Psicomotricidade e aprendizagem: uma relação necessária
O presente estudo tem como objetivo relacionar conteúdos relativos às dificuldades de aprendizagem, com as experiências do estágio e o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) voltado à psicomotricidade e ludicidade. Dessa forma, buscou-se compreender a temática sobre psicomotricidade X dificuldades de aprendizagem para que se pudesse fazer um confrontamento de experiências. A metodologia utilizada partiu de alg... Psicomotricidade e aprendizagem: uma relação necessária
RESUMO: O presente estudo tem como objetivo relacionar conteúdos relativos às dificuldades de aprendizagem, com as experiências do estágio e o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) voltado à psicomotricidade e ludicidade. Dessa forma, buscou-se compreender a temática sobre psicomotricidade X dificuldades de aprendizagem para que se pudesse fazer um confrontamento de experiências. A metodologia utilizada partiu de algumas pesquisas de autores que falam sobre os temas apresentados e as experiências obtidas no estágio obrigatório nos anos iniciais do ensino fundamental e na elaboração do TCC. A principal conclusão do trabalho foi a de que a prática pedagógica exerce influências no ensino e aprendizagem das crianças, pois a mesma requer o envolvimento da psicomotricidade para que as crianças possam aprender de maneira lúdica e assim se desenvolverem.

Palavras-chave: Dificuldade de aprendizagem, Psicomotricidade, criança.

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Introdução
Sabemos que cada criança possui sua própria característica, e maneira de pensar, agir, desenvolver suas habilidades e aprendizagem de um modo único, uns aprendem com mais facilidade outros há seu tempo. Mas é necessária uma atenção especial para aquelas crianças que manifestam alguma dificuldade em seu aprendizado.
Assim, podemos perceber que algumas pesquisas têm se voltado a entender essas questões que envolvem a Dificuldade de aprendizagem (DA), que são alguns problemas enfrentados pelas crianças e se estendem na sua vida adulta.
As dificuldades de aprendizagem podem envolver algumas áreas como: Neurológica, Psicopedagógica e Psicológicas, conforme Fonseca (2007), Martins e Figueiredo (2011) e Pinheiro (2015). O que necessita maior atenção dos professores em relação a essa criança, ao perceber alguns sinais de dificuldade de aprendizagem, evitando assim rotulá-la. Segundo Campos (2015, p.127) “[...] os rótulos pouco contribuem para uma prática pedagógica comprometida com o desenvolvimento afetivo-cognitivo do aluno e com transmissão/de conhecimentos”.
De fato, a criança vive em constante construção de personalidade e aprendizagem, sendo importante que as crianças tenham suas fases respeitadas de acordo com seu tempo, pois cada uma tem um tempo de amadurecimento.
Dessa forma, o presente estudo buscou-se em primeiro momento refletir sobre alguns fatores que possam vir a desenvolver a dificuldade de aprendizagem, de forma a compreender a temática abordada. Em seguida fazer um confrontamento entre o tema desenvolvido, com as experiências adquiridas no estágio e a temática do TCC, relativo à ludicidade, e por fim as considerações finais.

Dificuldade de Aprendizagem no Contexto Escolar
Atualmente as instituições de educação estão dedicando uma atenção maior para as Dificuldades de Aprendizagem (DA), direcionando algumas definições para esse problema. Mazer et al. (2009, p. 9) assim enfatizam:
Numa perspectiva orgânica, as dificuldades de aprendizagem são consideradas como desordens neurológica que interferem na recepção, interação ou expressão de informações e são manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio, habilidades matemática ou habilidades sociais.
Assim é importante descobrir a causa que se caracteriza o problema. A escola juntamente com os pais, deve atuar de forma a desenvolver meios para que essa criança possa aprender, focando naquilo que talvez ela esteja tendo menos rendimento. Nessa perspectiva, Coelho (1999, p.12 apud Spinello, 2014, p. 8) ressalta que:
As mudanças de estratégias de ensino podem contribuir para que todos aprendam. Em alguns casos, as estratégias de ensino não estão de acordo com a realidade do aluno. A prática do professor em sala de aula é decisiva no processo de desenvolvimento dos educandos. Esse talvez seja o momento do professor rever a metodologia utilizada para ensinar seu aluno, através de outros métodos e atividades ele poderá detectar quem realmente está com dificuldade de aprendizagem, evitando os rótulos muitas vezes colocados erroneamente, que prejudicam a criança trazendo lhe várias conseqüências, como a baixa-estima e até mesmo o abandono escolar. “O que é ensinado e aprendido inconscientemente tem mais probabilidade de permanecer”.
