Desemprego e logoterapia: revisão de conceitos e técnicas

O presente artigo tem o objetivo de analisar o desemprego à luz da Logoterapia, relacionando o estado em que o trabalhador em processo de desemprego se encontra, com alguns conceitos, como o do vazio existencial, vontade de sentido e liberdade de escolha. O artigo também traz o conceito de algumas técnicas, com a Intenção Paradoxal e Derreflexão com a intenção de diminuir a carga afetiva, que age negativamente... Desemprego e logoterapia: revisão de conceitos e técnicas
RESUMO
O presente artigo tem o objetivo de analisar o desemprego à luz da Logoterapia, relacionando o estado em que o trabalhador em processo de desemprego se encontra, com alguns conceitos, como o do vazio existencial, vontade de sentido e liberdade de escolha. O artigo também traz o conceito de algumas técnicas, com a Intenção Paradoxal e Derreflexão com a intenção de diminuir a carga afetiva, que age negativamente e por conseqüência diminuir a sintomatologia.
Palavras-Chave:Logoterapia; Vazio existêncial; Sentido de vida; Desemprego

ABSTRACT
This article aims to analyze unemployment in the light of Logotherapy , the State in which the employee in the event of unemployment , with some concepts , such as the existential void , the will to meaning and freedom of choice . The article also brings some technical concept , with the paradoxical Derreflexão and intent with the intent of reducing the emotional burden, which acts negatively and thus decrease the symptoms .
Keywords:Logotherapy; Existential vacuum; Sense of life; Unemployment

RESUMEN

Este artículo tiene como objetivo analizar el desempleo a la luz de la Logoterapia, relacionando el estado en el que el proceso de desempleo del trabajador es , para algunos conceptos , como el vacío existencial , voluntad de sentido y la libertad de elección. El artículo también trae el concepto de algunas técnicas, con la intención paradójica y Derreflexão la intención de reducir la carga emocional, que actúa negativamente y en consecuencia disminuir los síntomas .

Palabras clave:Logoterapia ; Vacío existencial ; Sentido de la vida ; Desempleo

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1. Introdução
A Logoterapia é uma escola psicológica de caráter multifacetado – de cunho fenomenológico, existencial, humanista e teísta –, conhecida também como a “Psicoterapia do Sentido da Vida” ou, ainda, a Terceira Escola Vienense de Psicoterapia. A teoria de Viktor Emil Frankl (1905-1997) concebe uma visão de homem distinta das demais concepções psicológicas de seu tempo ao propor a compreensão da existência mediante fenômenos especificamente humanos e a identificação de sua dimensão noética ou espiritual, a qual pela sua dinâmica própria pode despertar a vivência da religiosidade.
Como o nome diz, a Logoterapia tem seu enfoque no sentido da existência humana e nas formas que a pessoa irá buscar para alcançar esse sentido, que é uma força motivadora para o ser humano. Essa busca é chamada de vontade de sentido, que é uma motivação primária na vida das pessoas, pois todos necessitam de um sentido para sua vida.
Nesse caso, podemos citar o trabalho como uma força motivadora, que faz com que o sujeito tenha um projeto de vida, que em alguns casos funciona como mola propulsora da sua existência. Se o sujeito que tem em trabalho o sentido da sua existência for demitido, certamente estaríamos diante de uma frustração existencial, causada pelo desemprego.
Considera-se desemprego a perda e/ou não obtenção de um posto de trabalho regulamentar, seguida da procura de novos postos de trabalho e combinada ou não com trabalhos precários (irregulares e não-regulamentados contratualmente na forma da lei), estando o trabalhador apto para o exercício das funções pretendidas. Neste sentido, toma-se da saúde mental sua medida central: o bem-estar psicológico produzido na interação de fatores ambientais e processos psicológicos internos.

