O presente artigo versa sobre a ludoterapia com base fenomenológico-existencial, destacando a importância do brincar para a criança, pois é através da relação criança-brinquedo que o terapeuta pode auxilia-la na compreensão de si e de seus atos. O artigo destaca também, uma breve contextualização da psicologia humanista fenomenologia e existencialismo, as práticas e/ou técnicas do terapeuta no ambiente lúdico, a importância da família para a construção do processo l...
RESUMO
O presente artigo versa sobre a ludoterapia com base fenomenológico-existencial, destacando a importância do brincar para a criança, pois é através da relação criança-brinquedo que o terapeuta pode auxilia-la na compreensão de si e de seus atos. O artigo destaca também, uma breve contextualização da psicologia humanista fenomenologia e existencialismo, as práticas e/ou técnicas do terapeuta no ambiente lúdico, a importância da família para a construção do processo ludoterápico, o conceito de saúde e bem estar a partir da psicologia humanista e da Organização Mundial de Saúde, tendo como base Virgínia Axline, Carl Rogers, entre outros. Desta forma, o artigo objetiva investigar e destacar as principais práticas do psicólogo e os diversos tipos de técnicas que podem ser aplicadas no ambiente lúdico, apresentando de maneira clara os encantos da ludoterapia fenomenológico-existencial, com o propósito de auxiliar e contagiar o leitor a partir de um olhar que rejeita o determinismo e prioriza a construção do sentido e significado para o indivíduo, diante de suas queixas conscientes.

Palavras-chave: Criança. Fenomenologia-Existencial. Ludoterapia. Psicologia Humanista. Práticas da Ludoterapia.

EXISTENTIAL PHENOMENOLOGY AND PLAY THERAPY

ABSTRACT
This article is about play therapy with phenomenological and existential base, emphasizing the importance of playing to the children, because the therapist can help them and their acts through the relation child-play. The article remarks as well, a brief context of humanism, of phenomenology, existentialism e humanist psychology, the practices and/or techniques of the therapist in the playful environment, the importance of family in the construction of the playing process, the concept of health and welfare according to the humanist psychology and the World Health Organization, based on Virgínia Axline, Carl Rogers, among others. This way, the article aims to investigate and highlight the main techniques and other techniques that can be applied in the play environment, clearly presenting the charms of phenomenological and existential play therapy, with the purpose of helping and infecting the reader from a point that rejects determinism and turns the construction of sense and meaning to the individual in front of his conscious complaints a priority.

Keywords: Child. Existential Phenomenology. Play Therapy. Humanistic Psychology. Practice of Play Therapy.

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Introdução
A ludoterapia com base fenomenológico-existencial apresenta-se como uma aplicação da terapia psicológica que utiliza a ação do brincar, a fim de alcançar a autenticidade e subjetividade do indivíduo, sendo este aspecto o ponto crucial para a essência do processo terapêutico; que visa à relação de intersubjetividade na vivência conflitiva do cliente, em busca de uma coerência entre as condições do existir e os aspectos conscientes. Por possuir um papel fundamental para o crescimento e o desenvolvimento tanto físico quanto cognitivo e psicossocial da criança, a família constitui-se como base e suporte para a construção do sujeito como um ser atuante em meio à sociedade.
Com o intuito de discutir ações que favoreçam a saúde e bem estar da criança, o presente artigo objetiva investigar e destacar as principais práticas do psicólogo e os diversos tipos de técnicas que podem ser aplicadas no ambiente lúdico, ressaltando o jogo e a criatividade como um meio natural de auto expressão da criança; assinalando a importância da contribuição familiar para a promoção da saúde do individuo em tratamento, influenciando também, seu convívio social.
A ludoterapia fenomenológico-existencial diferencia-se das outras abordagens no instante em que visa à consciência e compreensão do fenômeno vivenciado pela criança, enfatizando o significado ou experiência do sujeito em relação ao acontecimento, promovendo a possibilidade da escolha e a clareza das conseqüências, frente às demandas do cotidiano.
O método abordado no presente artigo constitui-se como bibliográfico, pautado em Carl Rogers, Virgínia Axline e outros autores que mormente transitam entre a fenomenologia existencial, o humanismo, a ludoterapia e o universo infantil. Desta forma, o texto subdivide-se inicialmente nos conceitos de Humanismo, Fenomenologia, Existencialismo e Psicologia Humanista, posteriormente enfatiza a Ludoterapia não diretiva e as fases do processo terapêutico segundo Carl Rogers, destaca o papel do psicólogo, a contribuição da família e as técnicas de algumas abordagens da psicologia que podem ser aplicadas no campo da fenomenologia existencial, concluindo e evidenciando a importância da compreensão psicológica para a promoção do bem estar no indivíduo.