Dessa forma, o professor deve trabalhar de forma diferente com esse aluno que apresenta dificuldades em seu aprendizado, procurando perceber as suas necessidades mais imediatas, para que ele possa ter uma socialização maior no seu ambiente escolar. Pois a aprendizagem exerce um importante papel para o seu futuro como adulto.
O processo de aprendizagem da criança é contínuo, a escola e a família têm a função de procurar estratégias para desenvolver o seu aprendizado. Sabemos que as crianças aprendem por meio das interações estabelecidas no meio físico e social em que se encontram. Na educação infantil, por exemplo, as crianças aprendem por meio dos jogos e brincadeiras, os quais têm a função de estimular seu desenvolvimento motor, psicológico e afetivo. Assim, a psicomotricidade estimula a criança a realizar atividades corporais que vão do pular, correr assim como, escrever, recortar, etc.
O professor precisa auxiliar a criança como forma de ajudá-la a se desenvolver no seu processo de aprendizagem, e se esse desenvolvimento não ocorre é necessário procurar a raiz do problema. Para Mazer et al. (2009), são fatores internos ou externos que determinam se os indivíduos vão desenvolver algum problema psicossocial ou patológico no decorrer de sua vida. Sendo importante conhecer as causas para que se possa tratá-los e não se tornem problemas futuros. Segundo Leite (2012, p. 76), “O desenvolvimento psicomotor da criança em idade escolar requer o auxílio constante do professor que, por meio de estimulação, pode atuar de forma preventiva sobre as dificuldades de aprendizagem”.
Diante desse contexto, o processo do ensino e aprendizagem e a psicomotricidade está atrelada ao desenvolvimento da criança com o ambiente ao seu redor, quando os professores dão maior importância para as atividades motoras das crianças procurando estabelecer novas práticas pedagógicas, com certeza à escola estará sanando parte dos problemas futuros que poderão surgir.
Assim, por meio desses fatores que envolvem a psicomotricidade X dificuldade de aprendizagem, procurou-se fazer uma análise a partir do estágio supervisionado desenvolvido na disciplina de Ensino Fundamental I, especificamente no 2º ano do Ensino Fundamental elencando alguns pontos percebidos em uma criança que tinha algumas dificuldades em seu aprendizado. Devido às dificuldades, o referido aluno era rotulado pela estagiaria itinerante que o acompanhava que em sua fala disse: “Esse aí não aprende, não adianta”. A criança em questão não conseguia acompanhar os outros alunos nas atividades desenvolvidas, o que o deixava um pouco nervoso, e por esse motivo em alguns momentos ele chorava e necessitava de ajuda.
Percebe-se que de acordo com alguns autores enfatizados no texto, a criança necessitava de uma atenção maior, e também que tivesse uma metodologia diferenciada dos outros alunos, e que talvez a criança estivesse vivendo um momento de adaptação, pois as dificuldades de aprendizagem, podem se caracterizar por vários fatores internos e externos. Assim, de acordo com Leite (2012, p. 76):
A criação de uma atmosfera afetiva dá segurança ao aluno para se expressar. A organização e adequação do tempo e espaço pedagógico podem propiciar à criança as experiências que lhe são necessárias para desenvolver seus aspectos afetivos e motor de forma plena e saudável.
