Prevenção às DST/Aids na atenção básica à saúde: uma articulação com o apoio matricial em João Pessoa/PB

Objetivo: Analisar o desenvolvimento de ações de prevenção às DST/Aids em Unidades de Saúde da Família (USF) da cidade de João Pessoa-PB, articulando com o papel do apoio matricial. Procedimentos metodológicos: Esse estudo é um recorte de uma pesquisa maior, sendo utilizada a mesma amostra de 19 USF com um respectivo profissional de saúde, tendo como instrumentos um... Prevenção às DST/Aids na atenção básica à saúde: uma articulação com o apoio matricial em João Pessoa/PB
RESUMO
Objetivo: Analisar o desenvolvimento de ações de prevenção às DST/Aids em Unidades de Saúde da Família (USF) da cidade de João Pessoa-PB, articulando com o papel do apoio matricial. Procedimentos metodológicos: Esse estudo é um recorte de uma pesquisa maior, sendo utilizada a mesma amostra de 19 USF com um respectivo profissional de saúde, tendo como instrumentos um questionário estruturado, um roteiro de observações e uma entrevista semiestruturada. |
RESUMO
Objetivo: Analisar o desenvolvimento de ações de prevenção às DST/Aids em Unidades de Saúde da Família (USF) da cidade de João Pessoa-PB, articulando com o papel do apoio matricial. Procedimentos metodológicos: Esse estudo é um recorte de uma pesquisa maior, sendo utilizada a mesma amostra de 19 USF com um respectivo profissional de saúde, tendo como instrumentos um questionário estruturado, um roteiro de observações e uma entrevista semiestruturada. Resultados: Verificou-se que todas as USF referiram algum tipo de dificuldade de recursos para a realização de atividades de prevenção às DST/Aids, como espaço físico, falta de materiais educativos e de insumos de prevenção, como o preservativo feminino e o gel lubrificante, além de outras barreiras citadas pelos profissionais. Apesar disso, a maioria (N=13) indicou realizar atividades de prevenção em espaços do território, sendo enfatizado por alguns a importância destas. Observou-se a invisibilidade da temática nos espaços das USF, inclusive por parte dos apoiadores matriciais, sendo apontado pelos profissionais a importância de incluir a prevenção às DST/Aids na rotina do serviço. Considerações finais: Aponta-se para a necessidade de efetivação das práticas de prevenção na atenção básica à saúde, organizando as prioridades e garantindo os recursos e as qualificações necessários para trabalhar com as DST/Aids nesses serviços. Aponta-se para a importância dos apoiadores matriciais nesse processo, bem como na problematização e nas mudanças das práticas de cuidado em saúde a partir da Educação Permanente.
Palavras-chave/descritores: DST/Aids, atenção básica, prevenção.

INTRODUÇÃO
Na contemporaneidade, por ainda se tratarem de graves problemas de saúde públicas, as DST/Aids não podem ser negligenciadas, exigindo ações que contribuam, eficazmente, na prevenção. De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2006), os princípios básicos para atenção às DST/Aids, são: interromper a cadeia de transmissão, sendo preciso detectar precocemente os casos, tratando os infectados, e seus parceiros, adequada e oportunamente; e prevenir novas ocorrências, sendo este trabalho um meio pelo qual se favorece a compreensão e o seguimento das prescrições, o que contribui, de forma mais efetiva, para a adoção de práticas sexuais mais seguras.
Dentre os princípios norteadores das ações de prevenção, propostas pelo Plano Estratégico do Programa Nacional de DST/Aids (Brasil, 2004) estão: solidariedade, não preconceito e não discriminação; garantia dos direitos individuais e sociais das pessoas vivendo com HIV/Aids; integralidade da atenção; e equidade e sustentabilidade das ações de promoção da saúde. As linhas estratégicas são a promoção de adoção de práticas mais seguras, por meio do acesso à informação e insumos de prevenção; o estabelecimento de modelos de intervenção, considerando aspectos culturais, sociais e valores relativos aos segmentos populacionais envolvidos; a priorização de intervenções realizadas por pares, que promovam mudança de práticas, atitudes, valores e crenças em relação às DST/Aids; e o fortalecimento das redes sociais/populares, implementando alternativas para o enfrentamento da epidemia (Brasil, 2004).
No que diz respeito às ações na comunidade, que inclui o trabalho das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), ou seja, da Atenção Básica (AB) – porta de entrada preferencial do usuário no Sistema Único de Saúde (SUS) – o Ministério da Saúde indica que deve haver acessibilidade ao serviço e acolhimento dos usuários; mapeamento de grupos mais vulneráveis; disponibilização de informações qualificadas sobre DST/Aids; disponibilização de insumos de prevenção; inserção da estratégia de redução de danos; articulação com a sociedade civil organizada, com experiência em prevenção às DST/Aids; encaminhamento para os serviços das unidades de saúde e para os serviços de referência em DST/Aids. Também devem ser realizadas ações de educação em saúde sobre as DST/Aids em sala de espera; diagnóstico e aconselhamento; comunicação dos parceiros sexuais; e abordagem sindrômica das DST. Para o profissional, é requerido: habilidades de comunicação; conhecimento técnico; ausência de juízo de valor; postura ética; atitude empática; sensibilidade às questões socioculturais e emocionais; e sensibilidade às demandas singulares de cada usuário (Brasil, 2005).
Assim, o Programa Nacional de DST/Aids, a partir de seu Plano Estratégico (BRASIL, 2004), espera uma valorização da AB como melhor alternativa para a prevenção de novas infecções e como instrumento capaz de antecipar problemas individuais e coletivos em relação à epidemia de HIV/Aids e a ocorrência de DST. A expectativa é que se possa aprimorar este processo, consolidando o conceito de integralidade do SUS e aprimorando a inserção das ações de DST/Aids nesse sistema de saúde (Brasil, 2004).

