de alunos com distúrbios, dificulda... Perspectiva e concepções de professores sobre distúrbios de aprendizagem no ensino fundamental
Resumo
A educação, atualmente, perpassa grandes e variadas discussões, e, o insucesso escolar é uma realidade evidente. Pesquisas confirmam o fracasso escolar como um desafio a ser vencido. O presente estudo propõe identificar o saber daquele que atua diretamente com o educando, o professor, por considerá-lo um personagem importante no diagnóstico de alunos com distúrbios, dificuldades e transtornos de aprendizagem, pois, muitas vezes, crianças com essa problemática recebem estigmas ou atitudes equivocadas referentes às suas ações na sala de aula, por este motivo devemos destacar a importância da atualização de tais personagens influentes no cotidiano do aluno.

Palavras-chave: Perspectivas e Concepções. Professores. Distúrbios de Aprendizagem. Ensino Fundamental.

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1 INTRODUÇÃO
Garantida pela Constituição Brasileira, todas as crianças possuem o direito fundamental à educação, assim como a oportunidade de atingir e manter o patamar de aprendizagem considerado adequado (BRASIL, 1998). Entretanto, a educação, na atualidade, é fruto de muitas discussões e polêmicas e cujo fracasso escolar é uma realidade. Pesquisas recentes confirmam que o fracasso escolar é um grande desafio a ser vencido (CIASCA, 2007).

Segundo Carvalho (2007) o processo de aprendizagem tem sido cada vez mais diagnosticado como problemático e caótico, e a responsabilidade tem recaído em quem ensina e quem aprende sob a ênfase de ensinar mal e aprender pouco e é crescente o número de alunos com dificuldades escolares, muitos deles apresentando desinteresse aliado à desmotivação do próprio sistema, desenvolvendo baixa auto-estima, o que leva à evasão escolar, reprovação e abandono das atividades escolares.

Levando-se em conta essas duas variáveis – ensinar mal e aprender pouco – a problemática perpassa o desconhecimento dos professores em relação às causas que geram problemas comportamentais e distúrbios de aprendizagem, fazendo com que esse desconhecimento gere uma intervenção por muitas vezes errônea e equivocada no processo educacional. (CARVALHO, 2007)

Embora tenhamos diversos estudos no Brasil, rescindir com problemas de aprendizagem escolar, ainda é inquietante. Fatores como ausência de preparo de educadores, condições difíceis de funcionamento de gestão administrativa, pedagógica e estrutural, da maior parte das escolas; questões econômicas / sociais e culturais das famílias, em meio a outros, têm servido de pauta para debates dentro e fora das escolas, responsabilizando esses fatores como ocasionadores dos problemas de aprendizagem escolar, contribuindo, deste modo, com a carência de estímulo de alunos e professores (BARROS, 2014).

Se for realizado um panorama recente do ensino nas escolas brasileiras nesses últimos anos, com certeza ficará constatado que o ensino era pautado na transmissão de conteúdos. A Escola era pouco inovadora e inflexível e ao professor cabia à tarefa de despejar informações a respeito de o aluno ser necessitado de todo e qualquer conhecimento e experiências anteriores. Por muito tempo, a estratégia de ensino era depositar sobre o educando conhecimentos incipientes e de forma mecânica, sem levar em conta a importância dos aspectos cognitivos desse indivíduo (BARROS, 2014).

Luckesi (2011, p. 155), ao debater a importância dos processos de ensino no dia a dia escolar, enfatiza que:

Será que nós professores, ao estabelecermos nosso plano de ensino, ou quando vamos decidir o que fazer na aula, nos perguntamos se as técnicas de ensino que utilizaremos têm articulação coerente com nossa proposta pedagógica? Ou será que escolhemos os procedimentos de ensino por sua modernidade, ou por sua facilidade, ou pelo fato de dar menor quantidade de trabalho ao professor? Ou, pior ainda, será que escolhemos os procedimentos de ensino sem nenhum critério específico?


É preciso destacar ainda que o diagnóstico de uma dificuldade de aprendizagem não é tão simples de se alcançar, uma vez que é preciso eliminar possibilidades de que fatores psicopedagógicos e condições socioeconômicas não estejam provocando tais dificuldades no desempenho escolar do aluno (GOTO, 2004). Por essa razão, ter conhecimento sobre as dificuldades e distúrbios de aprendizagem pode ajudar o professor no processo de ensino e aprendizagem escolar.

Na concepção de Brito (2006), a formação do professor necessita fundamentar-se na percepção de um professor que repense, fixamente, sua prática docente. Desta maneira, estabelece um processo ativo que possa romper a dicotomia teoria-prática articulando o processo educativo com o fato social.