1. Fenomenologia, Existencialismo e Psicologia Humanista
Ao falar-se de uma ludoterapia humanista com características fenomenológico-existenciais, é necessária uma pequena introdução acerca do surgimento e embasamento teórico. Inicialmente, manifesta-se no movimento humanista, percorre as bases da fenomenologia e do existencialismo, sendo esta corrente de pensamento construída por vários autores.
Desta forma, a abordagem humanista não tem um único fundador, foi composta por vários teóricos e vê o comportamento humano como um aspecto da experiência humana, a qual só pode ser compreendida através do significado que o indivíduo lhe dá, ou seja, de forma subjetiva, que também é denominada como ponto de vista Fenomenológico, destacando a validade entre as culturas e os valores do desenvolvimento humano. Ao passo que amplia o domínio da psicologia, a abordagem humanista enfatiza a importância do significado na vida dos indivíduos, rejeitando o determinismo (GLASSMAN & HADAD, 2006).
O movimento Humanista veio resgatar valores humanos esquecidos e reconstruir um novo foco, voltando-se ao homem como ser concreto, fonte de valores, singular, com suas potencialidades, liberdade de pensamento, assim como o poder de fazer suas escolhas de acordo com a visão do potencial humano, que impulsiona o homem ao crescimento e à atualização (LIMA, 2005 apud LIMA, 2008).
O humanismo se constitui como uma forma de ver o homem no centro de seu interesse, vendo a condição humana em primeiro lugar e desta forma, valorizando o ser humano, resgatando sua individualidade, subjetividade e emoções. Conforme aponta Lima (2008).
Falar de humanismo em psicoterapia, portanto, é falar de uma questão de postura, de atitude. Significa colocar-se na experiência vivida no momento presente, pois é somente na vivência atual, em interação com o outro, que pode realmente se dar o conhecimento e atingir o significado da experiência. Na prática clínica, significa que é na relação entre terapeuta e cliente que se dá o desvelamento da pessoa e se pode chegar ao sentido que o cliente dá às questões trazidas (LIMA, 2005 apud LIMA, 2008, p. 9).

Em um momento marcado pelas influencias racionalistas de Descartes, o surgimento de novas matrizes de pensamento, a negação da pura objetividade e subjetividade, surge Husserl e a Fenomenologia como um movimento do pensamento, que segundo Dartigues (1992), veio como uma terceira via entre a filosofia especulativa da metafísica e a ciência positivista (LIMA, 2008).
A fenomenologia de Husserl originou-se anteriormente à Primeira Guerra Mundial e logo após, surgiram Escolas que comungaram desta mesma idéia, assim como a ontologia existencial de Martin Heidegger (ZILES, 2007).
Ziles (2007) explana sobre o ato de pensar e sentir este pensamento segundo Husserl, ou seja, percebê-lo como algo existente, como algo que pode ser experienciado envolvendo os aspectos racionais e irracionais, vê o conhecimento como intencional, vê o homem como um ser que sente; um ser que mesmo sabendo das condições do meio, pode ter sentimentos, desejos e vontades.
Rejeitando o psicologismo, Husserl afirma que as proposições lógicas contêm verdades necessárias, puramente ideais; as proposições da psicologia generalizam interpretações da experiência. A psicologia pressupõe a existência de seus objetos e a lógica não. Pela crítica ao psicologismo Husserl pensa a propriedade dos atos de pensar, perceber etc., a partir do seu conteúdo de sentido, ou seja, do pensado e percebido (ZILES, 2007, p. 2).

Husserl fala sobre a consciência de reconhecer o objeto e essa correlação, não havendo um sem o outro, ou seja, descrevendo os fenômenos como eles são na intencionalidade da consciência visando o fenômeno que se constitui a partir da relação do objeto com a consciência, sendo que este conteúdo só se constitui como tal, quando é representado na consciência (ROEHE, 2006 apud LIMA, 2008).
Marcando um momento específico da relação entre Fenomenologia e Existencialismo, destaca-se o pensamento de Heidegger que explora, através da fenomenologia, o que é o Ser, diferenciando-se dos autores existencialistas que surgiram em meio à Segunda Guerra Mundial (EWALD, 2008).
Com o término da segunda guerra mundial, iniciou-se uma crise que começou na Europa e irradiou-se pelo mundo, gerando um ambiente de desânimo e desespero, atingindo principalmente os jovens, conforme Penha (2014).
Logo após o término da segunda Guerra Mundial, numa Europa mergulhada nas seqüelas do conflito, sufocada numa crise geral (política, social, econômica, moral, financeira etc.), irradia-se do continente europeu, espraiando-se por todo o mundo, o movimento filosófico existencialista. A experiência traumática da guerra gerou um ambiente de desânimo e desespero, sentimentos que atingiram particularmente a juventude, descrente dos valores burgueses tradicionais e da capacidade de o homem solucionar racionalmente as contradições da sociedade (PENHA, 2014, p.7).

O existencialismo surge e se desenvolve em meio à esta crise mundial, repercutindo à medida que suas ideias correspondiam ao momento histórico. Logo após, o existencialismo se tornou uma forma de viver e de ver o mundo, configurando-se em um estilo de vida que valorizava atitudes incomuns e singulares (PENHA, 2014).
O termo existencialismo refere-se à existência e não à essência, existência essa que se constitui enquanto condição humana, por estar relacionada à consciência, à capacidade de refletir, de pensar sobre si, buscando as razões que justifiquem sua existência. Seus antecedentes filosóficos incluem: Kierkegaard que via a existência hu|
Referências
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Data e local de Envio do artigo: Aracaju/SE, 28/11/2015

 

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