A atenção básica à saúde na cidade de João Pessoa-PB e as DST/Aids: uma integração necessária
Além dos serviços de média e alta complexidade, como o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento em DST/Aids) e o LACEN (Laboratório Central), que auxiliam no diagnóstico das DST/Aids, e dois hospitais de referência para o tratamento e acompanhamento das pessoas que vivem com HIV/Aids, a rede de saúde da cidade de João Pessoa conta com a AB para dar suporte principalmente na prevenção e diagnóstico precoce das DST/Aids nos territórios.
A AB é gerenciada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS/JP), que, por sua vez, divide-se em cinco Distritos Sanitários (DS) de saúde. Atualmente, são 184 equipes distribuídas em 120 Unidades de Saúde da Família (USF), sejam elas do tipo isolada (composta por uma única equipe – total de 87 USF) ou do tipo integrada (composta por mais de uma equipe – total de 33 USF), além do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS).
Atualmente, em todas as USF conta-se com os profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), conforme recomendado pela portaria nº 154, de 2008 (Brasil, 2008a), atuando a partir do modelo teórico do apoio matricial, proposto por Campos (1999). A proposta é que essas equipes NASF possam atuar de forma integrada e planejada com as equipes das USF, assessorando-as com conhecimentos especializados de modo a dar suporte técnico-pedagógico e retaguarda assistencial; desenvolvendo coletivamente ações que integrem as políticas sociais, visando a intersetorialidade; e identificando as atividades, ações e práticas a serem adotadas em cada uma das áreas cobertas, assim, apoiando, ampliando e qualificando o processo de produção do cuidado aos usuários.
Nas USF, além dos atendimentos individuais, podem ser realizadas atividades coletivas, com destaque para os grupos de cuidado, exercendo a integralidade através das linhas de cuidado. Com a inserção da equipe multidisciplinar do NASF, a partir da proposta do apoio matricial, há um maior fortalecimento dessas linhas, possibilitando maior integralidade, corresponsabilidade e intersetorialidade no campo da AB à saúde. Além disso, a partir destes profissionais, há um fortalecimento das discussões sobre o processo de trabalho das equipes a partir da lógica da Educação Permanente (EP), objetivando a transformação das práticas em saúde.
Diante do exposto, a expectativa de, nesse estudo, fazer uma análise das ações de prevenção às DST/Aids na AB à saúde de João Pessoa-PB, se faz no sentido de introduzir melhorias nas condições do serviço de AB à saúde prestado na rede pública, ampliando as ações de prevenção para a população e, com isso, intensificando o enfrentamento às DST/Aids na capital paraibana. Neste sentido, ressalta-se a importância do apoio matricial enquanto profissional problematizador dessa temática nas USF.
De acordo com Facchinie cols. (2006), analisar políticas e programas em saúde pública é essencial, pois contribui para os esforços em busca de uma sociedade mais saudável e previne o desp|
REFERÊNCIAS
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