Já o trabalho, constitui-se para o homem como um verdadeiro sentido de vida, tendo em vista que geralmente passamos mais tempo trabalhando do que vivenciando outras situações. O homem só tem uma visão da sua existência se estiver produzindo. Grisi (2000) apud Tolfo& Piccinini (2007) destaca que, além da importância social, o trabalho é representado na vida do sujeito como fonte de subjetivação.
Considerando o conceito de trabalho e desemprego expostos, o desemprego produz um mal-estar psicológico deixando o indivíduo sem um sentido de vida, visto que, na atualidade o processo de trabalho tem implicado bastante no sentido de vida chegando a ser considerado um fator decisivo, pois hoje, se o indivíduo não tem um emprego fixo está sujeito a trabalhar em condições precárias ou ser julgado como “inútil” pela sociedade. Na logoterapia, a vontade de sentido é orientada para uma realização de sentido, a qual provêuma razão para a felicidade; isto é, “com uma razão para ser feliz, a felicidade surge automaticamente como efeito colateral” (Pereira, 2007, p. 129).

A logoterapia objetiva a conscientização do espiritual.A partir da Revolução Industrial, o trabalhador foi desapropriado do seu “saber fazer”,ficando restrito a realizar tarefas repetitivas e fragmentadas (Menezes, 2007). A partir disso, a força de trabalho tem se tornado cada vez mais dispensável, e se o indivíduo não tem essa conscientização espiritual da vontade de sentido, acaba por adoecer física e psiquicamente.

2. Trabalho e Sentido de Vida
Segundo Guedes (2012), o trabalho é a ação transformadora do homem, realizada na natureza e na sociedade em que vive. Do modo como é definida, a relação entre trabalho e realização humana parece evidente, visto que o homem procura sua realização por meio do trabalho.
Para corroborar com essa visão,Frankl (1991 apud Moreira & Holanda 2010), afirma que o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo, quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo a serviço de uma causa, ou no amor a uma pessoa. É como o olho, que só pode cumprir sua função de ver o mundo enquanto não vê a si próprio. O sentido tem um caráter objetivo de exigência e está no mundo, não no sujeito que o experiência.
Nas sociedades capitalistas, o trabalho passou a ter uma centralidade na vida dos indivíduos transformando-se em uma condição para a sobrevivência e, independente do conteúdo, tornou-se um dever. Frankl (2003 apud Guedes 2012) afirma que o trabalho pode representar o campo em que a unicidade do individuo se relaciona com a comunidade, recebendo, desse modo, o seu sentido de valor.
Segundo Linhart (2007), o trabalho é o que permite, é o que organiza o tempo com o outro. Ele constitui uma ocupação. É um meio de lutar contra a monotonia da vida, de encher o vazio, de passar o tempo. Além disso, o trabalho é o grande ordenador de tempo. Ao impor sua duração, ele anula, apaga o tempo que o indivíduo dedica a si mesmo. Tempo durante o qual não se sabe o que faz. Um tempo durante o qual ele escapa do vazio e de si mesmo.
A expulsão do mundo do trabalho e, conseqüentemente, a exclusão da sociedade faz com que os indivíduos desempregados passem a ser impedidos de uma vida dotada de algum sentido (Antunes, 2002 apud Pinheiro e Monteiro 2007).
Ao perder o vínculo com o emprego, o trabalhador também perde sua perspectiva de futuro e de construção e realização do seu projeto de vida.Ao falar de sentido, estamos fazendo referência ao significado, à coerência, à busca de propósito e finalidade. Frankl nos expressa como o homem que perdeu o sentido cai em um vazio existencial e sofre; esta frustração existencial pode desembocar em uma sintomatologia neurótica que, como já mencionamos, o dito autor denomina noogênica (Perez, 1997 apud Moreira & Holanda 2010).
O trabalho se mostra tão central na vida das pessoas, que diversas vezes o trabalhador passa mais tempo trabalhando do que executando seu projeto de vida propriamente dito. Mostra-se notório a demasiada importância que o trabalho assume na vida dos seres humanos, sendo que ao cortar essa ligação depara-se com a perda de todo esse investimento e de reconhecimento social e subjetivo.
Segundo Ribeiro (2007 apud Barros & Oliveira 2009), a falta de trabalho pode gerar uma vida sem significação e uma situação de vulnerabilidade social, a qual pode ocasionar uma desordem simbólica e psíquica.
Não é tanto o próprio trabalho que atrai. É principalmente o vazio em torno do trabalho que repele. O vazio em uma sociedade concebida, moldada por e para o trabalho. O trabalho é, aqui, um meio. Qualquer que seja seu conteúdo, qualquer que seja sua finalidade própria, ele serve, antes de mais nada, para dar um sentido ao tempo, um sentido à vida, e condiciona a inserção social (Linhart 2007).