De modo que, nessa sala pesquisada, por ser uma sala muito numerosa, a professora acabava ficando em falta com esse aluno com dificuldade de aprendizagem, não dando a devida atenção para as suas necessidades imediatas. Acredita-se que a criança quando aprende de forma lúdica terá menos dificuldade no decorrer dos anos escolares, pois as crianças quando estão na educação infantil, desenvolve suas atividades brincando, mas quando vão para o ensino fundamental, normalmente são lhes cortados todas aquelas atividades lúdicas, sendo então repetido que “agora é diferente”, “agora é hora de aprender”, “acabou a brincadeira” o que causa um choque para a criança. Nessa perspectiva, o documento do MEC- Educação Infantil Saberes e Práticas da inclusão: Dificuldades de Aprendizagem ou limitações de no Processo de Desenvolvimento ressalta que:
Sem incentivos e desafios à altura de suas necessidades e potencialidades, a criança pode tornar-se desinteressada, agressiva e violenta ou apática e submissa. É necessário que os profissionais da educação estejam atentos a essa criança, compreendendo e reconhecendo seu modo particular de ser e de estar no mundo, identificando seus desejos, necessidades e particularidades. (BRASIL, 2006, p. 3|
REFERÊNCIAS:
BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Educação Infantil: Saberes e Prática da Inclusão: Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem ou Limitações no Processo de Desenvolvimento. 4º Ed –MEC/ SEESP- Brasilia: MEC, Secretaria de educação especial, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dificuldadesdeaprendizagem.pdf. Acesso em: 21 Out. 2015.
CAMPOS, Luciana M. Lunardi. A Rotulação de Alunos Como Portadores de "Distúrbios ou Dificuldades de Aprendizagem": Uma Questão a ser Refletida. Depto. De educação especial da faculdade de filosofia e Ciências da Unesp – Marilia. SP. 2015. Disponível em:
<http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_28_p125-140_c.pdf>. Acesso em: 21 Out. 2015.
FONSECA, Vitor. Dificuldade de Aprendizagem: Na Busca de Alguns Axiomas. Rev. Psicopedagogia. Universidade Técnica de Lisboa. Portugal, 2007. Disponível em:
<http://www.revistapsicopedagogia.com.br/download/74.pdf>. Acesso em: 21 Out. 2015.
LEITE, Vânia Aparecida Marques. Dimensões da Não Aprendizagem. - Ed.- Rev. – Curitiba PR: IESDE Brasil, 2012. Disponível em: <http://uol.iesde.com.br/aprovaconcursos/demo_aprova_concursos/dimensoes_da_nao_aprendizagem_05.pdf>. Acesso em: 20 Out. 2015.
MALUF, Angela Cristina Munoz. Brincar: prazer e aprendizado. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
MAZER, Sheila Maria, Alessandra Cristina Dal Belo, Marina Rezende Bazon. Dificuldades de Aprendizagem: Revisão de Literatura Sobre os Fatores de Risco Associados. Psic. da Ed., São Paulo, 28, 1º sem. 2009, PP. 7-21. Disponível em:
<http://www.unifra.br/professores/13939/dificuldades%20de%20aprendizagem_risco.pdf>. Acesso em: 20 Out. 2015.
MARTINS, Marlene Nunes; FIGUEIREDO, Lilía Marcia de Souza. Um Olhar Psicopedagógico Sobre Dificuldades de aprendizagem: revista científica eletrônica de Ciências Sociais Aplicadas da Eduvale. Publicação científica da Faculdade de Ciências Sociais aplicadas do Vale de São Lourenço-Jaciara/MT, nº 06, novembro de 2011. Disponível em: <http://www.eduvalesl.edu.br/site/edicao/edicao-55.pdf>. Acesso em: 13 Nov. 2015.
SPINELLO, Maiara Carla. As Dificuldades de Aprendizagem Encontradas na Educação Infantil. REI- Revista de educação do IDEAU. Vol.9. nº 20. Julho-Dezembro 2014. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dificuldadesdeaprendizagem.pdf>. Acesso em: 21 Out. 2015.
PINHEIRO, Odnea Quartieri ferreira. Abordagens Psicopedagógicas às Dificuldades de Aprendizagens. Brasilia-DF. 2015. Disponível em: <http://lms.ead1.com.br/webfolio/Mod4085/abordagem_psicopedagogica_v2.pdf>. Acesso em: 13 Nov. 2015.
 

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