Ao longo deste trabalho buscamos relacionar conteúdos da disciplina de dificuldades de aprendizagem

Resumo

Ao longo deste trabalho buscamos relacionar conteúdos da disciplina de dificuldades de aprendizagem, com o tema escolhido para defesa do trabalho de conclusão de curso (TCC), cuja abordagem refere-se ao aluno com surdez no ensino superior, e ainda estabelecer relações com experiências vivenciadas durante a realização dos estágios obrigatórios do curso de Pedagogia. Desta forma, o presente trabalho propõe discutir as dificuldades de aprendizagem da pessoa com surdez no ensino regular, entendendo a escola como a principal difusora do aprendizado. Para a efetivação deste trabalho fez-se necessário pesquisas bibliográficas de diferentes fontes, utilização dos questionários do trabalho de conclusão de curso bem como os memorias do estágio. Os resultados evidenciam que o número de pessoas com surdez adentrado o ensino regular tem sido crescente, porém o número de evasão é alarmante, isto devido a dificuldades enfrentadas por eles no processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-chave: Dificuldades de aprendizagem. Ensino superior. Comprometimento auditivo.

Introdução

Ao analisarmos o contexto histórico das pessoas com deficiência, no que tange a educação, nos deparamos com um grupo excluído de seus direitos devido aos preconceitos e estereótipos da sociedade em torno da deficiência e no período contemporâneo é incontestável o avanço das políticas públicas em prol dessas pessoas. Podemos perceber esses reflexos nas evoluções significativas no número de matrículas de pessoas com necessidades educacionais especiais (NEE), de acordo com Ploennes (2012).

E entre os anos de 1998 e 2010, o aumento no número de alunos com NEE matriculados em escolas comuns foi de 1.000%. Porém, ao analisarmos os dados quantitativos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) no período de 2007 a 2013 nos possibilitou diagnosticar um percentual exagerado no número de pessoas com NEE evadido do ensino regular. No período de 2007, as pesquisas evidenciam que 239.506 pessoas adentraram no ensino fundamental e somente 6.460 pessoas ingressaram nas universidades. Os números são ainda maiores no ano de 2013 os quais apontam que 505.505 pessoas ingressaram no ensino fundamental e somente 30.000 conseguiram entrar no ensino superior.

De acordo com esses dados, há um lapso temporal de seis anos e podemos constatar que entre os alunos matriculados no Ensino Fundamental no ano de 2007 a 2013, 88% não se matricularam no Ensino Superior no Ano de 2013. A maioria acaba desistindo por motivos diversos, especialmente devido às dificuldades que encontram para aprender estando inseridos no ensino regular.

Pessoas Com Surdes e Dificuldades de Aprendizagem

De acordo com Leite (2012), as pessoas com deficiência auditiva, enquadram-se no conjunto de indivíduos que possuem distúrbios de aprendizagem. A autora pondera que a terminologia foi estabelecida em 1981, pelo National Joint Comittee for Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem), nos Estados Unidos da América. A terminologia é também trocada por outros autores por dificuldades de aprendizagem. Leite (2012) nos elucida que:

Os alunos considerados portadores de dificuldade de aprendizagem são aqueles que, mesmo não possuindo inferioridade intelectual global, nem limitações sensoriais decorrentes de deficiência auditiva, visual, física ou múltipla apresentam dificuldades para aprender (LEITE, 2012, p.20).

A deficiência auditiva não deve ser compreendida como causadora de inferioridade intelectual, pois é sabido que somente a surdez não acarreta comprometimentos no desenvolvimento psiconeurológicos da pessoa com deficiência auditiva. Porém a falta de comunicação, seja ela oral ou gestual, pode causar dificuldades no processo de ensino e aprendizagem. Leite (2012) nos elucida como ocorre o processo de ensino e aprendizagem:

Para compreendermos o processo de aprendizagem, devemos considerar que ele resulta da relação entre as condições externas ao indivíduo – seu contexto familiar, social, cultural e educativo – e de suas condições internas – suas características individuais, orgânicas e psicológicas (LEITE, 2012, p.7).

Podemos então perceber que o processo de aprendizagem decorre de um intercâmbio nas relações sociais e, nesse sentido, pautado no pensamento de Vygostky, podemos afirmar que a constituição do se dá social e historicamente e quando ele aprende é que se desenvolve.  Assim, a falta de comunicação com a pessoa surda ou com D.A pode acarretar em dificuldades de aprendizagem. De acordo com Ciasca (2003, apud LEITE, 2012, p. 17):

As dificuldades de aprendizagem correspondem a uma categoria ampla de fenômenos que podem influenciar negativamente o aprendizado. Abrangem os problemas de aprendizagem e os problemas escolares, isto é, o modo como a escola lida com o processo de ensino-aprendizagem. Enquanto os problemas de aprendizagem concentram o peso da dificuldade no aluno, as dificuldades de aprendizagem incluem os fatores externos ao aluno. No caso da escola, são os problemas de origem pedagógica.

Para o processo de ensino e aprendizagem da pessoa com deficiência auditiva, faz-se necessário haver metodologias diferenciadas e uma linguagem específica, visto que essas pessoas fazem uso da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), que é considerada a língua materna dos surdos e vai ao encontro de minimizar as dificuldades no processo de ensino. Bruno (2011) afirma que o insucesso da educação básica se dá pela falta de um proposta educacional bilíngue. O que ficou também constatado na entrevista do trabalho de conclusão de curso que uma das entrevistadas relatou ter evadido do ensino fundamental pela falta de acessibilidade a LIBRAS.