Só uma necessidade nada recebe, e ela é a necessidade de sentido do homem, ou seja, sua vontade de sentido. Um exemplo apontado por Frankl: o que deprime as pessoas não é o desemprego em si (comum na sociedade atual), mas a sensação de falta de sentido decorrente disto. O peso maior não é ônus financeiro, e sim as pressões psíquicas sofridas pelos desempregados (Frankl, 1990 apud Moreira & Holanda (2010).

Ademais, em qualquer situação humana o indivíduo pode encontrar o sentido; mesmo no último momento da vida há possibilidades de tê-lo. Até diante daquilo que Frankl (1993 apud Moreira & Holanda (2010) chamou de "tríade trágica" – a dor, a culpa e a morte – é possível encontrá-lo.
Diante da situação de desemprego, o homem tem liberdade de escolher se irá ou não se submeter às forças do destino social, uma vez que a neurose do desemprego não é de maneira nenhuma aquele destino incondicionado com o que o neurótico tende a identificá-la (Guedes, 2012). Pois mesmo não sendo livre do desemprego, o homem é livre para buscar outras alternativas e não se tornar vítima do que o destino lhe trouxe.

Como afirma Lukas (1989, p. 151), “o trabalho não é tudo e se para alguém ele for, este está arriscando a saúde e a vida”. Segundo Moreira, Abreu e Oliveira |
4. Referências Bibliográficas:
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De Aquino, P. L. S.; Cagol, F. (2013) O sentido de vida no trabalho: contribuições da logoteoria para a qualidade de vida do trabalhador. Revista Logos & Existência: Revista da Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial, v. 2, n. 2, 114-124.
Frankl, V. E. (1965). La Idea psicológica delhombre. Madrid: Rialp. 57.
Frankl, V. E. (2003). Psicoterapia e sentido da vida: fundamentos da logoterapia e análise existencial. São Paulo: Quadrante.
Guedes, K. C. & Gaudêncio, E. O. (2012). Trabalho e Logoterapia: análise existencial da situação de desemprego. Revista Logos & Existência, 1, 26-37.
Grisi, C. (2000). Trabalho, tempo e subjetividade: a reestruturação do trabalho bancário. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Linhart, D. A desmedida do Capital; [tradução Wanda Caldeira Brant]. São Paulo: Bontempo, 2007. – (Mundo do trabalho)
Lukas, E. (1989). Logoterapia: a força desafiadora do espírito. São Paulo: Edições Loyola.
Menezes, A. (2007). O desemprego e suas repercussões biopsicossociais. Disponivel em: http://www.frb.br/ciente/ADM/ADM.MENEZES.F1.pdf. Acesso em: 26/11/2015
Moreira, Neir and Holanda, Adriano. Logoterapia e o sentido do sofrimento: convergências nas dimensões espiritual e religiosa.Psico-USF (Impr.) [online]. 2010, vol.15, n.3, pp. 345-356. ISSN 1413-8271. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-82712010000300008.
Pereira, I. S. (2007). A Vontade de Sentido na Obra de Viktor Frankl. Psicologia USP, 18(1), 125-136.
Pinheiro, Letícia Ribeiro Souto e Monteiro, Janine Kieling.Refletindo sobre desemprego e agravos à saúde mental. Cad. psicol. soc. trab. [online]. 2007, vol.10, n.2, pp. 35-45. ISSN 1516-3717
Tolfo Suzana da Rosa and Piccinini, Valmíria. Sentidos e significados do trabalho: explorando conceitos, variáveis e estudos empíricos brasileiros. Psicol. Soc. [online]. 2007, vol.19, n.spe, pp. 38-46. ISSN 1807-0310. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822007000400007
Warr, P. Work, unemploymentand mental health. Oxford: Oxford University Press, 1987
 

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