Este estudo buscou re-visitar as duas concepções de Arte – pedagógica e reflexiva -, forjadas ao longo da História e sua relação com o pensamento estético brasileiro de resistência. A partir da década de 60, tal pensamento atribuiu uma finalidade pedagógica à Arte, incumbindo-lhe a tarefa crítica social e política de engajamento emancipatório humano: neste cenário destacou-se o Teatro do Oprimido, o Cinema Novo e a música de protesto de Chico Buarque, Caetano Velos...
Resumo:
Este estudo buscou re-visitar as duas concepções de Arte – pedagógica e reflexiva -, forjadas ao longo da História e sua relação com o pensamento estético brasileiro de resistência. A partir da década de 60, tal pensamento atribuiu uma finalidade pedagógica à Arte, incumbindo-lhe a tarefa crítica social e política de engajamento emancipatório humano: neste cenário destacou-se o Teatro do Oprimido, o Cinema Novo e a música de protesto de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, entre muitos outros.

Palavras Chave: Música Popular Brasileira; História; Pensamento Estético.

Abstract
This study sought to re-visit the two conceptions of Art – pedagogical and reflective - forged throughout history and its relationship with the Brazilian aesthetic thought of resistance. From the 60's, such thinking has given a pedagogical purpose to art, charged with the task of social criticism and political engagement human emancipatory: in this scenario mainly determined by the Theater of the Oppressed, the new movies and the protest song by Milton Nascimento, , Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, among many others.

Keywords: Brazilian Popular Music; History; Aesthetic thought.

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INTRODUÇÃO
Ao longo dos tempos duas concepções – a pedagógica e a reflexiva -, marcaram a relação da Arte com a sociedade. A partir da década de 60 o pensamento estético brasileiro de esquerda atribuiu uma finalidade pedagógica à arte, incumbindo-lhe a tarefa de crítica social e política de engajamento emancipatório humano: neste cenário destacou-se o Teatro do Oprimido, o Cinema Novo e a música de protesto.

Este estudo buscou re-visitar as duas concepções de Arte, pensadas em sua relação com a sociedade: ao longo dos tempos, elas foram forjadas como pedagógica ou reflexiva. Walter Benjamin trouxe uma relevante contribuição para a teoria da Arte, analisando a relação entre arte e o público na sociedade contemporânea: assumindo que a obra de arte tinha uma aura que ao longo dos tempos foi perdida em função de uma reprodutibilidade técnica. Para, Adorno na contemporaneidade a arte tem sido usada, através dos produtos da Indústria Cultural, assim como os meios de comunicação de massa (cinema, TV, desenho animados, etc.) são caracterizados por ele, como medíocres, alienantes, conservadores e autoritários. Para ambos, pensamento e linguagem são indissociáveis. A partir da década de 60, fortemente marcado pelo regime ditatorial, o pensamento estético brasileiro de esquerda atribuiu uma finalidade pedagógica à arte, incumbindo-lhe a tarefa de crítica social e política de engajamento emancipatório humano. Destacou-se neste cenário o teatro do oprimido, a poesia de Ferreira Gullar, o Cinema Novo e música de protesto de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento, dentre muitos outros.

Ao longo da História duas grandes concepções, a pedagógica e a expressiva, nortearam a compreensão da Arte (CHAUI, 1997). Muitos filósofos escreveram sobre a arte, interpretando-a ora na perspectiva pedagógica, ora na perspectiva expressiva. Dentre esses muitos filósofos, daremos neste capítulo especial atenção a Walter Benjamin e a questão da reprodutibilidade técnica.

Tais concepções – pedagógica e reflexiva -,foram inauguradas respectivamente por Platão e Aristóteles. A este respeito, Chauí (1997, p. 323) considera que,

A concepção platônica, que sofrerá alterações no curso da História sociocultural, considera a arte uma forma de conhecimento. A aristotélica, que também sofrerá mudanças no correr da história, toma a arte como uma atividade prática.


As primeiras considerações sobre a Arte foram elaboradas por Platão (437a.C. – 347a.C.), um dos principais pensadores gregos e que influenciou profundamente a filosofia ocidental (LEGRAND, 1986).

Para Platão a arte se situa no plano mais baixo do conhecimento visto que é a imitação imperfeita das coisas sensíveis, já que as coisas sensíveis, por sua vez, são cópias imperfeitas das essências inteligíveis ou idéias. Em “A República”, por exemplo, Platão expõe a pedagogia de uma cidade perfeita (CHAUÍ, 1997).

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), discípulo e rival de Platão, também elaborou considerações sobre a Arte (LEGRAND, 1986).

Rivalizando-se com Platão, a concepção aristotélica, toma a arte como atividade prática fabricadora. Para Chauí (1997, p. 323), A concepção aristotélica parte da diferença entre o teórico e o prático, decorrente da diferença entre o necessário e o possível, tomando a arte como atividade prática fabricadora.