Outro fator preponderante de ser aqui destacado é ao que diz respeito à eliminação de barreiras atitudinais, que pode ser considerado indispensável na educação da pessoa com deficiência. Evidentemente que não se trata da eliminação de todos os males que cerca a educação das pessoas com deficiência, mas que a crenças e os pensamentos estereotipados se tornam um grande entrave no desenvolvimento pleno destas pessoas, ponderamos que esta barreira realmente seja a mais difícil de ser eliminadas, pois se perpetua nas relações sociais.

Ao analisar as experiências e práticas pedagógicas propostas pelas educadoras em sala de aula no momento de observação possibilitado pela experiência de estágio nos anos iniciais do ensino fundamental, não foi possibilitado perceber práticas específicas para o atendimento de pessoas com surdez, pois nas salas observadas não havia pessoas com esses comprometimentos, porém foram presenciadas atividades pedagógicas que podem ser trabalhadas também com quem tem comprometimento auditivo. Um exemplo é a alfabetização por meio de palavras ilustradas por imagens, uma vez que as pessoas com comprometimento auditivo a imagem propicia uma melhor decoração visual das palavras. Outra atividade também coerente é a estimulação de produção de texto a partir de imagens pré-definidas pelo professor, em que o aluno deve produzir textos a partir dessas figuras, possibilitando ao aluno surdo uma visualização da imagem e a partir dela produzir seu texto.

Por outro lado, existem algumas práticas que devem ser evitadas ao se trabalhar com alunos com comprometimento auditivo, tais como: falar de costas para a sala evitando que o aluno possa fazer leitura labial ou até mesmo causando abafamento do som decorrente do contato com a lousa, evitando assim que alunos com baixa audição possa compreender com clareza a fala do professor.

Considerações finais

A inserção de pessoas com deficiência auditiva no ambiente escolar regular não é sinônima de continuação e aprendizado, faz-se necessário a promoção de acessibilidade, para que elas ocorram. Assim para proporcionar a permanência faz-se necessário viabilizar mecanismos, como a valorização da pessoa, a adaptação do espaço, das aulas, a práticas docentes e de relação social, a fim de que esta não se torne uma exclusão. Pensar propostas de permanência, para assegura o atendimento as necessidades educacionais se faz necessário, nesta modalidade de ensino, pois estes sujeitos estarão inseridos a uma nova realidade e de acordo com Guerra e Capelario (2013), serão desafiados diariamente, a construir e reconstruir o conhecimento. Alguns desses sujeitos muitas vezes vêm de um ensino com algumas defasagens, pois existem algumas instituições e/ou práticas que não aprofundam o conhecimento e as competências para que o aluno surdo possa se desenvolver, acreditando que o fato de estar inclusão no meio escolar já contribua para este desenvolvimento, focando assim apenas nas relações sociais. Corroborando com essa ideia Bruno (2011, p. 544) diz:

A experiência educacional de surdos no ensino médio e superior foi acompanhada de frustrações e de insucesso, devido à ausência de satisfação das necessidades específicas desses educandos nesses níveis de ensino, bem como pela ausência de uma proposta bilíngue na educação.

Práticas segregadas e pensamentos estereotipados precisam ser resilidos sobre o indivíduo surdo e sua capacidade de desenvolvimento, pois esses alunos não havendo outro impedimento cognitivo possuem capacidade para desenvolver-se, desde que lhe sejam proporcionados atividades que reconheçam a condição da pessoa com deficiência auditiva e lhe sejam ofertadas atividades apropriadas para a sua especificidade.

Referências 

BRUNO, Marilda Moraes Garcia. Políticas afirmativas para a inclusão do surdo no ensino superior: algumas reflexões sobre o acesso, a permanência e a cultura universitária. Brasília. 2011.p. 542-556. Disponível em: <http://rbep.inep.gov.br/index.php/RBEP/article/viewFile/1941/1732>. Acesso em: 20 Mar. 2015.

LEITE, Vânia Aparecida Marques. Dimensões da Não aprendizagem. Ed. Ver. – Curitiba-PR. Brasil. 2012. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=NJNBgSxWpjEC&printsec=frontcover&dq=dimens%C3%B5es+da++nao+aprendizagem&hl=ptBR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=dimens%C3%B5es%20da%20%20nao%20aprendizagem&f=false>. Acesso em: 19 Nov. 2015.

PLOENNES, Camila. O Impasse da Inclusão. Educação inclusiva | Edição 177 Janeiro/2012. Disponivel em: <http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/177/o-impasse-da-inclusaomudanca-na-meta-4-do-plano-nacional-243674-1.asp>.  Acesso em: 19 Nov. 2015.

SOARES, Maria Aparecida Leite. A Educação do Surdo no Brasil. 2ª ed., Campinas: Autores associados, 2005.

Autores

TATIANE PEREIRA DE SOUZA: Graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus de Naviraí (UFMS/CPNV). Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação, Desenvolvimento e Inclusão (GEPEDHI).

JOSIANE PERES GONÇALVES: Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Mestre em Psicologia Social e Personalidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Professora Adjunta da UFMS/CPNV. Líder do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento, Gênero e Educação (GEPDGE).

GIOVANI FERREIRA BEZERRA: Doutorando em Educação pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Professor assistente da UFMS/CPNV. Líder do GEPEDHI.

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