Este artigo enfatiza a necessidade de se identificar o nível de conhecimento do professor acerca de sua perspectiva e concepções sobre distúrbios e dificuldades de aprendizagem a fim de melhor instrumentalizá-lo para ações mais eficazes em sala de aula.

2 DISTÚRBIOS E/OU DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM - DIAGNÓSTICO
Para que se possa entender o que são as dificuldades de aprendizagem, é necessário, inicialmente, que haja uma compreensão do que seja aprendizagem. Segundo Fonseca (2007), a aprendizagem compreende um processo funcional dinâmico que integra quatro componentes cognitivos essenciais: input (auditivo, visual, tatil-cinestésico, etc.); cognição (atenção, memória, integração, processamento simultâneo e seqüencial, compreensão, autorregularão, etc.); output (falar, discutir, desenhar, observar, ler, escrever, contar, resolver problemas, etc.); retroalimentação (repetir, organizar, controlar, regular, realizar, etc.).
Segundo o dicionário Aurélio, distúrbio é uma perturbação orgânica ou social; dificuldade é caráter de difícil, aquilo que é obstáculo, óbice, situação crítica; e aprender é tomar conhecimento de algo, retê-lo na memória graças a estudo, observação, experiência, etc. (FERREIRA, 2006).

Para Ciasca (2004) aprendizagem “é uma atividade individual, que se desenvolve dentro de um sistema único e contínuo, operando sobre todos os dados recebidos e tornando-os revestidos de significado. Este ato não é limitado, portanto à intenção ou ao esforço para reter itens ou habilidades deliberadamente repetidas de momento a momento, mas se amplia na qualidade do aprendido, no grau de abstração e com o transcorrer da idade”.

Segundo Drouet (2003) para se aprender é necessária uma série de pré-requisitos, que irão desenvolver condições, capacidades, habilidades para tal processo em que se incluem motricidade (rolar, sentar, engatinhar, andar, auto identificação, esquema corporal, abstração, etc.), integração sensório-motora (equilíbrio, ritmo, destreza, agilidade, lateralidade, discriminação tátil, etc.), habilidades perceptivo-motoras (percepções sensitivas, integração visomotora, acuidade visual, memória, coordenação motora fina, etc.), desenvolvimento da linguagem (fluência, articulação, vocabulário, etc.), habilidades conceituais (classificação, seriação, conceito numérico, compreensão, etc.) e habilidades sociais (aceitação social, maturidade, criatividade, julgamento de valor, etc.).

Nas literaturas sobre aprendizagem, muito se tem discutido sobre distúrbios e dificuldade de aprendizagem, ficando claro que ambos não são sinônimos (CAPELLINI, 2010).

Deve-se considerar dificuldade de aprendizagem como um transtorno constante que afeta a maneira como o indivíduo processa, retém e expressa informações. Estas informações que entram ou que saem podem ficar desordenadas na medida em que transitam entre os sentidos e o cérebro. Segundo Arita (2010) os problemas de aprendizagem contrariam a harmonia do desenvolvimento, levando o indivíduo a apresentar atrasos cognitivos significativos na relação potencial de aprendizagem esperada para a etapa do desenvolvimento humano e o seu aproveitamento escolar abaixo do esperado e considerado dentro da média de seus pares.

As razões pelas quais uma criança não aprende na escola podem ser multifatoriais, bem como as classificações dos problemas de aprendizagem. Estas razões podem ser não apenas de aprendizagem, mas também, ou somente, de “ensinagem”, com aulas desestimulantes, sem atrativos, sem didática adequada e sem a utilização de meios que favoreçam uma aprendizagem satisfatória.

Segundo Ciasca (2010), são três áreas específicas que envolvem as dificuldades de aprendizagem: fisiológicas quando são caracterizadas geralmente por déficits neurológicos, problemas de ordem física que atrapalham no desenvolvimento cognitivo, como paralisia cerebral, deficiência mental, epilepsia e deficiências sensoriais; socioambientais, quando se referem a inadequações socioeducacionais, como ambiente escolar precário, prof|
REFERÊNCIAS
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BARROS, E. R. C. Análise da percepção e conhecimento de professores em sala de aula do ensino fundamental em escolas municipais sobre o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Dissertação de Mestrado. Acessado em: 05 de outubro de 2015 em http://www.fw.uri.br/NewArquivos/pos/dissertacao/54.pdf
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BRITO, A. E. Formar professores: rediscutindo o trabalho e os saberes docentes. In: MENDES SOBRINHO, J. A. de C; CARVALHO, M. A. (Orgs.). Formação de professores e práticas docentes: olhares contemporâneos. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
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