Situando a arte como atividade prática fabricadora, Aristóteles inaugura a concepção reflexiva da mesma; uma arte concreta, a serviço do homem. No entanto, este filósofo também contribuiu para consolidar o papel pedagógico da arte, particularmente na tragédia:

Aristóteles, na Arte poética, desenvolve longamente o papel pedagógico das artes, particularmente a tragédia, que, segundo o filósofo tem a função de produzir a catarse, isto é, a purificação espiritual dos expectadores, comovidos e apavorados com a fúria, o horror e as consequências das paixões que movem as personagens trágicas. Essa função catártica é atribuída sobretudo à música (CHAUÍ, 1997, p. 323-324).

As idéias de Aristóteles perduraram por muitos séculos. No século XIX tais idéias foram enriquecidas por duas grandes contribuições, a saber:

1º) A discussão sobre a utilidade social das artes – particularmente a arquitetura e;

2º) A afirmação sobre o caráter lúdico da arte, que passou a ser considerada jogo, liberdade criadora, embriaguez, delírio e vontade de potência afirmativa da vida. Trata-se da contribuição de Nietszche, para quem a arte é “um estado de vigor animal”, “uma exaltação do sentimento da vida e um estimulante da vida”. (CHAUÍ, 1997).

A concepção pedagógica sobre a arte reaparece com Immanuel Kant (1724 – 1804), um filósofo alemão que nasceu e viveu toda a sua vida na cidade de Königsberg, na Alemanha (LEGRAND, 1986).

Para Kant,

[...] a função mais alta da arte é produzir o sentimento do sublime, isto é a elevação e o arrebatamento de nosso espírito diante da beleza como algo terrível, espantoso, aproximação do infinito (CHAUÍ, 1997, p. 324).

Friedrich Hegel (1770 – 1831), outro filósofo alemão nascido no século XVIII, também deu conta de discutir o que é Arte (LEGRAND, 1986).

Hegel valida a concepção pedagógica da arte ao reafirmar o seu papel educativo, que é efetuado em duas modalidades sucessivas, afeitas à educação moral e à pureza da forma. Assim posto, a pedagogia artística de Hegel,

[...] se efetua sob duas modalidades sucessivas: na primeira, a arte é o meio para a educação moral da sociedade (como Aristóteles havia mostrado a respeito da tragédia); na segunda, pela maneira como destrói a brutalidade da matéria, impondo-lhe a pureza da forma, educa a sociedade para passar do artístico à espiritualidade da religião, isto é, para passar da religião da exterioridade (os deuses e espíritos estão visíveis na Natureza) à religião da interioridade (o absoluto é a razão e a verdade) (CHAUÍ, 1997, p. 324).

Para Hall (2006), na modernidade reflexiva em que vivemos o homem – diferente da concepção iluminista ou sociológica -, é um sujeito descentrado e que vive em crise de identidade, visto que as velhas identidades estão continuamente sendo substituídas por novas identidades. Nesta perspectiva, o autor parte de três concepções de sujeitos construídos e assumidos ao longo do processo histórico que determina as identidades, a saber:

- O sujeito iluminista: aquele que era centrado, possuindo uma concepção individualizada na qual o centro essencial do “Eu” correspondia à sua identidade;

- O sujeito sociológico: aquele que rompeu com esta concepção na medida em que passou por transformações de idéias, de pensamentos, a partir de onde começou a interagir com a sociedade e,

- O sujeito pós-moderno: aquele que faz ruptura com a concepção sociológica, quando é perturbado com as mudanças estruturadas e institucionais, assumindo identidades diferentes em diferentes momentos.

Dessa forma, Hall (2006) entende que neste tempo em que nós vivemos, marcado pela globalização, a crise de identidade é inevitável. Assim posto, entendemos ser função da escola criar junto ao alunado um espaço de valorização de seu patrimônio cultural e para tal, consideramos a teoria dos lugares de memória – conforme proposição de Nora (1984) em que a teoria dos lugares da memória foi formulada e desenvolvida a partir dos seminários orientados por Nora na École Pratique de Hautes Etudes, de Paris, entre 1978 e 1981, sendo editada em “Les Lieux de Mémorie”, uma obra composta por quatro volumes. Reportando-se à memória nacional francesa, Nora, nesta obra, considera ser importante inventariar os lugares onde a memória – cada vez mais ameaçada de desaparecer -, ainda permanece encarnada, graças à vontade dos homens e apesar da passagem do tempo. Para Nora (1992) símbolos, festas,|
REFERÊNCIAS
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LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e interpretação de dados. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
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Alberto Carlos de Souza: Mestre em História pela Universidade Salgado de Oliveira/RJ. Professor de Arte da Prefeitura Municipal de Vitória e Serra/ES. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Túlio Alberto Martins de Figueiredo: Doutor em Saúde Pública pela USP/SP. Professor da Universidade Federal do Espírito Santo, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e de Enfermagem Profissional/ES, Coordenador do Projeto de Pesquisa em Esquiso-análize: RIZOMA. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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