Mandala e espiral de plantas medicinais e temperos: uma possibilidade em projetos paisagísticos |
O uso de plantas medicinais pela população é um hábito já bastante frequente, esta cultura já está inserida na vida do homem há muitas décadas. Diversos fatores influenciam este consumo sejam para melhoria da saúde física, bem-estar do corpo e até da alma.
A utilização de ervas medicinais com a finalidade de trazer melhoria para a saúde se deu de forma popular sendo este conhecime Mandala e espiral de plantas medicinais e temperos: uma possibilidade em projetos paisagísticos |
O uso de plantas medicinais pela população é um hábito já bastante frequente, esta cultura já está inserida na vida do homem há muitas décadas. Diversos fatores influenciam este consumo sejam para melhoria da saúde física, bem-estar do corpo e até da alma.
A utilização de ervas medicinais com a finalidade de trazer melhoria para a saúde se deu de forma popular sendo este conhecimento compartilhado com a área médica e com incentivo também da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados da própria organização demonstram que 80% da população mundial já se utilizaram de espécies medicinais com o objetivo de aliviar ou tratar males do corpo.
Ao longo da história a medicina têm- se utilizado deste conhecimento (até certo ponto empírico) como auxiliar no tratamento convencional de diversas doenças, já que muitos medicamentos são produzidos a partir de compostos que são extraídos de diferentes plantas medicinais. Lameira, (2008) pontua que o uso destas plantas deixa de ser um tratamento alternativo para configurar-se como uma linha de terapia.
A partir das duas últimas décadas, o consumo individual de fitoterápicos cresceu em todo o mundo, aumentando também os investimentos em pesquisas para obtenção de novos remédios à base de plantas, confirmando a eficácia de muitas plantas medicinais, dando maior credibilidade no uso da fitoterapia (tratamento de doenças com plantas). A Anvisa recentemente reconheceu e autorizou algumas plantas medicinais para que sejam usadas com segurança.
Bruning et al. (2012), relatam que atualmente observa-se um crescimento na utilização de fitoterápicos pela população brasileira. Dois fatores poderiam explicar este aumento. O primeiro seriam os avanços ocorridos na área científica, que permitiram o desenvolvimento de fitoterápicos reconhecidamente seguros e eficazes. O segundo é a crescente tendência de busca, pela população, por terapias menos agressivas destinadas ao atendimento primário à saúde. Desta forma, com o crescente aumento de medicamentos fitoterápicos obtidos a partir de plantas medicinais, fez com que órgãos governamentais, pesquisadores e universidades investissem em pesquisas para credenciar as plantas medicinais próprias para consumo da população, esclarecendo sobre seus princípios ativos, eficácia toxicidade e perigos. A adoção destes cuidados trouxe segurança e impulsionou seu consumo, desde simples preparações caseiras através de chás ou ainda tinturas, xaropes entre outros.
No lado social as plantas medicinais desempenham um papel fundamental, em especial nas populações com menos recursos, por ser de fácil obtenção pois está disponível na própria natureza, de baixo custo e comprovadamente eficaz desde que corretamente utilizado.
Em relação ao Paisagismo percebemos que em diversas civilizações se fez uso de plantas medicinais com diferentes finalidades, para tratamento da saúde, de forma religiosa ou embelezamento. Através de pequenas hortas ou canais eram feito o cultivo de ervas e que facilitavam o acesso na obtenção destes tratamentos. O uso no Paisagismo pode proporcionar ainda beleza aos projetos pois as referidas ervas possuem características as mais variadas como, pequenas flores, cores, estrutura das folhas proporcionando assim harmonia aos ambientes. Bellé (2012) considera que as plantas medicinais possuem um grande potencial paisagístico, porém pouco explorado.
É indiscutível a importância de áreas verdes na qualidade de vida do ser humano. Com o crescimento urbano (muitas vezes desordenados) e espaços verdes reduzidos, tornou-se difícil o cultivo de muitas espécies dentre elas temperos e plantas medicinais. Entretanto, a necessidade de melhorar o ambiente deixando-o mais agradável, menos poluído e preservado fez com as pessoas trouxessem este contato do verde para dentro de suas casas. Os projetos paisagísticos podem, portanto promover além destes benefícios satisfação psicológica, possibilidade de inclusão, em virtude de explorar os cinco sentidos. As plantas e temperos podem ainda serem inseridas nos espaços gastronômicos, que cada vez mais estão na vida das pessoas, exigindo locais mais agradáveis com espaços verdes e conforto visual além de pratos saudáveis que usem plantas e condimentos com menos agrotóxicos.
Outra questão importante a se destacar é quanto ao combate as pragas e plantas invasoras que deverá, necessariamente, ser feito através do uso de fórmulas naturais e caseiras para evitar a contaminação das plantas medicinais e temperos com produtos químico em virtude de serem utilizados como medicamento.
A proposta do canteiro de plantas medicinais e temperos na forma de mandala possibilita incluir a ideia, nos projetos paisagísticos, de aproveitamento do espaço mantendo a beleza dos mesmos. Entendemos que a forma em círculo e espiral oferece maior área de aproveitamento com utilização de um espaço menor e com maior funcionalidade, sendo possível assim plantar diferentes espécies com diferentes necessidades. Este padrão permite também boa drenagem e acesso fácil às plantas, sendo o solo igualmente beneficiado no sentido de que os diferentes nutrientes que estas variedades requerem permitirão que o solo não seja esgotado. Sua estrutura espiralada propicia a criação de diversos microclimas em um espaço pequeno. Com isso, você poderá criar plantas com necessidades diversas de luz, água e nutrientes em um só lugar.

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Referências Bibliográficas

BELLÉ, Soeni. Plantas Medicinais: caracterização, cultivo e uso paisagístico na Serra Gaúcha. Editora: IFRS – Campus Bento Gonçalves. 2012
Informe Agropecuário. v. 31- nº.255 (mar/abr 2010) - Plantas medicinais e aromáticas: Belo Horizonte: Epamig, 2010.
LAMEIRA, O.A.; PINTO, J.E.B.P. Plantas Medicinais: do cultivo, manipulação e uso à recomendação popular. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2008.
LORENZI, H.; MATOS, F.J. Plantas Medicinais no Brasil. São Paulo: Instituto Plantarum, 2008.
PETRY C. Plantas ornamentais: aspectos para a produção. 2.Ed. Passo Fundo: EDIUPF, 2008.
REMPEC - Ensino, Saúde e Ambiente, v.3 n 1 p. 42-60 Abril 2010. ISSN 1983-7011 . Revista Eletrônica do Mestrado Profissional em Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente.
BRUNING, M. C. M.; MOSEGUI, G. B. G.; VIANNA, C. M. de M. A utilização da fototerapia e de plantas medicinais em unidades básicas de saúde nos municípios de Cascavel e Foz do Iguaçu – Paraná: a visão dos profissionais de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 17(10):2675-2685, 2012.